COMISSÃO DE DEFESA DOS DIREITOS DA MULHER
Sobre o Evento
Audiência sobre violência obstétrica com foco na humanização do parto, mediada pela Deputada Juliana Cardoso e especialistas da ReHuNa.
Deputada
Tá, né? Tá. Então boa tarde a todos e todas, declaro aberta a presente audiência pública na comissão de defesa dos direitos das na da mulher para debater o tema violência obstétrica assistida, audiência é resultado de 1 aprovação do requerimento número 102 de 2024 da minha autoria, a pedido né aqui de de 1 caminhada da luta das mulheres né que, a a gente sabe que precisamos ocupar esses espaços e dialogar aqui dentro dessa casa sobre a questão da violência obstétrica. Inicialmente eu quero cumprimentar os as nossas convidadas e convidados senhoras e senhores parlamentares e público presente nessa audiência pública e público que nos assiste a através da TV Câmara tenha satisfação e aí vamos já compor essa nossa mesa com os expositores e expositores então que já quero chamar aqui do meu lado a Valéria Mori Machado que é especialista em violência obstétrica professora na área do direito dos direitos do ciclo grávida de gravítico e eu sempre me enrolo para falar essas 2 palavras que eu tenho meio a língua presa né e diretora jurídica da rede pela humanização do parto de nascimento nas primeiras pessoas que eu encontrei e quando eu cheguei aqui né foi Valéria a tastener ratener que a nossa representante da rede pela humanização do parque Nascimento da reúna que também tenho muita felicidade de estar perto me ajudou muito também quando fui vereadora da capital de são paulo pensando coisas mais incisivas né naquela câmara tão difícil muito obrigada pela presença pode obrigada por estarem aqui mesmo e aí também é o nosso médico obstetra né doutor Bráulio que é diretor da comunicação da rede pela humanização do parto e nascimento da reúna Muitíssimo obrigado pela sua presença é isso é bom isso é muito bom então como nós estamos num adiantado né da hora e eu sei que Brasília não é lugar que a gente pode perder muito tempo que saindo daqui eu tenho certeza que você tem mais algumas outras coisas a gente já vai iniciar porém eu preciso só falar algumas coisas mais técnicas e esclareço que os nossos convidados e convidadas vão ter tempo previsto de disposição de 15 minutos e após essa exposição as senhoras e senhores expositores passaremos para debate. Os deputados que estiverem presentes será concedido o tempo de 3 minutos que passarem por aqui ou que se inscreverem esclareço que essa audiência pública está sendo transmitida pela internet no canal do YouTube da Câmara dos deputados e deitadas deputados ficou por mim mesmo dando o início aos Exposições passa a palavra então aqui ela está presente e a Liliane de Castro dos Santos aqui presente que presidente do nexo governamental presidente do nexo governamental muitíssimo obrigada viu aqui pela presença e vamos também participar Então vamos começar pelo que tá aqui tá certinho né para começar pelo Doutor então começar pelo Doutor para aula e aí a gente vai caminhando aqui 15 minutos você tem disposição para cá aqui vai passar passou vai passar né aí então tá bom então gente seja muito bemvindos e bemvindas que eu costumo dizer que aqui é espaço que a gente precisa muito pensar a relação da violência obstétrica tem Muita confusão né que eu costumo dizer que tem uns parlamentares que dialogam cada bobagem sobre a violência obstétrica né vão para outro viés outro caminho e aí já já mistura com tema da relação do aborto Olha eu falo que a gente tem que falar sobre política pública, e falar sobre política pública também falar sobre a violência obstétrica, seja muito bemvindo doutor. Boa tarde. Oi. Oi, pronto. Boa tarde Juliana, muito
Médico Obstetra, Diretor de Comunicação - Rede pela Humanização do Parto e Nascimento - ReHuNa
Pela pela abertura pelo convite e obrigado a todos presentes aqui todos e todas, obrigado aos meus colegas Valéria e Dafne da Reúna, ambos né, ambas e junto comigo são os da rede pela rede de humanização pelo parque de nascimento que é a Reúna, que é 1 ONG da sociedade civil sem fins lucrativos que já existe desde 1993, eu não estava lá naquela época, mas eu estou há 10 anos na Reúna e a Reúna ela já fez muitas coisas pela saúde da mulher gestante e outras pessoas que gestam, a gente tem histórico bastante grande né Dafne? Reúna, estávamos falando agora pouco né qual o tamanho da Reúna né? A gente pode medir em número de pessoas ou em número de feitos né? E os números de feitos da Reúna eles são muito grandes, a Reúna tem 3 grandes pilares, que foram sendo construídos pelas necessidades do que se encontravam pelo caminho em relação às melhorias de assistência obstétrica né. Então você tem o pilar legislativo que são leis que vão sendo feitas pra melhorar o cenário, você tem o pilar técnico que são os manuais que vão sendo criados pra definição técnica, e você tem o pilar jurídico que é aquele que vai não vai pelo amor vai pela dor né, é mais ou menos por aí. Bom e aí dos grandes feitos da Reúna só pra elencar por exemplo na no pilar legislativo a Reúna foi 1 grandes responsáveis ou a maior responsável pela lei do acompanhante, a lei 11108 de 2005, que é a lei que até hoje vigora, apesar de ainda não ser cumprida totalmente em todos os lugares, mas é a lei que garante que toda mulher ou pessoa que gesta tenha acompanhante durante todos os momentos em que ela é atendida, desde o prénatal, préparto, parto, pósparto em todas as situações que ela é atendida em todos os cenários sejam público ou privado. Então esse é dos grandes feitos da Reúna dentre outros apoios legislativos que a Reúna já fez e que a gente vai hoje propor aqui. Ah pilar técnico bastante importante foi a participação da Reúna através da pessoa da DAFINE inclusive e de outros parceiros nossos da Reúna, nos manuais do Ministério da Saúde de assistência de humanização ao parto e nascimento desde 2003 né da Affin, ou desde 2000 e o primeiro manual né? De 2000 e e vários manuais de assistência técnica que foram sendo editados, tem a mãozinha ali da Reúna ou tem o da Reúna, bem como agora mais recentemente nós passamos a ser referência da UNICEF como 1 como manual de boas práticas da UNICEF em relação a às boas práticas na assistência obstétrica né então isso é do pilar técnico, e do pilar jurídico o grande feito né dentre vários outros feitos que a gente tem, em ações pontuais ou mesmo coletivas mas o principal feito da Reúna que a gente gosta de elencar, é a criação do termo violência obstétrica, e o entendimento do que é violência obstétrica na conferência internacional de assistência ao parto em 2010, da Reúna que acontece aqui em Brasília a cada 5 anos, e que esse termo foi