PLENÁRIO
Sobre o Evento
Cerimônia de outorga do Diploma Mulher-Cidadã Carlota Pereira de Queirós, com presença de deputadas e diversas apresentações.
Deputada
Bom dia. Bom dia a todas e todos. Está aberta a sessão. Sobre a proteção de Deus e em nome do povo brasileiro, iniciamos os nossos trabalhos nos termos do parágrafo único do artigo quinto do ato de mesa número 123 de 2020. Fica dispensada a leitura da ata da sessão anterior. Sessão solene para outorga do diploma mulher cidadã Carlota Pereira de Pereira de Queiroz. Já estão compondo a mesa e vou apresentar os deputados e as deputadas que estão aqui. Deputada Sâmia Bonfim, deputado Carlos Veras, deputada Laura Carneiro, que é também vicepresidente da comissão em defesa dos direitos das mulheres, deputada Jaque Rocha. Convido a todos pra acompanhar imposição de respeito o hino nacional.
Transcrição automática
Transcrição automática
Deputada
Convido agora a todos pra assistir ao vídeo institucional.
Transcrição automática
Na defesa de direitos da mulher e de questões de gênero no Brasil. A médica paulistana Carlota Pereira de Queiroz é a primeira mulher eleita deputada federal no Brasil. Seu engajamento político teve início durante a revolução constitucionalista de 32. Já no ano seguinte, Carlota é eleita para a Assembleia Nacional Constituinte, sendo a única mulher a assinar a constituição de 1934. Após a promulgação da nova carta, Carlota se elege para a Câmara dos Deputados. Seu mandato é em defesa da mulher e das crianças, mas acaba interrompido em 1937, quando Getúlio Vargas decreta o fechamento do Congresso Nacional. Mesmo fora da vida parlamentar, Carlota seguiu defendendo mais espaço para a atuação das mulheres. Senhores, senhoras e senhores.
Transcrição automática
Deputada
A essa sessão solene pra entregar pra entrega do diploma mulher cidadã Carlota Pereira de Queiroz. A atribuição de conceder a honraria é de competência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, que tem a honra de presidir. Desde a criação do prêmio, em 2003, 1 iniciativa da nobre deputada Laura Carneiro, que se encontra aqui na sessão, o diploma já foi concedido a 60 mulheres que se destacaram por seu trabalho em defesa do pleno exercício de cidadania pelas mulheres. Senhoras e senhores, não foi fácil selecionar as 5 mulheres agraciadas com o diploma deste ano. A comissão, a qual compete a responsabilidade de fazer essa seleção, teve que se decidir entre 18 indicações feitas por deputados e deputadas da atual legislatura. Posso afirmar que todas sem exceção, era dignas da honraria, mas como apenas 5 poderiam receber o prêmio, foi feita a escolha. Foi com alegria, pois, que recebeu notícia de que minha indicada Rosa Cabinda seria 1 das agraciadas este ano. Rosa Cabinda foi 1 mulher negra, nascida na África, que viveu em Juiz de Fora, Minas Gerais, e tornouse 1 importante referência de luta por liberdade de mulheres e homens negras e negros escravizados, sobretudo pela sua coragem e a resistência contra a estrutura escavacata mineira. As outras agraciadas com essa edição do prêmio são a advogada Cristiane Damasceno Leite, que tem destacada a trajetória na defesa dos direitos das mulheres. A ativista Elizabeth Altina Teixeira, que dedicou sua vida à defesa dos direitos dos trabalhadores e das trabalhadoras rurais. A militante feminista, Nalude Faria da Silva, referência fundamental do movimento no Brasil. E a professora Roseli Silva Pires, coordenadora de programa que oferece acolhimento a mulheres negras e periféricas e seus filhos que estejam em situações de vulnerabilidade social e de violência. O diploma mulher cidadã, Carlota Pereira de Queiroz, não é apenas reconhecimento, mas também símbolo de nossa contínua luta pela igualdade de gênero e compromisso com a construção de 1 sociedade mais justa e inclusiva, onde todas as mulheres possam alcançar seu pleno potencial. Quero saudar mais 1 vez as 5 agraciadas de hoje. Que o exemplo dado por elas na luta em defesa dos direitos das mulheres seja permanente fonte de inspiração para brasileiras de todas as idades de norte a sul do país. E faço especial agradecimento a todas as parlamentares e parlamentares, membros e os parlamentares membros da Comissão de Defesa dos Direitos das Mulheres, pela dedicação, pelo esforço, pela garra com que têm lutado, para que chegue em breve o dia em que homens e mulheres do nosso país tenham de fato igualdade de direitos. Muito obrigada. Agora eu convido todas e todos para assistir à apresentação musical Para Todas as Mulheres de Mariana Nolasco, pelos intérpretes Henrique, que Neto e Raiane Castro. A Raiane pessoal, também é membro da comissão em defesa dos direitos das mulheres, muito obrigada Raiane. Imagina, é 1 honra presidente.
