COMISSÃO DE DIREITOS HUMANOS, MINORIAS E IGUALDADE RACIAL
Sobre o Evento
Comissão debate direitos humanos, minorias e igualdade racial em evento com representantes africanos e brasileiros.
Deputada
Declarou aberta esta audiência pública da comissão de direitos humanos, minorias e igualdade racial, para debater o tema Angola é, aqui, com o objetivo de discutir a influência histórica, cultural e social de Angola na formação do povo brasileiro. E quando nós falamos de Angola, nós não estamos falando dos limites geográficos do país Angola, nós estamos falando de povos. E este evento ele decorre da aprovação de requerimento 2 2 2 de 2024 de minha autoria. Eu vou fazer 1 breve autodescrição, eu sou 1 mulher de cabelos curtos, cabelos com muitos fios brancos, eu estou portando vestido branco, e estou com colar, que é colar cor de terra aqui na comissão de direitos humanos da câmara da câmara federal. E é 1 alegria grande é que nós estejamos aqui e estamos equipados, equipados com tecnologias que conferem acessibilidade a esta audiência e a todas as atividades envolvidas aqui nesta comissão. Nós temos aqui o aro magnético, o Bluetooth, sistema FM para usuários de e usuários de aparelhos auditivos. Essa audiência pública está sendo transmitida pela página WWW ponto câmara ponto leg ponto b r barra B R barra CDHM. Nesta reunião nós vamos ter a presença a a participação com a presença de parte dos nossos convidados e também teremos participação em teleconferência. Nós aqui vamos conceder prazo de 7 minutos pra cada 1 das pessoas que farão as suas as suas considerações e nós vamos convidar pra compor a mesa o senhor José Daiho, que é ministro conselheiro da embaixada de Angola no Brasil, ele vai participar conosco de forma virtual, a senhora Eloá que eu convido pra compor a mesa Eloá Silva de Soares, que é coordenadora geral de políticas para comunidades tradicionais do ministério da igualdade racial, a senhora Marisol Cadieggi, que é jornalista e representante da Uninegro aqui no Distrito Federal, Eu não sei se a Mari Mari Mari Ângela de Mendonça da Silva chegou, Mari Ângela compõe com a nossa mesa, Mari Ângela de Mendonça da Silva, Mameto guia, Niques, Niques, Luan, Zamban, Zamban, Zamban, Juçara. E convidar também o que é líder tradicional de matriz africana, artesão, escritor, dos direitos humanos. Portanto nós estamos aqui com a nossa mesa composta e vamos então começar esta esta audiência passando a palavra para o pra que recentemente nós tivemos 1 belíssima exposição ali na Biblioteca Nacional de Brasília sobre com o mesmo tema, Angola é aqui, onde aqui nós fomos ver ou nós ali tivemos a oportunidade de vermos todas as expressões da construção de povo. E como disse o próprio Tata, nós temos o o sentido dos quilombos também era o sentido de manter as a própria a própria as formas de existência de povo que em grande medida as senzalas buscaram quebrar, nos holocaustos brasileiros como por exemplo, os navios negreiros que são holocaustos. Não portanto e nesse sentido nós tivemos essa experiência produzida ou patrocinada pelo proprietário que recentemente esteve inclusive em Angola. Então, o senhor tem a palavra. Boa tarde.
Líder Tradicional de Matriz Africana, artesão, escritor, ativista dos direitos humanos
A todas as pessoas que nos assistem pela rede, todas as pessoas aqui presente. Primeiro lugar eu quero agradecer a oportunidade de falar de Angola e como eu falei, na conversa anterior, quando nós falamos em Angola, nós não estamos falando necessariamente da república democrática de Angola, que é país, 1 nação moderna, né, ao estilo moderno, ao estilo europeu moderno, nós não estamos falando necessariamente, estamos falando também, mas não só dessa dessa dessa Angola, estamos falando de povos, povos que constituem hoje não só Angola como os congos, Zâmbia, Moçambique, Namíbia, todo esses esses espaços chega até a África do Sul, que são os povos que nos constituem aqui no Brasil, com sua com seus conceitos civilizatórios, com suas línguas, com suas identidades, com todas as suas referências alimentares, com com todos os seus conceitos transcendentes ancestrais, tudo isso perpassa o que nós chamamos de Angola, então nós não não estamos falando de país, né isso é isso é muito bom quando a gente compreende isso, porque esse essa palavra Angola era foi o nome de povo zingola, que era dos títulos de de povo, do líder da da da da dos reinos de povo, que deu nome à república de Angola, mas não é dessa Angola que nós estamos falando, é duma Angola de antes de Diogo Cão chegar, é duma Angola de antes do do do dias novais chegar com aquelas famílias pra colonizar Angola, pra colonizar e quando a gente fala colonizar é é tomar o território, a palavra colonizar significa isso, é tomar o território depois escravizar o seu povo, transportar pra processo escravatório de de de cunho de produção de bens que eles não iam usufruir, porque naquele momento eles eram só removentes, né? Era só era só animais que iam produzir bens. E aí é dessa Angola que nós estamos falando que vem implicar no Brasil. Nós temos essas imagens que a gente foi da exposição deputada que a senhora foi lá, nos deu a honra de abrir, essas grandes senhoras aqui são grandes lideranças as nós chamamos as mamas do xingilamento, que é na ilha de Luanda elas continuam viva mantendo a tradição ancestral, é onde é a base do culto da Kiannda, Kiannda é a grande, sereia mítica de Angola que deu influência ao culto que que no no no candomblé de Angola a gente chama Kayá, Mikaya, Mikaiah significa eu sou peixinho né então porque é culto a essa grande essa grande divindade que é vivo então ali tem as mamas aí na ilha de Luanda, onde o culto ainda é vivo, com toda a luta que nós enfrentamos aqui lá não é menor, lá também é é tão grande quanto a a perseguição por ser feiticeiras, por ser feitiço, a mesma ideia que nós temos aqui, vamos né vamos, seguindo, Aqui é 1 casa de iniciação no no no no território do Acongo à beira do rio do rio Quanza, foi 1 foi 1 festa que eu participei esse foi na minha primeira visita, em 2023. Aqui é a capa desse livro, que eu lancei e que eu trouxe pra pra doar pra o gabinete da deputada Erika, e pro Mi, viu fazer a que é o livro De Volta Pra Casa, 1 Viagem à Angola, que eu lancei esse ano, né? Que que quem nos encontrar nas redes sociais aí em zona Zambi nos contacta, aqui são os os chicaringomas, os que tocam os os Zingomas, em goma são esses esse jogo de de tambores que eu trouxe 3 ali pra representar, não são iguais porque eles são num tronco só a gente tem aqui com aquele tipo de madeira mas a gente chama engoma ou plural, que é esse conjunto de de instrumentos percussivos usados culturalmente, iniciáticamente. Aqui é o Gana, esse que está com 1 peninha na cabeça é o Gana que foi iniciada no dia era o novo Gana, do território do A Congo, né esse é dos mais velhos de lá que estava trazendo ele pra cerimônia pública de iniciação, também foi em 2023. Aqui é 1 curtininha de falha por foi é falhas de palmeira desfiada quem vai quem já foi a candomblé aqui, todo mundo aqui já foi a 1 casa de candomblé, não é muito comum ter essa nós passarmos por tão igual, nós não inventamos, nossos ancestrais não inventaram, por isso que eu digo que Angola é aqui, a gente se reconhece dessas coisas, essas as as palhas vocês viram na casa de iniciação, nessa daqui você tem que passar por debaixo dessa cortina de palhas desfiadas, seja qualquer pendão black no Brasil, seja os de origem ourubá, seja os nossos, que a gente chama Angola Congo que é esse sistema desses vários povos, então tem essa curtininha de palha que a gente tinha que passar por baixo. Aqui também faz parte da festa né vamos, pode prosseguir também aí tem os mascarados aqui, aqui já é no Indombi Grande, em Benguela, que é 1 região que vieram muitos