proposto e que hoje em dia ele realmente está sendo entendido não por todo mundo né Juliana, mas muitas pessoas já entendem o que é a violência obstétrica, e defendemos então, tudo aquilo que é contra a violência obstétrica e aí pra se reiniciar a minha fala aqui depois dessa introdução, primeiro de tudo eu peço licença a todas as mulheres que estão aqui, me ouvindo aqui presencialmente ou mesmo quem está assistindo, ao vivo online ou gravado espero que muitas pessoas estão gravado também essa essa audiência pública, e essa licença que eu estou pedindo é licença em nome do bebê que eu fui, lá em 1976, que é pelo motivo por qual estou nessa causa, que hoje já tem nome também que é a violência neonatal, eu fui bebê extraído numa cesárea no dia 27 de dezembro, para o médico viajar no réveillon, e sofreu algumas consequências dessa prematuridade, 4 dias numa incubadora, junto com a violência obstétrica que minha mãe sofreu né, então tem muita gente que fala Brownio você é homem que está ali falando em defesa da mulher? Sim porque todos podemos defender aquilo que a gente acredita, mas também eu tenho esse lugar de fala que eu era o bebê daquele parto por isso que eu estou na Reúna e por isso que eu estou aqui com todos vocês né, então cada de nós tem o seu motivo pra estar aqui né, e a sua causa o seu ativismo por estar fazendo o que está fazendo. Bom, queria também não foi citado aqui mas homenagear o Eduardo Chavow que está aqui com a gente, o cineasta do filme Renascimento do Parto que foi grande divisor de águas na parte de da cultura dessa dessa exposição desse tema né, e muita gente fala né Eduardo, bom depois que eu assisti o renascimento do parto que eu entendi e e aprendi o que que vocês estão falando aí que realmente tem 2 mundos aí de assistência obstétrica né? Bom, o que a gente está fazendo aqui hoje, a convite da Juliana? A gente está aqui mostrando, que a o que a Reúna faz reunindo algumas coisas que a Reúna já fez, mas fazendo 1 proposta maior, 1 proposta de unir vários desses temas num conjunto de, conjunto de medidas que possam ser feitas pra que a gente consiga melhorar tudo que já está sendo feito e ampliar essa melhora, deixa eu ver que slide que está ali, e o nome disso é reforma obstétrica, a gente está aqui pra propor, como participando o arquiteto é aquele que desenha a reforma né, que vai lá e faz a planta pra depois o engenheiro executar e pra depois serem contratados todas as pessoas que precisam fazer essa reforma, e a Reúna já desde 1993 vem desenhando essa reforma obstétrica que não tinha esse nome e que agora a gente oficialmente adquiriu essa a a essa fala, assumiu isso, a gente assumiu esse nome como sendo o que a gente faz de fato né, que é propor a reforma obstétrica ou seja pra gente reformar a gente tem que olhar a casa do do alicerce até o telhado né a gente tem que olhar o terreno onde onde essa casa está afincada, tem que olhar o piso, tem que olhar os pilares, tem que olhar a parede, tem que olhar eletricidade encanamento, telhado e por aí vai, tem que falar com os vizinhos inclusive né pra fazer 1 reforma então, a gente está propondo aqui 1 reforma obstétrica que ela envolve 3 grandes pilares, e aí o que foi feito, deixa eu ver 1 coisa que está na ordem aqui pronto. Bom a gente se baseou rapidamente aqui pra quem pra quem é da medicina vai identificar rapidamente com essa estrutura pra quem não é fácil de explicar, que é a mesma estrutura de 1 consulta médica por exemplo chega 1 pessoa pra mim e fala assim, Bráulio eu estou com tal sintoma, ah legal, aí eu complemento com informações depois pergunta lá mas sintoma começou hoje como é que foi, onde é que é, vai daqui pra lá ou não, a gente vai complementando com algumas informações, então vocês vejam ali que o item né que a gente usa como história da moléstia atual né que é antiga essa palavra mas é utilizada até hoje na parte propedêutica de medicina, então a gente tem lá a gente colhe a história primeiro o que que está acontecendo o que que está de errado aí o que que está com qual que é a sua dor né, as mulheres e outras pessoas que gestam nos contam que a dor é não ser bem atendido no sistema obstétrico, e com isso gerar várias questões relacionadas a traumas sejam eles físicos emocionais procedimentos necessários e por aí vai, e aí então a gente faz lá interrogatório está bom então vamos colher dados né, então esses interrogatórios já foram feitos estão sendo feitos né, a Fundação Perseu Abramo fez 1 pesquisa bastante importante em 2014, colhendo dados naquela época que se sabia pouco ainda o que era violência obstétrica, e pra entender se as mulheres sofriam violência obstétrica já naquela época 2014 4 anos depois de que quando o termo foi criado, 25 por 100 das mulheres já declaravam que sofriam violência obstétrica né, e tem 1 nova pesquisa agora em 2024 pra sair da mesma da mesma da desse mesmo canal, mas a gente tem 1 proposta pra isso aqui também bastante importante pra que isso já saia na fonte essa informação e que a gente não precise precise das pesquisas sim também mas que a gente tenha como captar isso na fonte, aí depois na na medicina o item 3 que seriam a gente faz exame físico né então a gente vai examinar então vamos entender o que que está acontecendo, vamos olhar as maternidades, vamos olhar os postos de saúde, vamos olhar os planos de saúde as as coberturas que oferecem e por aí vai a gente vai entendendo todos esses dados, por que que isso reflete lá na ponta final que é a mulher e outras pessoas que gestram e os bebês, né por que que eles sofrem isso tudo qual que é a desestrutura que está por trás disso pra gente chegar depois nessa violência né? E aí a gente chega num diagnóstico, que é a violência obstétrica como diagnóstico então o que a gente está falando qual é a doença que a gente está falando, a gente está falando da violência obstétrica, e 1 doença pra ter 1 cura ou pra ter tratamento ou 1 conduta você precisa organizar 1 forma de tratar essa doença, e a forma de a gente tratar essa doença é a reforma obstétrica, como tema amplo que envolve como guardachuva todas as as ações que a gente acredita que devem ser feitas e ampliadas daquelas que já foram feitas. Bom, no sistema que a gente tem em relação à nossa a a nossa constituição de como funciona o nosso nossa república né, que os 3 poderes, executivo, legislativo e judiciário, como eu disse a própria runa ela foi se construindo em volta desses 3 pilares né, então no Executivo pegando no Executivo barra Ministério da Saúde que é o braço executivo da saúde do do do do Poder Executivo, pensando passando pelo Legislativo que é que onde estamos Câmara dos Deputados né, e 3 lá a gente pega aquela lei que já existe que