Transcrição automática
Muito obrigada.
Deputada
Raiane Henrique, 1 música muito significativa do momento que nós estamos vivendo. E agora seguiremos pro pronunciamento dos demais membros da mesa que foram os o deputado e as deputadas que fizeram a indicação das homenageadas do dia de hoje. Eu passo a palavra primeiramente deputada Laura Carneiro, pelo tempo de 2 minutos. 2? Nós ampliamos, fica tranquilo. Oi, foi.
Deputada
Pimentel, deputado Carlos Veras, deputado deputada Sâmia Bonfim, deputada Jaque Rocha, nossas homenageadas. Meus parabéns a todas vocês, e não só a elas, mas a todas as mulheres do Brasil. Que dia a dia lutam por segurança, para garantir as suas a sua integridade, por liberdade, por consideração e respeito, por igualdade. Preferíamos não ter que lutar para sermos respeitadas, Mas se é preciso lutar, lutemos. E as mulheres premiadas aqui hoje são a prova dessa luta, dessa garra, dessa força. Todas nos inserimos na mesma história, as premiadas, as deputadas, as funcionárias da casa, que estão aqui trabalhando entre nós, ou até a própria Carlota Pereira de Queiroz, presente em nossa memória. Todas vivenciamos em épocas diferentes, de diferentes modos, o que é ser mulher numa sociedade como a nossa. Os papéis que desempenhamos, os espaços que ocupamos, nos foram abertos por outras que vieram antes Carlos. Muito antes de nós, viu, 2 minutos já foi né gente, cá pra nós. E podemos pensar e sonhar e construir o mundo que queremos para as que vierem depois. É isso que a gente está fazendo aqui. Esse é o objetivo do diploma mulher, cidadã Carlota Pereira de Queiroz. Toda mudança política começa com a mudança da imaginação. Nós queremos que as mulheres imaginem mundo mais justo e que comecem outras já que estão tentando destruílo. É necessário conhecer outras mulheres e construir redes, porque afinal mundo melhor não se constrói sozinho. Não por outra razão, o título de premiação fala em mulher cidadã. Não se trata simplesmente da mulher como indivíduo enquanto indivíduo, mas enquanto integrante participante ativa dos assuntos da comunidade que busca fazer seu vida nas decisões coletivas. Entre as 5 mulheres relacionadas nessa solenidade, pelo exemplo de cidadania que são, sinto orgulho de haver indicado à comissão o nome da jurista Cristiane da Marcelo Lente. Além de advogada, professora universitária, doutora Cristiane, tem se destacado por a sua atuação no órgão de representação profissional no OAB, o que também é agir político. A política não se faz apenas nos órgãos estatais, mas em toda a esfera de deliberação coletiva. Foi autora da minuta do projeto que aprovamos aqui, deputada Sâmia, que alterou o estatuto da OAB, e que eu tive a honra de simplesmente assinar, que incluiu o assédio moral, o assédio sexual, a discriminação no rol das infrações ético disciplinares da da nossa categoria profissional. Hoje preside a comissão nacional da OAB mulher. Parabéns Cristiane, parabéns a todas vocês. Todas têm 1 história de vida muito diferente entre si. Algumas atuam na cidade, outras no campo, algumas continuam entre nós, outras já se foi, mas todas fazem parte como eu dizia, da história das mulheres do Brasil. 1 história que também é minha, que também é das deputados, e também é do deputado Carlos Vera e de todas as mulheres que nos ouvem. E que nós nos lembremos sempre, 1 das outras, que nos expiremos umas das outras, e que construímos juntas futuro melhor, não pra esta ou pra aquela, mas sempre para todos, muito obrigada e parabéns a vocês.
Deputada
Obrigada deputada Laura Carneiro, mais 1 vez lembrando que deputada Laura Carneiro é a responsável pela propositura desse diploma, então é momento muito significativo que estamos vivendo aqui. Agora eu passo a palavra à deputada Jaque, que vai apresentar a sua homenageada.
