COMISSÃO DE CONSTITUIÇÃO E JUSTIÇA E DE CIDADANIA
Sobre o Evento
Discussão e votação de propostas legislativas na Comissão de Constituição e Justiça. Várias deputadas e deputados participaram, com trocas de presidência e votações diversas.
Deputado
Presidindo os nossos trabalhos. Eu disputo eleições há mais de 40 anos, a primeira eleição que eu disputei e perdi, foi em 1982. Já ganhei algumas, perdi outras. Eu pessoalmente pela minha vivência, tenha mais absoluta confiança no processo eleitoral brasileiro. Eu quero levantar então aqui algumas questões com relação a a proposta aqui apresentada, pra gente avançar numa reflexão mais profunda né assim, Porque a o, pelo em que eu entendi, a votação será feita na urna eletrônica, 5 por 101 escolha aleatória, seria depois apurado quer dizer olha, cai o voto impresso, sem contato direto, mas esses 5 por 100 depois serão apurados. Vai abrir, né? E aí vem algum, por exemplo quem votou em branco, né assim ah, eu vivi a experiência do processo anterior no Brasil, do voto em César, eu vivi. Em 1970, tinha eu então 18 anos de idade, na minha terra natal em Bocaiúva. Eu fui convocado pelo juiz direito, no obstante a minha ideia a minha idade jovem né, iniciando o processo eleitoral, para ser, para participar do processo eleitoral inclusive como mesare, na apuração dos votos. Nós ficamos alguns dias pro fórum de Bocaiu ficar apurando os votos. A margem, dia, de erros e a margem de adulteração era enorme, e a gente não ao apurar os votos na mesa, pessoas conhecidas, cidade do interior, a gente falava sobre isso. A facilidade, voto no, 1 mesa mais, né assim nós éramos que ficava conversando e apurando corretamente, pessoas comprometidas ali, fazendo o melhor possível. A coisa fica tão explícita, ao contar também aqui, né respeitosamente, eu apurei o meu próprio voto, em 1970. A a minha colega estava apurando os votos, pregou a urna e falou, aqui, patrocinou, custa muito aparecer voto na oposição, oposição na época era o MDB. 1970 prevaleceu muito voto nulo, né? Lembro bem. Aí falou, custa muito aparecer voto do do MDB. Olha que voto bonito, era o meu voto. Começava com o deputado federal, Tancredo de Almeida Neves, botei no Tancredo Neves, 1970, Disputarena versus MDB, a gente já se colocando numa linha democrática de oposição à ditadura. Mas ficou claro ali, as pessoas que lerem aqui por exemplo o livro clássico do Vitor Nunes Leal, Coronelismo é enxada em Voto, vai verificar como era a apuração de votos na chamada república velha, O voto em, o voto em urna. Coronel entregou prum prum trabalhador dele, prum serviçal dele, o voto dentro da o voto dentro da cédula, né que ele tem depositava a cédula, né? Né? Aí ele pergunta, uai coronel, eu não vou saber em que que eu estou votando não? Falou, claro que não meu filho, você não sabe que o voto é secreto? Então nós temos 1 história na República Velha, mesmo depois, estou contando aqui caso da minha vida pessoal, o voto, em cédula, oferece 1 margem enorme na hora da apuração, a apuração demora dias, as urnas são transportadas de lugar pra outro, apuração aqui, apuração ali, então é 1 coisa realmente muito vulnerável, mas eu quero levantar 1 dúvida, pra ver com relação a esse projeto especificamente. O projeto no fundo reconhece a correção da da apuração eletrônica, ele reconhece, tanto que mantém e faz 1 apuração aleatória em torno de 5 por 100. Mas esses 5 por 100 vão ser apurado por pessoas. Como vai se dar essa apuração? Se houver 1 contradição entre os votos apurados, por interferência de alguém, não é difícil colocar númerozinho ali, colocar nome, alguma coisa, se houver 1 1 divergência entre os votos em cédula, e os votos eletrônicos, como vai se dar a solução disso? Vai travar o processo eleitoral? Vai empacar? Como vai resolver esse enigma? Se houvesse a contradição? A apuração dos votos nominal deu tanto. E aí eu lembro, na apuração pessoal, na apuração de pessoas, a corrupção é muito próxima, é muito falha, e quem conhece pouco a história do Brasil, e quem viveu como eu vivi, e quem estuda a história do Brasil sabe que essas a questão do voto pessoal, do voto em urna, tem 1 tem 1 tradição muito forte no Brasil de de corrupção, de troca de cédulas, de troca de urnas, etcétera. Então fica essa pergunta objetiva. Então eu fico, colegas parlamentares, com todo o respeito, mas quero externar aqui também. Eu fico com 1 suspeita assim de que toca o meu coração de que por trás do projeto está o interesse em comprometer o processo democrático no Brasil. Eu tenho a convicção hoje, quero colocar aqui com todo o respeito, que nós temos no Brasil 1 extrema direita que não respeita a democracia. É é só lembrarmos o 8 de janeiro aqui em Brasília. É só lembrarmos as tentativas que nós já vivemos. Eu já lembrei aqui do passado, que todos os golpes que nós vivemos no Brasil, foram golpes dados pela direita. Sempre assim. A tentativa, Getúlio Vargas impediu golpe da direita, pelo seu suicídio. Juscelino teve que superar 2 tentativas de golpe no seu governo. A tentativa para impedir a posse de João Goulart, também chamada aquela época de comunista. João Goulart num fazendeiro, empresário comunista comunista. A tentativa de impedir a posse de João Goulart em 60 e foi da direita. O golpe de estado, a ditadura de 64, da direita. A ditadura dentro da ditadura, o golpe dentro do golpe, em 68, da direita. Então eu concluo, com essa grave suspeita, de que existem interesses antidemocráticos por trás desse projeto. Passo.




