COMISSÃO EXTERNA SOBRE OS ATOS DE PIRATARIA E A AGENDA DO "BRASIL LEGAL"
Sobre o Evento
09/06/2026 - Segurança pública e estratégias integradas de combate às ilegalidades
Deputado
O Deputado abre a reunião extraordinária da comissão externa para tratar de pirataria e a agenda do programa Brasil Legal. Após a aprovação da ata anterior e a apresentação dos procedimentos, o parlamentar convoca uma audiência pública para discutir estratégias de combate ao contrabando, descaminho e crimes contra a ordem econômica. O discurso inclui a composição de uma mesa com representantes da CNI, da empresa de pesquisas Nexus e da associação industrial têxtil (Abit), destacando a importância da colaboração mútua no enfrentamento desses desafios.
Assessor Especial da Confederação Nacional da Indústria - CNI - Confederação Nacional da Indústria - CNI
O Assessor Especial da Confederação Nacional da Indústria - CNI ressalta o engajamento da instituição em temas de segurança pública. Destaca a atuação de um grupo de trabalho transversal focado em compartilhar dados e conhecimentos técnicos com o Poder Público para a construção de políticas eficazes e perenes. O assessor anuncia a reestruturação e ampliação desse grupo e a apresentação de uma pesquisa encomendada à empresa Nexus sobre segurança patrimonial para subsidiar os debates legislativos.
Deputado
O Deputado discute a relevância da colaboração com a CNI e manifesta forte preocupação com a segurança pública no Brasil, especificamente em relação ao mercado de gás. O parlamentar critica um projeto da ANP que visa permitir o fracionamento de gás e a redistribuição de bujões, argumentando que tal medida beneficiaria quadrilhas e o crime organizado, que já controlam a distribuição e venda do produto em diversas áreas segregadas, como ocorre no Rio de Janeiro. Foi solicitado o apoio da CNI para barrar essa iniciativa, destacando a necessidade de fiscalização rigorosa.
Diretor de Pesquisa da Nexus - FSB Holding - Nexus - FSB Holding
Obrigado, Deputado Julio, Dr. Cassio e Dr. Fernando Pimentel. Gente, eu vou começar a minha apresentação com um resumo dessa pesquisa que a CNI divulgou hoje, junto com a Nexus, para medir a insegurança patrimonial que a indústria brasileira vive atualmente. Como o Dr. Cassio bem comentou, o Dr. Fernando Pimentel esteve conosco neste Grupo de Trabalho que debateu essa pesquisa, debateu o questionário, e teve um grande desafio: precisamos medir, precisamos quantificar, precisamos trazer um número sobre quantas indústrias no Brasil, hoje, sofrem com a insegurança patrimonial. Eu vou apresentar para vocês os dados da insegurança patrimonial. Eu vou mostrar dados sobre a insegurança em relação a crimes cibernéticos; vou falar para vocês sobre a insegurança relacionada ao transporte de carga; vou falar para vocês também sobre a insegurança relacionada à própria instalação física, à própria planta industrial. A gente vai trazer esses números e vai falar sobre essas questões que são inéditas. Nunca houve uma pesquisa no Brasil que trouxesse esses números. A gente vai falar aqui sobre o custo disso para a indústria brasileira e também para o Custo Brasil, o quanto isso é uma medida que agrava o Custo Brasil na nossa produtividade. Então, pessoal, os resultados que eu vou apresentar para vocês estão relacionados a uma pesquisa de opinião que a gente fez com os empresários industriais no Brasil. Eu vou apresentar para vocês, logo de cara, alguns dos principais números e vou montando para vocês depois a narrativa que a gente encontrou com essa pesquisa. Primeiro, quando a gente fala sobre o Custo Brasil e tudo o que envolve o custo de produzir no Brasil, quando a gente perguntou para os empresários e para as empresárias industriais do País, 81%, 8 em cada 10, concordam, então, que a insegurança contribui para o Custo Brasil. Além da questão tributária, além de outras várias questões que contribuem para o Custo Brasil, a segurança ou a insegurança também é um fator que adiciona um custo à nossa produção. Além disso, 45% dos empresários e das empresárias industriais, hoje, no País, dizem que qualquer tipo de custo que se tenha — seja para colocar uma câmera na sua indústria, para, enfim, ter algum tipo de rastreamento da frota ou para ter algum tipo de segurança de dados — acaba encarecendo, de modo geral, os produtos que eles ou elas produzem.