Deputada
Bom dia, à querida presidenta Ana Pimentel. Bom dia, colega deputada Laura Carneiro, à deputada Sâmia, ao deputado Carlos Veras. Bom dia a todas as pessoas aqui presentes, especialmente à nossa homenageada em nome dela Roseli Maria da Silva Pires. Eu quero cumprimentar todas as homenageadas aqui, inclusive aos trabalhadores e trabalhadoras dessa casa. Prêmio como esse ele é simbolizado pelas mãos que constroem o Brasil, e falar pouco de Carlota como primeira deputada federal desse parlamento, é falar da participação das mulheres e da democracia. Sem dúvida alguma cada 1 das que estão aqui no dia de hoje homenageadas, carrega também 1 ancestralidade de luta, não só em defesa dos direitos das mulheres, mas que através da vida delas é possível dar voz a mim como parlamentar, primeira parlamentar negra do meu estado do Espírito Santo, mas também há mais de 50 por 100 da população brasileira. Estar aqui hoje com vocês na casa do povo, na casa das mulheres brasileiras e ocupar esse espaço, que é através da comissão da defesa dos direitos das mulheres dessa casa, vem buscando visibilizar não só as nossas dores, dos desafios, do enfrentamento às violências, mas principalmente reafirmar a nossa promoção dos direitos enquanto sujeitas de direitos. E é por isso que, ao fazer essa linda homenagem a todas vocês 5 em 1 votação histórica, eu tenho orgulho de dizer e apresentar a única homenageada da exceção que é Roseli, 1 mulher negra, doutora Roseli, pela sua atuação não só nos campos da universidade federal do estado do Espírito Santo, mas porque ela também devolve as mulheres periféricas do nosso estado e também através das suas pesquisas, a dignidade e o direito à vida. Ontem, nós estávamos engajados das redes pra falar do dia 25 como o dia de enfrentamento à violência contra as mulheres, algo que nós não podemos permitir. E essa casa, vocês podem ter certeza que estão diante da maior bancada feminina da história, que independente das questões ideológicas que, estão dentro dessa composição que a democracia permite estar representada, possam ter certeza, há 1 unidade quando se fala do direito das mulheres para que a gente não retro aja. E é por isso, que reafirmamos o nosso compromisso com as mulheres brasileiras, e principalmente com os filhos e filhas delas. Então mais 1 vez presidenta, membros dessa casa, trabalhadores trabalhadoras, nossas honrarias a quem constrói a democracia brasileira a todas as mulheres do nosso país. Muito obrigada. Muito obrigada deputada Jack Roy.
Deputada
Agora passo a palavra a deputado Carlos Veras que apresentará a sua homenageada. Eu acho que é a primeira vez que eu falo.
Deputado
Desse lado da tribuna, mas por 1 causa extremamente justa. Bom dia muito especial a todas as pessoas presente, especial a todas as companheiras. Quero cumprimentar de forma muito especial essas mulheres deputadas, guerreiras, lutadoras, que nos enche de orgulho e de inspiração nesta casa. Laura, Jaque, Ana, Sâmia, companheiras que nos inspira todo dia. E a gente sonha, e trabalha, pra que dia nessa casa a gente possa ter 50 por 100 no mínimo de mulheres deputadas com a mesma garra e determinação de vocês. Quero cumprimentar todas as homenageadas, em nome, da companheira, Márcio, que está aqui, neta da Elizabeth Teixeira, que está aqui com toda a sua família. E a companheira Lane, que é presidenta do memorial das lutas das ligas camponesas. Aqui representante da nossa homenageada, Elisabete Teixeira. Hoje, vivemos momento de muita emoção e significado histórico. Conceder o diploma Carlota de Queiroz, a querida Elisabete Teixeira, além de 1 homenagem, é reconhecer sua vida inteira, dedicada à luta pelos direitos das trabalhadoras e dos trabalhadores rurais. A luta pela reforma agrária e pela justiça social no Brasil. Ano que vem, celebramos o centenário de Elisabete Teixeira, a qual peço permissão à família para convidar todas as deputadas, todos os presentes pra participar desse momento histórico e tão importante que é o centenário de Elisabete Teixeira. Essa mulher, cuja força e determinação, atravessam e atravessaram décadas de desafios e adversidades. Ao lado de João Pedro Teixeira, Elisabete construiu legado inspirador de resistência e compromisso, com a reforma agrária, e com as lutas das mulheres e dos homens do campo. Após o brutal assassinato de seu companheiro, Elizabeth manteve viva a luta que ambos iniciaram, e ampliou, tornandose símbolo maior da força das mulheres nordestinas e do povo trabalhador rural. Portanto, este diploma é reconhecimento à trajetória de 1 mulher extraordinária, mas é também tributo à história de luta e esperança de todas que sonham e trabalham por Brasil mais justo, e 1 vida digna no campo. Como também fez nossa querida saudosa Margarida Alves. É lembrete do compromisso que temos com a democracia. Ditadura nunca mais. Com a igualdade e os direitos humanos. E lembrete da necessidade de seguirmos firmes na defesa da reforma agrária e da dignidade para o povo brasileiro. Elisabete Teixeira, é exemplo vivo, de que a luta com justiça social é contínua, e vale a pena, que sua vida e seu legado continue a nos inspirar, e continuarmos avançando por Brasil mais justo. Muito obrigado a todas as companheiras e companheiros.