povos, vieram não, vamos corrigir, foram trazidos muitos povos dessa região. Isso é muito bom porque ah os africanos vieram, não, nós não vieram, foram sequestrados e trazidos. Então da região de Benguela, temos 1 grande heroína no Brasil Teresa de Benguela, então o Indombi Grande é 1 das regiões onde preserva muito a tradição, e o povo de Angola agora eu já estou falando da nação, tenho muito preconceito, você você diz que vai no indombe grande, ele vai fazer o que lá lá o senhor está refeitiço, desse jeito, a tradição lá é lida como feitiço porque o colonizador ele não toma a sua terra, ele toma também os valores, ele usurpa os valores, né então os os valores tradicionais também são chamados de feitiço lá. E aqui é 1 casa onde tinha tido há poucos dias culto ancestral, nessa casa ela é temporária, nesse caso aí ela é temporária, Cada ano eles renovam, fazem 1 casa nova, traz o ancestral, os apetrechos do ancestral pra essa casa, faz os seus ritos e aí se renova a comunidade como ancestral. Esse é é Gana, Soba do do do Indombi grande. Aqui já são imagens do do do do Kissama, isso é paisagens turísticas porque é, é 1 das coisas que nos vendem é que a África só tem coisa feia miséria, ou ô bicho, não parece que é que são lugares com grandes estruturas, modernas, com internet, tem gente que perguntou aí como é que você se comunicava lá? Lá tem internet gente igual aqui, parece assim a gente faz fazer negócio exótico, então aqui é dos dos lugares lindos de se ver, né? A gente tem que correr, à beira do rio Quanza, aqui são os os os os, né? Porque a gente chama em bondeiro já é porque é o portuguêsado, mas a palavra é em bondo, que é o tradicionalmente conhecido como baobá, esse aqui também é é lá no no Vale da Lua. Aqui é a ilha de Luanda, vocês vê que tem 1 imagem linda turística pra se usufruir, né? Aqui é 0E0 engajajaja, que é no Brasil mais conhecido pela linha iorubá, o obi e oorobô, que são favas tradicionalmente usadas vendidas na rua, mascada. Então nós temos o queço, o caso, o depende da região vai ter o sotaque e o engadiadia, que é essa ultrafava. Aqui também a pimenta da costa, o né? Que é 1 pimenta da costa muito usada no Brasil nas nossas tradições, quem conhece a culinária dos ferreiros das casas de candomblé, conhece então lá é muito comum a gente encontrar nas ruas também pra vender, com as com as mulheres aqui é 1 comida tradicional que acha em qualquer esquina, né, dá saudade de ver né, aí olha muito saudável alimentação nativa é muito saudável, em Angola, e muito farta, qualquer lugar que você chega, você encontra frutos, você encontra batata, você encontra banana, que eles chamam banana pão, então isso é muito farto, né? As questões de Angola são igual as do Brasil, são questões sociais, justiça social, são questões a se resolver politicamente, mas que Angola é pobre e miserável e falta comida não é verdade, igual no Brasil nós somos muito fartos, mas as questões sociais realmente deixam muitas pessoas à margem dessa dessa estrutura, né? Aí já é no Banza Congo que é o extremo, é o primeiro lugar onde Diogo Cão chega, né em 1000 em 1482, a árvore onde ele conversou com o então rei do do Banza Congo em Déviva, lá na frente do do Palácio dos dos Reis do Congo, tem o Palácio que hoje é museu, e a árvore é viva ainda, onde em 1482 Diogo Campos senta pra fazer a primeira negociação, E eles acreditavam que era que era 1 negociação diplomática, e depois se transforma numa invasão e e numa colonização forçada mesmo. Aqui é o lançamento do primeiro livro, em 2023, que eu lancei em Angola, na casa de cultura Ubuntu, lá em Luanda mesmo, aqui já é o segundo livro esse é líder tradicional, o lá de também já aqui já no Instituto Guimarães Rosa que é o braço cultural da embaixada brasileira em Luanda. O lançamento do segundo livro que é esse livro aqui que eu levei de volta, fiz a exposição sobre o Candomblé porque a gente tinha que dar retorno pra eles né? Embora eu fui com o meu sacrifício, o cartão de crédito é que sabe né como é que estão as parcelas, mas eu tinha que dar retorno cultural pra quem me recebeu como me reconheceu. Quantas vezes eu ouvi és dos nossos, Tháters, dizem assim, se é desbotado, se é despigmentado, mas és dos nossos. Não tem como saber, não tem como ter esses conceitos se não for dos nossos. Então esse reconhecimento eu precisava dar retorno, por isso que eu me esforcei pra segunda viagem, né que são mais velhos os os os em fumo, porque os os os povos eles não chamam gana, eles preferem ser chamado em fumo. Os que os quimbundo preferem ser chamado gana, e os que são ligado, reconhecidos pela estrutura do estado são chamados de sobra, que eles, os tradicionais fazem diferença, Soba é líder tradicional mas que o estado reconhece. Então de alguma forma o estado tutela esses esses líderes. Gana são os líderes tradicionais em geral, que é 1 palavra usada pra qualquer pessoa, e não tem masculino e feminino, né? Gana no diazambi, Gana Erika Kokai, que é senhora, senhor, e pode ser também, né, em Gana Taramungus e Gana Zambi, né, que é o nome senhor, Zambi, o Zambi puguto lendo, pode, aqui também, aqui é num grande mercado, quem conhece o mercado de Madureira, em São Cristóvão, São Joaquim, em Salvador, é a cópia, quando eu digo que Angola é aqui, é a cópia, você encontra tudo que é alimento tradicional, você encontra tudo que é pro rito, desde animais, favas, raízes, igual folhas, igualzinho, então a Angola de fato é aqui. Aqui já é o cemitério dos reis, que é dos dos dos cartões postais do banda Congo e de Angola, e é 1 das principais matéria de usurpação, porque esse esse cemitério já era cemitério tradicional, eles invadem e constroem a fé. Essa estrutura é da igreja católica, que transforma a fé da da primeira igreja com com bispado de de de África. E aí olha, você vê que tem esses túmulos modernos são de bispos. Então eles ocupam nossos espaços, violam os nossos espaços tradicionais, e continuam dizendo que é deles e criam a mítica em cima da história. A mítica é que essa igreja foi construída pelos anjos, do dia pra noite. Quantas história a gente sabe que não é, tem várias escavações, tem várias histórias a ser contada. Podemos podemos seguir, aqui é a Grande Bahia de Luanda olhando do Forte de São Miguel, eu estou no em cima do do da do Forte, que é dos, era dos lugares que estocavam africanos antes de descer pra rua do Mercador, e ser batizado na igreja de Nossa Senhora dos Remédios, né? É ali a né ali, que sai da rua do mercador, eles batizavam pra poder embarcar pra escravidão. Olha que contradição. Né então eles desciam do Forte, e esse forte é museu lindo, mas é museu militar. Pouquíssimas referências aos povos tradicionais. Os grandes nomes desse museu é o é o Novaes, é o são os portugueses que domesticaram toda a terra domesticaram as frutas domesticados, tudo o que eles queriam eles davam nome, davam novos pra dizer que não era não era africano, era deles e eles podiam agora exportar, e também dominaram as pessoas, dominaram a Terra. Criaram toda 1 cultura, então os grandes têm na frente dele e tem 1 estátua da zinga, da da da rainha zinga, mas é bem na frente, lá dentro quando você entra, os grandes posts da da da vontade de chorar quando a gente vê, são líderes africanos tradicionais sendo rendidos pelos pelos colonizadores. Isso está lá nas gravado nas fotografias, na nos posts, como se fosse ato heroico. Isso é isso é mostrado como heroísmo, né? Aqui são autoridades tradicionais, o Sóba Grande de Luanda, esse que está de azul no meio, que é como eu falei, que é o que é o vínculo do estado com as comunidades tradicionais, a dona Guinella, a Gana Guinella, que é 1 grande liderança lá de cultura em Luanda, é 1 1 mulher muito respeitada em Luanda, 1 professora universitária com muito saber. Pode passar. Aqui é o primeiro presidente