GRUPO DE TRABALHO SOBRE CRIMES PRATICADOS EM RAZÃO DE MISOGINIA
Sobre o Evento
20/05/2026 - Misoginia em rede: disseminação do ódio contra mulheres
Deputada
A Deputada abriu a reunião do Grupo de Trabalho que analisa o Projeto de Lei nº 896/2023, que trata de crimes de misoginia. Após procedimentos regimentais e apresentação das convidadas, a parlamentar propôs um debate central sobre a relação de causalidade entre a radicalização online, os discursos de ódio e o aumento da violência e assassinatos contra mulheres. A Deputada também questionou sobre medidas de enfrentamento a esses grupos e sobre a necessidade de aprimorar a legislação para garantir maior proteção e amparo às vítimas no ambiente digital, sempre respeitando a liberdade de expressão.
Diretora Executiva e cofundadora da Organização Redes Cordiais - Diretoria Executiva da Organização Redes Cordiais
A Diretora Executiva e cofundadora da Organização Redes Cordiais discute o combate à misoginia online e à violência de gênero, destacando que esses ataques não são fenômenos isolados, mas problemas estruturais que afetam a participação de mulheres na política, no jornalismo e na produção de conteúdo. Defende a necessidade de tratar o assédio digital como um problema institucional, propondo medidas de ciberresiliência e a responsabilidade das plataformas digitais na segurança dos espaços públicos.
Deputada
A deputada foi orientada a retomar seu tempo de fala e concluir sua manifestação parlamentar.
Diretora Executiva e cofundadora da Organização Redes Cordiais - Diretoria Executiva da Organização Redes Cordiais
A Diretora Executiva e cofundadora da Organização Redes Cordiais argumenta que a regulação do ambiente digital deve seguir o modelo de segurança da indústria automobilística. Defende que a responsabilidade não deve recair sobre a resiliência individual dos usuários, mas sim na implementação de proteção por design desde a concepção dos produtos, visando garantir maior segurança para as mulheres no espaço digital.
Deputada
A Deputada realiza a mediação de um evento, agradecendo aos participantes e convidando uma palestrante para compor a mesa de debates.
Consultora e educadora
A consultora e educadora aborda o fenômeno da misoginia e da violência online, baseando-se em obras de Laura Bates e Hugo Monteiro. Ela destaca como influenciadores digitais promovem discursos de ódio e misoginia, inclusive incentivando comportamentos violentos contra mulheres e a naturalização de crimes. Com o apoio de dados de pesquisas, argumenta que esse conteúdo online se traduz em violência presencial, afetando especialmente jovens e adolescentes. Defende a necessidade de uma educação voltada para a equidade e o respeito nas escolas como contraponto à influência nociva das redes sociais.
Deputada
A Deputada agradece a interlocutora e convida a fundadora e codiretora do InternetLab para discursar.
Fundadora e codiretora do InterntLab - InterntLab
A fundadora e codiretora do InternetLab analisou o fenômeno da misoginia online, destacando sua crescente normalização e o uso de gramáticas de ódio disseminadas em redes sociais e plataformas digitais. A fala abordou como a violência contra mulheres ocorre de forma interseccional, afetando desproporcionalmente candidatas políticas, mulheres negras, lésbicas, indígenas e trans. Foram discutidos os limites do Direito Penal frente a essa problemática e a necessidade de políticas públicas complementares, como o aprimoramento do atendimento especializado, a regulação de plataformas digitais, o investimento em transparência e dados desagregados, e a responsabilização das empresas de tecnologia sobre seus modelos de negócio e algoritmos.
Deputada
Gente, o microfone e... Se possível, finalizar. Obrigada.
Fundadora e codiretora do InterntLab - InterntLab
A Fundadora e codiretora do InterntLab - InterntLab defende uma abordagem estrutural para o enfrentamento da misoginia no ambiente digital, indo além da criminalização. Propõe a responsabilidade cível, medidas protetivas digitais de urgência, ações de educação e prevenção baseadas em diretrizes curriculares e o letramento digital crítico. Defende, ainda, que a inclusão da misoginia no marco legal ocorra de forma coerente com as demais discriminações, sugerindo uma revisão técnica do projeto de lei em tramitação.