Deputada
Obrigada deputado Carlos Veras, agora passo a palavra a deputada Sâmia. Sâmia Bonfim.
Deputada
Bom dia a todas as pessoas presentes quero cumprimentar a mesa deputada Ana Pimentel, deputada Laura, Jaque, deputado Carlos Veras e a todas as pessoas presentes nesse nessa homenagem tão fundamental. Primeiro falar de Carlota que foi 1 mulher que abriu portas né, para todas as demais, para que pudessem estar nesse parlamento para lutar por políticas para as mulheres e todo o povo brasileiro. Nada mais justo do que o seu nome e também pra homenagear tantas mulheres fundamentais pro Brasil, e a minha homenageada que sem dúvida também foi 1 mulher que abriu portas pra tantas outras mulheres brasileiras e que contribuiu muito a história do feminismo no Brasil e na América Latina aliás, a sua história se confunde com a história do feminismo popular, anticapitalista de toda toda a América Latina. Na Lu Farias é 1 referência fundamental na militância feminista do Brasil. Atuou no movimento de mulheres desde a década de 80 até o seu falecimento, em outubro de 2023. Psicóloga e coordenadora da marcha mundial de mulheres e da Sempre Viva organização feminista Sof, teve papel essencial na formação e articulação de mulheres em nível nacional e internacional. Nalu esteve envolvida na construção de eventos de grande relevância como o Fórum Social Mundial e a marcha das Margaridas. Ela atuou fortemente na promoção do feminismo popular e na economia feminista, contribuindo significativamente para a causa das mulheres brasileiras e para visibilidade e integração das questões de gênero na política e nos movimentos sociais. Sua liderança na marcha mundial de mulheres e na SoF, fortaleceu a solidariedade feminista e promoveu 1 agenda política anticapitalista e inclusiva, contribuindo também para a formação de lideranças femininas e para a construção de estratégias eficazes contra a opressão de gênero, o racismo e a desigualdade econômica eu quero cumprimentar todos os militantes da democracia socialista que estão aqui presentes, seus familiares companheiros e companheiras aos militantes do PT, da Sof da Marcha Mundial de Mulheres, dizer que pro nosso mandato é 1 honra entregar essa homenagem à Manu Farias, me emocionam porque enfim. Me emociona na Lucartinho no dia 6 de outubro, dia seguinte ao falecimento do meu irmão então também foi 1 morte que, me tocou muito, me pegou no momento enfim. Bastante delicado nas nossas vidas e são muitas esferas né quando a gente pede alguém, de tanta referência, referência pra tantas pessoas mas que também nos toca, de outras formas né de 1 forma mais, enfim pessoal íntima e subjetiva então, espero que enfim recebam essa homenagem como 1 dedicação mesmo, 1 dedicatória 1 homenagem de 1 outra militante feminista que está aqui no parlamento enfrentando 1 série de desafios e dizer que a gente busca honrar esse legado né de luta pelos direitos das mulheres, enfrentamento à violência, na luta por creches por participação política feminista, e no enfrentamento ao sistema capitalista. A gente sempre faz questão de afirmar que nós somos deputadas e militantes feministas no espaço em que muitas vezes não aceita nessas nomenclaturas e tenta nos acomodar ou nos moldar para 1 outra forma de atuação política. Mas eu peguei inclusive aqui lendo texto sobre ela 1 frase que ela sempre dizia, que em tempos difíceis, precisamos nos radicalizar ainda mais e não podemos ceder para o que parece ser o limite da conjuntura. Temos que atuar para ampliar as fronteiras do possível então espero que, essa homenagem à luta que se leva adiante.
