COMISSÃO DE SAÚDE
Sobre o Evento
Audiência discute saúde digital para prevenir sequelas neurológicas em recém-nascidos. Especialistas ressaltam importância da monitorização e intervenções precoces, destacando experiências positivas e a necessidade de investimentos em saúde neonatal. Mãe compartilha relato inspirador sobre recuperação do filho. Deputados defendem melhorias no SUS e na tecnologia de monitoramento. Encerramento com convite para novo projeto de lei.
Deputado
Declaro aberta presente em reunião, informo aos senhores parlamentares que essa reunião está sendo transmitida ao vivo pelo canal da Câmara dos Deputados no Youtube, pra ampliar a participação social por meio da interação digital. Esclareço que salvo manifestação explícita em contrária à participação dos parlamentares dos palestrantes na mesa de apresentação e debates, deixa subentendido autorização e publicação por qualquer meio, e em qualquer formato inclusive mediante transmissão ao vivo ou gravado pela internet e meios de comunicação desta casa, e por tempo indeterminado. Os pronunciamentos em imagens pertinentes à participação na audiência pública analisada nessa data, segundo o artigo quinto pela constituição federal, e da lei 9 6 0. O registro de presença do parlamentar será tanto pela oposição da sua digital nos coletores existentes no plenário quanto pelo uso da palavra na plataforma de videoconferência. As inscrições para uso da palavra serão feitas por meio de do menu reações do aplicativo Zoom, ou por solicitação verbal do parlamentar. Essa reunião de audiência pública foi nos termos do requerimento meia de 2024, da comissão de saúde e de minha autoria deputado delegado Paulo Belinski, para debater o uso da saúde digital para prevenir sequelas neurológicas em recémnascidos e internados na na UTI neonatal. Anuncio a participação virtual dos seguintes convidados. Letícia Sampaio, representante da Sociedade Brasileira de Neurologia Infantil. Lícia Maria Oliveira, presidente do departamento de Neurontologia da Sociedade Brasileira de Pediatria. Gabriel Variani, diretor do Instituto Protegendo o Cérebro e Salvando Futuros. Carla Serrano Bellinski, médica neonatologista. Michele Malzoni, mãe de paciente que recebeu tratamento especializado na UTI neonatal. Comunico aos senhores membros dessa comissão que o tempo destinado ao convidado para fazer sua exposição será de 10 minutos prorrogáveis a juízo dessa presidência, não podendo ser aparteados. Os deputados inscritos para interpelar os convidados poderão fazêlo estreitamento sobre o assunto da exposição, pelo prazo de 3 minutos, tendo interpelado igual tempo para responder, prazo de 3 minutos tendo interpelado igual tempo para responder, facultadas à réplica e à pelo mesmo prazo, não sendo permitido ao orador interpelar quaisquer dos presentes. Dando início às exposições, passo a palavra por até 10 minutos, a senhora Letícia Sampaio, representante da Sociedade Brasileira de Neurologia Infantil.
Representante - Sociedade Brasileira de Neurologia Infantil (SBNI)
Bom dia a todos muito obrigada pelo espaço aqui pra estar conversando com vocês e sobre né o impacto das lesões neurológicas na UTI neonatal. Né eu acho assim na UTI neonatal, o risco de lesão neurológica ele varia mas, estimase que 1 porcentagem significativa né de recémnascidos principalmente prematuro, com baixo peso ao nascer né os os recémnascidos que sofreram alguma complicação durante o parto asfixia perinatal hemorragia periventricular alguma infecção no período neonatal. Esses bebês eles precisam de acompanhamento bem intenso né bem de perto intervenção precoce. A lesão neurológica né pra minimizar os riscos nos no desenvolvimento neurológico. E a gente sabe que as lesões neurológicas no bebê traz, impacto importante no desenvolvimento da criança, elas vão ter dificuldade motora, dificuldade cognitiva, dificuldade social e isso vai gerar o quê? Necessidade de terapia contínua, de reabilitação, de apoio educacional na escola especializado, né, na educação a gente vai precisar de inclusão. Tem impacto na saúde pública, na expectativa de vida dessas crianças e nas políticas públicas né pra com estratégia de prevenção de diagnóstico precoce e tratamento. No período neonatal nas crianças que tiveram asfixia nas no nas crianças prematuras o risco de crises epiléticas ele é bastante alto, tá? Que as crises epiléticas no período neonatal, na verdade é o sintoma clínico dessas lesões neurológicas. E nesse período é período muito difícil de você fazer o diagnóstico clínico das crises neonatais né é muito difícil por causa do da própria movimentação do recémnascido Muitas crises nesse período são subclínicas que a gente fala que não tem manifestação clínica né, você não percebe. Então é muito importante em que esses recémnascidos sejam monitorizados né eles devem ser monitorizados com todos os seus parâmetros vitais os parâmetros metabólicos mas a monitorização a gente faz a monitorização cardíaca e muitas vezes não é feita a monitorização neurológica que eu acho que é a mais importante que deveria ser feita no período delatal. Então acho que é muito importante a saúde digital por isso a gente sabe que a Neurologia infantil é 1 especialidade que o nosso país é bastante carente de especialistas né a gente tem bastante neurologista infantil concentrado na região sul, sudeste, nos grandes centros mas o o Brasil é país. Né e tem região que não tem acesso principalmente longe dos grandes centros, então é a saúde digital, a monitorização a distância dessas crianças em centro que tenha mais experiência que possa ajudar os centros que estão distantes é muito importante pra saúde dos bebês no período neonatal. Então eu acho que a pele medicina é 1 coisa que pode ajudar bastante as crianças no período neonatal. Acho que é isso que eu tinha pra falar pra vocês. Muito obrigado doutora.
Deputado
Eu gostaria de, antes de passar a palavra aqui eu quero agradecer a participação à senhora Letícia São Paulo Sampaio por sua participação. Antes de passar a palavra pro próximo palestrante, eu queria deixar claro aqui pra todos que estão participando da audiência que nós convidamos pra participar o representante do Ministério da Saúde e o representante da Secretaria Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência. E o governo não mandou representantes, tá? Então nós não tivemos resposta à nossa, nosso requerimento de participação nessa audiência pública por parte do governo. Eu passo então a palavra por até 10 minutos ao senhor Gabriel Variani, diretor do Instituto Protegendo Cérebro e Salvando Futuros.