de Angola, é grande monumento que tem na praça, né no no Largo da Independência, é o centro de Angola, todo lugar quase que você vai por Luanda, você tem que passar por aquele grande rotatória, né, que que fica aí. Aqui é o a rua dos mercadores, é o fundo da casa do Instituto Guimarães Rosa, que que é bem no fundo dessa rua. Cada rua cada lugar desse era o lugar onde ficavam expostos os africanos que iam ser trazidos pra igreja do Nossa Senhora dos Remédios pra ser batizado e vendido no mercado, e muitos deles pararam aqui, e nós não deixamos morrer, ou melhor, eles resistiram, não tem nenhum mérito pra nós não. Nosso mérito é daqui pra frente, o que que nós vamos fazer com o legado? Até aqui, o mérito é de quem passou, é de quem preservou muitas vezes com a própria vida. Aqui é 1 1 1, grafite, né, também normal como aqui, lá escrito assim, ó, vivemos num país onde grafite a crime e roubai a arte. Isso está bem do lado do largo da independência. Então assim, ficou contraste, do lado você vê esse grafite, do outro lado. Aqui é o pelourinho, viu Largo do pelourinho, que também lá porque pelourinho é 1 palavra portuguesa, onde os nossos ancestrais eram expulsos. Lá também, lá também a vergonha pra dominar os povos a primeira coisa que fazia era fazer a vergonha, criar 1 situação de de de humilhação pra pra esses africanos. Então hoje tem esses lugares de venda quem for lá, essas roupas aí são baratas viu gente? Boas, né? São são bem baratas mesmo e muito boas de se comprar. 1, 1 camisa dessa com tecido africano lá você compra por, por, 5000 kwanza, 5000 kwanza não não dá 50 reais, não dá 30 reais pelo pela moeda, né? Uns 25 reais né? Uns 25 reais. Aqui também são elementos rituais olha, temos ali o falo que é que é usado nos ritos iniciáticos masculinos, quando os meninos iam passar pra fase adulta, eles eram recolhidos, passava pela circuncisão, cada via qual tribo ia pertencer, se ia ser caçador, se ia ser cada via pra que seu caminho era direcionada pros mais velhos e voltavam pra aldeia com as máscaras. Por isso que as máscaras não são elementos masculinos, homens circundados, mesmo as máscaras femininas, só homens usam, porque pra gente passar por os ritual. Então, e tem o Zincoja, que também é usado no mundo candomblé do Brasil com muito simbólico, que é aquele caramujo símbolo de aspiral que é muito significativo no sentido teológico, de conceito de mundo pra nós. O que é machadinho, né, de cultivo. Pode ir passando. É só pra gente acabou, né? É só pra gente ter 1 noção em quantas dessas figuras nós nos reconhecemos. Talvez quem não é de candomblé deputada, não não se reconheça porque fala muitas palavras em quimmundo no dia a dia e nem sabe que é quimmundo, nem imagina que as palavras que usa é quimundo, aqui Congo, mas quem é de Candomblé tem a obrigação independente de qual seja, não só de Candomblé, quem é do batuque, quem é do Chambá, quem é do de Minas, quem é de Jurema, quem é de Terêko, quem é de umbanda, todas as tradições que se referenciam em povos africanos, precisa saber que a Angola, dessa Angola ancestral que nós falamos, resiste no Brasil. Como como resiste os povos iorubá, como resistem os povos e muitos outros que ficaram anônimos nessa história, conforme foram consumidos no processo escravatório. Então é só 1 1 amostra, e eu agradeço de mais oportunidade, desculpem pelo prazo, mas, muito obrigado.
Deputada
O Tapanigo Santala, e passar a palavra pra senhora Marisol Cadije, que é jornalista e representante da O Negro no Distrito Federal.
Representante - UNEGRO
A todos e a todas, primeiramente saudar todos os mais velhos, que são responsáveis por abrir caminhos a duras penas pra gente estar aqui. Mas também saudar os mais jovens a quem acreditamos quando passarmos o legado né, que vão honrar os sonhos dos nossos ancestrais. Obrigada deputada, por nos oportunizar estar aqui neste momento, e falarmos, nesta casa, nessa casa de poder, nessa casa de decisão. Eu sou, Cadije. Cadieja significa lua pequena ou folha pequena levada pelo vento. Eu sou filha de sopa dum pai que tinha 4 mulheres, eu sou fruto duma relação, poligâmica saudável, não promíscua. Essa folha pequena, ela foi levada, de Angola para Portugal em 1976, como refugiada. Lá, ela a folha pequena sofreu processo de escravização moderna. Durante mais de 10 anos, eu fiquei sob a tutela porém com autorização do governo português, prestando serviços numa casa de casal com sua filha, onde me diziam que, ser preta, era ser indigna de ser amada por exemplo, onde me diziam que, o fato de eu saber escrever o meu nome, já era 1 grande coisa, porque preto, não precisava passar disso. Eu posto em Portugal, sem saber pra onde ir. Fiquei sim também era 1 criança né, sofrendo todos os processos racista, nas ruas, dentro das escolas, tendo coleguinhas que não queriam sentar do meu lado, ou então que pegavam a borracha, deputada, esfregavam assim. Será que se a gente fizer assim você fica branca? E acreditem, eu sonhava nossa, que bom, se eu conseguir passar essa borracha no meu corpo todo e ficar branca. Porque, todos os dias, erame dito, que ser preto, era não ser nada. Mas que bom, que a gente resiste né? Que nós não andamos sozinhos. E dali eu fui posta, no Brasil muito contra agosto, mas que bom porque eu vim aqui encontrar 1 Angola. E já citando aqui a escritora Sobom Fsum, ela diz que, comunidade é onde o seu coração encontra lar, então eu encontrei a minha comunidade no Brasil, atravessada por muitas dúvidas, atravessadas por muitos choros e muitas mágoas, mas sempre pensando, assim que eu puder, eu quero voltar ao meu país. E eis então que em 2007, já formada jornalista, fui contratada pra trabalhar na televisão pública de Angola, como documentarista, olha que achado, porque ali eu pude também buscar a minha história, buscar as minhas tradições. Quando o diretor disse que, eu apresentasse projeto para a produção de documentários lógico, eu pensei logo nossa, as hungueiras, que são as mulheres do comércio ambulante de Angola, pensei logo no xingilamento e isso aqui, Tata, por quê? Porque eu, durante esse meu processo todo, eu tinha medo, de chegar perto dum terreiro. Eu tinha medo de ver pessoas vestidas de branco. Olha como que eu estou hoje, mas por quê? Porque foi, me colocado as minhas tradições como que era o xingamento, a força dos ancestrais, eu não pensei 2 vezes. E que bom que eu voltei e fui tão feliz durante os 11 anos que eu estive trabalhando na televisão pública de Angola. A quem agradeço tanto por terem me dado a oportunidade, mas, durante a produção do xingamento, na redação eu era chamada da a mulher de vermelho, porque a cor do xingamento é o vermelho, que é a cor do sangue, que é a cor da vida, que é a cor vital né então aí eu pensava, gente como como que os meus, em 2012 já lá em Angola, como que os meus, negam o que é nosso? Eu ia para o estacionamento da TPAE chorava bastante. Mas eu dizia não, isso deve ter 1 explicação, e sim, aí eu mergulho no processo histórico. No processo de resgatarem os nossos e serem trazidos para o Brasil de forma desumana, e aquilo que eu já disse né que eu queria ser branca. E sim, muitos querem muito isso lá ainda, porque eu entendo, que mudar mentalidades, não é de hoje pra amanhã. É por isso que inclusive estamos aqui, porque há muito século se tenta mudar mentalidades e não conseguimos, é por isso que ainda é preciso, lei de cotas, é por isso que ainda é preciso audiências públicas, é por isso que ainda, precisamos de pretos e pretas, falando sobre nós, porque eu cansei de ser objeto de pesquisa. Estou aqui, com a minha fala, com a minha escrita. Não quero mais, ser objeto de pesquisa, não quero, eu posso falar sobre a Angola, falar sobre a África, falar sobre candomblé, como a Angola. Por que que tem que ser outro pra falar de mim? É isso.