ninguém sabia direito que estava, ah mas vamos pegar essa lei aqui e mostrar que ela existe que muita gente às vezes não sabe que ela que ela que ela que ela já já existe né, e do poder judiciário que envolve muito a parte de sensibilização principalmente, pra que quando o tema chegue ao poder judiciário não seja meu Deus mas o que que eles estão falando aqui que eu nunca ouvi falar que que é violência obstétrica né, Logicamente que hoje em dia isso já está bastante andado né, mas a questão é que isso já chegue desestruturado dentro da violência obstétrica estrutural que existe, porque muitas vezes o tema chega no judiciário, já estruturado dentro da violência obstétrica e é passado pano muito grande em relação àquilo não mas assim é assim mesmo, sempre foi assim, está tudo certo isso aí o médico falar desse jeito com aquela mulher lá está tudo certo, e não está tudo certo, a gente está aqui justamente porque não está tudo certo. Bom, e aí a proposta que a gente vem trazer aqui, a minha fala de 15 minutos eu vou dividir numa parte agora a Valéria vai falar e depois na sequência eu vou responder algumas perguntas que a gente preparou aqui pra pra serem respondidas mais da parte técnica obstétrica mesmo, e aí a grande proposta aqui dentro do Legislativo, que está que é dos pilares dessa reforma obstétrica, e que daí é o pilar legislativo dessa história toda, que é a proposição da criação do estatuto da gestante, existe o Estatuto da criança e do adolescente, existe o estatuto do idoso, que protege essas pessoas né em relações em relação à à vulnerabilidades que essas pessoas têm, só que não existe ainda o estatuto da gestante né Valéria então, é disso que a gente vai falar aqui, e dentro do estatuto da gestante a proposição da lei alínea pimental que a Valéria vai comentar pouco mais profundamente qual que é essa proposta do estatuto da gestante então, em resumo, o que que nós estamos apresentando aqui? A existência dessa proposição arquitetônica de 1 reforma obstétrica nos 3 pilares, e o pilar que a gente está focando aqui hoje é a proposição do estatuto da gestante, com a com com a com o nome da lei Aline Pimentel, barra 1 outra proposição hoje a gente está dentro dos 16 dias de ativismo contra a violência contra a mulher né, e dentro disso nosso tema da Reúna nesse momento é a proposição da inclusão da violência obstétrica como notificação do Sinan, que é o sistema de notificação de agravos, e que não existe ainda essa notificação por violência obstétrica até porque há pouco tempo atrás nem existe esse nome violência obstétrica né, a gente quer justamente colocar isso dentro da da da notificação do Sinan, e lembrando pra quem está nos assistindo e que não sabe direito ainda o que é violência obstétrica, né porque isso gera muitos melindres né, principalmente na comunidade médica, ah mas estão falando do médico né, Então eu queria deixar só 1 questão aqui bem importante sobre o termo violência obstética que ele significa né, e foi 1 grande sacada de quem dia lá atrás em 2010 na conferência da Reúna falou, como nós vamos chamar isso aqui? Né? Esse negócio aqui está tudo desarrumado, a mulher está sofrendo ABCDEE, não está sendo permitido acompanhante, não estão permitindo que ela decida coisas no parto dela, e a lista toda que a gente já tem 1 lista muito grande de itens que compõem 1 violência obstétrica, como chama isso né? Ia criar esse nome violência obstétrica, poderia ter sido naquela época outro nome? Violência gravídica? Poderia, mas se não não representaria exatamente o que é. A violência obstétrica é 1 violência de gênero, onde quem está sofrendo aquela violência é 1 mulher em situação obstétrica, independente de quem está cometendo essa violência. Num paradigma onde, a medicina estruturalmente falando, as associações de medicina acreditam que o médico é que decide tudo, fica parecendo que é a medicina que está sendo culpabilizada por isso olha já que o médico que decide tudo se está acontecendo alguma coisa errada aqui é culpa do mestre vocês estão falando de mim, só que no paradigma que a gente vive, onde assim como o Galileu o Galileu chegou dia pra comunidade científica e disse gente, eu estudei aqui olha, baseado em evidências científicas daquela época né, e eu descobri aqui que a terra não é mais o centro do universo, e sim ao sol o centro do universo né, e só foi validado muitos anos depois que ele tinha morrido né. Galileus e Galileus da da medicina obstétrica, da assistência humanizada à saúde chegaram pra comunidade através de pedido das mulheres pra dizer, universo do parto, o centro do universo do parto não é o médico, o centro do universo do parto são as mulheres e outras pessoas que gestam. Então quando a gente parte do pressuposto que esta pessoa está no centro, qualquer que comete violência nela, está cometendo violência obstétrica, principalmente na área de assistência, né? Que daí a gente consegue nomear, notificar, judicializar e o que tiver que fazer com com isso com essa ocorrência, né? Bom então esse é ponto bastante importante até para colegas médicos que não assino, se o Conselho Federal de Medicina assistisse nós estamos falando, conselhos regionais existindo, nós estamos falando só do médico, não estamos falando do sistema obstétrico como todo, porque o médico não é o centro do universo do parto, e quem é o centro do universo do parto são as mulheres. Com isso a mulher sendo o principal e a mulher e outras pessoas que gestam sendo a sociedade como todo e nós aqui representando as sociedades, eu sendo o bebê daquele parto como eu falei, e outras pessoas cada aqui com a sua, com o seu local de fala em relação ao porquê que está aqui porque que está defendendo esse tema, a gente está aqui então propondo isso no legislativo o estatuto da gestante, no executivo através do Ministério da Saúde a gente já fez bastante coisa em relação aos manuais que já existem, tem muitas coisas aí da parte técnica que a DAFINE vai falar na fala dela pra serem propostas coisas muito interessantes que já foram feitas né DAFINE que a gente consegue escalar isso que foi feito olha, eu tenho exemplo aqui em tal cidade que aconteceu isso a gente consegue replicar isso pra vários lugares né, e no judiciário que faz parte da sensibilização desse termo e desse tema pra todos eles. Bom, agora eu passo a palavra Valéria, e fico aberto depois as aos questionamentos que ela me fará da parte técnica aí eu vou sair pouco da do papel político aqui dentro da da nossa organização pra responder dúvidas técnicas da parte obstétrica assim que ela chegarmos nesse ponto, obrigado. Muito muito obrigada doutor, e agora então passamos isso aqui pra Valéria.
Deputada
Boa tarde deputada boa tarde a todos.