Deputada
A Deputada introduz a fala de Janara Kalline, Chefe da Assessoria Especial de Comunicação Social do Ministério das Mulheres, em um evento ou audiência pública.
Chefe da Assessoria Especial de Comunicação do Ministério das Mulheres - Assessoria Especial de Comunicação do Ministério das Mulheres
A Chefe da Assessoria Especial de Comunicação do Ministério das Mulheres analisa a estrutura da misoginia digital e da violência online contra mulheres. Defende que o discurso de ódio não é espontâneo, mas uma estratégia organizada e intencional, muitas vezes monetizada e camuflada sob o pretexto de humor ou liberdade de expressão. Destaca a importância de se debater marcos legislativos para proteger grupos vulneráveis e ressalta que a neutralidade da internet é um mito, sendo um ambiente construído sobre relações de poder históricas que perpetuam a desigualdade.
Deputada
A Deputada conduz a sessão, agradecendo uma indicação de documentário e esclarecendo que o tempo restrito se deve ao número de participantes. Na sequência, introduz a pesquisadora do Instituto Sivis para sua fala na rodada de debates.
Pesquisadora do Instituto Sivis - Instituto Sivis
A pesquisadora do Instituto Sivis defende que o combate à misoginia digital exige uma resposta estatal efetiva e proporcional, sem comprometer a liberdade e a segurança na internet. Ela propõe delimitar o escopo entre a dimensão penal e a regulatória, estabelecer critérios objetivos para a definição de condutas misóginas, diferenciar a moderação privada de plataformas da ilicitude jurídica, avaliar os impactos práticos das medidas regulatórias e fortalecer o enforcement público por meio de infraestruturas estatais de investigação e proteção às vítimas.
Deputada
A Deputada agradece a participação da convidada e da secretária, e passa a ler perguntas do público sobre misoginia online. O discurso aborda a legislação existente contra deepfakes, questiona quais táticas de ódio contra mulheres ainda não são punidas e como um projeto de lei poderia combatê-las. Também discute o papel das plataformas digitais, os mecanismos de monetização do ódio e as motivações sociais que levam homens, especialmente jovens, a se tornarem militantes contra mulheres na internet.
Deputada
A Deputada discute o aumento da violência contra a mulher e a importância de regular o ambiente digital. Aponta a relação entre a misoginia disseminada em comunidades online (machosfera), a radicalização de jovens e a adesão a grupos neonazistas e supremacistas. Ressalta a necessidade urgente de combater a monetização do ódio e criminalizar a misoginia, defendendo que não há distinção entre o mundo virtual e a vida real.
Deputada
A Deputada agradece as perguntas feitas pela parlamentar Talíria e solicita que as palestrantes convidadas respondam ao que for possível em suas falas de encerramento. Em seguida, convida a diretora-executiva da organização Redes Cordiais, Clara Becker, para iniciar suas considerações finais, concedendo-lhe tempo regimental.
Diretora Executiva e cofundadora da Organização Redes Cordiais - Diretoria Executiva da Organização Redes Cordiais
A Diretora Executiva e cofundadora da Organização Redes Cordiais argumenta sobre a necessidade de superar a separação entre o mundo virtual e o real, defendendo a tese de que a internet não é um território sem lei. Destaca a importância de combater a impunidade em crimes online, sugerindo que o fortalecimento dos mecanismos jurídicos e a punição financeira para agressores são estratégias fundamentais para desestimular a propagação de discurso de ódio e o lucro gerado por essas práticas.
Deputada
A Deputada agradece à representante do Redes Cordiais pelo trabalho realizado e anuncia a fala da consultora e educadora Sheylli Caleffi.