Deputada
Folha pequena, lua pequena, Marisol, passar a palavra pra senhora Mariângela de Mendonça da Silva, Mameto ria, Niguize, Niguise, Luan de Anzamba Zanbi. Luan de Zanzambi, vamos falar de novo. Mametoria, Nikezambi. Exato. Boa tarde a
Terreiro Rompe Mato -Nzo Nsale Turimã Junsara
Todos bênção, eu quero agradecer e cumprimentar a todos vocês e agradecer a deputada Érica Okai, e a todos aqui presentes pela oportunidade de falar pouco da nossa, história né no Brasil de falar da nossa querida Angola eu preparei aqui material vou fazer aqui 1 leitura porque eu não quero me perder pra aproveitar o máximo este momento. Então, eu enviei mas não sei se se consegue abrir né? Não foi a tempo. Angola é aqui, a influência angolana na destacando a importância da tradição Congo Angola e a necessidade do reconhecimento e valorização da herança africana. Eu sou a professora Mariângela de Mendonça, Négua Luan de Azambe, sacerdotisa do terreiro rompe Mato, Iso insali turimãjuçara, sou especialista em alfabetização e educação antirracista. E hoje eu quero falar pouco das influências né que nós temos do povo de Angola no nosso país, então como professora né, eu sou professora da rede municipal de Valparaíso de Goiás, e estou como representante do CONPIR de Valparaíso de Goiás como presidente do conselho. E nós precisamos ver aqui na influência cultural e religiosa a kizomba, né? Então eu vou falar pouco de alguns termos e algumas palavras. A kizomba é 1 celebração religiosa que transcende o continente né que são as festas as rodas de samba que acontecem no Brasil. Nós temos o que é a palavra que vem exatamente do samba né, que são exatamente as danças os batuques e as manifestações de expressão corporal. E nós temos o candomblé de Angola Congo, que carrega na sua essência da espiritualidade africana conectando a diáspora da ancestralidade. E o povo brasileiro na sua formação religiosa do candomblé Angola Congo, ele traz as palavras na palavra que são manifestações divinas de forças naturais e espirituais trazida pelos povos de Congo Angola tá? Ah conseguiu? Muito obrigada, que ótimo, Fui ai fico feliz. E nós temos também os cultos dentro das árvores sagradas né? Então nós temos essa prática com os as as árvores são sagradas as folhas as raízes e tudo que é utilizado em nosso território, então nós conhecemos né o que veio de lá, como o meu irmão falou né, nós temos o maqueço, nós temos as sementes, nós temos as folhas que são utilizados nos ritos no candomblé Congo Angola. O que é o Deus que rege né a nossos raios, o movimento é o senhor que traz as forças da natureza. Os são assim, eles trazem harmonia. E o ele é o senhor de muita alegria, né? Da onde a gente traz 1 força vital que é a luz do fogo que incandece o coração da gente e eu costumo dizer que é tão importante na minha vida que exatamente ele queima tudo que é negativo e clareia meus olhos pra viver a alegria. Então é 1 renovação pra nós né? Nós temos também as conexões da manutenção dos ritos que são os cânticos né? E as a musicalidade o ritmo traz exatamente a alegria e traz também pra nós a questão da vibração junto ao nossos inquisses e né ele traz essa onda de de manifestação pra nós. Nós temos também nessa conexão ah pedir licença aqui em honra aos ancestrais aos mais velhos né? E aí nós vamos lembrar com a tristeza de que sofreram todos os nossos ancestrais que foram sequestrados e vieram pra cá e deixaram pra nós assim toda 1 alegria por estarmos aqui, mas também a tristeza pelo território que eles deixaram pra trás, e as doenças que eles sofreram né e eu costumo falar pros colegas quem quem fala muito que está com depressão, está na verdade às vezes com banzo e não sabe né? Está com 1 banzeira no corpo né? Se sentindo mal, enfraquecido e são palavras vocábulos né? Que nós trazemos da cultura bantu. E nós temos os espaços de resistência que são os terreiros né? Os espaços de os terreiros de de casas de candomblé de tradição africana, são casas de acolhimento, são casas onde nós nos reunimos pra viver e eu costumo dizer também deputada Érica que na verdade a nossa questão de território né? Quando a gente fala dos quilombos nós somos verdadeiros irmãos lá. Por quê? Quando você chega numa casa de candomblé num terreiro num num quilombo né? Nossos pequenos quilombos você tem alimento pra todos se de maneira igual vocês tem a todas as outras questões de dormir juntos dividir todo o espaço com todos com igualdade então o termo de irmandade nosso é vivido né? Nós estamos lá e acolhemos pra cura e pra tudo mais. Meu tempinho já passou né? Então é muito importante esse nosso espaço de terreiro agora deixa eu ver onde que eu estou pode passar. E as atribuições econômicas também que nós temos né? É triste né a influência aí que nós temos né no caso as contribuições, né eu passei aqui nas né nos isso aqui é a parte triste né da estimativa de quantas pessoas faleceram de quantos foram escravizados, e nós temos também então vamos falar pouquinho da diáspora que eu acho muito importante que é a questão da culinária, da moda e da música. E eu como professor eu trago sempre isso pros alunos, né? Na alfabetização que eu sempre trabalhei e minha paixão. Então a gente aproveita muito pra trazer a musicalidade, do ritmo e das encenações de tudo que tem na arte né? E na culinária que é 1 delícia maravilhosa e eu falo que também casa de candomblé a gente vai pra se fartar de alimentarse bem né? E E assim eu termino aqui agradeço muito a oportunidade não quero mais passar o tempo né? Agradeço é muito importante ter esse espaço de fala pra todos nós e eu gostaria de deixar essa contribuição exatamente pra pensar da necessidade o quanto nós precisamos nos fazer presentes e reconhecidos como Angola no Brasil. De onde viemos e aonde estamos? Nós somos pedaço da nossa terra ancestral. Muito obrigada, boa tarde Mucuiu.
Deputada
Bom nós vamos agora escutar o senhor José Daiho, que é ministro conselheiro da embaixada de Angola no Brasil, ele vai se comunicar conosco de forma virtual. Parece que ele saiu da sala nesse momento, nós vamos então passar pra Eloá Silva de Soares que é coordenadora geral de políticas para comunidades tradicionais do Ministério da Igualdade Racial. E tão logo o senhor Daiho retorne à sala, nós lhe concederemos a palavra. Alô?
Coordenadora-Geral de Políticas para Comunidades Tradicionais - Ministério da Igualdade Racial
Está todo mundo ouvindo? Boa tarde a todas as pessoas presentes, eu sou 1 mulher de tradição de sou de terreiro, né? Sou de Candomblé, sou dona Só Geeketto. Então eu quero pedir a bênção pras pessoas, pros mais velhos, pros meus iguais, pros mais novos. Eu sou de Oxum, sou filha de 1 meninazinha de Oxum lá do terreiro Ilé Molu Oxum. Costumo dizer que toda vez que eu me apresento, o Oxum se apresenta 3 vezes né, porque eu sou de Oxum, filha de 1 meninazinha de Oxum, do Ileo Mollo Oxum. Então, eu costumo fazer essa fala pra quem já me viu falando, eu acho que é 1 mínima forma de gratidão, né, de agradecimento, porque só seria possível, né, diante de tantos atravessamentos, da diáspora, do processo de fiscalização. A gente que renasceu recentemente também vem com bastante desorganização do pensamento, e né da na vida, no no e eu costumo dizer que eu só consigo com certeza eu só consigo ter organização do pensamento, da minha fala, sincronizar a voz com a respiração porque Oxum né foi assentada no meu ori pela minha Yaloorixá. Então quero pedir licença com isso a minha ancestralidade e deixar isso dito por causa que esse espaço deputada Erick aí já vou fazer o agradecimento ele também é importante pra que a gente possa se apresentar a partir desse lugar, né? Como ato político. Vou cumprimentar a Mametto, Luandia Anzambia desculpa Vandia