Diretor - Instituto Protegendo Cérebros Salvando Futuros
Maravilha. Em primeiro lugar queria desejar muito bom dia. Falar que é 1 honra poder participar dessa dessa sessão tão importante. Aproveito pra cumprimentar a comissão de saúde na figura do deputado Paulo Belinski, cumprimentar a doutora Letícia Sampaio, a doutora Carla Belinski, a Michele aqui com a gente e realmente é 1 honra muito grande poder comentar sobre tema de tão profunda relevância. Eu vou compartilhar minha tela queria só confirmar se vocês conseguem enxergar. Perfeitamente Gabriel. Maravilha. Então vamos começar. Então agradeço as palavras da doutora Letícia eu acho que estão muito muito em ressonância com que a gente trabalha o que a gente acredita e a gente criou 1 apresentação de 10 minutinhos pra gente falar sobre o tema. Então né a gente vai falar sobre saúde digital para prevenção de sequelas neurológicas em bebês de alto risco. A gente começa essa apresentação contando 1 história real, 1 história de 1 mãe chamada Natasha, seu filho chamado Bento. O Bento quando nasceu, ele não chorou, ele não respirou ele teve 1 parada cardíaca no segundo dia de vida de 37 minutos. O dia mais feliz que a Natasha estava esperando veio com notícias muito assustadoras, onde o Bento teria alto risco de morte se ele sobrevivência altíssimo risco de paralisia cerebral, deficiência cognitiva, cegueira, surdez. Aqui é 1 história mas a gente a verdade é que todos os anos mais de 10000000 de crianças no mundo vão ter altíssimo risco de lesão cerebral por problemas secundários ao período neonatal. E quando a gente tem 1 criança com lesão cerebral grave isso traz impacto muito grande para a família, para aquela mãe, para aquele pai, para a família como todo, mas também impacto econômico que é devastador. A gente tem dado americano por exemplo falando do CDC estimando o custo de vida de crianças com deficiência só lá nos Estados Unidos 77000000000 de dólares. O Brasil tem custo indireto com benefícios super importante, super relevante, para suporte a pessoas com deficiência, mas que por exemplo em 2023 superaram a casa dos 43 até 48000000000 de reais e sendo criança e adolescente a maior fatia da representatividade o curso quando a gente fala em custo direto em saúde 1 criança no ciência severa chega até custo até 150 vezes maior do que 1 criança sem deficiência. Então existe racional muito grande, é isso vem muito do comparativo de necessidade crianças sem deficiência versus crianças com deficiência grave, onde os cuidados são muito mais intensivos para os bebês multidisciplinar, cirurgias, medicações, fomecare, enfim existe impacto muito grande entre as diferentes evoluções. A gente gosta muito né de pensar quem que perde quando 1 criança tem lesão cerebral grave, a verdade todos perdem, pacientes, hospitais, sistema de saúde, a previdência, próprio governo aumentando a mortalidade infantil com menor produtividade, mas acima de tudo as sociedades e as famílias quando menos crianças podem ler aprender e contribuir. E nesse cenário a gente gosta de pensar que não existe 1 bala de prata né, alguma única intervenção que consiga reduzir né todo o impacto de toda essa problemática. Então existem vários pilares para prevenção e tratamento dos recémnascidos de alto risco né com prénatal adequado assistência adequado ao nascimento, tratamento especializado na UTI, acompanhamento e habilitação pós alta também continua após a alta da maternidade. Focando pouquinho na Pediatria intrahospitalar a gente dá destaque ao importante, a fundamental importância da Sociedade Brasileira de Pediatria, o programa de reanimação neonatal é literalmente capacitando milhares de profissionais para ajudar aquele bebê no seu primeiro minuto de vida e quando esse bebê precisa ir para a UTI, a a verdade é que ele precisa de cuidados E a verdade é que a evolução da neonatologia como todo a gente teve muita muita sucesso em reduzir mortalidade o nosso grande desafio hoje é preservar a qualidade de vida, onde o conceito de UTI neurológicas vem sendo disseminado em todo mundo, 1 série de protocolos clínicos padronizados, uso de metodologias específicas educação e treinamento, tudo isso é muito importante e vem ganhando muita relevância na especialidade. Quando a gente fala em metodologias específicas algumas chamam a atenção nesse cenário de cuidados neurocríticos, que seja a questão de monitoramento cerebral, que aqui a gente tem a questão como a doutora Letícia trouxe da eletroencefalografia para identificar as crises convulsivas, existem metodologias e chama NIRS que consegue ver oxigenação do cérebro e metodologias como por exemplo a gente chama de hipotermia terapêutica que ao resfriar o corpinho do bebê isso é comprovadamente eficaz para reduzir o risco de morte ou sequelas neurológicas em bebês quando eles têm quadro que a gente chama de asfixia, falta de oxigenação ao nascimento. Tocando rapidamente no monitoramento com a doutora Letícia trouxe muito bem, a gente lembra que nenhum momento da vida na incidência de crises combustíveis é tão grande quanto o período natal, quanto mais crise maior risco né de lesão a gente chama de carga aí de crises convulsivas né como a doutora Batista também trouxe a grande maioria das vezes que o bebê convulsiona ele não tem manifestação clínica e até 80 a 90 porcento das vezes o bebê não se movimenta não pisca o olho não mexe dele é impossível saber se o bebê está convulsionando e de quebra muito bebê tem movimento inespecífico que as pessoas acham que a convulsão mas na verdade não são e o bebê recebe medicação desnecessário e sim tratar adequadamente as crises reduz o risco de lesão neurológica permanente né a gente tem dados da importância de reduzir a carga de crises epiléticas nessa população quando a gente toca em saúde digital né a definição seria aplicação de tecnologias ferramentas digitais no campo da saúde para melhor acesso eficiência a qualidade dos cuidados de saúde entre diversas tecnologias desde tela saúde inteligência artificial né o era bom enfim é conceito bastante amplo tocando na tela e saúde ganhou muita relevância naturalmente após a pandemia né na nossa concepção representa a evolução natural da saúde na transformação aqui na era digital principal resultado é redução da distância entre 2 locais promovendo acesso ao alcance das metodologias específicas com redução do custo estrutural e 1 ferramenta de educação, monitoramento consultoria clínica e também pesquisa. O nosso grupo tem 1 experiência bastante relevante com trabalhar com cuidados neurocríticos através de saúde digital, hoje atuando em 50 hospitais no país e mais 5 projetos internacionais mais de 12000 crianças monitoradas no seguinte modelo quando eu tenho bebezinho de risco né esse daqui é bebê que ele teve por exemplo a gente chama de asfixia perinatal ele recebe a hipotermia terapêutica ele está 33.4 graus aqui ele tem toda a que será são do monitoramento eletroencefográficos sinais vitais e aquele monitoramento de oxigenação e as informações são enviadas para 