PLENÁRIO

2 dez. 2024 06:26 às 08:07

Sobre o Evento

Homenagem ao Dia Mundial de Luta Contra a AIDS no plenário, liderada pela deputada Erika Kokay, com diversos representantes e apresentações.

#18
Secretária Nacional de Comunicação da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV e Aids Vanessa Campos
Vanessa Campos

Secretária Nacional de Comunicação da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV e Aids

Transcrição automática

Bom dia, a todos todas e todes. Sou Vanessa Campos, vivo com o HIVAids há 34 anos, representando a rede nacional de pessoas vivendo com o HIVA e AIDS. Eu cumprimento a mesa, deputada Érica Kokay e todos os companheiros de luta, e também registro a presença além do nosso companheiro Lucas Melo, da secretaria executiva Moisés Toniolo e João Cavalcante aqui junto comigo representando a RNP Brasil. E aí a gente começa falando de que estamos numa sessão solene, para visibilizar, homenagear o dia mundial de luta contra a AIDS. E aí a gente precisa ressaltar e frisar a palavra luta, porque tudo que existe de construção em política pública de saúde de HIVAids foi com muita luta que foi construída. Nada nos foi dado, nada foi fácil. E ainda continua não sendo fácil, mesmo após 40 mais de 40 anos de epidemia de no Brasil. Então, a RNP, que no próximo, no ano de 2025 completará 30 anos de existência, com o seu lema, antes nos escondíamos para morrer, hoje nos mostramos para viver. Há 30 anos a RNP Brasil fala em visibilidade para que possamos requerer direitos e políticas públicas, estratégias para que possamos viver. E aí há 34 anos estou aqui, vivendo e neste momento com muita honra, representando a RNP Mais Brasil. Lutamos contra o estigma, o preconceito e a discriminação. Lutamos contra o desmonte dos serviços GBVAids e por melhores e mais modernos antirretrovirais. Sabemos que muitos antirretrovirais, modernos e com menos efeitos colaterais, já estão disponíveis no mercado. Mas não estão acessíveis para nós aqui no Brasil, por conta de alto custo, e precisamos lutar por quebra de patentes e melhores preços para que esses medicamentos verdadeiramente cheguem na ponta, cheguem no nosso dia a dia. Também lutamos contra a transmissão vertical do HIV, que ainda é 1 realidade no Brasil, apesar de alguns municípios terem avançado e recebido o selo de eliminação da transmissão vertical. Nós, mulheres cisgênero, e homens trans, vivendo com podemos gestar com segurança sim. Isso precisa ser dito e visibilizado. Mas a violência de gênero, a violência obstétrica, o racismo, o machismo, nos e a aidsfobia, nos coloca em extrema vulnerabilidade a nós mulheres vivendo com HIV AIDS, para gestar, e ter as nossas crianças livres do HIV. Se nós estamos falando em eliminação da transmissão vertical, o governo fala em eliminação, a sociedade civil, muito especificamente a ANP Brasil, quer que caminhemos para a erradicação da transmissão do HIV, para que nenhuma criança nasça com HIV e não fique para trás. Lutamos contra as mais de 11000 mortes, anualmente, há mais de 1 década no Brasil. Por que essas pessoas morrem? Se a gente for buscar o boletim epidemiológico, agora mais recente lançado, nós vamos ver que 40 por 100 das pessoas diagnosticadas, elas já vêm com diagnóstico de aids. Elas já vêm em grave adoecimento. Então, sabemos que o acesso a essa política pública, não está sendo adequado para as pessoas vivendo com HIV aids. Sabemos que a integralidade do cuidado é preciso ser vista e impulsionada dentro do serviço da atenção especializada. Concordamos com 1 descentralização que realmente esteja capacitada para nos atender, que realmente tenha estrutura para nos dar o atendimento integral de saúde integral que toda a PVH precisa. Fora desse escopo, a descentralização significa morte, as pessoas vindo com HIV Aids e nós queremos adesão e não descontinuidade do tratamento. Pra além disso, a gente precisa falar também da invisibilidade e aqui eu trago o nome da minha querida Rafa Queiroz, 1 jovem que nasceu com HIV, já tem mais de 30 anos. Lembremos que as nossas crianças, filhas de mãe hiv positivas, que nasceram e nascem ainda com hiv, na época dos meus filhos, diziase as que as crianças com hiv não iriam prosperar, não iriam chegar na idade adulta. Mas sabemos que temos crianças aí, que já chegaram na idade adulta com mais de 30 anos. E elas reclamam por visibilidade. A invisibilidade e o esquecimento histórico das necessidades e demandas dessa população específica, que não pode se resumir a medicamento. Invisibilidade nos dados do boletim epidemiológico, sem novos medicamentos para essa população, que geralmente apresenta multirresistência. Ausência do olhar para outras demandas de sua vida, e a ausência de políticas públicas específicas para essas pessoas que nasceram com HIV AIDS. E aí a RNP mais Brasil traz propostas, né. A gente fala em 4 propostas para as pessoas vivendo com HIV Aids. Inclusão prioritária no acesso ao BPC LOA para as IPVA. Se a gente vai falar dentro do Brasil saudável, no escopo da equidade, né, e do tratamento integral das pessoas nessa intersetorialidade, é impossível 1 pessoa vivendo com HIV AIDS, que não tem minimamente, né, vamos falar redundante, salário mínimo para que ela possa ter alimento digno para poder, também com 1 água potável, tomar o seu medicamento todos os dias. Eles são menos tóxicos? São, mas não é fácil tomar medicamento todos os dias quando não se tem água limpa pra beber, e nem 1 comida básica. Inclusão prioritária no programa Minha Casa Minha Vida, das pessoas vendo com HIV AIDS. Sem moradia digna é impossível eliminar a AIDS até 2030. Também, cotas nas universidades, cotas e bolsas nas universidades para os jovens vivendo com HIV Aids. Se queremos falar de inclusão das IPVA no mercado de trabalho, temos que preparar essas pessoas para que elas discriminação já as elimina desse mercado de trabalho. E por fim, cotas no mercado de trabalho para as pessoas vivendo com HIV AIDS, porque estigma e discriminação excluem, e não incluem ninguém. E aí, falando em violência de gênero, também queremos dizer que é preciso visibilizar toda a violência obstétrica, que as mulheres vivendo com HIV têm sofrido durante toda a história da epidemia de AIDS, apagamento das nossas histórias. E aqui, falo pessoalmente, lancei livro chamado soro positiva, 1 mulher na diáspora da AIDS. Ele é virtual, está disponível gratuitamente no meu Instagram, arroba soro positiva. Baixem e leiam, e que este livro possa chegar muito longe e que ele possa ter apoio para ser impresso, porque é preciso visibilizar as mulheres vivendo com HIVAs também. Muito obrigada.

02 de dez, 10:22