Zambia tomar benção cumprimentar a deputada Érica Cokai cumprimentar a Marisol Tata nos entala e dizer que em nome da ministra Aniele Franco do secretário Ronaldo dos Santos e da diretora Luzi Borges. Eu estou aqui com essa tarefa de dizer como que né? O Ministério da Igualdade Racial tem cumprido né? Esse compromisso, essa responsabilidade de assegurar políticas públicas pra preservação da memória, da cultura, da ancestralidade de povos e comunidades tradicionais de matriz africana e povos de terreiro. Eu tenho dito todos os lugares que eu estou presente que o presidente Lula ele teve o compromisso, né, ele comprometeu o estado brasileiro quando ele, com os povos de comunidades tradicionais de matriz africana e de terreiro, quando ele institui a estrutura inédita, 2 estruturas inéditas né que é o ministério da igualdade racial, e também dentro desse ministério a gente tem 1 diretoria, que é 1 estrutura que consegue assegurar que eu esteja aqui, que é a Naiane, que trabalha com a gente com na coordenação de projetos de orçamento. Então a gente consegue ter 1 estrutura que dê conta de formular planejar executar políticas públicas com orçamento público destinado a povos de comunidades tradicionais de matriz africana e povos de terreiro. A deputada sabe que pra fazer não tem como fazer política pública sem orçamento então tem 1 estrutura que opere isso é é em si reconhecimento dessa responsabilidade. Então quero dizer também né que como é que a gente tem feito isso né, na diretoria de povos povos e comunidades tradicionais de matriz africana e povos de terreiro. A gente tem feito isso por meio de ações de fomento porque a gente sabe que o investimento eu sempre gosto de usar essas palavras porque a gente sabe que outras tradições elas têm essas têm são preservadas porque existia o Estado fazendo investimento pra que ela estivesse até aqui. Então 1 das prioridades da diretoria é destinação de fomento, por isso que a gente tem alguns editais, deles é o edital Magida de Ogum, em que a gente conseguiu ter investimento total de milhão e 500000 reais para o para o fortalecimento de práticas né de iniciativas de agroecologia de cultura de saúde e também iniciativas de segurança alimentar e aí nesse ponto da segurança alimentar pra gente a gente estava semana passada nas do GVinte social e aí a gente também conseguiu fazer ato né simbólico de homenagem às mulheres que são responsáveis pelas cozinhas ancestrais pelas cozinhas de terreiro e lá a gente dizia que essas cozinhas né reafirmamos coletivamente, e não não são palavras minhas, são palavras das minhas, das nossas mais velhas, muitas delas aqui presente nesse momento, de que as cozinhas de terreiro são insicos e solidárias porque praticam diversas formas né de iniciativas de combate à fome e de promoção da segurança alimentar porque todo mundo sabe que terreiro ele não existe sem o alimento e sem o alimento para a comunidade enquanto instrumento o alimento é instrumento do sagrado ele é né ele o alimento ele é sacralizado, e também para fazer a promoção de assistência social e de promoção de segurança alimentar do seu entorno. Então a gente ofereceu 1 homenagem para 10 mulheres que na na nação ao qual eu pertenço que é Ketu a gente chama de IABASSé, mas a gente sabe que tem outras nomenclaturas porque a gente sabe que as tradições os povos que comunidades tradicionais eles são povos por isso no plural e Esses povos têm origens diversas hoje a gente está falando de Angola então é mais 1 possibilidade de é mais povo por isso que a diretoria tem esse nome, né, no plural tão grande, povos e comunidades tradicionais de matriz africana e povos de terreiro. E aí, a gente também fez essa homenagem nesse dia do né, no dia 20, não foi à toa, é porque a gente também tem 1 iniciativa, e aí sempre fazendo essa marcação do financiamento público né de destinar orçamento pros povos né tradicionais de matriz africana de terreiro, a gente também teve o edital em parceria com a Fundação Cultural Palmares foi o edital sabores e saberes que já saiu o resultado que ofereceu incentivo para 11 iniciativas 11, não, pra 55, desculpa, iniciativas em âmbito nacional, 11 iniciativas por região, com fomento total pra todo o investimento desse desse edital foram de 2000000 de reais, que foram distribuídos para essas, comunidades tradicionais que foram contempladas por esse edital. Eu estou aqui tentando trazer pra vocês como que o Ministério da Igualdade Racial enquanto 1 estrutura do executivo federal tem organizado políticas públicas para povos e comunidades tradicionais de matriz africana e povos de terreiro. Eu digo isso porque eu costumo dizer né? Que o fio de aço que segurou a gente até aqui foram os terreiros. Que é nesses terreiros são os espaços territoriais onde se se preservou toda a possibilidade de existência por meio da resistência de nós né povos afrodiaspóricos Sem essa possibilidade sem os terreiros nós não teríamos chegado até aqui. Então acho que ter política deputada Érica e aí agradecer mais 1 vez assim o seu esforço em publicizar e dar espaço nessa casa que é tão importante que a gente sabe que sofre tanta violência a partir desse lugar também pra povos e comunidades tradicionais de matriz africana e povos de terreiro por meio do racismo religioso a gente vai ter que falar sobre isso infelizmente. É muito importante que a gente traga que é necessário que o estado brasileiro se comprometa como vem se comprometendo com políticas para a preservação dos povos e comunidades tradicionais de matriz africana e povos de terreiro. Porque não é possível que a gente hoje continue sendo segurado por esse fio de aço que os próprios as próprias pessoas pertencem a esse povo, as esses povos segurou e garantiu até aqui. A gente precisa que o estado brasileiro, considerando aí a pauta né o a agenda né hoje a gente está falando da Angola aqui, é que se a sociedade brasileira ela é constituída a partir, e das contribuições dos povos afrodiaspóricos, é responsabilidade do estado brasileiro fazer investimento público pra que haja permanência com valorização desses povos e é por isso que 0AA República Federativa do Brasil o nosso estado brasileiro sim faz investimentos públicos e aí, o Brasil, pela igualdade racial, é, gerido e liderado pela nossa ministra Niely Franco, está comprometido com políticas de enfrentamento do racismo religioso e com políticas de valorização dos povos e comunidades tradicionais e povos matriz africana e povos de terreiro. E aí pra concluir, a gente também que não está na secretaria que eu faço parte, né, que é a SQPT, que está na secretaria de de ações afirmativas e combate ao racismo, tem também edital, tem o programa Caminho Amo africanos, que é programa de intercâmbio Sul Sul, que incentiva essa ida né sobretudo de jovens, para fazendo essa troca né do Brasil com países do continente africano, e que em 2025, o Camisa Americano americanos vai ter a sua a sua edição na Angola. E esse esse programa teve investimento ali base do Ministério da Igualdade Racial de milhão e meio de reais também. Bom, eu sou 1 mulher de Oxum, eu sou 1 mulher que penso no olho, eu sou 1 pessoa, 1 mulher que acredito que a fartura, a prosperidade e o dinheiro são importantes pro processo de emancipação, por isso que eu falei bastante de investimento e de como que o Ministério da da igualdade racial está comprometido em em fomentar e favorecer orçamento público para populações pretas e sobretudo para nós povos e comunidades tradicionais de matriz africana e povos de terreiro. Muito obrigada e boa tarde.
Deputada
Bom agora temos o senhor José Daiho, que é ministro conselheiro da embaixada de Angola no Brasil. Está conosco na sala e vai se comunicar conosco de forma virtual. Boa.
