COMISSÃO DE SAÚDE
Sobre o Evento
Comissão de Saúde discute Políticas Públicas para Doenças Raras e Autismo, com participação de deputados, ministros e especialistas na área.
Médica geneticista - Sociedade Brasileira de Genética Médica
Boa tarde a todos, eu agradeço muito o convite em nome da Sociedade Brasileira de Genética Médica e Genômica, estar participando desse evento tão importante sobre doenças raras e autismo. É tema bem amplo, muita coisa pra falar mas eu decidi é pouco tempo né, então eu decidi focar, eu acho que eu vou ficar desse lado. Então o nome é do diagnóstico ou tratamento soluções tecnológicas pras doenças raras, e eu vou focar mais especificamente, no transtorno do espectro autista, e como que a genética médica pode contribuir então no no, na na na Odisseia né na na desse paciente dentro do serviço médico, está certo? Pra começar eu vou relembrar apenas, os critérios diagnósticos do transtorno espectro autista, todo mundo que trabalha com transtorno espectro autista já sabe, mas sempre é bom relembrar, tá? Esses são do DSM 5 o Manual de Diagnóstico e Estatística das desordens Mentais, ok? Então o que que o paciente tem que apresentar? Déficit persistente na comunicação e interação sociais, tá? E a gente podia falar, ficar aqui 40 minutos, 1 hora falando só desse item, o que não é o caso, tá? Padrões repetitivos e recitos de comportamento, endereço ou atividades, aí entra muito, tanto de movimentos como falas repetitivos e estereotipados, certo? E o interessante é isso, que os sintomas têm que estar presentes precocemente no desenvolvimento. Isso é interessante porque assim às vezes esse diagnóstico ele vem só mais tarde, mas se você for ver a história pregressa do paciente, ele tinha sintomas antes, mas o diagnóstico só foi feito mais tarde. E também esse item é muito importante que os sintomas eles têm que causar prejuízos sociais ocupacionais ou em outras áreas. E as alterações apresentadas pelo paciente elas não podem ser explicadas somente por déficit intelectual ou atraso global do desenvolvimento. Falando de estatística de acordo com a OMS, acomete atualmente por 100 da população, tem números diferentes dependendo de trabalhos, tem trabalhos que mostram, que acomete em torno de pra 40 pessoas, às vezes mais, mas a gente pega o dado da OMS que é mais ou menos 1 média, é por 100 da população. É mais comum em homens, mais ou menos 4 homens a cada 1 mulher, muitos estudos pra tentar explicar por que essa maior incidência em homens, parece que as mulheres têm, Eu esqueci a palavra agora, mas elas seriam menos sensíveis às às alterações genéticas, está certo? Associação com deficiência intelectual é mais ou menos terço dos casos, e a associação também com várias outras comorbidades. E como já foi falado aqui, está tendo aumento na prevalência de diagnóstico bem importante nos últimos anos. Então os tipos de transtorno do do ponto de vista do médico geneticista, quando chega paciente no consultório médico, o que que é importante pra gente começar a avaliação daquele paciente e depois investigação diagnóstica. A gente faz 1 divisão, o tensão do espectro autista ele pode ser sindrômico ou não sindrômico. O que é sindrômico é quando o paciente tem além do transtorno do espectro autista alguma outra comorbidade que pode ser, alguma malformação congênita, 1 formação cardíaca, renal, 1 quadro de surdez, quadro de alteração visual, ou às vezes dismorfias exames morfológico alterado, que são dismorfias. Momorfias são alterações físicas principalmente crânio faciais, que faz você pensar numa síndrome genética. E o TEA não sindrômico é aquele paciente que tem realmente o transtorno do espectro autista somente, se é que a gente pode falar somente né? Tá. Então assim, eu queria comentar pouquinho assim que mesmo antes desse dos grandes avanços genéticos que mostraram alterações genéticas realmente relacionadas com autismo já se tinha 1 ideia de que ele era que, herdável