Consultora e educadora
A consultora e educadora destaca a importância da educação como ferramenta para enfrentar os desafios impostos pelo ambiente digital a crianças e adolescentes. Baseada em obras que discutem saúde mental e tecnologia, defende que a conscientização e a informação são fundamentais para contrapor a radicalização juvenil e os riscos do mundo online. A consultora enfatiza que o acesso à tecnologia sem o devido preparo educacional configura uma negligência, sugerindo uma atuação paralela entre a criação de legislações específicas e o letramento digital do público infantojuvenil.
Deputada
A Deputada agradece o trabalho da colega e anuncia a fala da Chefe da Assessoria Especial de Comunicação do Ministério das Mulheres, Janara Kalline Leal Lopes de Sousa.
Chefe da Assessoria Especial de Comunicação do Ministério das Mulheres - Assessoria Especial de Comunicação do Ministério das Mulheres
A Chefe da Assessoria Especial de Comunicação do Ministério das Mulheres defende a aprovação de projeto de lei que criminaliza a misoginia. Ela argumenta que, embora não seja a única solução, a medida é fundamental para enfrentar a banalização da violência, o discurso de ódio contra as mulheres na internet e a pedagogia do ódio que coage jovens e meninos, sustentada por falsas bases biológicas e religiosas que promovem a desigualdade e a submissão feminina.
Deputada
A Deputada agradece o trabalho desenvolvido por Janara e concede a palavra à pesquisadora Sara Clem, do Instituto Sivis.
Pesquisadora do Instituto Sivis - Instituto Sivis
A pesquisadora do Instituto Sivis defende a necessidade de cautela e proporcionalidade na regulação da internet para combater a misoginia. Ressalta que, embora a misoginia seja grave, a criação de mecanismos regulatórios deve ser juridicamente precisa para evitar danos à segurança jurídica e ao debate democrático. Defende o uso de ferramentas tecnológicas, como metadados, para a autenticação de conteúdos sintéticos, destacando a importância de um desenho institucional equilibrado.
Deputada
A Deputada agradece pelo trabalho realizado pelo Instituto Sivis e verifica a presença da Sra. Mariana Giorgetti Valente, concedendo-lhe a palavra.
Fundadora e codiretora do InterntLab - InterntLab
A Fundadora e codiretora do InterntLab - InterntLab debate a lacuna na legislação brasileira quanto à punição do discurso misógino. Defende que, embora existam normas para crimes específicos como os deepfakes, falta um tratamento penal adequado para discursos que propagam a inferioridade feminina e aversão às mulheres. Destaca também que o Direito Penal possui limitações, sendo necessário enfrentar não apenas a conduta individual, mas toda a cadeia de atores envolvidos, desde o desenvolvimento tecnológico até a disseminação por redes sociais.
Deputada
A Deputada defende uma legislação equilibrada para o ambiente online que estabeleça a responsabilidade de atores intermediários no combate à misoginia, combinando incentivos e medidas punitivas.
Fundadora e codiretora do InterntLab - InterntLab
A Fundadora e codiretora do InterntLab defende a construção de uma legislação equilibrada para combater a misoginia online. A argumentação destaca a necessidade de responsabilizar os atores da cadeia digital, combinando incentivos positivos com medidas de responsabilização para as ações intermediárias.
Deputada
A Deputada conduz a transição para a segunda e última mesa de debates do evento, agradecendo a participação dos convidados e convidando a vereadora Aava Santiago para compor a mesa. Em seguida, a Deputada cede a palavra à diretora do CEDIS-IDP, Laura Schertel Ferreira Mendes, para sua exposição.
Diretora do Centro de Direito, Internet e Sociedade do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa - CEDIS/IDP - Centro de Direito, Internet e Sociedade do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa CEDIS/IDP
A Diretora do Centro de Direito, Internet e Sociedade do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa - CEDIS/IDP defende a regulação do ambiente digital para proteger mulheres e meninas contra a violência online. Argumenta que a violência de gênero não é liberdade de expressão, mencionando a necessidade de uma interpretação constitucional que garanta a igualdade material. Destaca o dever das plataformas digitais de combater conteúdos ilícitos e misóginos, enfatizando a importância da transparência, da prevenção e da responsabilidade sistêmica no mundo interconectado.