Ministro Conselheiro - Embaixada de Angola
Muito obrigado pelo convite deputada Érika, eu sou o ministro Josué José Carlos Daio, tenho aqui comigo as minhas colegas da Concelho Inês do meu lado direito e a primeira secretária Joana, pra nós foi 1 honra muito grande e 1 alegria muito muito grande termos recebido este convite sobre este tema agora aqui. É 1 pena que nós nos últimos dias andamos com muito trabalho por causa da participação da Angola no G 20 tivemos 1 avaliação muito grande o presidente esteve por aqui então não deu pra estar nós termos feito 1 preparação melhor, mas só o facto de eu ter nesse estado aqui a ouvir as várias pessoas que estiveram aqui antes de nós já foi 1 honra muito grande, eu não não estou lembrado o nome do primeiro senhor que teve Angola, como é que se chama desculpa? Tapa de
Ministro Conselheiro - Embaixada de Angola
Foi olha foi muito pra mim foi muito emocionante ouvir 00000 porque ele realmente esteve profundamente lá em Angola, nas nossas províncias, e eu sempre digo que no aspecto histórico, sociológico e antropológico nós também aprendemos muito com vocês que bebem muito da nossa cultura da Angola, nós somos diplomatas, apresentamos aqui politicamente o estado angolana, mas é como eu digo não nem todos temos 1 formação com a proximidade histórica sociológica e diplomológica muitas vezes nós vemos que vocês têm e como falam da nossa África e da nossa Angola por acaso tanto eu falo 1 coisa muito interessante falar da Angola é falar não apenas do país Angola, mas a mas todo toda aquela parte do continente africano que os escravos foram ouvintes pra cá, o o Reino do Congo antigamente era parte dos países da África Central, da África do Oeste e da África do Sul, portanto nós temos Angola, Gabão, Moçambique, e Camarões, e e vai descendo era era era era era era era era era era reino que era tipo império por muitos países. Infelizmente como foi muito bem dito o colonizador aproveitou de algumas fragilidades conseguiu conseguiu criar a intriga e essa antiga facilitou quando tivemos as nossas time estiveram o tempo da si passou acabou por facilitar o tráfico negreiro e que deu todos nós sabemos o holocausto como disse muito bem a deputada no início, mas se houve alguma coisa boa no meio desta tragédia toda é ter disseminando pelo mundo a nossa herança aplicada e o Brasil é grande exemplo disso, e eu digo sempre que o Brasil tem o nosso DNA, todo brasileiro de alguma forma tem o DNA de nós africanos, da Angola especificamente em outros países também, tentar Camarões, Nigéria, então é muito bonito quando eu vejo que há essa, este reconhecimento deste legado que o povo aplicar o troço aqui pro Brasil, e eu sempre me lembro destas coisas, há dias tivemos no no senado no dia da da consciência negra e e do zumbido com a mágica finalmente virou criado nacional aqui no Brasil porque até então era optativo, fiquei muito emocionado com os documentos, pela força e pelo sofrimento que que se vê que até hoje o povo preto, o povo negro continua sofrendo aqui no Brasil a exclusão, AAA quase erradicação muitas vezes por violência e não tem sido fácil eu acredito que não tem sido fácil pro povo negro desde AAA lei áurea depois ficou todo mundo atirando por aí a história de zumbi Então para mim foi muito muito emocionante hum ter percebido que há reconhecimento há reconhecimento muito grande e esta força que se considera que realmente nós aplicamos o povo negro realmente faz parte deste Brasil e sempre me lembro da música da da Clara Nunes, o campo das 3 raças, é isto que faz lembrar o Brasil. O Brasil é este país maravilhoso com a com as misturas de raças, com as coisas boas, com as coisas más como todos nós mas o Brasil tem esta característica de ter realmente herdado muito de nós e talvez o melhor de nós também vocês têm. Então é 1 obra muito grande como cidadão ambulante, ver isto homenagem feita a Angola, elas são as nossas coisas culturais que ficamos por deixar a dança na culinária temos muita coisa em comum nas nossas comidas o azeite de palma ou óleo que nós falamos azeite de damben, as comidas variadas e muitas outras a mandioca e muita coisa que nós temos nas danças do samba, o samba, o samba veio antes, o samba veio depois, temos no nosso sincretismo cultural, umbanda, o candomblé, e tem sido aprendizado muito grande pra mim como angolana e como africano aprender mais sobre a minha terra com vocês aqui pelos estudiosos que que estudaram e se informaram sobre o que nós temos, que que nós deixamos e acabou por fazer parte da cultura brasileira também. Eu mais 1 vez digo muito obrigado, vou passar a palavra da minha colega Joana pra ela também dizer alguma coisa. Muito obrigado.
Primeira Secretária da Embaixada de Angola
Boa tarde, boa tarde a todos, ou melhor, boa tarde, boa tarde irmãos, e sempre primorram os demais, a minha velha ao que em português quer dizer pai, senhor, quer dizer líder. Realmente é muita, é 1 alegria, é com bastante satisfação que estamos aqui e estou acompanhada porque realmente me sinto em casa. A Angola é aqui, com o objetivo de discutir a influência histórica cultural social de Angola na formação do povo brasileiro, e, sem que a gente estude sobre ver ouvir falar nós nos sentimos parte do povo brasileiro. Eu vou fazer resumo daquilo que é o tema, em 1 canção. Eu vou ler a canção, não vou cantar porque eu não tenho voz pra isso, mas tudo que se transforma ao tema, está aqui nesta canção e eu vou começar assim. Eu vim trazer o meu sem querer fazer dilema, mas é que o universo tem que saber que o ritmo samba nasceu do meu semba. Ai o meu museu de escravatura, ponto de partida de angolanos, roda de escravos na altura para o continente americano. Repita mãe do Masemba, Kasukutica Betula, Samba filha do Seba não é ficção do cinema, é a nossa calamidade. Muito obrigada.
Ministro Conselheiro - Embaixada de Angola
Eu eu iria só aproveitar para agradecer também os tuvimentos da da do das senhoras como a Marisol Cadies que achei muito muito interessante a história da vida dela e muito bonito e extremamente dessa vitória em Angola passou por Portugal veio pro Brasil mas esse que nós somos no fundo conjunto disso tudo e Marisol Cadiense muito obrigado pelo seu depoimento tem também aqui a Maria Ângela também muito obrigado, a Eloa muito obrigado e todos os que estão aqui nessa atividade, nós estamos muito graças por fazermos parte também deste encontro sobre a bola aqui, muito obrigado.
Deputada
Pois escutando escutamos nossos convidados e convidadas, eu pergunto se alguém quer fazer uso da palavra, nós estamos com o Oden Félix, que é do Conselho Estadual de Direitos Humanos desigualdade racial e combate ao preconceito de Goiás, alegria têla aqui bem como a Maitê, que é presidente da atracá associação de tradições culturais afrobrasileiras de Goiás. E pergunto se alguém que está conosco deseja fazer uso da palavra. O Ogan mais alguém? Nós vamos então encerrar as inscrições com o Ogan Félix, por prazo de 3 minutos depois nós vamos devolver pras considerações finais dos nossos convidados convidadas.
Ogã e Presidente do Conselho Estadual de Direitos Humanos, Igualdade Racial e Combate ao Preconceito do Estado de Goiás
Oi. Boa tarde a todos e a todas. Peço a bênção aos mais velhos, a bênção aos mais novos, aos aos iguais. Sou o Ogan Félix, como a Erika falou, sou estou presidente do Conselho Estadual de Direitos Humanos, igualdade racial e combate ao preconceito do estado de Goiás, representante do nosso entorno goiano, lá na nossa capital lutando pra dar visibilidade às nossas ações dos povos de terreiro, das comunidades tradicionais aqui dos municípios goianos, lá na nossa capital goiana. Fico muito muito feliz de estar num momento como esse, de valorização da cultura angolana. Eu como historiador de formação, sei exatamente a a importância da tradição do culto, da história da parte da de Angola na formação do estado nacional, e como homem de candomblé que sou e do candomblé de Ketu, sei também a força do iorubá no apagamento dessa história e dessa tradição de Angola na nossa formação brasileira. E tenho orgulho muito grande de ser amigo de Tata Guzetalla, que é expoente nessa luta pela cultura bantu, pela que é expoente nessa luta pela cultura bant, pela cultura de Angola, por não é desfazer das outras tradições, mas garantir que o culto tradicional de Angola seja respeitado, então ele sempre, eu sempre acompanho nesses 15 anos que a gente se conhece, exigindo que se a praça vai falar de orixá tem que falar de Inkis também, se vai cantar em Orbá que é que cante em Angola também, e sempre lutou pra preservar e dar voz e visibilidade pra tradição de Angola. Meus parabéns ao Tata, meus parabéns à Erika, minha companheira de luta de muitos anos também, por dar voz pra nossa tradição, por dar voz aos nossos movimentos aqui do Distrito Federal e de Goiás, e a todos e todas que, se dispõe do seu tempo, pra vir numa sextafeira pra essa casa, pra nossa casa de leis, pra estar prestigiando essa atividade e fazendo com que a luta não pare em prol das nossas culturas, das nossas tradições afrobrasileira. Obrigado pela oportunidade.
Deputada
Bom eu vou devolver a mesa eu vou passar pra Marisol depois eu passo pra Mariangela, para a o representante da embaixada de Angola, e por fim pra Eloá, e nós vamos encerrar com o tapa que vai também encerrar essa audiência com o toque. Então portanto passamos então pra Marisol Cadiechi, lua pequena ou Folha Pequena, que é jornalista e representante da o negro do DF, e é cineasta. E que fez, a escritora, que fez os as hungueiras, não é? Nós tivemos a oportunidade de assistir, documentário da Marisol, falando sobre as hungueiras em Angola. São mulheres que levam os produtos e levam os produtos pra vender nas ruas de Angola. É belíssimo, foi gratidão por nos ter oportunizado este momento de assistir à realidade destas mulheres. Então portanto com a palavra Marisol Cadige.