vamos dizer assim porque os exames já mostravam 1 faz muito exame em gêmeos monozigóticos e de gigóticos pra estudar herdabilidade de doenças, e no caso do transtorno do espectro autista, eles viram que em gêmeos monozigóticos têm em torno de 60 a 90 por 100 de concordância lembrando que os gêmeos monozigóticos tem o mesmo material genético tá? Comparando com gêmeos de zigóticos que tinha concordância de de 0 a 30 por 100 a dependendo do dos trabalhos então aí você já vê 1 diferença bem grande falando a favor de alterações genéticas estarem relacionadas sim com autismo. O risco de irmãos apresentarem risco de irmãos de pacientes com TEA também apresentarem TEA, então todos os trabalhos já mostravam que tinha 1 maior chance, que está em torno de 7 a 20 por 100 a depender do trabalho. O que se notava também mesmo antes dos estudos é que, parentes de pacientes com transtorno do espectro autista, principalmente parente de número grau, muitas vezes não tinham o diagnóstico de transtorno, eles não fechavam critérios pra pra atenção do espectro autista, mas eles tinham muitos sinais leves. Então é muito comum o paciente chegar e você vai fazendo a história familiar pergunta se tem alguém né a gente não pergunta só se tem alguém com transtorno petro autista a gente pergunta se tem qualquer malformação e tudo, e sempre tem alguém na família, o pai, a mãe, o tio, primo, irmão, fala não doutora não ele não ele não tem diagnóstico não mas ele é esquisito. Ele não gosta de sair não não tem muitos amigos gosta de ficar em casa, não não tem 1 sociabilidade muito grande, então isso isso já era 1 coisa anotada também. Tá? Outra coisa é que, como já foi falado pelo deputado tem doenças, já com diagnóstico etiológico conhecido, que você vê que tem características de transtorno do espectro autista. Então isso também já era 1 ideia de que o transtorno do espectro autista tinha né estava ligado a alterações genéticas. Então eu vou falar pouquinho do do dos exames genéticos do transtorno espectro autista, a gente sabe que não tem exame genético pra dar o diagnóstico de maneira nenhuma do TEA, é o TEA é diagnóstico clínico, mas como que os exames genéticos podem ajudar? Eles podem ajudar a tentar chegar em algum ou diagnóstico sindrômico, ou alguma alteração que esteja influenciando aí no aparecimento do transtorno do espectro autista, que vai poder ajudar a a orientar as famílias, ok? Então eu vou dar 1 pincelada nos exames que existem e não vou me aprofundar que é tema complexo tá? Os exames a grosso modo eles se dividem aqueles que vão avaliar alterações cromossômicas, e alterações gênicas, tá? Lembrando, os cromossomos são formados pelo DNA, tá? Então alterações cromossômicas vão pegar, pedaços muito grandes do DNA que vão então com isso vão pegar vários genes de poucos até milhares de genes, e as alterações gênicas em geral são de gene único, tá, mas elas podem provocar alterações fenotípicas tão grandes como as alterações cromossômicas. Os exames que a gente tem atualmente, pra pesquisa de alterações cromossômicas é o cariótipo, e análise cromossômica por Michael Array, o cariótipo se você for ver a literatura não é mais usado, pra avaliação de doenças raras de maneira geral, tá? Mas aqui a gente no Brasil a gente usa bastante pelo custo mais reduzido, tá? E as alterações gênicas você tem as o sequenciamento completo de exoma ou genoma, e especificamente para o transtorno do espectro autista é importante a pesquisa da síndrome do X frágil, tá? Por que isso? Justamente por isso assim se chega paciente com transtorno do espectro autista, que você considera que é sindrômica e você vai tentar buscar, ver se ele tem alguma síndrome, que tenha características de autismo também. Então, como que que os exames genéticos no transtorno do espectro autista, qual é a resolutividade deles vamos dizer assim, tá? Você encontra alterações cromossômicas em aproximadamente 15 por 100 dos pacientes, alterações gênicas