Deputada
Pra isso pra ampliar as fronteiras do possível, honrar aquelas que vieram antes de nós e construir caminhos melhores pras que virão, obrigada. Quero agradecer deputada Sâmia por, por essa homenagem que representa há muitas e muitos que estão aqui presentes hoje, como militante da democracia socialista que eu também faço parte. Quer dizer que pra gente é momento realmente muito emocionante, é momento histórico trazer a Malu pra ser homenageada nesse espaço e, como a deputada Sâmia muito bem também mencionou pra nós, não há feminismo sem socialismo e não há socialismo sem feminismo, na Lu foi 1 grande referência pra pra te transversalizar esses 2 debates e fazer da luta feminista 1 luta popular, Então pra gente é momento muito emocionante deputada Sami obrigada e todos nós que somos militantes da democracia socialista queremos externalizar isso tem várias e várias aqui inclusive quero mencionar a presença do nosso querido deputado distrital, Gabriel Magno, que está aqui presente também nessa homenagem e várias outras companheiras e companheiros. É momento realmente muito emocionante para todos nós. A comissão de defesa dos direitos das mulheres, eu queria também agora nesse momento apresentar a homenageada, a última homenageada, que é a Rosa Cabinda. Hoje, com reverência e profundo senso de responsabilidade histórica, nós também entregaremos esse diploma, a Rosa Cabinda em Memorium, 1 mulher que arrancada de sua terra natal pra ser escravizada na cidade de Juiz de Fora em Minas Gerais, transformou sua dor em luta e resistência em libertação. Em 1873, Rosa Cabinda protagonizou feito extraordinário. Tornouse a primeira mulher negra a conquistar sua liberdade por vias judiciais em sua região mediante pagamento de indenização. Sua luta incansável e sua coragem pra enfrentar as estruturas de poder de sua época abriram precedentes e esperanças para que outras mulheres e outros homens escravizados vislumbrassem a possibilidade de liberdade através da justiça. O legado de rosacabinda é tão significativo que em 2018 coletivos feministas de Juiz de Fora, instituíram a medalha rosacabinda, 1 honraria que reconhece mulheres cujas histórias de luta e resistência, embora muitas vezes invisibilizadas, foram fundamentais pra construção de nossa sociedade. Ao homenagear Rosa Cabinda hoje, essa casa reconhece não apenas sua trajetória individual de coragem e determinação, mas honra também todas as mulheres negras, que mesmo sob o peso das estruturas racistas e patriarcais, contribuíram e seguem contribuindo pra formação de nosso país e pra conquista de direitos fundamentais. A história de Rosa nos ensina que a verdadeira cidadania é conquistada na luta diária contra as injustiças, na coragem de enfrentar estruturas que se apresentam como supremas, indestrutíveis, e na persistência de buscar, pelos caminhos da justiça, o reconhecimento da dignidade humana. Que esse diploma sirva como instrumento de memória e inspiração, lembrando a todas e todos nós que a construção de 1 sociedade verdadeiramente democrática, passa pelo reconhecimento e valorização das lutas e conquistas de mulheres como a nossa homenageada. Rosa Cabinda e Nalu, vive e resiste. Muito obrigada. Ah eu passo a palavra à messe de cerimônias pra que proceda a chamada nominal das agraciadas em ordem alfabética. Senhoras e
Mestre de Cerimônia
Bom dia. Tem início neste momento a entrega do diploma mulher cidadã Carlota Pereira de Queiroz, edição 2024. Instituído pela resolução número 3 de 2003 da Câmara dos Deputados, o diploma é entregue todos os anos, a 5 mulheres que tenham contribuído para o pleno exercício da cidadania no Brasil, atuando na defesa dos direitos da mulher e nas questões de gênero. A outorga do diploma é de competência da comissão de defesa dos direitos da mulher. As deputadas, Ana Pimentel, Jaque Rocha, Laura Carneiro e Sâmia Bonfim e o deputado Carlos Veras, autores das indicações das eleitas pela comissão de defesa dos direitos da mulher para serem agraciadas com diploma mulher cidadã, Carlota Pereira de Queiroz, farão a entrega do diploma, as suas respectivas indicadas, as agraciadas serão anunciadas em ordem alfabética, e a partir de agora, daremos início à chamada nominal. Indicada pela deputada Laura Carneiro, psdrj, convidamos a senhora Cristiane Damasceno Leite para o torda do diploma mulher cidadã Carlota Pereira de Queiroz. Na tribuna deste plenário, ouviremos a senhora Cristiane Damasceno Leite. Bom dia a todos e a todas, cumprimento a mesa em nome da presidenta Ana, e também faço referência à deputada Laura que me agraciou, e na verdade depois de todas essas falas
Advogada