Representante - UNEGRO
E como a deputada repetiu aqui, eu pertenço também ao negro que é a união de negras e negros do distrito federal e entorno, 1 instituição que, visa durante o ano todo, organizar ações, principalmente em instituições educacionais, pra que a gente possa ver de fato, efetivado o cumprimento da lei 10639. Esse é a nossa meta e a gente sempre almeja, que em novembro, a gente celebre todas as conquistas feitas durante o ano cumprindo a nossa missão, então a lua pequena ou folha pequena levada pelo vento, ela continua na missão de mostrar 1 África e 1 Angola bela, porque sim, o pros países africanos em toda a sua diversidade que faz a união dos 54 países, É continente maravilhoso lindo, e eu tenho imenso imenso orgulho e prazer fazer parte desse povo. Dizer que então, considerações finais tem que ter aquela parte da propaganda né? Quem quiser conhecer o nosso trabalho é só nos seguir lá no Instagram, sou muito preguiçosa de redes sociais, mas eu faço o possível tá gente? E dizer que, estamos aí já com o livro pronto pra ser lançado, né que nunca saiu que é produto duma, da minha tese de pósgraduação em fotografia, como ferramenta para a imaginação, e outro que eu, que eu, ai gente, estou construindo ali com o meu líder espiritual, que é o Tháta Gonzatala, a quem conheci, da forma mais angolana possível. Quando eu fui fazer 1 comida, e apresentar o filme, xingilamento a força dos ancestrais, eu fiz 1 comida angolana, e aconteceu como nos filmes. Ele foi até a cozinha pra conhecer a pessoa que tinha feito a comida. E desde então nunca mais nos soltamos, quero agradecer a toda a minha ancestralidade capitaneada por minha mãe, Capemba Kibonga Dalla, e meu pai, Pedro Kagiz. A todos que puderam nos dar essa oportunidade de estarmos aqui juntinho nessa sextafeira assim depois de feriado nacional de zumbidos Palmares líder angolano no Brasil.
Deputada
Então a palavra pra senhora Mariângela de Mendonça da Silva, a meturria, que se Luan
Terreiro Rompe Mato -Nzo Nsale Turimã Junsara
Eu agradeço a nossa deputada Erika Kokay e a todos aqui presente à mesa pela oportunidade de estar nessa audiência pública e ter o espaço pra falar pouco da nossa Angola, da do país que trouxe pra nós e pra mim em especial todo o conhecimento sobre a minha ancestralidade, sobre cumprir dentro de mim como ser humano, como mulher de terreiro, como mulher preta, tudo que é necessário na minha vida. Eu posso confidencializar a vocês que no candomblé de Angola eu me tornei 1 mulher mais forte, mais resistente, mais respeitosa com o ser humano. Então eu fiz tudo isso, listou hoje aqui muito contente por fazer parte desse novo caminho dentro da Câmara de Deputados, dentro dessa audiência pública. E gostaria de botar pra vocês aqui que resgatar Angola em nós para construir Brasil mais justo. E que esta audiência seja marco pra na luta do reconhecimento e igualdade. Como diz o provérbio africano se eu me levanto todos se levantam comigo. Então eu quero deixar essa mensagem pra que o povo de terreiro para que o povo preto no Brasil, para todo o povo que não conhece, não se reconhece como Angola presente em nossas vidas comece a refletir e estudar e perceba o quanto de vivências temos dos nossos ancestrais. O quanto a terra, a mãe terra e o planeta e o nosso país Angola está na vida de cada de nós. O quanto ele traz fortalecimento para nossas vidas. Então eu acredito que nessa audiência pública nós possamos construir e eu como professora de ensino fundamental alfabetizadora eu acredito que nós só vamos conseguir construir novo Brasil a partir da educação. Então eu vou sempre bater nessa tecla porque eu acredito que as crianças vão se renovar as nossas energias de respeito e dignidade para o povo preto brasileiro. Muito obrigada minha benção a todos aqui 1 ótima sextafeira ótimo final de semana a todos. Mucuiu.
Deputada
Passado então pro senhor José Daio, que é que Ministro e Conceleto da Embaixada de Angola no Brasil, que está nesta audiência de forma virtual.
Ministro Conselheiro - Embaixada de Angola
O nosso muito obrigado, foi muito bom este encontro, e estamos aqui disponíveis pra da próxima vez se precisarem de nós, mandaremos o convite nós poderemos talvez comparecer pessoalmente e naquilo que pudermos auxiliar com certeza estamos aqui. Foi 1 honra e sinceramente é muito muito agradável para nós estarmos a ter esse tipo de interação de reunião sobre os assuntos que tem a ver com o nosso, com os nossos povos, e com a nossa identidade cultural sobretudo deste presente imenso e da nossa África, muito Achei.
Deputada
Axé, nós que agradecemos a oportunidade de estarmos de forma conjunta fazendo essa discussão sobre Angola, é aqui. Vou passar então a palavra pra Eloá Silva de Soares, que é coordenadora geral de políticas para comunidades tradicionais do Ministério da Igualdade Racial.
Coordenadora-Geral de Políticas para Comunidades Tradicionais - Ministério da Igualdade Racial
Bom gente, aconteceu algum problema deputada, mas o meu nome é Eloá Moraes. Essas coisas acontecem.
Deputada
Vamos repetir. Se o homem de Eloá Silva de Moraes. Eloá Silva de Moraes. Morais? Isso.
Coordenadora-Geral de Políticas para Comunidades Tradicionais - Ministério da Igualdade Racial
Obrigada. Desculpa. Sem problemas, só quis fazer a marcação porque tem 1 intelectual negra, que fala que é importante a gente falar sobre o nosso nome nossos nomes, pra nossa né, pra saber que a gente está no mês de novembro né que é esse mês né, da que a gente protagoniza não à toa pela memória de Zubilos Palmares que é o nosso grande líder nosso grande ícone guerreiro é o mês importante pra gente relembrar né a maneira como é que é política da gente também está se posicionando. Então da primeira vez eu falei assim passou mas depois eu lembrei dessa, desse ensinamento de 1 mais velha, que é que feminista também, que é Lina, Lino Gomes que fala que é importante a gente falar nossos nomes. Bom eu estou eu tenho aqui 1 tarefa que é apresentar já deputada com certeza já conhece esse material. Eu falei de orçamento Lá quero que é aqui do Distrito Federal entorno, quero tomar bênção que também 1 mulher de Oxum tá aqui que fez esse e que tem muita inteligência, ela é genial, ela é muito competente e junto com a equipe da aspa, eu falei de orçamento, ela fez a ela fez a, manual aqui de sobre as emendas parlamentares né, junto com a equipe, a cartilha de emendas parlamentares. Que a gente sabe que existem as emendas parlamentares e aí Tata é bom instrumento de captação de recursos para os trabalhos que são desenvolvidos aí então essa parceria né os parlamentares tem as emendas parlamentares que podem ter como temática como fomentar ações pra povos e comunidades tradicionais de matriz africana e povos de terreiro que tem aí seus trabalhos desenvolvidos. Essa cartilha está disponível né no site do Ministério da Federal racial, e se você colocar, fazer 1 pesquisa na internet você consegue localizar. E está aqui, quero fazer a propaganda, que acho que é importante também. Está aqui é sentada a forma da gente fazer captação de recurso para os trabalhos de povos e comunidades tradicionais de matriz africana e povos de terreiro, e demais trabalhos que têm foco na promoção da igualdade racial. São considerações finais, eu não consegui falar no meu tempo, sobre 1 outra iniciativa da diretoria de povos e comunidades nacionais de matriz africana e povos de terreiro que é a campanha nacional sobre valorização da ancestralidade africana essa campanha está no forno e logo menos vocês já vão ver que ela vai sair e o prêmio de literatura a gente está aqui também né com 2 2 escritores 1 escritora e escritor prêmio de literatura afrobrasileira feita por povos e comunidades tradicionais de matriz africana e povos de terreiro então logo menos vai sair também o edital para esse prêmio eu acho que fiz essa fala bem institucional em nome do Ministério da Lagoa racial, reforçar a importância desse espaço político de valorização, da ancestralidade africana, sobretudo da contribuição da diversidade, e da contribuição angolana né para para nossa permanência para chegarmos até aqui parabenizar a iniciativa da deputada Érica Kokai e agradecer a participação nessa nessa sextafeira de Oxalá que é a forma como a como eu me reverencio né? Que todas as pessoas aqui que estão presentes e que vieram e dizer que me sinto muito honrada de participar dessa sessão e desse dispositivo nesse mês de novembro que a gente tem reforçado no Ministério da Igualdade Racial a defesa e a promoção dos compromissos do estado brasileiro né? Pela a igualdade racial. Por isso o nosso slogan é Brasil pela igualdade racial e eu acredito que esse ato político e público ele ele materializa né o que a gente está acreditando que seja o Brasil pela igualdade racial muito obrigada.