Deputada
A Deputada solicita que o áudio seja ligado novamente para que o orador possa concluir sua fala.
Diretora do Centro de Direito, Internet e Sociedade do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa - CEDIS/IDP - Centro de Direito, Internet e Sociedade do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa CEDIS/IDP
A Diretora do Centro de Direito, Internet e Sociedade do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa - CEDIS/IDP defende o aprimoramento de mecanismos regulatórios voltados para a prevenção e reparação de conteúdos digitais. Ela destaca a necessidade de sistemas de recomendação que não amplifiquem materiais criminosos e propõe facilitar a remoção de conteúdos sexuais não autorizados, superando a lógica de notificações individuais.
Deputada
A Deputada convida a governadora de Goiânia para se apresentar durante a sessão.
Vereadora de Goiânia - Câmara Municipal de Goiânia
A Vereadora de Goiânia - Câmara Municipal de Goiânia discursa sobre a necessidade de combater a misoginia institucionalizada, utilizando a reação violenta e desproporcional nas redes sociais à sua presença em um debate na Câmara dos Deputados como exemplo de metalinguagem. Ela aponta que a desinformação e a monetização do ódio contra mulheres são indústrias que sustentam comportamentos machistas. A Vereadora enfatiza a urgência de desnaturalizar a violência e o assédio, que afetam meninas e mulheres desde cedo, destacando a importância de projetos legislativos que busquem educar e coibir a perpetuação desses padrões de violência nos homens desde a infância.
Deputada
A Deputada agradece a participação de uma convidada e apresenta a próxima oradora, a codiretora executiva da organização Olabi, dando-lhe as boas-vindas.
Codiretora executiva da Organização Olabi - Organização Olabi
A Codiretora executiva da Organização Olabi discute a relação entre o discurso de ódio e a violência contra a mulher, enfatizando como a arquitetura das plataformas digitais e seus algoritmos de recomendação amplificam conteúdos misóginos para maximizar o engajamento e o lucro. A oradora defende a necessidade de políticas de transparência, proteção por design e letramento digital, argumentando que a regulação deve ser acompanhada por uma mudança estrutural no modelo de negócios das tecnologias e maior diversidade na criação dessas ferramentas.
Deputada
A Deputada encerra a fala da convidada anterior e anuncia a participação de uma especialista do Instituto Palavra Aberta para dar continuidade à audiência.
Coordenadora de Educação do Instituto Palavra Aberta - Coordenadoria de Educação do Instituto Palavra Aberta
A Coordenadora de Educação do Instituto Palavra Aberta - Coordenadoria de Educação do Instituto Palavra Aberta discute o papel da educação para o letramento midiático e digital como ferramenta de enfrentamento ao discurso de ódio e à violência de gênero facilitada pela tecnologia. Destaca que a desinformação e comportamentos tóxicos online, muitas vezes amplificados por algoritmos, exigem uma postura reflexiva e crítica na produção e consumo de conteúdos digitais. Defende que, embora a regulação das plataformas seja necessária, a educação é um pilar essencial para construir ambientes virtuais mais seguros e responsáveis.
Deputada
A Deputada solicita a repetição de uma fala devido a problemas técnicos na conexão de internet durante a sessão.
Coordenadora de Educação do Instituto Palavra Aberta - Coordenadoria de Educação do Instituto Palavra Aberta
A Coordenadora de Educação do Instituto Palavra Aberta - Coordenadoria de Educação do Instituto Palavra Aberta compartilha uma experiência pessoal envolvendo sua filha para ilustrar a importância da educação no combate a preconceitos e na promoção do respeito desde a infância. O relato descreve uma mudança de postura em um grupo de meninos que, após um trabalho educativo, passaram a valorizar a participação feminina no futebol, estabelecendo regras inclusivas durante as partidas. A coordenadora enfatiza que, embora singelo, o episódio exemplifica como a educação pode prevenir comportamentos intolerantes e situações dramáticas no futuro.