O que falar, mas eu quero registrar e falar com 52 por 100 da população que somos nós mulheres. Hoje esse parlamento é subrepresentado, porque nós deveríamos ter aqui a metade de mulheres nos representando. Então eu conclamo todas as mulheres brasileiras a votarem em mulheres. Nós precisamos de 1 representação justa e paritária dentro deste parlamento, pra que as nossas doloridades sejam reconhecidas, sejam trazidas e sejam votadas e implementadas. E só quem pode fazer isso por nós, é 1 de nós. Nós não devemos ser rivais por espaços. Nós devemos exercer a sororidade verdadeira em forma de redes, amando umas às outras. As crianças já diz ditado africano, são criadas por aldeias. E sabe quem estão dentro dessas aldeias? Nós mulheres. Então nós temos que nos irmanar para que nós ocupemos todos os espaços políticos deste país que também são nossos. E eu estarei nas fronteiras, nas trincheiras, pra aquelas que vêm depois de mim e honrando a minha mãe que é 1 lutadora e que veio e abriu esse espaço pra mim. E hoje eu estou aqui pela minha sobrinha Ana Beatriz que está ali sentada, pra que ela possa exercer o pleno direito dela sem ter violência e morrer, porque a cada 10 minutos esse país perde 1 de nós. E é por isso que todas nós que hoje estamos aqui nesse plenário brigaremos por esses espaços, porque eu acredito num país mais justo, país mais paritário e país realmente democrático. Sem mulheres não existe democracia.
Mestre de Cerimônia
Pelo deputado Carlos Veras, convidamos a senhora Alane Maria da Silva de Lima, presidenta do memorial das ligas e lutas camponesas, neste ato representando a agraciada Elizabeth Altina Teixeira para outorga do diploma, mulher cidadã Carlota Pereira de Queiroz. Fará uso da palavra a senhora Alane Maria Silva de Lima. A liberdade da
Presidenta do Memorial das Ligas e Lutas Camponesas
Terra não é assunto de lavradores. A liberdade da terra é assunto de todos quanto se alimentam do fruto da terra. Companheirada, bom dia. Sou a Alane, sou camponesa, estou aqui representando a mulher marcada para viver, Elisabete Teixeira. É com muita alegria e responsabilidade que a gente ocupa esse espaço, que se, de mulheres a gente tem menos de 50 por 100, de mulheres camponesas nesse espaço, nós nem nem sabemos a porcentagem. E Elisabete Teixeira, que é símbolo de ocupar os latifúndios, seja latifúndio da terra, latifúndio do saber, latifúndio da política, permanece viva, rumo ao seu centenário, dizendo que é preciso haver reforma agrária, para que haja democracia. E se a gente fala de reforma agrária, a gente fala de acesso a tudo o que é espaço de formação e de pessoas que precisam se alimentar. E Elisabete Teixeira dedicou sua vida, teve sua vida diretamente afetada pela violência do latifúndio, em relação e em parceria com o estado, dizendo que aqueles que lutam por direitos, são violentados. Por isso que o memorial das ligas e lutas camponesas reafirma a continuidade na luta, assim como Elisabete Teixeira e tantas outras mulheres e homens, dedicaram suas vidas e tiveram suas vidas ceifadas, porque lutaram por justiça social, porque lutaram por pedaço de terra que é direito humano nosso da classe camponesa. Que a gente, enquanto classe camponesa, deve lutar pra que possamos continuar alimentando, porque nós, camponeses e camponeses, é quem alimentamos e colocamos na mesa de mais de 70 por 100 dos brasileiros à nossa alimentação. Então, que a gente possa, assim como Elisabete Teixeira, se comprometer que enquanto houver a fome e a miséria atingindo a classe trabalhadora, deve haver luta dos camponeses. Então muito obrigada ao deputado Carlos Veras. Quero agradecer demais às companheiras, que continuam assim como a gente do memorial das ligas e lutas camponesas, que luta constantemente para que a memória da classe camponesa permaneça pulsante e latente, precisa e grita do apoio dessa casa e de todos aqueles que representam a nós, camponeses e camponeses, e que defendem a nossa classe, né? Então, se sintam todos e todas e todos convidados a irem visitar o memorial das ligas e lutas camponesas, que pulsa a vida do Campesinato, e que se sintam também convidados e convidadas a irem pra o centenário de Elisabete Teixeira, que será ano que vem em fevereiro, e a gente pretende realizar com o apoio dessa casa e daqueles e daquelas que apoiam essa luta, belíssimo centenário digno da dedicação de vida que foi Elisabete Teixeira. E agradecer aos movimentos e organizações a companheira Mazé Moraes, né, da da da Contag, que tem se dedicado junto conosco nessa materialização que é o prêmio, o diploma de mulher cidadã Carlota Pereira de Queiroz, que ocupou essa casa, né, e Elizabeth Teixeira também não se curvando, se candidata também a deputada porque sabe que na política é preciso que nós mulheres também ocupemos. Então muito obrigada, companheirada, e é com muita alegria que a gente recebe esse esse diploma.