1 equipe numa central de monitoramento responsável por reavaliar essa criança por fazer esse monitoramento e consultoria clínica. O nosso grupo trouxe bastante publicação a gente estuda muito todas as questões eu vou trazer alguns artigos que na nossa concepção foram bastante relevantes esse artigo a gente publicou numa revista chamada Jama network Open que a gente avaliou 1 corte de 872 crianças aqui do país em 32 hospitais de bebês que fizeram hipotermia terapêutica e tinham asfixia prénatal, desses bebês 33.9 por 100 é super prevalente tiveram crises, os bebês que tiveram crises 72 por 100 só tiveram subclínica ou seja só identificados pelo mantramento e mais 17 por 100 tiveram crises clínicas com movimentação mas também subclínicas, ou seja em 89 por 100 das vezes o mantramento nessa grande corte brasileira ela foi foi determinante em cima da conduta. Como conclusões a gente chegou que essa é 1 condição prevalente as condições são comuns, isso é dado também da literatura, a manutenção eletrográfica para desempenhar papel fundamental no cuidado e os avanços da tecnologia da informação na tela saúde possibilitam a prestação de cuidados neurocríticos a centros distantes muitas vezes com diversas disponibilidade de recursos. Esse é segundo estudo que a gente publicou esse ano muito bacana comparando 6 centros que conseguiam né fazer o neuromonitoramento versus 6 centros que não conseguiam e foi muito interessante entender que os centros que utilizaram o neuromonitoramento reduziram pela metade uso da medicação anticonvulsivante com maior acurácia da detecção aqui das crises convulsivas né então utilizou metade por quê Porque eu deixo de dar anticonvulsivante de forma desnecessária e mesmo quando eu entro eu retiro muito mais rápido aqui no município de São Paulo existe legislação é o programa de produção cerebral para prevenção de sequelas neurológicas em bebês, onde múltiplas maternidades municipais têm adotado esse modelo essa estratégia né para fazer cuidados neurocríticos em suas unidades e de 1 corte muito bacana de 7 maternidades públicas né, aqui no município de São Paulo de aproximadamente 800 bebês né, é super prevalente, 180 receberam medicação durante a internação, mas quando a gente foi em turismo a gente consegue implementar controlar né, e tem muita segurança para retirar a medicação. Então somente 10 por 100 desses bebês, somente 18 de 180 tiveram alta com uso da medicação que é considerado hoje 1 prática muito muito saudável dessas crianças de alto risco. Na Baixada Santista né, trabalho que a gente faz bastante tempo em 2016 por exemplo eu tinha 1 questão séria com mortalidade infantil, em 2017 Santos e Itanha começaram esse projeto em grandes maternidades né, projeto de saúde digital para prevenção de lesões Ficamos muito feliz que Santos em 2020 o dado é decrescente cada vez mais, vem reduzindo mortalidade infantil, a Praia Grande em 2023 iniciou o trabalho e no mesmo ano também alcançava a redução na mortalidade infantil. Esse é projeto que de fato auxilia melhoria da qualidade de assistência através de saúde digital. E praticamente já encaminhando para o final da nossa apresentação, a tecnologia vai evoluir muito, com inteligência artificial, monitoramento de muitos parâmetros, assistência do especialista, realmente tem muita evolução até mesmo estudando holografia dentro da outra enfim existe caminho de evolução muito entusiasmante, mas qualquer estratégia que for proposta deveria estar alinhada com que a gente chama de saúde baseado em valor, onde basicamente a gente tem 5 grandes objetivos que é melhorar o desfecho clínico, melhorar a experiência do paciente, reduzir o custo para o sistema, melhorar a experiência pro profissional de saúde e promover maior equidade. E a gente acredita que esses modelos de saúde digital conseguem entender cada deles. Eu queria trazer muito rapidamente o resultado de centro que a gente apresentou no Congresso Brasileiro de Perinatologia, ano passado né, de centro que utilizou né iniciou esse modelo de atendimento encontrou aqui redução de mortalidade em prematuros de 47 por 100, redução de morbidade que é lesão intracraniana de 57 por 100 e redução do tempo de internação e olha que interessante, nesse centro associada à implantação desse projeto a gente teve redução de mortalidade, morbidade e também custo ao reduzir o tempo de internação. Então no fim do dia porque utilizar modelo de saúde digital a gente acredita que tudo isso promove 1 melhoria substancial na qualidade da assistência podendo gerar redução de custo no curtíssimo, no médio e no longo prazo, o maior acesso estratégica atua de forma homogênea democrática alcança de centro distantes com diferentes disponibilidade de recursos. É 1 ferramenta de promoção de pesquisa clínica o que é muito importante né nas ciências de saúde e também está alinhado com saúde baseado em valor. Aqui praticamente pra encerrar a gente gosta muito dessa frase prevenir lesões neurológicas não da fila do Brasil é do mundo inteiro e tem 1 frase executivo da UNICEF que ele fala em algum lugar alguém está dizendo ao menino que ele não pode brincar porque não consegue andar, é 1 menina que ela não pode aprender porque não consegue enxergar, pois é, esse menino merece 1 oportunidade para brincar e todos nós ganhamos, todos nós ganhamos quando essa menina e todas as crianças conseguem ler aprender e contribuir, o caminho a percorrer será desafiador não é fácil prevenir lesões neurológicas entre antes, as crianças não aceitam limites necessários, nós também não devemos aceitar e só considerando que todas as vidas importam né, cada 1 delas a gente queria trazer terminar a história do Bento né, qual foi a evolução depois de 37 minutos de parado, Bento teve aquele quadro que a gente chama de asfixia perinatal, recebeu todos os 3 tratamentos de forma bastante assertiva, participação muito importante da família em relação a também a todo atendimento e a internação e aqui é o Bento com 6 anos né certeza obrigado por ter É justamente por histórias como a do Bento que a gente acredita tanto na importância desse trabalho, muito muito obrigado a cada de vocês.
Deputado
Deputado agradece a presença de outras autoridades e anuncia a palavra para a doutora Carla Serrano Billinski.
Médica Neonatologista
A Médica Neonatologista abordou a importância da neuro monitorização cerebral em bebês, destacando sua eficácia na detecção de crises convulsivas subclínicas e prevenção de danos neurológicos. Ela mencionou a experiência de um grupo de maternidades com altos índices de sobrevida e as principais indicações para a monitorização, especialmente em casos de encefalopatia hipóxico isquêmica. A prática melhora a precisão diagnóstica e reduz tratamentos desnecessários, contribuindo para a segurança e a excelência no atendimento neonatal.
Deputado
Deputado agradece a presença de participantes e concede a palavra à mãe de um paciente da UTI neonatal, enquanto aguarda contato com ela. Em seguida, passa a palavra à deputada Carmen Zanotto.