Diretora jurídica - Rede pela Humanização do Parto e Nascimento - ReHuNa
Médico Obstetra, Diretor de Comunicação - Rede pela Humanização do Parto e Nascimento - ReHuNa
Aqui, tem questões técnicas aqui, por exemplo, por que que a médica que a atendeu não sabia fazer 1 versão cefálica externa, né? EEA gente já poderia parar nessa pergunta, né Valéria? Porque assim, o caso da Adelir, ela chegou no dia lá em trabalho de parto na maternidade, e depois ela foi conduzido naquele mesmo dia a força com o bebê pélvico, o bebê sentado, só que esse bebê já estava sentado fazia mais de mês e já sabiam isso. E quando ela estava lá no prénatal, que ela passava pelo posto de saúde, ninguém em nenhum momento sequer ofereceu ou falou olha existe 1 manobra aqui, que os indígenas já faziam, e que hoje em dia é validada por medicina baseada em evidências, tem 1 metaanálise com 13000 casos, meta metaanálise europeia, de versão cefálica externa, que é 1 manobra extremamente simples de ser feita, não invasiva, não corta nada, se vocês jogarem aí no Google, ou no YouTube, onde vocês quiserem jogar escreve versão cefálica externo, vocês vão encontrar vídeos fáceis aí, vídeos rápidos, vocês vão ver médico lá, 1 médico, em outro país as midwifes, enfermeiras, obstetras fazendo, o gel na barriga e virando o bebê na barriga não são todos os casos que viram mas é possível fazer isso, só isso aí já teria resolvido o caso da Adeler porque o bebê o bebê já estaria cefálico, ainda que não resolvesse né e lembrando que é baseado em evidência científicas isso que eu estou falando, ainda que não resolvesse a versão cefálica externa, ainda assim hoje em dia a gente já tem protocolos bastante robustos respaldados para atendimento de partos pélvicos via vaginal, inclusive a Febrasgo lançou recentemente Federação Brasileira de ginecologia e Obstetrícia né Daphne? Lançou recentemente, anexando o protocolo de parto pélvico na na nas nos seus protocolos né? Então a pergunta que eu faria lá naquela ocasião, né a pergunta que você me fez que eu jogaria pra lá falar mas por que a médica não sabia fazer versão cefálica externa? Essa é 1 pergunta. Então, e por que que não aprendeu? E por que que não ensinaram? Por isso que nós precisamos fazer 1 reforma. Por que não ensinaram? E eu sei que ela não sabe, eu sei que ela não sabe porque dentre os médicos que fazem que fazem essas manobras né, eu eu dou aula desse assunto por exemplo e eu recebo muitos médicos do país, que e eu recebo muitos médicos do país, já eu ouvi falar disso aqui e veio parar aqui comigo pra fazer o curso porque isso não é ensinado. Então se não é ensinado a gente tem que reformar o ensino, né a gente tem que resgatar o projeto que foi feito lá no passado, onde tinha verbas pra inclusão de ensino, de humanização do parto nas universidades já na, internatos, nos hospitais de ensino, para os residentes né então lógico que a médica não sabia fazer versão cefalo externo porque ninguém ensina, né? E aí então, segunda pergunta por que a médica não sabia atender parto pélvico? Porque aqui no Brasil foi caindo em desuso a utilização de atendimento para parto pélvico e foi levando todo mundo para para o lado de 1 cesárea, então é entendível que aquela médica que estava lá não sabia atender parto pélvico, mas a pergunta é porque ela não sabia atender parto pélvico? E aí vocês respondem e pensem na cabeça de vocês, que se a gente fizer 1 reforma a gente consegue resolver isso, porque se essa pessoa aprende a atender parto pélvico, por que que ela na hora lá vai se negar atender o parto pélvico, que só vai ter a cesárea como recurso, sendo que a cesárea aumenta riscos pra mulher quando ela é feita? Terceira pergunta, por que a médica não não sabia conduzir parto normal após 2 cesáreas né? Essa vem de grande paradigma lá do passado, quando a cesárea foi feita a primeira vez rapidamente né 1516, Jacob Duffer que era açougueiro castrador de porcas a mulher deles estava em trabalho de parto, e o bebê não nascia de forma alguma já fazia 3 dias que estava em trabalho de parto naquela época eles sabiam que quando não nasci bebê de jeito nenhum, a única pessoa a ser chamada era padre pra dar extrema unção, e ia morrer, a mulher e o bebê. E aí ele num ato heroico pediu autorização pras entidades políticas da cidade lá prefeito alguém, e eles autorizaram ele foi lá cortou a barriga da esposa, e tirou o bebê lá de dentro né dizem que é a primeira história de 1 cesárea, que não foi 1 cesárea, foi corte na barriga né? Mas foi a primeira história, o primeiro ser humano que pensou se não sair pela vagina eu vou cortar a barriga esse bebê vai sair pela barriga, né? Só que a cesárea por 400 anos, lembra foi 1500 tá, por 400 anos, praticamente 100 por 100 das mulheres que iam pra cesárea morriam, né então era 1 cirurgia, onde você dizia assim para a mulher olha desculpe você vai morrer para eu salvar o seu bebê, era mais ou menos essa ideia, no ano 1920, no Brasil ainda a cada 10 cesáreas feitas morriam 7 mulheres, então óbvio que em 1920 ninguém escolhia eu quero fazer 1 cesárea agora com 70 por 100 de chance de morte né? Hoje em dia, a cesárea foi muitíssimo melhorada, mas ela nunca será tão melhorada quanto o que a natureza nos trouxe, que é fisiológico que é o parto normal eu faço 1 comparação por exemplo com o número e o número 2, é mais seguro fazer xixi pela uretra ou cortar a barriga e tirar a urina? É mais seguro fazer cocô pelo ânus, ou cortar a barriga e tirar as fezes, assim como é mais seguro beber sair pela vagina do que pela barriga, né então, a cesárea era sempre recurso extra. E aí então quando surgiu a cesárea, primeiro que, por 400 anos não tinha como saber o que que aconteceria depois de 1 cesárea. Por quê? Porque a mulher morria no cesárea, então não tinha essa mulher pra contar essa história, então não dá pra saber, né? Depois quando as mulheres começam a sobreviver no século 20, após 1 cesárea, ninguém sabia o que ia acontecer depois de 1 cesárea. Então veio paradigma daquela época que era 1 cesárea sempre cesárea, porque eu não sabia o que ia acontecer, né então isso foi, durante décadas com paradigma que foi aliado à medicina obstétrica, tinha evidências científicas naquela época tinha empirismo né? E aí o que aconteceu? Foi que, final do século 20 que começam a sair números suficientes pra respaldar parto normal após cesárea, e aí os números aparecem e mostram que, 0 por 100 por 100 apenas dos casos de parto normal após cesárea, é que há 1 ruptura uterina, e desses 0 por 100 você vai afunilando para a gravidade dessa ruptura uterina que não significa que vai romper outra pessoa vai morrer, né então, a gente encontra 0 por 100 de 0 por 100 de mortalidade dentro da ruptura uterina, né Então a ruptura uterina por parto normal para cesárea é muito baixa, e isso já foi comprovado em evidência científica, só que, viramos o século 20 e e não tinha ainda evidências para 2 cesáreas então, veio o novo paradigma que é 2 cesáreas sempre cesárea. Tem muito médico obstetra que ainda replica essa fala, inclusive no processo da Adelir que a gente leu arduamente esses dias né Valéria? Pra encontrar tudo que tinha lá, o perito do caso lá da Adelir está dizendo lá que não existe evidência científica pra parte normal depois de 2 2 cesáreas, sendo que a doutora Melânia e a doutora Carla, que são professoras dessa área, anexaram lá