Mestre de Cerimônia
Indicada pela deputada Sâmia Bonfim, convidamos a senhora Júlia Faria Codas, neste ato representando sua mãe, a agraciada, Nalu de Faria da Silva, para outorga do diploma mulher cidadã Carlota Pereira de Queiroz. Tenha a palavra a senhora Júlia Faria Codas. Bom dia a todos, todes.
Filha de Nalu
E todas, em nome de toda a minha família gostaria de agradecer a deputada Sâmia Bonfim e a todas as pessoas que votaram por esse reconhecimento, eu não sou muito de falar em público então eu vou falar bem rapidinha, Então seguiremos em Marte até que toda a cena de Almas livres, muito obrigada. Indicada pela
Mestre de Cerimônia
Jaque Rocha, convidamos a senhora Roseli Maria da Silva Pires para outorga do diploma mulher cidadã Carlota Pereira de Queiroz. Com a palavra a senhora Roseli Maria da Silva Pires.
Professora e militante feminista
Cumprimento a mesa. No nome da nossa querida Jaque Rocha. A primeira mulher negra do Espírito Santo deputada federal. Cumprimento as pessoas presentes no nome da minha querida doutora Danúbia Galvão, pesquisadora do programa Furdan que criei, há 20 anos e que acolhe mulher às vítimas de violência na periferia de São Pedro. Temos hoje o índice de 0 feminicídio, 0 morte de mulheres na verdade, e o programa da universidade federal é programa experimental. Durante a covid 19, nós não perdemos nenhuma mulher, e nenhum familiar dessa mulher. Nenhuma foi entubada, nenhuma foi sequer internada. E aí nós provamos pra política pública, que é possível salvar vidas. Chego aqui hoje representando a minha ancestralidade. Sou a mulher negra, periférica, minha primeira imagem na memória é da minha avó Bárbara, com 5 anos, junto com minha mãe e minha avó Chica, já cuidava de mulheres porque eram benzedeiras faziam partos, e também empregadas doméstica. Aos 7 anos de idade eu ajudava a minha mãe fazer faxina nas casas das pessoas. E aí vocês perguntam, como 1 pessoa como eu, vira doutora em ciências jurídicas sociais e professora da universidade federal do Espírito Santo, referência no Brasil em alguns países no enfrentamento da violência e acolhimento a mulheres, por causa das redes de apoio. Como diz a música, né tentaram calar a nossa voz, mas esqueceram que nós nunca estamos estaremos sós. No mês da consciência negra, no ano em que nós temos pela primeira vez feriado, é importante lembrar, que já que cada de a cada 10 mulheres assassinadas, 7 são mulheres negras. A pergunta que fazem sempre ao Furdan, é se essas mulheres morrem porque os homens negros e de periferia matam mais. Não. É porque a periferia não tem rede de apoio fortalecido. Meu lugar aqui hoje é para solicitar, a esse espaço privilegiado e honrado a qual eu ocupo nesse momento, para que haja cuidado, para melhorar a verba das defensorias públicas, porque são elas que acolhem gratuitamente as mulheres negras e de periferia que não podem pagar advogado. Pra que dê 1 atenção especial aos jovens e adultos dentro do sistema de educação, porque as mulheres negras e de periferias não têm autonomia financeira para saírem dos seus lares, e elas precisam retornar para as escolas. Então é necessário fortalecer, esse espaço. Pra que fortaleçam as cotas na universidade. E principalmente, para que as políticas públicas da periferia sejam melhores tenham melhores atenção. Nenhuma mulher negra consegue largar o agressor, se não tiver 1 cesta básica até que chegue à sua pensão de alimento. Nenhuma mulher negra consegue largar o agressor, se não tiver aluguel social, porque a maioria delas moram ainda em espaço que é familiares deles.