Deputada
Obrigado deputado, em seu nome quero saudar aos demais deputados e deputados que estão conosco aqui de forma presencial, e de forma virtual. Saudar a iniciativa desse requerimento dizer que é prazer a gente ouvir mais 1 vez o doutor Gabriel. Eu tive a oportunidade de conhecer esse sistema, de monitoramento, no congresso que houve de, de anatomia aqui em Brasília, em especial porque eu presidi por período a nossa frente de prematuridade. A gente teve 1 experiência no estado de Santa Catarina, inicial, mas eu eu trago pra pra pra comissão 1 reflexão que a gente precisa fazer. Os estados e os municípios estão estrangulados no processo de financiamento do Sistema Único de Saúde. Nós em Santa Catarina por exemplo pra gente aumentar o número de leitos de UTI, tanto neonatais como pediatra como adulto, com o governador Jorge nós tivemos que dobrar o valor da diária da UTI. E as diárias de UTI não são diárias como 1 diária de hotel. Independente de você estar com os leitos ocupados ou não, você obrigatoriamente precisa fazer o financiamento em função da equipe que está lá. E nós temos períodos de sazonalidade, nós temos períodos que chegamos a chegar a quase 100 por 100, como períodos agora que estamos com pouco mais do que 50 por 100 as taxas de ocupação dos leitos de UTI então isso dificulta a iniciativa da gente implantar então o meu questionamento é porque a gente deseja muito implantar no estado de Santa Catarina, porque sem sombra de dúvidas, esse tema a gente já levou ainda no governo passado ao governo federal pra gente ver se conseguia a a implementação dele doutora Mayer, porque sim é indiscutível a necessidade em especial dos nossos recémnascidos de baixo peso como grande prematuridade que estão saindo das nossas UTIs com vida, a gente precisa lembrar que o avanço que nós tivemos com a utilização de tecnologia com ampliação dos leitos de UTI e não latais no país como todo algumas regiões mais outras pouco menos, mas essa tecnologia ainda pertence a muito poucos hospitais, pertence a 1 rede privada e pouquíssimos hospitais públicos por exemplo nós temos o cálculo, pelo número de UTIs ao Natais que nós tinha temos no estado de Santa Catarina, a gente ainda não tem perna. Por quê? Porque nós estamos aplicando mais do que o mínimo constitucional definido, nós já chegamos a 15 16 por 100 de aplicação dos recursos na área da saúde, com demandas em todos os setores de cirurgia eletiva, a parte ambulatorial, medicamento de alto custo, medicamento de ação judicial. Então, é 1 caminhada que a gente precisa. Então o meu questionamento ao doutor Gabriel com relação a a se quando a gente tem monte de 10 leitos, realmente eu preciso fazer o monitoramento dos 10 leitos, ou eu posso fazer apenas o monitoramento dos casos mais graves. E com isso a equipe vai criando expertise no no acompanhamento até das outras crianças. Por incrível que pareça, eu estou aqui nessa transição de retornar pro meu município, ser prefeito do município, mas ainda na semana passada eu discutia com grupo de pediatras e neurotologistas como conseguir implantar, né, porque é indiscutível o mérito do processo sabe? É indiscutível. E pra quem sabe a importância da gente dar alta, pro recémnascido que foi de baixo peso, recuperar peso, devolver pra família né entregar pra família aquele bebê sem sequelas, e o monitoramento permite isso, permite reduzir as sequelas por quê? Porque sim as crises compulsivas não visíveis, elas passam a ser tratadas conforme a necessidade de cada bebê então, o meu questionamento seria esse, e eu acho que a caminhada que a gente precisa ter dentro do Sistema Único de Saúde, por isso gente, que eu defendo que a gente precisa somar todos os esforços, inclusive neste finalzinho de ano, pra garantirmos todos os recursos possíveis, junto ao Sistema Único de Saúde. Quando eu falo de todos os recursos possíveis eu falo inclusive, da manutenção, da obrigatoriedade, de ter recursos carimbados pra saúde e pra educação, caso contrário, quem mais grita mais leva, e aí consequentemente a saúde que é 1 área mais frágil, ela acaba ficando mais vulnerável porque pra muitos saúde é despesa, pra poucos saúde é investimento, apesar do item ser despesa, né, mas a gente não inaugura 1 vida que a gente entrega de recémnascido, que tinha risco de ir a óbito, e a gente entrega com vida, e com qualidade de vida então, eu eu tenho muito orgulho do nosso SUS, eu defendo muito o nosso sistema único de saúde no país porque ele é diferente de todos os países, apesar de todas as nossas dificuldades, a gente precisa reconhecer que cada de jeito ou de outro colocou 1 pedrinha, tijolo nessa nessa construção do Sistema Único de Saúde. E eu vou ficar muito feliz quando a gente conseguir ter esta metodologia em todas as nossas UTIs delonatais do sistema público de saúde. Esse esse é desejo então, o meu questionamento é, eu preciso monitorar os 10? Eu preciso, porque hoje a gente tem que comprar o sistema né? Porque são médicos neurologistas, neuropediatas que acompanham e orientam a equipe que está adiante distância. Por isso que a gente precisa cada vez mais se apropriar inclusive do nosso texto, da da telissaúde. A telissaúde ela não veio só para o período da pandemia. Póspandemia a gente conseguiu provar o texto aqui, que é texto hoje que está encurtando distância, e garantindo acesso aos especialistas que a gente não tem disponível em cidades de médio e grande porte porque, neuropediatras é raríssimo, né? É 1 especialidade que, a distância nos auxilia muito muito muito, quando a gente tem a orientação dos especialistas com relação ao quadro clínico daquele recémnascido que está sendo monitorizado então, é o meu questionamento é esse primeiro parabenizar parabenizar essa iniciativa parabenizar esse trabalho, mas também pensar como a gente pode, conseguir implantar no sistema público de saúde nas nossas UTI de sistema público de saúde, país afora porque daí a gente não pode pensar, e ali foi a minha dificuldade como secretária de estado, né? Não mas daí tu coloca nas maternidades do estado, tá e o que que tu faz? Nas né? O que que tu faz que tu tem conveniada com os hospitais filantrópicos? Que direito a gente tem de não dar saúde de qualidade pra todos aqueles recémnascidos que precisam então, é 1 escolha muito complexa que acabou limitando quando a gente fez a conta prática de orçamento que a gente pegou, no nosso estado 105000 cirurgias eletivas pra entrar, pra fazer no centro cirúrgico, 117000 pra entrar, na fila com os cirurgiões, até janeiro de 2023 então a gente teve o grande desafio de fazer todo esses procedimentos que estavam represados, e aí isso tudo a gente só conseguiu majorando a tabela do sistema único de saúde que todos nós sabemos que o SUS é sim subfinanciado no país como todo e isso desde a sua implementação com a nossa constituição de 88 então, são desafios e o meu questionamento é nesse sentido, o meu desejo e o meu sonho é que a gente chegue lá, pra todos né? Ah mas tu não consegue chegar pra todos começa pra alguns, mas é 1 escolha de Sofia. Fica na Carmela Dutra? Fica na Darcy Vargas em Joinville? Não vai pro Tereza Ramos? Não vai pra Chapecó? Não vai pra Rio do Sul, ou vai pra Criciúma, então não dá pra gente tratar os iguais também de forma diferente, e as expertise pros médicos odontologistas, pantonistas das UTIs e a equipe toda de saúde é fundamental e eu parabenizo todo toda essa tecnologia que veio da qualidade de vida, mas a preocupação é como implantar isso país afora. Muito obrigado
Deputado
1 pergunta fantástica, eu acredito que o doutor Gabriel vai vai responder de forma sucinta e direta. A Michele está aguardando a gente aqui pra pra falar mas eu vou passar a palavra pro Gabriel rapidamente pra responder a a deputada Carmen Zanotto e e posteriormente a gente dá continuidade. Gabriel com a palavra.