as evidências científicas que não foram lidas. As evidências científica de parto normal pós 2 cesárea, hoje a gente sabe que são 0 6 por 100 de ruptura, uterina, ou seja estatisticamente 0E0 6 por 100 eles estão empatados. Hoje, na medicina baseada em evidências, 1 ou 2 cesárea estão na mesma estatística pra pra pra tentativa de parto normal após cesárea. Então não tem mais essa na na nas evidência científica de hoje que 2 cesárea é sempre cesárea, né? Só que lá no laudo, o perito que escreve aquilo escreve a coisa do século passado e o juiz aceita, e não aceita o que a perita do século 20 e escreveu ali. Aí porque foi usado força policial, e porque o marido, e porque ela e o marido foram maltratados pela médica, aí isso já está nas respostas que a própria Valéria deu, eu não vou entrar na parte médica disso porque isso envolve várias outras coisas, mas da parte médica sim, tinha a versão cefálica pra ser feita, sim, poderia ter sido parto pélvico, e sim, pode ter parto normal depois de 2 cesáreas, que foram o conjunto de coisas que levaram essa mulher a receber policiais na casa dela, ser levado à força e ser feito 1 cesárea à força. Ah Brown era caso difícil? Era, não era no caso fácil, mas não era cesárea direto, e ela não corria risco de vida se não fosse feito 1 cesárea, pelo contrário, ela correu mais risco de vida fazendo 1 cesárea da forma que foi feita coagida, maltratada, amarrada, sem o marido participar. Então, a gente está aqui justamente falando de caso bastante emblemático, mas que a gente pode replicar pra milhões de outros casos, 750000 por ano né pegando 3000000 de nascimentos por ano nós temos quarto 700 e por ano nós temos quarto 750000 já, que declaram que tem violência obstétrica, fora os que não são medidas né a gente vai começar a saber agora se for anexado no Cinan essa notificação, então a gente vai começar saber pouco melhor sobre isso, mas é muita gente, não é só a Adelir, não é só a Aline Pimentel, não é muitas dos casos que tem relatados no livro da Valéria que tem relatado em tudo que a gente estuda em relação ao que acontece de violência obstética, e por isso que a gente está aqui, pra mudar. Antes de passar a palavra pra Daphne, eu gosto bastante de cultura né Eduardo? Você sabe então eu gosto de citar muitas vezes algum algo relacionado a isso que eu acredito que a cultura ajuda a mudar o mundo bastante né? E aí tem poeta Cazuza que dizia, dia sim, dias não, eu vou sobrevivendo sem arranhão, da caridade de quem me detesta, a minha piscina, a sua piscina está cheia de ratos, tuas ideias não correspondem aos fatos, mas o tempo não para, e a gente está aqui justamente pra fazer essa reforma obstétrica. Daphne, palavra sua muito obrigado. Muito bem.
Deputada
Obrigada Valéria e doutora e agora nossa querida Daphne. É muito bom. Epa. Daqui. E agora foi? Isso. Bom, boa tarde.
Representante - Rede pela Humanização do Parto e Nascimento - ReHuNa
A todas, todos, eu estou muito contente de estar aqui mais 1 vez trocando ideias. Eu acho que a Reúna foi pioneira em muitas coisas e eu acho que com essas propostas nós mantemos a tradição de ser pioneiros, né? Na verdade a gente apontou muitos caminhos, foram os filiados, quem constituiu a Reúna foi grupo que mostrou que esse projeto que era questionado dizendo não isso é coisa pra Europa, pra países desenvolvido, não pra nós, os reunidos que fundaram a Reúna mostraram que isto era absolutamente possível no país, inclusive em áreas periféricas. Possível no país inclusive em áreas periféricas. Ah então assim eu não vou trabalhar porque eu acho que o Bráulio e a Valéria já trabalharam muito bem a questão de onde precisamos sair. E eu gostaria de apontar caminhos de para onde nós queremos chegar. E 1 das coisas que eu queria trazer é o seguinte, recentemente tivemos contrato com o UNICEF, e o UNICEF ele fez edital, a Reúna ganhou, eles têm programa que chama unidade amiga da primeira infância, e que eles ofereceram pra 8 prefeitos de capitais nos locais onde o UNICEF tem representação oficial a possibilidade de aderir ao programa Unidade Amiga da Primeira Infância. 7 prefeitos aceitaram, e aí as unidades de saúde da tensão primária, elas se elas se interessarem elas se candidatam a receber o título unidade amiga da primeira infância. Pra receber esse título elas têm que melhorar os indicadores delas, e aí o UNICEF providencia capacitações em vários temas, pra que a unidade melhore seus indicadores e, com indicadores muito bons, possa receber o título de amiga da primeira infância. Então antes da nossa capacitação, essas capitais receberam por exemplo, 1 capacitação sobre obesidade infantil. E a Reúna foi contratada para falar sobre são sempre unidades de atenção primária à saúde, não são hospitalares, e a gente foi contratado para falar sobre qualificação do prénatal, do puerpério e do cuidado do bebê que é o que acontece na tensão primária. E a gente fez essa capacitação começou no final de agosto terminou no início de novembro, nessas 7 capitais foi processo riquíssimo, eu não vou entrar em detalhes sobre a capacitação, mas eu gostaria de comentar que assim, a última capacitação foi no Rio de Janeiro. No Rio de Janeiro, todas as 239 unidade de atenção primária à saúde, unidades básicas de saúde, se candidataram ao ciclo. E aí nós tivemos que ficar 4 dias capacitando 1 pessoa de cada unidade, pra que, e assim a nossa capacitação tem está sendo muito bem acolhida em geral, e aí aconteceu assim algo muito interessante porque antes de capacitar eles, pessoal da gestão pediu que a gente se informasse sobre o protocolo que ele já tem de prénatal, e é pouco disso que eu vou falar mas antes disso eu quero falar o seguinte, pessoas que fizeram parte da reúna nos seus primórdios nos anos 90, conseguiram chegar à gestão da secretaria municipal de saúde, e eu estou falando de pessoas como Cristina Boareto, Kátia Rato, Marcos Dias, Diana Valadares, Eles propuseram a perspectiva de humanização, eles montaram 1 maternidade que seria modelo a maternidade Leila Diniz, depois a Leila Diniz meio que fechou ela era em Jacarepaguá, abriram outra Leila Diniz e hoje em dia tem a maternidade Maria Amélia mas tem outras maternidades também e a casa de parto de Realengo então a humanização do parto já é 1 cultura na secretaria municipal. O Rio de Janeiro, antes ainda da lei do acompanhante de Santa Catarina e depois do Senado, teve 1 resolução em 1998 garantindo acompanhante de escolha da mulher em todos os hospitais municipais, então era 1 perspectiva 1 leitura de humanização. E aí quando nós fomos verificar como era a assistência prénatal no manual do Rio de Janeiro, ela é 1 assistência prénatal em que a concepção de cidadania e direitos perpassa o manual inteirinho, então eu vou comentar algumas coisas que a gente detectou lá, Por exemplo, gestantes com pressão alta e pertences, quando são diagnosticadas elas recebem esfirmomanômetro pra elas levarem pra casa delas, e elas controlarem a pressão e se descompensarem elas próprias vão pro serviço de saúde. Elas têm que devolver o esfirmomômetro 60 dias depois do parto. Então é 1 maneira de empoderar a mulher pra o autocuidado e ela poder ser controlada porque infelizmente no nosso país a primeira causa de morte materna é síndromes hipertensivas o que é 1 vergonha, porque é muito fácil diagnosticar pressão alta, é muito fácil tratar e