PLENÁRIO
Sobre o Evento
Homenagem a Cleriston Pereira da Cunha no plenário, com discurso de familiares e apresentação musical.
Representante da ASFAV – Associação dos Familiares e Vítimas do 8 de Janeiro
A todos, gostaria de cumprimentar os parlamentares na pessoa da deputada Bia Kicis, que muito honra essa casa, me ajuda e em favor da liberdade neste país. Cumprimentar os colegas advogados na pessoa do doutor Ezequiel, meu colega de luta companheiro que tem nos ajudado a enfrentar esses desmandos que tem acontecido aqui. A família do Clezão. Pedimos aos nossos a nossa mais sincera desculpa. Desculpa por a gente não ter conseguido tirar o Clezão de lá antes que ele falecesse. Desculpa por nossa luta. Ter sido árdua, mas ter sido em vão. Mas eu acredito e tenho fé no todo poderoso que a gente não vai perder mais ninguém apesar de que as condições têm sido muito duras. Hoje temos pessoas com gravíssimas comorbidade, não só no presídio da Papuda, como nos presídios do Brasil inteiro. E a gente não está falando de legalidade, porque se fosse pedido legal, essas pessoas nem presas estariam. Hoje temos o Sérgio Amaral, que eu soube agora pela manhã que ele teve 1 falência dos rins, que está internado aqui em Brasília, depois de 1 pancreatite. Temos o pastor Jorge, que está com problema no coração, sopro nível 6, que também está com parecer favorável desde o ano passado e mesmo assim o ministro decide não soltálo. Temos o seu Jorginho, que também padece de enfermidades graves na tapuda e o ministro insiste em usar eles como exemplo. Quem estudou direito conhece o direito penal do inimigo, aquele direito que é utilizado para perseguir os adversários. Direito esse, que nesse país, não é considerado legal. Porque a gente não usa o direito para perseguir as pessoas. O direito ele deve ser usado para regular as relações na sociedade. E não é isso que tem acontecido. Desde o dia 8 de janeiro, a gente viu a construção de 1 história que parece mais filme de terror, de perseguição, de distrato, de violações de direitos humanos, de crueldade, de vilipêndio a todo e qualquer direito. A FAV hoje representa várias famílias, mas nessa história e nessa narrativa do 8 de janeiro e nesse cenário, temos mais de 2000 famílias sofrendo hoje por conta dos desmandos do supremo tribunal federal. Eu digo isso com extrema tranquilidade porque eu estudei e eu sei do que eu estou falando. Eu me debruço sobre os livros, sobre as teses e eu não vejo absolutamente nada dentro do lugar nesse processo. Eu sinto, pela família que hoje se tornou 1 família amiga, que é a família do Clezão, que eu só pude conhecer as histórias do Clezão depois que ele faleceu. E histórias que nos trouxeram risos, que nos trouxeram lágrimas como hoje. História de 1 família de causar inveja. E talvez seja por essa inveja a 1 família tão unida, que as pessoas tenham tirado direitos das outras. Por invejar o amor. Por invejar a fé no criador. Por invejar que essas pessoas acreditem em país livre, como o Clezão acreditava e como tantos outros, que acreditando nisso, hoje tem que deixar o seu país. É lamentável que em pleno 2024, a gente esteja pedindo que a constituição de 1988, que foi a que livrou o país da ditadura de 1964, a gente tenha que pedir que elas volte a ser utilizada. É lamentável que a gente tenha que gritar todo dia que estamos vivendo em 1 ditadura do judiciário. Mas para todas as famílias que hoje sofrem e para a família do, a gente diz que além de resistir, nós iremos avançar. Nós iremos continuar na luta e nós não vamos desistir do nosso país. Obrigada.