Diretor - Instituto Protegendo Cérebros Salvando Futuros
Bom em primeiro lugar, deputada Carlos Anoto realmente é prazer muito grande reencontrála esse realmente é assunto muito importante. Famoso saúde não tem preço mas definitivamente tem custo e utilizar os, os recursos da forma mais inteligente possível é absolutamente fundamental. Nesse sentido, né todo esse conceito de estar alinhado com saúde baseado em valor quando a gente consegue prevenir lesões neurológicas permanentes em recémnascidos, isso tem 1 custo efetividade muito muito importante, porque seja o custo direto, os custos diretos ou indiretos dessa população. Por exemplo em 2015, né, eu estive na Universidade Cambridge na época existia programa chamado Bebop Baby Brain Protection, todas as crianças, né, em caráter de lei quando tinham asfixia perinatal por exemplo, eles tinham que receber o tratamento mais adequado meio que em caráter de lei pra todo o leste da Inglaterra. E quando eu questionei o chefe desse programa, eu falei nossa olha que sensacional, olha como governo entende? Ele falou Gabriel, né realmente o pessoal entende, mas isso daqui não é exatamente altruísmo, né isso daqui só vira política ampla escala por 2 motivos, primeiro standard of Carey existe evidência que tudo isso é eficaz, e mais importante que isso existe 1 rotatividade verdadeiramente brutal de prevenir que as crianças evoluam com cercados neurológicas. Dito isso e respondendo especificamente à sua pergunta, a gente né quando a gente tem na UTI neonatal né de risco orbital aproximadamente 20 por 100 a literatura fala que são os bebês de altíssimo risco então pra 1 UTI de 10 leitos seria super adequado se a gente conseguisse né permitir que pelo menos 2 bebês tivessem acesso a essa metodologia. Eles não precisam ter acesso durante a internação inteira, é durante o período de risco específico geralmente alguns dias, né, muitas vezes os primeiros 3 ou 4 primeiros dias de vida que são os períodos de maior risco. E olha que interessante, quando a gente fala né, a gente tem na verdade se a gente pegar o universo né, nascidos vivos, aproximadamente por 100 da população que é a população de altíssimo risco sozinho vai realmente contabilizar a grande maioria dos recursos gastos aqui né, tem estudos falando em 80 por 100 dos recursos gastos na odontologia são gastos com por 100 da população. E se a gente conseguir direcionar recurso pra essa população super específica no momento que elas precisam e de fato não precisa ser pra todos os leitos da UTI, a gente consegue atingir a custoefetividade necessária pra que a gente consiga implantar esse projeto né e de novo no curtíssimo Nomé existem oportunidades de economia, como a gente mostrou em alguns exemplos muito bacanas por exemplo quando a gente consegue reduzir o tempo de internação e isso por si só já é muito poderoso. Muito obrigado.
Deputado
Muito obrigado doutor Gabriel. Deputada a senhora gostaria de de complementar a pergunta? Só.
Deputada
Agradecer a doutora Carla e doutora Gabriel pelas exposições e, dizer que é 1 caminhada que a gente precisa persistir nela, até isso acontecer, né eu acho que, sem sombra de dúvidas os resultados estão aí né, com a nossas crianças sem sequelas.
Deputado
Até pela experiência da senhora né como secretária de saúde e pelo carinho que eu tenho pelo governador Jorginho, 1 da dos motivos da gente entender que esse projeto é tão importante, o quanto de economia que ele proporciona. Quando a gente contabiliza a diminuição do tempo de internação, quando a gente contabiliza a a possibilidade de liberação de leito, e melhora, quando a gente calcula a diminuição das sequelas então, hoje a gente tem 2000000 e meio de bebês nascendo ano no Brasil. Desses 10 por 100, então 250000, são bebês que nascem prematuros asfixiados ou asfixiados. Desses 250000, o o custo das sequelas pro estado é como o doutor Gabriel apontou aqui eu estou fazendo 1 1 fala meio costurando né ele apontou, olha 4000 dólares mês, pra tratar sequelas resultantes da prematuridade. Se com o monitoramento a gente consegue diminuir pela metade as sequelas, eu acredito que é 1 política que não só promove né, que não só se paga do ponto de vista de investimento, mas como ela promove economia. Então é daqueles raros casos em que o investimento traz retorno verdadeiro com então assim descontando aqui o benefício verdadeiro que é salvar as vidas e diminuir as sequelas. Então eu acredito que a gente está olhando até eu vou vou depois trabalhar com o doutor Gabriel, 1 análise do dos bebês que já foram monitorizados, do quanto já foi economizado, da projeção das sequelas, pra gente mostrar pro governo federal que infelizmente não enviou representante nem do Ministério da Saúde, nem do Ministério das Pessoas com Deficiência. Se a gente conseguir mostrar pro governo federal que é 1 aplicação do dinheiro público que vai não só se pagar como gerar economia e diminuir mortes e sequelas, eu acho que a gente tem bom argumento pra 1 legislação federal é exemplo do que existe na cidade de São Paulo, que já prevê a monitorização, e da Inglaterra, que desde 2012 já tem essa previsão. Eu acho que a gente está num caminho muito interessante de construção da legislação. Eu passo a palavra então, pelo período de 10 minutos, a senhora Michele Malzoni, mãe de paciente que recebeu tratamento especializado, não tem neonatal.