a gente percebe que os profissionais do mesmo jeito que não estão treinados pra versão cefálica externa ou pro parto pélvico não estão treinados pra diagnosticar e tratar apropriadamente as síndromes hipertensivas. E muitas dessas mortes evitáveis, então assim no mundo inteiro primeira causa de morte materna é hemorragia no Brasil é síndrome hipertensiva. Então esta é 1 das. Segunda das coisas distante com diabetes ou prédiabética recebe glicosímetro pra ela monitorar a glicose na casa dela, e poder caso esteja muito alterado procurar assistência. As unidades são estimuladas a notificar a violência obstétrica, elas notificam pouco porque as pessoas quando a gente comentou isso disseram, a gente não vê acontecer nada com relação a isso, mas a gente respondeu precisa notificar pro dado aparecer, pra prefeitura poder tomar alguma providência, se ela fica sabendo que isso ocorreu num hospital público municipal, é direto eles vão pra cima. Desde 2009 teve episódio que caiu na mídia e sujou pouco a barra do Rio de Janeiro, e eles implantaram a cegonha carioca e agora você assim a mulher do início do prénatal ela sabe onde vai parir e se ela chegar num hospital e não tiver vaga ela não é devolvida pra rua, o hospital garante a vaga dela em outro hospital, e ela não precisa peregrinar. Eles têm condutas muito bem estabelecidas pra diversidade, por exemplo pra homens trans, já está no protocolo. Pra mulheres que têm vulnerabilidade social elas na gravidez recebem o Rio Card e elas podem utilizar até 8 conduções por dia, ela e o acompanhante, pra ir fazer especialista. Então durante a gestação e e até o puerpério, até o final do puerpério. Eles têm também o programa vaga 0, que atende todas as situações de urgência e emergência, e eles têm a orientação, se a mulher chega na unidade de saúde, ela é estabilizada antes de ser transferida pro hospital, então ela é, garantese que ela não viaje numa situação de precariedade de saúde. Eles ainda têm o as reuniões do fórum perinatal, e. Então recomendações, eles têm a 1 das coisas que eles fazem, se a mulher não puder vir pra consulta de prénatal, onde tem estratégia cobertura de estratégia de saúde da família eles fazem a consulta de prénatal em casa. Então assim a preocupação com o bemestar da mulher né? Se a mulher vai na unidade de saúde pra fazer o prénatal, e ela não se sente à vontade, não deu liga com o profissional, ela quer ir pra outra unidade fazer prénatal? Ou isso aconteceu em outras cidades também aquele é território de 1 milícia de 1 facção e ela é da família de outra e aí é complicada e ela tem que então ela pode escolher qual a unidade de saúde onde ela quer ter o prénatal. Eu já falei do transporte fique tranquilo. Não existe alta do prénatal, e a mulher é acompanhada até 45 dias após o quarto. O a questão do racismo institucional também é muito clara, e eles buscam com que os profissionais percebam isso e deem 1 assistência mais, vamos dizer, que respeite a diversidade racial, né? Outra coisa, no Rio, todas as maternidades atendem aborto legal, e as unidades da tensão primária são orientadas a encaminhar as mulheres que têm esse direito pra o aborto legal. Eu não vou entrar muitos detalhes mas, gestantes de 14 anos por exemplo é presumido estupro, claro isto é oferecido, também é oferecido pra mulher o direito de adoção da criança se ela preferir. Tem assim 1 atenção especial para a questões de gênero, tem o prénatal da o prénatal da parceria, então não é parceiro parceira, é parceria quem for. Existe 1 abordagem integral e cuidados específicos para mulheres e num especialista está tudo muito bem estruturado. Este foi o primeiro protocolo que eu encontrei, e que tem 1 preocupação com a saúde mental, eu tenho a grata satisfação de comunicar pra vocês que agora, segundafeira saiu publicado 1 lei do Distrito Federal que implanta atenção à saúde mental, às gestantes e puérperas mas é 1 lei e o serviço ainda não está estruturado, então a gente já está avançando no distrito federal também, mas a primeira vez que eu me encontrei estruturado foi neste protocolo do Rio de Janeiro, eles dão muita atenção e orientam a gestantes sobre seus direitos trabalhistas, licençamaternidade, direito dos pais, eles têm 1 sensibilidade muito grande para situações de violência, e pra questões de violência obstétrica. Eles têm 1 ouvidoria pra violência obstétrica na Secretaria Municipal de Saúde, e mais algumas coisas que a gente identificou então o que eu queria comentar gente, o Rio de Janeiro é 1 metrópole, é enorme. Se eles conseguem com essa complexidade com aquela violência com as milícias facções blábláblá garantir esses direitos às mulheres, por que que os outros municípios brasileiros não poderiam? Então a gente acha que quando a gente for trabalhar o estatuto da gestante, a reforma obstétrica, a gente tem que preconizar direitos que possam ser atendidos pela política pública pra garantir a sobrevivência, porque isso que a Valéria traz, mortes evitáveis de mulheres, é estado de coisas inconstitucional. Excesso de intervenções que aumentam o risco e não trazem benefício, é estado de coisas inconstitucional. Ter Conselho Federal de Medicina que chancela esse estado de coisas inconstitucional e não se propõe a ele defende só autonomia, autonomia da mulher, autonomia do profissional, não menciona nesse processo de lei a beneficência e a não maleficência. São 4 os princípios éticos beneficência, não maleficência, justiça, equidade né, e autonomia. Então a gente precisa mudar, e aí eu agradeço muito a gente contar com o Bráulio, com a Valéria, e com a parceria do legislativo, principalmente do resultado da Juliana Cardoso que tem 1 trajetória em São Paulo também como vereadora de apoiar as propostas que avançam nos direitos das mulheres e a gente espera que a gente consiga em alguns anos melhorar essa situação, e temos estado de coisas constitucional. Muito obrigada.
Deputada
Muito bem, muito bem, muito rico né? Eu acho que é sempre baseado em muito estudo, muito debate, muita a a ação efetiva nisso. Então, estou muito feliz de a gente poder pensar nos próximos passos, né? O que a gente pode inclusive na relação do Legislativo avançar, né Vanderlei? Pra poder caminhar aqui e dar pontapé inicial. Bom, eu não sei se os nossos com os nossos participantes querem né falar alguma coisa, perguntar alguma coisa. Fiquem à vontade que esse é o momento. Não não não? Bom, quero agradecer muito. Ficamos bem. É. Estão Então Ludmila é só apertar ficou vermelhinho da v primeiro boa tarde
Participante
De vocês, quero parabenizar essa audiência, todo o empenho de vocês aí nesse estatuto, em todas essas questões que estão envolvidas. E também quero agradecer a Reúna por permitir que seja também incluído na pauta né do estatuto da gestante a questão do luto gestacional, né, que também é muito importante, está bem inserido na questão da violência obstétrica, a gente sabe que muitos óbitos que acontecem antes desse óbito têm por trás 1 violência obstétrica, então assim quando a gente fala da proteção do bebê e a gente também está falando do luto gestacional que acontece muito, então eu fico muito feliz em estar aqui presente, fazer parte desse momento aí histórico porque eu acredito que isso vai mudar a realidade das nossas gestantes e parabenizar vocês por toda essa movimentação e que isso aconteça muito brevemente.
