COMISSÃO DE CULTURA
Sobre o Evento
A Comissão de Cultura debateu a necessidade de regulamentação profissional e proteção aos trabalhadores do setor cultural e de eventos. O encontro destacou a criação de um estatuto específico para a categoria e a importância do reconhecimento dos profissionais, incluindo o combate à desigualdade de gênero e racial.
TÉCNICO DE PLANEJAMENTO E PESQUISA DO INSTITUTO DE PESQUISA ECONÔMICA APLICADA (IPEA)
Bom, muitas questões, agradeço todas elas, assim, acho que... são muitas questões mesmo. Em um minuto ou cinco minutos, realmente não dá para dar conta da riqueza das questões formuladas aqui. E agradeço só assim, mas... Só contextualizar, assim, em minha defesa, em defesa desse pedaço do estudo, e eu recebo as pedradas numa boa, assim. Semana passada eu estava discutindo com a bancada da saúde e os caras estavam horrorizados com a precária qualidade das informações também. Eu fui explicar para médicos, técnicos, enfermagem, terapeutas ocupacionais a dificuldade que é lidar com as carreiras, com as profissões deles, com as informações que o Estado brasileiro... produz a respeito deles. Não é um problema só da cultura, desculpa. Geral, cada semana eu vou numa bancada diferente, e o desafio... e eu levo a pancada de todo mundo, não tem problema. É normal, normal, numa boa. Agora... Só falar assim, contextualizar a minha fala, que minha fala veio na sequência do Felipe, que veio na sequência do Fred. A minha fala é um pedacinho dessa história toda que o Felipe descreve muito bem que é um universo muito mais amplo, marcado pelo que a gente chama, classicamente, dos anos 50 e 60, da informalidade do trabalho. Eu estou retratando um núcleo estruturado, ou que deveria ser estruturado, do trabalho cultural no Brasil. É os 25% que o Felipe falou ali, olha, só 25%, é pequeno. E eu já abri minha fala falando, olha, não é nem só 25, vai ser 12,5, porque eu vou pegar só o pessoal... Do piso, o pessoal que carrega o piano, o pessoal que está nos bastidores ali do cartaz. Entendeu? É um universo bastante pequeno. Então, só para contextualizar um pouco a minha fala. Eu estou falando muito, mas sobre muito pouco, talvez. Mas é um pessoal muito importante, que é o pessoal que realmente carrega o piano. Entendeu? É que está na base, sustentando toda a indústria, o sistema, a economia, a cultura, tal como você prefira... falar E sobre os dados? Assim, poxa, sei lá, a gente trabalha com dados há quanto tempo? Eu trabalhei uns 40 anos com dados, assim... Eu já descobri que na minha vida não adianta eu brigar com os dados assim. O que adianta muito é eu brigar pela qualidade dos dados. Melhorar a qualidade dos dados. Isso sim. E assim, por mais que os dados que o Estado brasileiro produza, inclusive sobre os trabalhos, trabalhadores na área de cultura, tem problemas, o Fred elencou vários, o Felipe elencou vários, todo mundo aqui elencou nas questões vários problemas. Agora, com todos os problemas, esse dado tem a sua importância, inclusive porque é por meio deles que o Estado se relaciona com esse trabalhador da cultura. principalmente o trabalhador que está lá nos bastidores ou carregando o piano da cultura. Então, por mais que a gente Fala, pô, a CBO não reflete nada, está tudo errado, todo mundo é recreador. Pô, que absurdo. Concordo, mas é por meio desse dado, com todos os problemas, que o Estado se relaciona do ponto de vista laboral, do ponto de vista de saúde ocupacional, do ponto de vista tributário. Previdenciar... o Estado se relaciona, por meio desse dado... com esse trabalhador, com todos esses problemas. ou seja, descobri que não adianta a gente brigar com os dados, mas adianta a gente muito brigar pela qualidade, pela melhoria. E eu acho que o Fred trouxe várias janelas aí das conversas que estão acontecendo. com o próprio Ministério do Trabalho, para não falar com o IBGE e tudo mais, em termos de melhorar a qualidade dessa informação que o Estado produz a respeito de vocês. Eu não quero defender meu trabalho, eu quero defender, na verdade, que os dados têm o seu valor com todos os problemas que eles têm. Tá bom? E só agradecer a vocês a paciência. Obrigado. Obrigado. Obrigada. - -