Mãe de paciente que recebeu tratamento especializado em UTI Neonatal
Bom dia, bom dia a todos. Desculpa eu não estava conseguindo aceitar e falar, abrir meu áudio. Bom meu nome é Michele, eu tenho 37 anos, sou mãe do Isaac. Eu tive préeclâmpsia, e fui internada às pressas na Santa Casa de São Paulo, onde o Isaac nasceu entubado, né, por conta da minha sedação, já sofreu 1 noxia neonatal, e em seguida, ele já foi estubado nas primeiras 24 horas, e logo após ele teve 1 infecção cerca de 2 semanas depois, 1 sépsia tardia, e aí precisou ser reentubado novamente, se tratou, por cerca de 4 meses nós permanecemos internado na UTI neonatal da Santa Casa né? Aí no decorrer, ele teve 1 interocólite, que também precisou ficar entubado, fez cirurgia, abordou, tirou 15 centímetro do do intestino, e tristemente depois disso, depois de se recuperar, ele pegou meningite, que aí foi o mais assustador assim, foi 1 infecção que comprometeu realmente todos os sistemas do Isaac né? Então quando ele nasceu já foi diagnosticado a hemorragia intracraniana grau Nesse caso, nesse quadro grave da meningite, ele evoluiu pra grau 3 com dilatação de ventrículo, e realmente sua vida ficou assim por fio sabe? Ele precisou de diálise, ficou muito grave edema tomou conta de todo o seu corpinho, foi muito doloroso viver e ver tudo aquilo. E é neste momento que o doutor Gabriel entra com a saúde digital, com monitoramento cerebral. Então eles fizeram esse monitoramento durante todo esse período de gravidade, e graças a Deus o Isaac conseguiu vencer, passar por tudo isso. Nesse momento que ele se recupera clinicamente foi momento de muito medo né, porque eu não sabia quando o meu filho ia sair daquela UTI né, porque a gente sair com o filho, isso eu tinha certeza que ia sair por aí de lá, mas eu não queria sair com 1 criança que ficasse acamada, com sequelas muito muito muito graves né, que a gente sabe, eu sou da área da saúde também, sou fisioterapeuta, sei o quanto que isso acontece né, frequentemente. Então o Isaac se recuperou e aí ficou 1 discussão com a neurocirurgia, a Neuroclínica, a equipe do doutor Gabriel, pra saber se ia abordar cirurgicamente essa essa cabecinha, se ele ia precisar derivar, porque ele teve edema, a hidrocefalia, a hemorragia evolui pra grau 3, e graças a Deus ele não precisou, não precisou acordar. Após a recuperação desses 4 meses a gente lá anotei ele teve alta, E hoje o Isaac tem 7 aninhos, é 1 criança ativa, ele anda e fala com muita alegria eu falo isso. Ele tem o diagnóstico de paralisia cerebral, ficou com 1 surdez, mas é 1 criança que pratica esporte desde os 2 anos de idade, faz jiujitsu, agora ele participa de de campeonato de jiujitsu. Então assim a importância que foi esse monitoramento cerebral, esse cuidado. Hoje assim eu sou muito muito muito grata, por ele ter recebido esse tratamento no SUS, né dentro da Santa Casa de São Paulo, onde eu não poderia oferecer esse tratamento pra ele, mas eu recebi. E o melhor de tratamento, e hoje resulta na vida que eu tenho hoje com o Isaac, que é 1 vida de completa alegria e e gratidão né, por tudo o que ele é, por tudo o que ele venceu, e por tudo o que a gente ainda vai conquistar. E o meu desejo realmente aqui, todo esse projeto de vocês sejam realmente revigorado, e que milhares e milhares de crianças recebam esse tratamento que meu filho recebeu. Pra gente ter crianças com praticamente 100 sequelas né ou com o mínimo de sequela, pra gente ter crianças com autonomia, adultos né que consiga ter autonomia, então esse é meu desejo. Eu agradeço mais 1 vez a oportunidade de poder contar espero que vocês tenham conseguido entender que eu fico pouco emocionada de contar a história do Isaac. E eu vou pedir pra eles colocarem o vídeo se vocês conseguirem colocar o vídeo do Isaac.
Deputado
Muito obrigada Michele, é realmente muito emocionante ouvir a mãe de 1 criança que pelo SUS se beneficiou de tratamento tão importante, né? Eu eu fico muito feliz, de ouvir seu depoimento, e novamente eu queria, que o Ministério da Saúde tivesse mandado a menos representante, pra entender a importância de tudo isso aqui. Você está de parabéns Michele, o Isaac está de parabéns, doutora Gabriel está de parabéns por esse trabalho. Muito obrigado pela sua participação. Quero agradecer a presença da, pode pode falar Michele? Não eu que agradeço. Gostaria de agradecer a presença da deputada Detinha, do PL do Maranhão. Prazer ter a senhora aqui conosco hoje. Eu passo a palavra então, à doutora Mayra, Maíra Pinheiro, nossa deputada Mayra mesmo perdão, doutora Mayra com a palavra pelo período de 10 minutos.
Deputada
Bom dia pra todos, deputado, parabéns por essa iniciativa, parabéns a todos que estão compondo hoje essa audiência, a minha amiga Carla, colega neonatologista, doutora Carmen Rose aqui presente, minha companheira de jornada nas lutas pela saúde já há bastante tempo antes no Ministério da Saúde agora aqui nessa casa. Nós estamos no Novembro Roxo, o mês dedicado às ações e discussões no entorno da prematuridade, mas o que eu sempre pergunto nessas datas que a gente escolhe, a Rose é minha companheira do Setembro Amarelo, a gente tem o Novembro Roxo, mas que ações efetivas de fato a gente faz pra mudar a realidade? Porque a gente já tem cores pro ano inteiro, mas a gente precisa de ações concretas. No Brasil a gente sabe que de todos as gravidez e todos os controles que a gente tem sobre as gestações, 10 por 100 delas vão demandar assistência pra recémnascidos prematuros nas nossas UTIs. E os nossos problemas continuam. Quando eu fiz Neonatologia há 33 anos atrás na USP doutora Carmen, o surfactante estava chegando no Brasil e a gente tinha essa mesma dúvida, como é que a gente vai fazer surfactante, eu era do Ceará, quando eu voltar pra lá porque a gente não tem lá. Só tinha na USP.
Deputado
Só pra complementar, pra estimular o o pulmão, a respiração dos bebês? Está repor o.