Deputada
Muito bem, muito obrigada. Bom, eu acho que de sugestão que eu tenho, é de que é baseado nesses estudos né, a ideia que a gente conversou lá atrás é de pensar coisas de ações aqui no legislativo na relação de legislação, né? Inclusive, se eu não me engano, era buscar, eu não sei se a gente já assim ou conseguiu, todas as legislações que estivessem aqui já pensada nisso porque eu tenho algumas vezes algumas coisas que são pedaços né eu pego pedaço aqui pedaço lá então isso é 1 das tarefas que eu acho que a gente tem que ter enquanto mandato Vanderlei de ir buscar as informações específicas que temos de legislação nesse aqui dentro da casa, tanto na Câmara quanto no Senado. Acho que essa junção, nos ajuda até a saber se já tem alguma coisa mais ou menos organizada que eu acho que vocês também devem ter acompanhar alguma coisa isso me ajuda também se não assim tiver eu acho que a gente já poderia iniciar né É sim mas são leis de pedaços não é isso é então aí fazer essa junção Então dentro da acho que do que você já tem é pegar o adicionar e pegar a pensar algumas coisas enfim então acho que pro próximo assim próximo agora final do ano já é tudo confuso a câmera acho que mais 2 semanas pelo que eu estou compreendendo é o que avança e já se finaliza mas eu acho que fevereiro assim que volta né a a casa a gente já sentar e organizar isso pra gente poder começar a tramitar quem sabe eu no final do mandato né tenhamos aqui 1 produto de de diálogo com o movimento com as mulheres para entregar e estacionar né eu acho que dá dá hein trabalhar em conjunto. Agora nós estamos só ouvir aqui nosso aluno, né? Posso fazer 1 coisinha rápida? Pode, claro. Toda gestação ela
Médico Obstetra, Diretor de Comunicação - Rede pela Humanização do Parto e Nascimento - ReHuNa
9 meses. 9 meses né? Estamos circundando embrião aqui e não vai ficar pronto em mês. Exato. Mas a gente sabe que vai dar fruto lá na frente. É muito bom.
Deputada
Só se apresenta fala da onde você é Aqui. Você. Aqui, isso, apertar, isso, isso. Está bom.
PARTICIPANTE
Noite, eu sou o Jonathan, eu faço parte do Nexo Governamental, projeto que hoje já reúne mais de 80 universidades, e é lá no Nexo a Secretaria de Projeto de Lei tá elaborando, concluindo, né, projeto de lei pra apresentar aqui pro pra casa do Legislativo, pra tratar da violência obstétrica, e a gente gostaria de agradecer espaço, pra gente poder ouvir sobre esse tema que é muito importante, e que precisa imediatamente ser tratado, né, 1 pauta urgente, e o Nexo tá aqui disponível pra auxiliar e ajudar a Câmara dos Deputados, ao Senado, a a tornar essa reforma obstétrica real. Eu vou passar pro colega.
Participante
Tarde e noite a todos que estão presentes. E apenas reiterando o que o meu colo acabou de dizer sobre o negos governamental, durante todo esse semestre que se iniciou a gente foi responsável por realizar estatuto, o projeto de lei, sobre a violência obstétrica. E eu quero comunicar a todos que esse projeto está se finalizando, a gente está apenas em fase de revisão, concluindo alguns detalhes alguns pontos que faltam. Eu quero agradecer a a deputada ao doutor a DARFINE, porque tem alguns pontos que vocês estarão que realmente estão faltando, como a parte das gestantes hipertensas né que eu acredito que a gente deixou pouco de lado, e a gente vai colocar abarcar isso porque a a função do estatuto é abarcar tudo aquilo que falta e que é necessário, pra acabar de vez com essa violência obstétrica na cidade brasileira, que como a Valéria disse é estado de coisa incondicional, que muitas vezes é inviabilizado. E até no quesito federal, porque no Brasil temos várias, leis e normas legais e super legais que tratam o assunto, mas nada em âmbito federal. E por meio do Nexo a gente quer realizar isso e, e claro com a com a instrução da doutora Valéria que está com a gente desde o esboço, desde o começo a criação desse estatuto é colocar isso em prática né? Muito obrigado.
Médico Obstetra, Diretor de Comunicação - Rede pela Humanização do Parto e Nascimento - ReHuNa
Pegando a analogia de reforma né, quando a gente tem 1 reforma de 1 obra qualquer 1 casa quanto mais pessoas trabalhando na reforma mais rápido fica pronto né? E essa é a ideia juntar mais pessoas e de todas as áreas possíveis que não vão inventar a roda né Juliana? Pegar tem muita lei que a gente vai pegar lá você já tem todas as peças do carro pronto é só montar o carro né vai faltar só 1 antena lá a gente faz a gente pensa naquela naquela lei pra aquela antena né então, a ideia é juntar o que já tem, que no livro da Valéria tem bastante coisa já, vocês já compilaram bastante coisas também do que tem, então o o estatuto da gestante ele está pronto, ele está pronto ele está aqui olha, só falta ser colocado no papel organizado, pegar os melhores exemplos que tem do Rio de Janeiro e tem outras cidades BH tem 1 algumas questões bastante interessantes também, numa é paulistana também tem coisas legais, então a gente pegar tudo que que tem de bom em todos os lugares, isso é parte técnica né, tudo que já tem de legislativo, que são os pilares da reforma né, e aí colocar no executivo pra ser executado então eu acho que a grande questão é é isso juntar bastante gente quanto mais gente falar desse assunto quanto mais isso tiver pra sociedade como todo, mais forte a reforma e mais rápido ela vai acontecer porque é urgente como você falou.