Transcrição automática
É o nosso pedido. E aí nós fechamos com a nossa querida Ângela Davis, quando a mulher negra se movimenta, toda a sociedade brasileira se movimenta. Minha gratidão. Indicada.
Mestre de Cerimônia
Pela deputada e presidente da comissão de defesa dos direitos da mulher, Ana Pimentel, convidamos a senhora Daniela Melo de Oliveira, integrante do movimento negro unificado de juiz de fora, Minas Gerais, e do instituto feijão do algum, deste ato representando a agraciada, rosacabinda em memória, para outorga do diploma, mulher cidadã Carlota Pereira de Queiroz. Com a palavra a senhora Daniela Melo de Oliveira. Bom dia a todos e todos, cumprimento a mesa e agradeço pelo convite, né? Eu, a irmã ali Roseli falou né,
Integrante do Movimento Negro Unificado de Juiz de Fora/MG e do Instituto Feijão do Ogum
Pouco do que eu iria dizer, né? Sobre o quão mulheres pretas ainda são mortas, quão mulheres pretas ainda estão sujeitas a 1 sociedade que não nos vê, e não nos lê como pessoas. Em muitas e na sua grande maioria. É importante dizer também, né, muitas irmãs falaram sobre o feminismo, mas é preciso falar sobre o feminismo negro, né? Enquanto muitas mulheres lutavam pra trabalhar, as mulheres pretas nunca deixaram de trabalhar. Elas estavam servindo a todos e todos, sem parar e sem cessar só momento. E é essa reflexão que eu trago hoje, que nós mulheres negras, nós não podemos parar, nós não temos o direito de respirar. Porque como bem a irmã disse, nós não temos 1 rede de apoio, nós muitas vezes somos apontadas. Eu hoje como professora, sacerdote, eu gosto de tratar com as pessoas de perto. E dizer que é no olho no olho, é você entendendo como que funciona cada comunidade pra poder você fazer política pública pra poder fazer a diferença, né? Nós do Instituto Feijão de Ogun, que é quem foi parte deste meu processo, a convite da deputada Ana Pimentel, fazemos trabalho muito lindo com as comunidades tradicionais de terreiros em Juiz de Fora, e também com os movimentos negros das mulheres pela vida em Juiz de Fora. Então, não podemos parar, não podemos nos calar e sim temos que lutar diariamente por mais políticas públicas e por mais inserção de mulheres na política. Meu muito bom dia e muito obrigada. Obrigada. Antes de encerrarmos a sessão vamos convidar a todas as agraciadas pra nós fazermos.
Transcrição automática
1 foto, e depois nós teremos também 1 música.
Deputada
Convido a todas para subirem e nós tirarmos a foto aqui de cima. E dando sequência a essa cerimônia, convidamos os.
Mestre de Cerimônia
Henrique Neto no violão e Raiane Castro na voz e no azalato para interpretarem a música Maria de Vila Matilde, de Douglas Germano.
Transcrição automática
Cadê meu Eu quero ver você pular você correndo, acredito, sim Você vai se arrepender de levantar a mão pra mim Cadê meu celular? Eu vou ligar pro outro 0 Vou entregar teu nome e explicar meu endereço Só que você não entra mais eu digo que não te conheço e já vai pra fermento se você se aventurar, eu solto meu cachorro e apontando pra você é o teto, Obrigada obrigada. Antes de serrar, quero convidar a todos e todos pra coquetel servido no salão nobre. Quero aproveitar esse momento pra.
Transcrição automática
É agradecer
Deputada
Todas e todos que estiveram aqui ao longo dessa manhã, dizer que hoje nós tivemos 5 homenageadas que de fato representam muito do que a história do movimento de mulheres no nosso país, com essa diversidade que ao mesmo tempo, organiza as lutas que nós precisamos fazer pra conseguir 1 verdadeira igualdade entre homens e mulheres. Foram homenageadas que representam os movimentos sociais, que representam o que é a atuação nas universidades, homenageadas que vieram da luta ancestral de luta contra o racismo, homenageadas que foram decisivas como também foi o caso da Analu pra construir movimento de mulheres anticapitalista na América Latina, e também homenageada que trabalha intensivamente dentro do mundo do universo do direito pra construir a igualdade também das mulheres então foi 1 honra presidir essa sessão, quero agradecer a todas que estiveram aqui e dizer que sempre precisamos nos lembrar de todas que nos antecederam, que a gente também organize a nossa luta e que a gente consiga futuro que seja futuro verdadeiramente igualitário pra todas e todos. Está encerrada a sessão.