Deputada
Espera aí. Desculpa Soares. De Silva de Soares é, mas Eloá Silva de? Moraes. Bom, enfim, eu passo então a palavra pro Tata Guzentala, que é líder tradicional de matriz africana, artesão, escritor, ativista dos direitos humanos, e é de Angola.
Líder Tradicional de Matriz Africana, artesão, escritor, ativista dos direitos humanos
Saúdo todas as pessoas presente, saúdo as makota, as mais velhas, negro do Languet, a a cota né? Isso aqui representa a casa de mãe rosa de matamba, 1 das mais velhas para Francisco lá da casa de umbanda tradicional também aqui no Distrito Federal, outras casas né que eu num num num reconheço, né? Só a casa, qual é o nome das casas da senhora? Terreiro de vovó Maria Conga, área rural planaltina. Quero chamar nossos os que tocam os em Gomes pra se posicionarem, né? Quero depois dessas saudações e agradecimentos, quero falar com a embaixada de Angola que é da gratidão de têlos aqui e pedir que a gente possa ter espaço também na embaixada pra nossas atividades culturais, né, livros que a gente lança, momentos que a gente possa gerar, não porque a gente faz 1 leitura religiosa porque o o Brasil tem esse esse olhar colonizador de tudo e transformar em religião, mas isso é coisa de branco europeu, nós não precisamos religar nada, o que nós temos são civilizações, conceitos civilizatórios que são preservados nas né, na na na nas casas de de tradição, no no nos Vilê dependendo da tradição de que cada povo se referencia. Então isso é importante que a gente faça sim, cria esse intercâmbio, trazer mais velhos de lá, trazer os os os os gingana, pra cá as autoridades tradicionais, levar nossas autoridades tradicionais. Eu sou da família tumbajuçara, a família tumba é dos das principais linhagens da do reino do Indongo, por exemplo, e o nosso mais velho fundo é essa família com o nome Tumba no Brasil, portanto é 1 linhagem muito respeitada dentro dos povos tradicionais. Nessa peço benção à Nego Messoegi que é a nossa mais velha da nossa família, e com esses agradecimentos, dizer que a gente está muito feliz por esse momento, e vamos louvar primeiro vamos louvar, Tateto Incusse, roxo, depende da tradição né, ser roxo e o kusse são palavras são línguas nossas, quimbúrbio e kikongo é das principais línguas, que é o grande guerreiro, nós estamos no mês de zumbi, né, embora o zumbi é nosso guerreiro de todos os dias, de todos os momentos, mas nesse mês que institucionalmente se lembra de de zumbi, vamos louvar o nosso guerreiro, significa leão, né? O nosso leão guerreiro, e a gente fala de inclusive aquele que nos olha, o olho que nos olha, que nos vigia, que nos guarda. Então vamos cantar e depois vamos cantar 1 cantiga pra mama lembra, tapeto lembra, que aqui no Brasil chama Tateto, mas também é mama, que é dos 1 das tradições unânimes em Angola em quase toda a Angola, se fala em lembra, se reconhece que é o senhor da grande árvore e a senhora da da da do do nascimento da procriação ligada aos casamentos, né? A grande árvore da Mulemba EEAEA todas as tradições que nos sustentam, e que no no Brasil se conseguiu a sextafeira como o dia que nós saudamos, lembra esse essa linhagem dessa família dos dos que a gente cultua. Que o atateto encouse roxo e Kumbe. Peço a bênção, agradecer, que os nossos caminhos seja aberto com nossa força guerreira, nunca se acabe, que nós sejamos dignos da herança ancestral que chegou até nós, pra que da pra frente a gente possa manter, né Tatata Tarumuza, pelo dia de hoje, pela oportunidade, e é isso que a gente agradece. Mama lembra, tape tu lembra, lembra, lembra, pelo dia de hoje, lembra ryanga. Que pelo dia de hoje, aueto como a gente fala a nós, a todos nós, tudo de bom que nós geramos aueto, a nós. Que assim seja ainda Saquidila, muito obrigado. Quem sabe nos dê força e vida longa.
Deputada
Eu queria agradecer muito a presença do senhor do Zedário, da Eloá Silva de Moraes, da Marisol Cadiegi, da Mariangio de Mendonça da Silva, Mametto ria, Quise Luan de Anzambi, do senhor Tata Guzentala. É agradecer muito e dizer que muito importante que nós estejamos aqui pra relembrar a nossa ancestralidade pra que nós possamos enfrentar apagamento das nossas próprias histórias. Este apagamento precisa, ele também tem como consequência 1 tentativa de eliminação do conhecimento das diversas formas de ser, de existir, dos símbolos que nós criamos, o significado que a gente estabelece nas nossas vidas, da tradicionalidade dos territórios de matriz africana. Os territórios matriz africana carregam 1 tradicionalidade, ele tem suas expressões religiosas, mas ele é pra além disso, ele significa como é que nós tivemos essa poder da resistência do que tentaram calar os tambores, das contas que tentaram esconder, do tentativa de silenciamento da forma como a gente se conecta com o próprio mundo. Quando o o Tata fala que nós temos nos quilombos é a forma de resgate das nossas existências as nossas expressões culturais e as nossas construções coletivas, a gente pode dizer que hoje a gente aquilombou esta câmara federal pra fazer valer a força da nossa africanidade, a força de Angola, e a partir daí nós estarmos ainda definindo que quando falamos de Angola, vamos repetir, nós não estamos falando dos limites geográficos ou de 1 nação, nós estamos falando de povos, de povos, povos que foram escravizados, que estiveram, que foram arrancados do seu sagrado, arrancados da sua, do seu contato com a sua ancestralidade, da sua construção do simbólico e que foram submetidos a senzalas, neste Brasil. Por isso há que se ter 1 política de reparação. Para além do pedido de perdão, como dizia a Marisol, é mais do que o perdão. O perdão ele tem que se concretizar em processo de reparação. O projeto que nós temos aqui, do marco legal dos povos tradicionais matriz africana, ele fala da reparação, da necessidade da reparação ao que foi feito neste país, na lógica do colonizador, que disse bem o portata, o colonizador não arranca só as nossas terras, não arranca só as nossas, as, os nossos bens materiais. Ele tenta arrancar ou ele arranca a nossa cultura, os nossos valores, as nossas formas de decifrar o próprio mundo e nos conectarmos com a própria vida em todas as suas dimensões. Por isso, é muito importante que nós possamos seguir neste ano que é o primeiro ano onde nós temos, né, o dia da consciência negra, que são os nossos heróis que tentaram nos arrancar, ao nos arrancar os nossos heróis, buscam nos arrancar a nossa história e a nossa força, porque a nossa força está nas nossas raízes e no entendimento que temos que nós somos as nossas raízes, mas também somos a copa que é quem ainda vai chegar. Por isso eu encerro esta audiência, lembrando que aqui também já foi dito, se eu me levanto, todos se levantam. E aí eu faço 1 homenagem muito grande, à nossa quilombola que foi assassinada, e ela dizia no encontro das mulheres quilombola, aqui nesta cidade, na capital da república, Moete, ela dizia, as mulheres cantavam, quando 1 quilombola tomba, o quilombo inteiro se levanta. Então em função disso muito axé, muita energia, muita compreensão do que representa os territórios, ponto de vista de segurança alimentar, de repartição da comida como dizia a Eloá do alimento, da sacralização do alimento de nos conectarmos com o nosso sagrado através do próprio alimento e também de nos conectarmos uns com os outros numa sociedade que nos quer apartar uns dos outros através do próprio alimento, mas não só através dos espaços de curar as dores do corpo, as dores da alma, de de acolhimento, de cuidado, de preservação ambiental, mas também não só de preservação ambiental, também de geração de renda e fundamentalmente de exercício da nossa cultura que é o que nos faz gente. Por isso eu queria mais 1 vez agradecer todas as pessoas que participaram desta atividade e dizer que não havendo mais nada para tratar no dia de hoje, eu declaro encerrada a presente audiência pública, convidando todas as pessoas para o seminário e em particular os membros desta comissão, para o seminário a alfandade e direitos do invisibilizado para a proteção integral das crianças e adolescentes e suas famílias, que vai acontecer no próximo dia 26, terçafeira, às 9 horas, no auditório Freitas Nobre. Assim, mais 1 vez com muita gratidão declaro encerrada esta audiência, mas antes dizendo, viva zumbi, viva Angola, Angola é aqui.