Deputado
O Deputado realiza um breve agradecimento formal durante a sessão parlamentar.
Presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção - ABIT - Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção - ABIT
O Presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção - ABIT - aborda o impacto negativo da insegurança pública e da informalidade no desenvolvimento econômico do Brasil. Destaca que o crescimento do mercado de produtos falsificados e a infiltração do crime organizado na economia formal afetam a atração de investimentos, aumentam custos (como seguros) e prejudicam a competitividade da indústria legal. Defende que o combate a esses problemas exige uma abordagem sistêmica, que envolva inteligência integrada, controle de fronteiras e uma conscientização social contra o consumo de produtos ilícitos.
Deputado
O Deputado cumprimenta o parlamentar Pimentel pela sua intervenção e cede a palavra a Samuel Ribeiro, especialista em estudos de competitividade da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), para dar prosseguimento ao debate.
Especialista em Estudos de Competitividade da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro - Firjan - Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro - Firjan
O Especialista em Estudos de Competitividade da Firjan aborda o impacto da ilegalidade e da criminalidade sobre o setor industrial brasileiro, destacando o prejuízo bilionário e o custo da segurança privada, que supera o investimento em inovação. O especialista enfatiza que, no Rio de Janeiro, a criminalidade atua no controle territorial e na imposição de preços, configurando uma "inflação do crime". Defende uma estratégia em três frentes: produção de dados e evidências, atuação integrada das forças de segurança e modernização do marco legal, visando garantir um ambiente econômico mais seguro para o desenvolvimento nacional e fluminense.
Deputado
O Deputado solicita uma audiência com o Ministro da Justiça para tratar da gravidade do mercado de gás no Rio de Janeiro. Expressa preocupação com o possível recrudescimento de atividades criminosas diante do lançamento do programa Gás do Povo, traçando um paralelo com o monopólio criminoso já existente no mercado de farinha, e pede que o Poder Executivo evite ações que possam incentivar o crime organizado.
Diretor de Operações Integradas e de Inteligência do Ministério da Justiça e Segurança Pública - Ministério da Justiça e Segurança Pública
O Diretor de Operações Integradas e de Inteligência do Ministério da Justiça e Segurança Pública abordou a crescente inserção do crime organizado na economia formal, classificando o fenômeno como uma "canibalização do mercado". O diretor destacou que o crime organizado utiliza práticas como contrabando, descaminho e fraudes volumétricas em setores como combustíveis, fertilizantes e alimentos para financiar suas atividades. Ele detalhou estratégias de enfrentamento adotadas pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP), incluindo a integração entre forças policiais, o compartilhamento de inteligência e o sucesso da "Operação 404" contra a pirataria digital. Além disso, mencionou dados sobre prisões, apreensões de armas e bloqueios de valores financeiros realizados entre 2024 e 2026, enfatizando a necessidade de fortalecer a cooperação com estados e municípios, especialmente no contexto da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública.
Deputado
O Deputado agradece a participação do Sr. José Nery e concede a palavra ao Chefe de Setor de Enfrentamento aos Crimes Transfronteiriços da Polícia Rodoviária Federal, Thiago de Castro Barbosa.
Chefe do Setor de Enfrentamento aos Crimes Transfronteiriços da Polícia Rodoviária Federal - Polícia Rodoviária Federal
O Chefe do Setor de Enfrentamento aos Crimes Transfronteiriços da Polícia Rodoviária Federal apresentou a estrutura da instituição no combate ao crime organizado, destacando a importância da inteligência, da capacitação dos agentes e da integração com órgãos públicos e o setor privado. O orador ressaltou os desafios impostos pelas vastas fronteiras terrestres e pela malha rodoviária brasileira no escoamento de mercadorias, enfatizando a atuação da PRF no enfrentamento a crimes fiscais, contrabando, pirataria, tráfico de drogas e roubo de cargas. Foram apresentados resultados operacionais recentes de apreensões, reforçando o compromisso com a defesa do mercado legal e a proteção da segurança pública.