Deputada
Pelo que eu entendi, vocês então estão já elaborando algo, né? Então também, e de ir na supervisão, né, daqui de Valéria e aí também eu acho que há 1 base já de apresentação desse projeto aqui Edile, e é claro que depois você né vai ter outros diversas pessoas que vão querer debater de e dialogar então, acho que estamos pouquinho mais avançado pouco mais avançado né? Já tem algo já tem o esqueleto também então estamos aqui né à disposição bom querem fazer considerações finais Tá. Bom, a gente quer primeiro lugar
Representante - Rede pela Humanização do Parto e Nascimento - ReHuNa
Agradecer o espaço e a parceria, que a gente considera assim é privilégio poder contar 1 1 parceira com essa potência né, Juliana, e dizer que assim. A gente tem o objetivo desenvolvimento sustentável, redução da mortalidade materna até 2030, para 30 pra cada 100000 nascidos vivos, e eu tenho a impressão de que se nada mudasse a gente continuar fazendo a mesma coisa que a gente vem fazendo, isso não vai acontecer. Então nós precisamos efetivamente de 1 reforma, melhorar a qualidade da assistência, melhorar a qualidade do ensino, eu tenho 2 chapéus eu tenho o chapéu de professora da universidade de Brasília, e o meu orientando a minha avaliou os hospitais de ensino, e eles têm muitas deficiências, muitos não aderem às políticas públicas às recomendações da organização mundial de saúde, aos protocolos do ministério da saúde, então se a gente continua ensinando pessoas de 1 maneira distorcida, nós nunca vamos, então eu acho que tem 2 níveis, você tem o nível da assistência e o nível do ensino que a gente precisa fazer a intervenção, eu não tenho clareza como isso pode ser feito a partir do legislativo, mas fica como problema, desafio coletivo nosso da sociedade, mudarmos a forma como os profissionais são ensinados, porque o Bráulio deixou muito claro, as pessoas não aprenderam isso, as pessoas não aprenderam aquilo, as pessoas não aprenderam mais aquela coisa, então, fica como desafio coletivo nosso social mexer nas políticas na assistência e no ensino também
Deputada
Eu só preciso que você se apresente, fale de onde você, porque você não falou. Com o seu nome. O seu nome de onde você, é porque eu já estou registra né? Tá. Passei direto. Ah eu sou.
Participante
Mendes, eu faço parte também do método governamental da, da da subsecretaria de contribuição legislativa, projeto de lei. De São Paulo? Não, eu eu estudo aqui mesmo na Unimed de Brasília. É muito
Deputada
Eu acho, Daphne, eu eu fico naquela coisa do respeito professora né? Que eu acha que esse seria dos potenciais do projeto de a gente inclusive fazer provocações com o próprio governo, né? Então o que que, quais dessas mesas por exemplo, que a gente poderia fazer 1 abertura no Ministério de Saúde e Ministério de Educação, né, 1 provocação olha, estão pensando aqui essa legislação e a gente quer conversar com vocês sobre isso pra ver qual que são os avanços que a gente pode ter pra sancionar, mas também entender quais são as ações de ministério que está sendo feita e pensada pra isso nas instituições né, porque aí às vezes também a gente traz esse debate pra dentro, pra saber, está acontecendo não está, isso não está acontecendo tem 1 relação só do governo federal tem 1 questão que é do estado é do município enfim que a gente também sabe que dependendo de quem é o governador e dependendo de quem é o prefeito né você tem 1 dificuldade né de avançar essa pauta, porque quando você fala de violência obstétrica você muda né, muda tudo, tudo eu vejo que às vezes isso muda feições, aí às vezes os profissionais quer dizer ah, lá vem, lá vem, né? Mas se não te for provocado e se não tiver também 1 fiscalização, que eu sei que é muito difícil né, enfim, mas, eu acho que temos que pensar coisas. Acho que é ano na minha opinião, que a gente poderia, não só dialogar na relação do seminário, mas como eu falei da outra vez, plano de trabalho. Então ok, vamos apresentar em fevereiro? Ok de fevereiro nós vamos pensar em falar com quem? Ministério da Saúde, Ministério da Educação e por se vai. Quais as comissões que nós vamos acompanhar? Tem que estar plano pra gente poder avançar, que eu acho que, a melhor forma que eu vejo enquanto deputada pra abrir porta pra sociedade civil conseguir fazer a provocação necessária. Valéria.
Diretora jurídica - Rede pela Humanização do Parto e Nascimento - ReHuNa
Deputada eu acho que você chega com 1 soma braço muito importante porque essa reforma obstetra tem várias frentes né Nós temos a frente jurídica e só que dentro da constituição ninguém é obrigado a fazer ou não deixar de fazer senão em virtude de lei então obrigada por fazer a nossa lei para que eles sejam obrigados a fazer porque a gente já tem muitas leis soltas que são obrigados a fazer mas ainda ela não tem efetividade não tem eficácia então já é a segunda vez a gente tem esteve aqui no dia 12 de junho a seu convite ficamos lisonjeados assim gratos por essa por esse espaço hoje eu penso que a gente deu mais estrutura ao que deve que a gente sugestiona né que seja construído e o seu gabinete está de parabéns Vanderlei, Marina, Lígia, pessoal todo assim realmente abraçou porque sabe que essa casa é sua, então eu espero que num futuro próximo, é as gerações futuras nem acredite que a gente é dia teve que debater isso ao ponto de de ah de falar sobre o mínimo que é a dignidade de nascer. Então o meu muito obrigada, conte conosco da Reúna, conte né com todos nós, conte com os alunos também aí da da do nexo governamental ao 11 de agosto, toda sociedade civil também que está mobilizando porque esse assunto é urgente e muito obrigada, muito obrigada mesmo. Eu que agradeço. Doutor. Só agradecer AAA
Médico Obstetra, Diretor de Comunicação - Rede pela Humanização do Parto e Nascimento - ReHuNa
Toda agradecer às minhas colegas e amigas da Affin e Valéria, Juliana muito obrigado, e em nome de todos os bebês do Brasil pra evitarmos a violência neonatal que vem junto com a violência obstétrica, e estamos todos juntos nessa e só para fazer a Lulu Santos nada do que foi será de novo do jeito que já foi dia né? E só assim que a gente consegue mudar o mundo né? É isso aí obrigado gente. Tudo bem.
Deputada
Muito bom, não sei se hoje em especial você está poeta ou você é sempre, isso é muito bom, isso é muito bom. Bom gente agradeço a todos e todas. Eu esqueci o nome do do o Eduardo. Eduardo eu já vi né? As suas produções muito importante. Foram de debates inclusive pra mim na relação eu tenho diálogo bom com o pessoal da pastoral da da criança e tem umas pastorais das gestantes né, então eu sou a a mais animadora de parto humanizado, enfim, a casa de parto eu sou de São Paulo né, do estado de São Paulo da capital, e a casa de parto de Sapopemba, eu fico assim impressionada, é lugar que as pessoas não conhecem. Óbvio que tem 1 relação específica do governo que não quer que tenha, enfim, principalmente as PDM né, que eu até a caixa de parto, vamos aqui olha esse vídeo né, Esse filme porque isso também vai motivando muito né, as pessoas também terem outro olhar porque tem muito medo. As unidades básicas de saúde né, trabalham com muito medo. Às vezes hospitais trabalham com muito medo, então as pessoas já vão com medo, daí a gente tem o desafio de desmistificar nesse medo. É possível ter parto respeitoso, é possível ter parto humanizado, é possível a gente não ter que estar falando sobre violência obstétrica, né? É possível, eu acredito nisso. Obrigada gente, até mais, agradeço a todos e todos pela presença e declaro encerrada essa presente audiência pública.




