COMISSÃO DE ADMINISTRAÇÃO E SERVIÇO PÚBLICO
Sobre o Evento
A Comissão de Administração e Serviço Público debateu o fortalecimento do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) frente às mudanças climáticas e à necessidade de gestão de riscos. Os participantes enfatizaram a modernização tecnológica, a valorização do quadro de pessoal e a integração de dados entre instituições científicas e órgãos governamentais.
Especialista na Área de Metereologia | Climatologia
Obrigado pela oportunidade, deputada Erika Kockay. podemos aqui debater esse assunto tão importante para o país. Eu vou dar uma perspectiva do meio acadêmico, por essa questão. E... O primeiro aspecto que eu acho que é importante mencionar é que o Sistema Nacional de Meteorologia tem, na verdade, três aspectos. etapas, Nós temos uma etapa que são os serviços públicos, Próximo slide, por favor. São serviços públicos legítimos, com mandato institucional, Você tem na área federal, na área militar... na área estadual, você tem a... À direita, o setor privado. que cresceu muito aqui no Brasil, isso foi uma grande revolução, e eu vou trazer algumas informações que vêm justamente do meio acadêmico, da área de ensino. que a gente sabe onde é que os nossos egressos estão trabalhando. E aí no meio tem essa interface acadêmica que envolve a pesquisa e desenvolvimento, que envolve as universidades e muito desenvolvimento de coisas importantes que hoje funcionam no serviço operacional meteorológico brasileiro, tiveram origem na própria universidade. Um problema fundamental que a gente vê, olhando como setor acadêmico, é que a gente tem um nível de coordenação dessas três áreas. peças do sistema, mas nós não temos uma integração operacional. que deveria existir. Por exemplo, o principal mecanismo que a gente tem é o Sistema de Meteorologia e Climatologia Nacional. o SMCN, que envolve, inclusive liderado pelo INEMET, que envolve os outros órgãos. Mas nós não temos, na verdade, um órgão de fato com poder de integrar o sistema, por exemplo, controle em cima do orçamento mais integrado, governança única, comando operacional do sistema. O SMCN é mais um fórum de coordenação do que uma autoridade central. E isso representa um grande problema. Do ponto de vista da academia, o que a gente nota é o seguinte, uma tremenda evolução da formação em meteorologia no Brasil nas últimas décadas. Ah! Mas tem um indicador que é muito curioso. Veja esse quadro sobre a situação dos egressos da meteorologia no mercado de trabalho. Até o início dos anos 2000, cerca de 70% dos nossos formandos iam para a própria academia. Tá? Ah... Na situação atual, É da ordem de 60% e 70%. dos nossos formandos, O próximo slide, por favor. é que vão para a área, para o setor privado. Ou seja, inverteu. a situação entre o começo dos anos 2000 e agora. Obrigado. A interpretação disso é que houve uma mudança no sistema acadêmico que passou de uma orientação mais científica para uma orientação mais econômica, para atender as demandas das sociedades. a meteorologia passou a atuar, como uma infraestrutura de suporte e apoio a decisões dos setores estratégicos, principalmente da energia, do agronegócio e do mercado financeiro. Isso mostra para onde o sistema está puxando os seus melhores talentos. Muitos alunos hoje, os egressos, acabam trabalhando nas empresas privadas, e nós temos até dificuldade de conseguir alunos para a pós-graduação. Por que cresceu essa participação da iniciativa privada? Primeiro, demanda por customização. do serviço. Um uso intensivo de tecnologia. Terceiro ponto é a velocidade da inovação, coisa que às vezes é muito difícil fazer dentro do setor público. E o quarto ponto é a cadeia de valor. O setor privado atua principalmente na última etapa, naquela que atinge o usuário final. Isso, na verdade, bate com uma visão que a OMM tem, a Organização Meteorológica Mundial, desse conceito de serviços da metrologia. O princípio-chave da OMM é que o setor público gera dados, mas a base científica e o setor privado faz os serviços especializados. Portanto, é preciso ter uma cooperação. Existem tensões, é claro. Dados públicos versus a questão da monetização privada. Por exemplo, a iniciativa privada tem hoje mais estações meteorológicas automáticas do próprio serviço público. Tem sobreposições de funções, tem a dependência tecnológica. Isso, claro, que tem implicações no Brasil, particularmente a questão de como é que você articula instituições como o Inemete, para atender essas necessidades. Próximo slide. O crescimento do setor privado está sendo incorporado como parte do Sistema Nacional de Ciência e Tecnologia, ou está ocorrendo de forma paralela e pouco conectada? cabe ao Sistema Natural de Meteorologia, em particular o NEMET, uma atenção especial a esse problema. Fortalecer a relação com o setor privado não significa reduzir o papel do Estado. Significa ampliar o alcance do investimento público, mantendo o Inemete como referência central. Próximo slide. E pode passar para o último, que é a conclusão, Eu acho que o Enemex é seguramente a base do Sistema Meteorológico Nacional, Essas séries históricas do INENET na questão de mudanças climáticas é algo absolutamente importante. É preciso essa articulação com o CPTEC e com outros atores, Mas, igualmente, é importante fortalecer o INEMET com a iniciativa privada. Eu acho que esse é um ponto extremamente importante. que eu gostaria de ver de uma forma mais harmônica. Obrigado. Obrigado.




