COMISSÃO DE CULTURA
Sobre o Evento
A Comissão de Cultura debateu a necessidade de regulamentação profissional e proteção aos trabalhadores do setor cultural e de eventos. O encontro destacou a criação de um estatuto específico para a categoria e a importância do reconhecimento dos profissionais, incluindo o combate à desigualdade de gênero e racial.
VICE-PRESIDENTE DO SINDICATO DOS ARTISTAS E TÉCNICOS EM ESPETÁCULOS DE DIVERSÕES DO ESTADO DO PARANÁ (SATED-PR)
Olá, meus amigos, eu falo aqui pelo Saté de Paraná, é um prazer enorme estar aqui com todos vocês. Mas eu gostaria de fazer só algumas observações que... Vai corroborar com tudo que foi dito aqui, mas é importante... constatar isso. Quando a gente vê os dados dos trabalhadores, a gente fica triste. Quando a gente vê os dados da indústria, a gente vê a potência que é. Então, é inversamente proporcional. Então, aí a gente já vê que tem... Muita gente ganhando muitos milhões com a cultura que não é o trabalhador. Então, esse é o X da questão que a gente tem que começar a olhar. Quando você pensa, por exemplo, nos dados do Rio de Janeiro sobre a PNAB, e sobre a Paulo Gustavo, você tem uma volta para o Estado, para os cofres públicos, de R$ 6,50 para cada um real investido. Ou seja, quando você pega só as artes cênicas e o audiovisual, você tem um PIB maior do que a indústria automotiva. Nós não estamos nem contando toda a indústria criativa, que há de orelhada aí, chega perto de 20% do PIB. Toda a indústria criativa onde a gente atua, e não consta nos dados, porque é isso que... as colegas falaram. Eu sou, hoje eu sou ator e diretor há 30 anos... É... Eu tive minha carteira nesses mais de 30 anos assinada seis meses, oito talvez. E hoje, nos dados, talvez, para o governo, eu esteja como assessor parlamentar, que é como eu trabalho. em Curitiba para pagar minhas contas. Porque, como artista, mesmo tendo 30 anos, mesmo fazendo novela, fazendo televisão, eu estou no topo da pirâmide, eu não sou um coitado. Eu não consigo criar duas filhas dignamente, porque a gente trabalha às vezes seis meses e às vezes seis meses não trabalha. Então, assim, começa por aí. Há uma inversão, inclusive, na coleta de dados. A gente não sabe... E eu falo isso porque eu sou conselheiro estadual do trabalho. Há três anos, no sindicato, no Paraná, a gente descobriu que não adiantava a gente só estar nos conselhos de cultura. Porque, por exemplo, no caso do Paraná, o nosso governador, não vou nem citar o nome do rapaz, ele botou... Todos os trabalhadores da cultura o escopo na Secretaria da Cultura. que não dá conta de fomentar a cultura, vai cuidar de política pública de trabalho. Então, quando eu entrei no conselho, eles não sabiam que artista era trabalhador, que existia sindicato, e eles não tinham a menor ideia de que bicho é esse. Então eles lavaram as mãos e todas as políticas de trabalho jogaram... para a cultura. e a cultura que não tem funcionário, o servidor da cultura é o que menos ganha, se vocês olharem na estatística, Servidor municipal, estadual ou federal da cultura são os salários mais baixos, Então isso vem de toda uma... Isso é pensado. Isso é pensado. É uma guerra cultural. Ah, ah, é... O poder sabe o quanto a cultura é importante, não é à toa que Hitler tinha o Goebbels. Entende? Porque a cultura muda tudo. Eu falo dos Estados Unidos, ele colonizou o mundo no século XX com cinema ou com arma? Com cinema. Faltou uns 10 países que ele teve que entrar com arma, mas os outros 180 ele entrou com cinema. Então, assim, a gente está jogando fora... O Brasil está jogando fora e está aí, o resultado está aí. A gente não tem soberania, a gente tem uma maioria de trabalhadores falando mal de CLT, achando que é motoboy, que é empreendedor, que tem liberdade. Que liberdade é essa? Se ele quiser trabalhar quatro horas por dia, ele não paga a gasolina que ele roda. Então, assim, eu