em 15 a 20 por 100 dos pacientes, e outras alterações como às vezes alterações metabólicas ou se números x frágil, e em torno aí de a 7 por 100 dos pacientes então se vocês fizerem as contas na verdade, menos de 50 por 100 dos pacientes, você vai encontrar alguma alteração genética. Então, vem muitas vezes a questão assim por que que eu vou testar? Algumas mães falam né pais, pra quê? A chance é pequena de encontrar alguma coisa e se encontrar alguma coisa, Né? Então mas tem muito benefício o primeiro benefício que eu gosto de falar é o benefício psicossocial da família. Saber o que ele e ela tem. Eu já tive mãe no consultório chorando, por eu ter dado diagnóstico, né pro filho dela, chorando de emoção assim, nossa agora eu sei o que ele tem, quando as pessoas perguntam eu posso falar nome, tá? Isso talvez no transtorno do espectro autista não tenha tanto porque isso já é nome né, mas às vezes a mãe acha ou sabe né que tem outra coisa não é só isso ele tem mais alguma coisa então isso ajuda muito a família. Os trabalhos já mostram que dá 1 sensação de empoderamento, melhor aceitação, melhora na qualidade de vida familiar e diminuição diminuição da sensação de culpa dessas famílias, tá? Ajuda a ter o maior, acesso à terapias de apoio, a grupos de suporte, né, se você tem nome do que você tem, você consegue encontrar outras pessoas, né, que têm a mesma coisa. Tá? Você consegue falar melhor com a família a família consegue entender o prognóstico daquele paciente, tá? Você pode então identificar tratar e prevenir comorbidades que vão aparecer no futuro, O manejo adequado do paciente em relação à educação e empregabilidade possíveis tratamentos entrar às vezes em protocolos de pesquisa se você não tem tratamento ainda estabelecido. Muito importante esse evitar exames desnecessários a famosa odisseia diagnóstica tão tão tão comum nos nossos pacientes da genética médica que chegam com doenças raras, que já passaram por vários vários médicos várias especialidades fizeram muitos exames e aí sem conseguir chegar a diagnóstico então às vezes quando você chega na fazer 1 testagem genética você consegue ver 1 alteração tem alteração nesse gene é isso que o paciente tem pronto acabou nisso você não precisa mais se preocupar, tá? E evitar tratamento sem comprovação científica. Você pode falar com a família então, se você sabe o que o o que aquela criança tem aquele paciente tem sobre o risco de recorrência, por exemplo na síndrome do x frágil ou 1 alteração cromossômica herdada de dos pais, aquele casal vai ter aquele pai aquela mãe 50 por 100 de chance de ter filho afetado, tá? Pode ser risco de 25 por 100 se for 1 doença autossômica recessiva, como a Síndrome de Smirfilemiopites, ou pode ser em torno de e meio por 100 se for 1 alteração genética de novo, de novo é que aconteceu naquela criança não veio do pai nem veio da mãe, tá então isso faz 1 diferença muito grande esses números para as famílias certo então você ter o diagnóstico você pode ajudar ali num diagnóstico prénatal ou pré implantacional se for o desejo da família a depender do tamanho do risco tá e diagnóstico de familiares afetados sem diagnóstico etiológico então às vezes você faz diagnóstico numa criança num paciente e de repente a própria família vai ver não mas aquele primo aquele tio, também eu acho que tem vamos atrás vamos ver e faz o exame às vezes comprova, e você então consegue aumentar aí a o número de pessoas diagnosticadas. Então eu deixo aqui pra terminar os desafios futuros em relação à avaliação etológica, não só do transtorno espectro autista mas as doenças raras de maneira geral, aumentar o acesso às ferramentas diagnósticas existentes tanto na saúde pública quanto na suplementar, tá, e pesquisa de novos mecanismos implicados na teologia do transtorno do espectro autista. Tá? Muito obrigada, eu deixo aqui o o email da da Sociedade Brasileira de Genética Médica, está certo e agradeço novamente o convite.