Deputada
A Deputada discute a realização de audiências públicas para analisar a radicalização de jovens e a violência decorrente de discursos de ódio na internet. Ela destaca a importância de entender esses mecanismos e buscar consensos legislativos que sejam eficazes e protejam a liberdade de expressão, mencionando que a segurança da mulher no ambiente digital é fundamental para garantir o exercício desse direito.
Juíza e idealizadora da Campanha Sinal Vermelho e do Instituto Nós Por Elas - Instituto Nós Por Elas
A Juíza e idealizadora da Campanha Sinal Vermelho e do Instituto Nós Por Elas defende a importância de combater a misoginia e a violência contra a mulher. Destaca a necessidade de avanços legislativos que superem as barreiras impostas por uma estrutura patriarcal histórica, ressaltando o papel da sociedade civil e do parlamento na construção de consensos. Relata sua experiência pessoal como alvo de ataques baseados em sua aparência para ilustrar como a violência e a desvalorização da mulher são utilizadas como mecanismos de punição e controle, defendendo um esforço coletivo para garantir a proteção efetiva e a igualdade de direitos para as mulheres brasileiras.
Deputada
A Deputada media uma sessão de debates na qual são formuladas perguntas sobre o impacto do assédio digital contra mulheres com relevância pública na participação política de jovens, o papel da educação no combate à misoginia e a prevenção da cooptação de jovens por grupos extremistas online, concedendo tempo de fala às parlamentares presentes.
Deputada
A Deputada discute um projeto de lei sobre misoginia e violência digital, defendendo que o ordenamento jurídico atual já oferece instrumentos suficientes para coibir agressões. Expressa preocupação com a subjetividade do texto proposto, temendo que possa resultar em censura ou violar a liberdade de expressão, citando suas experiências como parlamentar cristã. Por fim, critica a seletividade ideológica de movimentos que não manifestam solidariedade a parlamentares de direita em casos de ataques.
Deputada
A Deputada expressa solidariedade a sua colega frente a ataques e ofensas recebidas. Ela propõe um diálogo aberto para construir um consenso, visando criminalizar atos graves descritos recentemente, sem, contudo, prejudicar o exercício da liberdade de expressão. A Deputada convida a colega a indicar um membro de sua equipe para colaborar com essa construção e menciona que juristas serão ouvidos para o aprimoramento do texto da proposta.
Deputada
A Deputada defende a criminalização da misoginia e o combate à violência contra a mulher no ambiente digital, propondo a regulamentação de plataformas para impedir a monetização de conteúdos que propagam ódio e humilhação.
Deputada
A Deputada cede tempo de fala para Laura Mendes após breves agradecimentos.
Diretora do Centro de Direito, Internet e Sociedade do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa - CEDIS/IDP - Centro de Direito, Internet e Sociedade do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa CEDIS/IDP
A Diretora do Centro de Direito, Internet e Sociedade do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa - CEDIS/IDP argumenta contra a subjetividade de conceitos legais, defendendo que o ordenamento jurídico já possui instrumentos, como a Lei Maria da Penha e a lei de violência política de gênero, para combater discursos violentos e misoginia na internet. Defende o aprimoramento da arquitetura regulatória e institucional existente, citando o papel do STF e da ANPD, e sugere a criação de mecanismos concretos, como helplines e sistemas de remoção de conteúdos baseados em hashes, inspirados em modelos internacionais como os do Reino Unido e dos Estados Unidos.
Diretora do Centro de Direito, Internet e Sociedade do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa - CEDIS/IDP - Centro de Direito, Internet e Sociedade do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa CEDIS/IDP
A Diretora do Centro de Direito, Internet e Sociedade do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa - CEDIS/IDP defende que o combate à misoginia na internet exige uma atuação conjunta do Estado, através dos três poderes, e do setor privado. Ela faz um apelo para que as plataformas digitais não se limitem a judicializar decretos governamentais, mas participem ativamente de um pacto nacional contra a violência de gênero no ambiente digital.