acho que a gente tem que também começar a ser mais radical no nosso discurso. Acho que existem desvios de função, principalmente na área dos técnicos, toda a prefeitura de interior, todo o governo de estado, se a gente olhar aqui na casa, a gente vai achar técnico de som, técnico de luz, técnico de vídeo, com desvio de função, como assistente administrativo, auxiliar de escritório, para poder receber. Então isso é uma constatação. E de novo falar sobre isso, a gente pejotizou, mas é isso, eu trabalhei... Três anos na Record. Fiz duas novelas de maior sucesso na Record, que são Os Dez Mandamentos e Vidas em Jogo. Tem um canal que só passa os 10 mandamentos 24 horas por dia. É vendido para o mundo inteiro. Eu nunca ganhei um centavo a mais por isso. E eu era pejotizado. Não tem nem como... A gente, na época, tinha medo de entrar com a ação. Então, isso acontece com quem está no topo. Você imagina quem está embaixo. E aí, eu falava para a Record, então, beleza, eu sou o CNPJ... Só que a Globo está me chamando. Então eu vou mandar um ator aqui e vou cumprir. Porque eu sou uma PJ. Não, não pode. Então, assim, a fraude... A gente está sendo roubado, usurpado há mais de 30, 40 anos, desde a Lei 6533 de 78, que foi uma tentativa, só que a partir dali a coisa realmente não se fortaleceu. E a hora de fortalecer agora, por quê? Porque os streamings, o digital, está vindo muito mais violento. Se a gente reclamava da Globe e da Record, A gente vai ficar com saudade deles. A gente vai ficar... Porque eles estão chegando, os streamings mundiais, estão chegando e arrebentando o mercado. E, ao mesmo tempo, Quando você olha o número de espectador, o dinheiro nessa indústria, o volume de trabalho, eu nunca gravei e filmei tanto na vida como nos últimos 10 anos. E nunca ganhei tão pouco e tão baixo. E eu nunca fiz tanto sucesso e nunca... tive que correr atrás de cesta básica para poder comer em casa. E eu estou falando de uma pessoa que está no topo. mais pra cima do que pra baixo Entendeu? Então, assim... Insisto em dizer, tudo isso que foi feito é um pontapé inicial, mas a gente tem que começar a entender que é um desperdício do Estado virar as costas para os artistas. É um desperdício de dinheiro, é um desperdício de desenvolvimento humano, é um desperdício de soberania. Se você tirar o dinheiro que você gasta com propaganda e botar na cultura, você vai ter um retorno muito maior do que as propagandas que são feitas. E mesmo assim, a propaganda, o dinheiro da propaganda está pagando a artista E está... precarizando e nos sucateando. E, por fim, dizer que as PNABs, 3 bilhões por ano, é maravilhoso. quando a gente olha no todo, mas... Na contrapartida, a gente tem projetos de espetáculo de 30 mil reais para montar um espetáculo, de 100 mil para fazer um filme. Então, o que está acontecendo... Enquanto implementação do Plano Nacional de Cultura, enquanto implementação de capilaridade, enquanto salvar a vida das pessoas que estavam morrendo... maravilhoso, viva! A Lepnab, a Paulo Gustavo. Agora, manter ela como uma política pública... É a precarização do trabalho, gente. A gente está acumulando função, a gente tem que dirigir, atuar, montar cenário, mentir nos editais, porque nos editais não pode fazer isso. A gente tem que... espetáculo com mais de quatro atores e não consegue pagar o piso Porque não tem dinheiro. Então, assim, está tudo errado. De cima para baixo. Está tudo certo de baixo para cima. A gente só tem que se unir mais e bater o pé, e parar de pedir esmola. A cultura sempre vai dar um dinheirinho. Não, nós geramos... Muita riqueza para esse país. Se o Brasil é conhecido lá fora, é pelos artistas, principalmente. e o jogador de futebol que é um esportista, mas o Pelé era um artista. Então, é o seguinte, vamos olhar para os nossos artistas. Um país que não olha pelo seu artista, É um país fadado ao fracasso. A Archi!