Deputada
Que só é produzida a partir de 1 determinada idade gestacional. E eu dizia assim, meu Deus, que sonho se eu voltar pra Fortaleza e lá na UTI neonatal tiver surfactante, e chegou no Brasil inteiro. Depois vieram os cateteres percutâneos, porque os recémnascidos tinham 1 longa permanência nas nossas UTI's neonatais porque faziam infecções recorrentes, dado o tempo de permanência os múltiplos acessos às terapias invasivas, e eu dizia que sonho se a gente puder ter pique nas UTIs neonatais mas era muito caro, era hoje o equivalente a 1000 ou 1200 reais pra cateter, e aí eu fui fazer o treinamento de pique e quando eu voltei pra Fortaleza eu era a única pessoa que passava pique em todas as UTI da Ana Paz da cidade ao lado da doutora Teresa Lúcia. E aí a gente saiu treinando todo mundo, hoje o método é feito pela enfermagem graças a Deus, e a gente tem protocolos que garantem que a partir do terceiro dia de vida a gente tenta retirar o cateter quando ele tem cateter venoso umbilical pra passar o percutâneo que vai ficar 120 dias. E eu vejo essa mesma caminhada acontecendo agora com as monitorizações que a gente está discutindo aqui a monitorização digital dos recémnascidos. Esses métodos que aparentemente a gente imagina que vão ocasionar novos custos, na verdade em longo prazo eles reduzem despesas em médio e longo prazo, porque você vai ter, diminui o tempo de internamento desses bebês, diminui a necessidade de novas intervenções que são caras, como por exemplo as infecções recorrentes, porque a gente consegue intervir prontamente em patologias, em morbidades que vão demandar mais custo hospitalar como por exemplo, a os quadros epileptiformes, as convulsões, que acabam levando a sequelas porque o bebê faz broncaaspiração pulmonar, ele vai fazendo 1 série de outras complicações. E a sua pergunta foi muito boa porque ela foi objetiva. Eu trabalho em UTIs que já tem essa metodologia, aqui em Brasília eu trabalhei durante 4 anos numa grande UTI neonatal privada, e nem nas privadas a gente faz esse método pra todos os bebês. A gente cria protocolos prioritários, assim, a prioridade são aqueles bebês asfixiados graves, que a gente não sabe se eles vão ou não ter convulsões, e a gente precisa triar porque muitas vezes no recémnascido Paulo, a Carlinha sabe disso, a gente tem movimentos que se assemelham a convulsões, os clones dos prematuros, até dos bebês maiores, e a gente tem muita dificuldade de diferenciar, clinicamente quem já é muito experiente até consegue, mas os nossos residentes, os médicos mais jovens, fica na dúvida então eu acabo começando 1 série de anticonvulsivantes, que não são inócuo vão dar alterações hepáticas, vão dar outros tipos de complicações porque a gente não tem segurança, e esse método permite também que a gente tenha segurança pras intervenções precoces, pra manutenção do tratamento. E o que a gente faz pra diminuir custo? Você não precisa ter doutora Carmen, aparelho disponível pra cada UTI. O que a gente faz nos hospitais privados, é a gente fazer a contratação ou já tem a gente tem empresas privadas que fornecem esse serviço de monitorização, tanto do NIS quanto do eletroencefalograma contínuo, do mapeamento contínuo, Quando você precisa que tem bebê que entra nesse protocolo de risco, você tem contrato com a empresa, ela vai lá e monitora por 2 3 dias, 24, 48 horas, aquele bebê específico. Então a gente não precisa primeiro comprar aparelho pra cada 1 das nossas UTI neonatais. Dentro claro que de referências estaduais e de municípios distantes é complicado, mas dentro de mesmo município 1 única empresa ela pode prestar esse serviço pra várias unidades de terapia intensiva neonatal. Então não é algo tão difícil da gente contemplar, baseado no fato de que necessariamente a gente não precisa dispor do aparelho, da equipe do hospital que vai executar, a monitorização é feita NIS a gente olha na tela, você fica tendo a medida constante das pressões, né da do fluxo de sangue cerebral renal, então o próprio plantonista faz isso. Então o custo não é tão caro quanto a gente imagina que tudo que trata de novidade, tecnologia, saúde digital a gente imagina que vai ter custo, mas hoje a gente tem prestadores de serviço, e a gente pode popularizar isso em vários municípios, inclusive isso é feito à distância. Eles mandam só a pessoa instalar o aparelho quando a gente requisita, e a monitorização é toda feita à distância. Então acredito que a gente tem que sim garantir isso, discutir, né, a gente não pode fazer como muita gente faz de forma irresponsável que faz proposições e não estuda os custos, a gente tem que estudar custo disso aí, mas é algo que a gente precisa implementar, porque hoje nós garantimos que os bebês prematuros sobrevivam, antigamente eles morriam, hoje a gente está lutando pra que esses bebês não sejam assassinados porque a gente já sabe que com 24 semanas, 22 semanas eles conseguem sobreviver, mas a gente quer que eles sejam sobreviventes cada vez com menos sequelas né, com menos morbidades ao longo do internamento. E tem 1 coisa importante também que a gente precisa discutir nesse novembro roxo, os ambulatórios de segmento de alto risco, a gente retira os nossos bebês das UTIs delonatais, e a gente não dá seguimento pra eles, não tem segmento especializado, e a gente tem 1 porção às vezes de crianças sequelasdas que as famílias não sabem pra onde ir, são poucos os serviços que fazem esse acompanhamento de alto risco então é outra coisa que a gente precisa trazer pra discussão nessa casa talvez projetos de leis que obriguem o SUS a ter ambulatório de seguimento de alto risco, porque nós gastamos muito ou investimos muito é melhor dizer assim, pra sobrevivência desses bebês, depois a gente tem que garantir vida com qualidade pra ele e pra suas famílias. Então eu sou 1 apoiadora do mapeamento do diagnóstico digital nas UTIs neonatais, e eu acredito muito que a relação custobenefício é é algo que é indescritível em termos do que a gente vai oferecer pra esses bebês, e pro país também, tá? Em longo e médio prazo é 1 economia que pra quem já experimentou o método a gente pode trazer isso depois em números pra vocês quem já tem experiência, então muito obrigada e conte comigo nessa luta
Deputado
Muito obrigado, doutora. Gostaria de passar a palavra pra deputada Detinha, do Pele do Maranhão, pelo período de 10 minutos.
Deputada
Bom dia a todos, muito obrigado quero cumprimentar toda a mesa o nome do nosso deputado Paulo é prazer estar aqui. Sou mãe de 3 filho né e a gente vendo aí o Isaac, né no olhar do depoimento da mãe dele, imagina assim como mãe também o que ela deve ter passado né enquanto ela achava que não ia sair daquele hospital com o filho, e a gente fica mais feliz ainda quando a gente pode acreditar no Sistema Único de Saúde do nosso Brasil. A gente fica feliz porque, no meio de tantas críticas né de tantas inexperiência, no meio de tantos medos que a gente tem nos hospitais públicos a gente vê testemunho de 1 mãe que saiu feliz, e 1 criança forte né, a gente pôde ver aí essa criança brincando, essa criança dizendo assim que ela é igual às outras crianças, mesmo com a dificuldade do seu nascimento. Só assistente social e do nosso estado do Maranhão 58000 partos prematuro, 30 e por 100 dos bebês morreram. Então a gente fica assim, numa tristeza, a gente imaginar o quanto poderia ter sido evitado isso, quantas crianças como o Isaac poderia estar correndo poderia estar brincando. Então, doutora Mayra não é isso? Doutora Mayra pode contar comigo estou à disposição aqui nessa casa né, pra esse nossos projeto para que mais projetos neonatal você possa contar comigo, não só na comissão, mas em qualquer outro que estou à disposição para que o nosso Brasil realmente tira essa faixa como está no nosso estado do Maranhão, e mais crianças como o Isaac venham brincar venham correr e dizer que nós podemos sim acreditar no nosso Brasil e principalmente acreditar numa saúde pública viu? Muito obrigado pode contar comigo estou junto.
Deputado
Deputado expressa admiração pelo Maranhão e pela sua população, compartilha esforços em São Paulo para monitorar bebês prematuros e asfixiados, propondo levar o projeto para o Maranhão, destacando a legislação brasileira que possibilita a coleta de dados e o avanço na inteligência artificial no processo.
Deputada
Fui prefeita de 2 mandatos no município do interior do estado, na época o município mais pobre, né e consegui tirar o nosso município desse ranking, e realmente a saúde é o básico. Lá em muitos municípios ainda, além dos 50 por 100 quanto mais assim eu pudesse indicar pra saúde do nosso estado, com certeza seria de grande avanço, a gente ainda luta pra que mantene as as UBS as unidade mista de saúde, abertura e manutenção de alguns hospitais. Então vamos sim sentar pra que a gente possa discutir esse grande avanço no nosso estado.