Deputada
A Deputada agradece a contribuição anterior e anuncia a fala da vereadora Aava Santiago.
Vereadora de Goiânia - Câmara Municipal de Goiânia
Eu quero agradecer imensamente a todas e todos que permaneceram aqui até agora construindo esse debate conosco. Eu recebi algumas perguntas, às quais responderei em conjunto. A preocupação das primeiras perguntas é sobre educação, como ela pode prevenir a misoginia. Não existe outro caminho. E a educação definitivamente não é uma responsabilidade ou incumbência exclusiva das famílias brasileiras; ela é uma responsabilidade coletiva e precisa ser pensada coletivamente. Trago como ilustração disso um exemplo triste, mas que elucida bastante o que eu acabei de dizer. Há alguns anos, fui chamada para uma reunião de emergência em uma escola estadual lá em Goiás, porque um garotinho de 11 anos passava a mão nas coleguinhas. Quando ele foi encaminhado à coordenação, teve uma reação muito explosiva, porque não havia entendido que o que estava fazendo era errado. A coordenação chamou os pais, e o pai, diante de nós, ao lado do Conselho Tutelar, Dra. Renata, disse: "Vocês me chamaram aqui para isso? Eu estou criando meu filho para isso mesmo. É para gostar de mulher, não para ser marica". O pai se indignou com a coordenação da escola por ter sido acionado para coibir o comportamento assedioso do filho. Então, infelizmente, quem dera todas as famílias brasileiras fossem estruturadas o bastante e tivessem maturidade suficiente para compreender o seu papel na interrupção do adoecimento de meninos. Eu também quero me dirigir à Deputada Clarissa Tércio. Eu também sou uma mulher evangélica, da Assembleia de Deus Ministério de Madureira. Quero deixar aqui registrado um abraço para o meu pastor, Neuton Pereira Abreu, que disse que tentaria nos assistir. E eu preciso tranquilizar a senhora em relação ao receio de que a lei possa interditar a pregação do Evangelho. Não existe a menor possibilidade de que isso aconteça, porque o Evangelho é para a libertação. E a senhora conhece muito bem as Escrituras e sabe que, no livro de Gálatas, está registrado com clareza que "foi para a liberdade que Cristo nos libertou". Então, por que voltaria a nos colocar debaixo do jugo da servidão? O Evangelho de Cristo opera permanentemente para a libertação e para a dignidade das mulheres. Inclusive, quando a senhora faz referência ao versículo 22 do capítulo 5 do livro de Efésios, sobre a submissão das mulheres, é muito importante que a gente compreenda esse texto. Como a senhora mesma mencionou... (Pausa.) Com este microfone aqui e com um pacote de biscoito, vou até de noite.
Deputada
A Deputada anuncia a fala da co-diretora executiva da organização Olabi, Gabriela Agustini.
Codiretora executiva da Organização Olabi - Organização Olabi
A Codiretora executiva da Organização Olabi defende a implementação de educação digital e letramento midiático para que a população compreenda o funcionamento de algoritmos e plataformas, evitando a manipulação por vieses. Defende que o Brasil assuma o protagonismo como produtor de tecnologias, em vez de apenas consumidor de ferramentas com modelos de engajamento predefinidos. Por fim, enfatiza que misoginia e desumanização não são opiniões, mas formas de violência que exigem um enfrentamento coletivo, democrático e urgente.
Deputada
A Deputada solicita que a audiência prossiga com as convidadas restantes, pedindo objetividade e evitando a ideologização excessiva dos temas abordados na sessão.
Coordenadora de Educação do Instituto Palavra Aberta - Coordenadoria de Educação do Instituto Palavra Aberta
A Coordenadora de Educação do Instituto Palavra Aberta defende que a educação é fundamental para capacitar os indivíduos a compreenderem e desnaturalizarem comportamentos agressivos e preconceituosos, especialmente em relação a gênero. Além disso, destaca o papel da educação digital e midiática na qualificação do debate sobre a liberdade de expressão, enfatizando que esse direito fundamental não pode ser utilizado para justificar a disseminação de desinformação ou discurso de ódio, nem para violar outros direitos.
Deputada
A Deputada tenta restabelecer contato com a participante, mas devido a problemas técnicos de conexão, opta por passar a palavra à próxima oradora.
Juíza e idealizadora da Campanha Sinal Vermelho e do Instituto Nós Por Elas - Instituto Nós Por Elas
A juíza e idealizadora da Campanha Sinal Vermelho e do Instituto Nós Por Elas defende a tipificação do crime de misoginia, argumentando que a classificação como discriminação permite tratar o problema em âmbito coletivo e difuso, para além da violação individual. Com base em sua trajetória de 28 anos na magistratura, destaca que interpretações religiosas e ideologias não podem impedir a proteção feminina contra o discurso de ódio e o feminicídio. Critica a ineficiência dos mecanismos atuais de proteção e a falta de centralização de dados sobre violência no Brasil, defendendo a unificação dos registros de ocorrência para um combate efetivo ao problema.
Deputada
A Deputada interrompe brevemente o discurso para verificar a conexão de uma interlocutora e solicita a retomada da fala.
Coordenadora de Educação do Instituto Palavra Aberta - Coordenadoria de Educação do Instituto Palavra Aberta
A Coordenadora de Educação do Instituto Palavra Aberta defende que a educação é fundamental para compreender os limites da liberdade de expressão, enfatizando que esse direito não autoriza a disseminação de discursos de ódio ou práticas violentas.
Deputada
A Deputada agradece a presença de outra parlamentar em comissão, ressaltando a importância do debate e do consenso na condução dos trabalhos.
Deputada
A Deputada defende que o debate parlamentar deve se pautar pelo consenso e evita ataques partidários. Criticou a subjetividade em propostas de criminalização, citando o exemplo do movimento Red Pill e interpretações bíblicas, ao debater com a Deputada Chris Tonietto. A oradora também repudiou a prática do aborto em casos de violência sexual, reafirmando sua postura em defesa da vida e relatando sua atuação parlamentar em Pernambuco ao expor abusadores, lamentando que a oposição vote contra o aumento de penas para crimes dessa natureza.
Deputada
A Deputada defende a criminalização de condutas extremas de violência e misoginia na internet, buscando consenso em grupo de trabalho sobre o tema, enfatizando a necessidade de separar debates de opinião de crimes graves como incitação ao estupro e violência contra a mulher.
Vereadora de Goiânia - Câmara Municipal de Goiânia
A Vereadora de Goiânia - Câmara Municipal de Goiânia discute a instrumentalização da fé para projetos de poder e defende que o arcabouço jurídico atual é insuficiente para proteger mulheres e meninas contra a violência e o feminicídio. Ela cita exemplos de casos em que a retórica machista, como a dos movimentos 'Red Pill', é utilizada por agressores e argumenta pela necessidade de aprimorar a legislação para garantir efetividade na proteção das vítimas.
Deputada
A Deputada encerra os trabalhos de um Grupo de Trabalho, agradecendo a participação de convidadas e presentes na audiência, e aproveita o momento para cumprimentar formalmente uma colega parlamentar que chegara ao recinto.
Deputada
A Deputada participa de um Grupo de Trabalho (GT) como ouvinte e defende que o debate legislativo deve ser conduzido com objetividade técnica e clareza. Ela argumenta contra a criação de leis vagas ou subjetivas que gerem insegurança jurídica ou que permitam interpretações equivocadas do Poder Judiciário, citando a necessidade de respeito à técnica legislativa e a leis como a Lei Complementar nº 95/1998. Enfatiza que o foco da discussão deve ser o combate à violência e o respeito aos direitos das mulheres, evitando ataques pessoais e distorções ideológicas.
Deputada
A Deputada encerra a reunião e convoca audiência pública para o dia 3 de junho de 2026, às 14h30, com o objetivo de discutir o tema do ódio contra mulheres, crimes graves e os desafios na implementação da legislação vigente.