Deputado
Excelente. Nós temos aqui 1 pergunta pro doutor Gabriel. O doutor Gabriel está disponível pra pra responder o questionamento? Estou disponível, obrigado Paulo. Então vamos passar aos debates, a palavra será concedida pelo prazo de 3 minutos. Doutor Gabriel a a pergunta é, existe relação entre lesão neurológica neonatal e autismo, ou demais alterações no desenvolvimento da criança?
Diretor - Instituto Protegendo Cérebros Salvando Futuros
Perfeito, certamente né, quando a gente fala do período neonatal então a gente tem essa população de grande número de bebês de altíssimo risco pra lesão neurológica permanente, E os grupos são como muito bem explanado na audiência hoje, os bebês com asfixia, os prematuros, bebês com cardiopatia congênita, bebês com infecções do sistema nervoso central entre muitos outros grupos. E toda vez quando a gente tem essa população de risco isoladamente todos mostram que existe maior incidência de todos os transtornos do desenvolvimento, existe maior incidência nessa população de risco de transtorno do espectro autista e os demais né, e as demais alterações com alterações de socialização, a questão de alterações motoras cognitivas, né questões auditivas, questões relacionadas à visão, Então sim, toda vez que a gente consegue reduzir o risco de lesão cerebral, que a gente consegue de fato promover neurodesenvolvimento mais saudável, né e ainda topo muito na tecla da importância da família dentro da UTI neonatal que isso estimula né estímulo sensorial positivo fundamental pro desenvolvimento desse cérebro tão imaturo né que precisa ali e na UTI neonatal, mas quando a gente consegue ter sucesso, a insistência de todos essas alterações no desenvolvimento né de novo incluindo autismo incluindo outras alterações com paralisia cerebral deficiência cognitiva cegueira e surdez.
Deputado
Obrigado doutor Gabriel. Temos questionamento aqui que eu me sinto apto a responder é o seguinte. O SUS já provê esse modelo de tratamento? Bom, Toda a história do monitoramento no Brasil ela se inicia em 2012, com o trabalho do doutor Gabriel na universidade de Yale? Agora Doutor Gabriel me ajuda nessa aí que me fugiu à universidade. Cambridge, Cambridge. Cambridge. Não, Yale é Estados Unidos verdade. Na universidade de Cambridge, com o o estudo do monitoramento dentro da neonatologia. Então essa já já há mais de 10 anos se monitoram obrigatoriamente crianças prematuras e asfixiadas na Inglaterra. No Brasil, a cidade de São Paulo faz esse monitoramento também por força de lei, e agora, né do meu ponto de vista e acredito que de todos os membros desta audiência pública, fica claro também a necessidade de 1 legislação brasileira. Por quê? Porque a gente não está falando em gasto. A gente está falando em 1 economia de curto, médio e longo prazo. A gente está falando em salvar vidas, a gente está falando em diminuir sequelas. Então, pro meu ponto de vista, a a não faz nenhum motivo não se investir de forma homogênea no país inteiro, no monitoramento de crianças asfixiadas e prematuras. Então, hoje o tratamento ele está disponível no SUS, em diversas maternidades no estado de São Paulo e no Brasil inteiro, mas eu acredito que o próximo passo então é desenvolver em conjunto aqui com a comissão, e com as diversas frentes parlamentares, dentre elas a da prematuridade, é desenvolver essa legislação a nível federal pra gente proporcionar não investimento e sim 1 economia né, em em sentido implíssimo né, em em 1 economia não só do ponto de vista financeiro, mas também o o salvar vidas e diminuir sequelas, então acredito que essa é a resposta. Ainda dentro dos debates eu passo a palavra pros parlamentares presentes se tiverem algum questionamento direto pra algum dos membros da nossa audiência. A senhora tem alguma pergunta? Bom, pra finalizar, eu passo a palavra ao convidado por minuto, pra que faça as suas considerações finais. Doutora Letícia Sampaio, pelo por por minuto para considerações finais.
Representante - Sociedade Brasileira de Neurologia Infantil (SBNI)
Obrigada novamente né por abrir esse espaço. Eu acho que é muito importante essa monitorização porque a gente sabe que as criança, bom neurologista infantil que acaba acompanhando essas crianças ao longo da vida. Né? Então a gente que vê as sequelas que elas evoluem, os atrasos do desenvolvimento, os problemas escolares. Então, essa monitorização e essa ação no período neonatal é muito importante pro melhor desenvolvimento das nossas crianças.
Deputado
Muito obrigado doutora Letícia, passo a palavra pro doutor Gabriel Variani pra considerações finais pelo prazo de minuto.
Diretor - Instituto Protegendo Cérebros Salvando Futuros
Primeiro lugar eu queria agradecer a presença de todos de todos literalmente que participaram dessa dessa importante discussão dessa importante audiência é 1 honra muito grande poder trazer essa temática, tão tão relevante E eu acredito veementemente, o uso da saúde digital né e a tecnologia ela não está pra diferenciar cada vez mais os centros que têm recursos versus os que não têm, é justamente o contrário, quando a gente utiliza tecnologia a gente consegue quebrar essas barreiras e 1 das belezas da tal digital e quanto maior número de de bebês enfim quanto mais a gente consegue escalar essa solução, o custo da solução também cai sendo cada vez mais democrática. Então eu acredito veementemente, parabenizo ao deputado Paulo Bellinski e a todos que participaram da sessão de hoje, por realmente trazer essa temática tão importante, né, não somente para o Brasil, mas para o mundo inteiro. Mais 1 vez muito obrigado.
Deputado
Muito obrigado doutor Gabriel. Passo a palavra pelo período de minuto, pra senhora Michele Malzoni, pras considerações finais.
Mãe de paciente que recebeu tratamento especializado em UTI Neonatal
Bom eu só queria agradecer agradecer a oportunidade de poder contar a nossa história a nossa história de sucesso, mostrar o quanto é importante tudo o que foi abordado, hoje aqui, e agradecer mais 1 vez doutor Gabriel e toda a sua equipe, por trazer meu filho de volta, e do jeito que ele é. Obrigada.
Deputado
Encerrando os trabalhos, eu já convido a doutora Mayra, doutora Detinha, Carmen Zanuto, a Rosângela Moro, os parlamentares estiveram presentes nessa nessa audiência pra coautoria do projeto de lei, né, pra gente construir juntos esse texto, que vai, se Deus quiser proporcionar, a monitoração pros bebês prematuros e asfixiados no Brasil. Então agradeço aos senhores convidados por suas ilustres participações, nada mais havendo a tratar e encerro a presente reunião, antes convocando pra reunião deliberativo extraordinária hoje dia 19 de novembro, às 14 horas nesse plenário. Declaro encerrada a presente audiência pública. Muito obrigado.