Deputado
O Deputado defende a especialização de agentes federais e policiais rodoviários no combate à pirataria e sonegação fiscal, propondo cursos de formação. Destaca a grave perda de mercado nacional para produtos falsificados, especialmente no setor de fertilizantes e sementes (soja e milho), devido à falta de normas internas para a retenção de cargas suspeitas durante abordagens. Por fim, solicita uma reunião urgente com o setor para viabilizar diretrizes de patrulhamento que permitam a apreensão e perícia desses produtos.
Gerente de Relações Governamentais da 3M - 3M
O Gerente de Relações Governamentais da 3M defende a importância da segurança do trabalho e o combate à comercialização de equipamentos de proteção individual (EPIs) falsificados. Ele destaca que o mercado ilegal de EPIs coloca em risco a saúde dos trabalhadores, podendo causar doenças respiratórias como a silicose. O representante propõe uma atuação integrada entre o setor privado, plataformas digitais e forças de segurança, mencionando a necessidade de aperfeiçoar marcos legais, como o Projeto de Lei nº 3375/2024, que visa aumentar as penas para crimes de falsificação e comercialização de produtos piratas.
Deputado
O Deputado solicita o envolvimento de entidades de propriedade intelectual e da empresa 3M em cursos de formação voltados ao combate de fraudes e falsificações de equipamentos de proteção individual (EPIs).
Delegado de Polícia, Titular da 1ª Delegacia de Investigações sobre propriedade imaterial - Polícia Civil de São Paulo
O Delegado de Polícia, Titular da 1ª Delegacia de Investigações sobre propriedade imaterial da Polícia Civil de São Paulo, discorre sobre o combate à pirataria, destacando a importância da atuação especializada, da sinergia entre órgãos públicos e entidades privadas, e da necessidade de políticas de repressão contínuas para coibir o mercado ilegal e proteger direitos autorais e a saúde pública.
Deputado
O Deputado agradece a colaboração da Polícia Civil de São Paulo no combate a crimes econômicos e cede a palavra ao Procurador da República, Henrique de Sá Valadão Lopes, para prosseguir com a reunião da comissão responsável por investigações financeiras.
Procurador da República, Coordenador da Comissão de Crimes Econômicos e Investigações Financeiras do Ministério Público Federal - Ministério Público Federal
O Procurador da República, Coordenador da Comissão de Crimes Econômicos e Investigações Financeiras do Ministério Público Federal, aborda o combate ao contrabando e ao descaminho no Brasil. Destaca que grande parte da pirataria é fruto de importações irregulares vindas do Sudeste Asiático, mascaradas como importações legais. O orador critica a falta de presença da Receita Federal na audiência e ressalta a necessidade de fortalecer a fiscalização aduaneira e aumentar o efetivo. Defende a atuação interinstitucional, citando o sucesso dos Comitês Interinstitucionais de Recuperação de Ativos (CIREs) e sugere a criação de um marco legal que confira segurança jurídica à atuação conjunta de órgãos estatais e amplie a aplicação da Lei de Organizações Criminosas para crimes econômicos.
Deputado
O Deputado expressa preocupação com uma possível votação na ANP, prevista para sexta-feira, que visa autorizar a venda fracionada de gás e alterar o fornecimento de bujões. O parlamentar argumenta que, embora a proposta possa ter méritos técnicos, ela não é viável no atual cenário de segurança pública, visto que o crime organizado monopoliza a venda de gás e outros serviços em diversas comunidades do Rio de Janeiro, operando fora de normas técnicas e de fiscalização da Defesa Civil e do Procon. O orador solicita apoio ao Ministério Público Federal para adiar a votação e evitar que essa medida fortaleça ainda mais o crime organizado.
Procurador da República, Coordenador da Comissão de Crimes Econômicos e Investigações Financeiras do Ministério Público Federal - Ministério Público Federal
O Procurador da República, Coordenador da Comissão de Crimes Econômicos e Investigações Financeiras do Ministério Público Federal - Ministério Público Federal, esclarece que o tema em debate tem maior afinidade com a 3ª Câmara de Coordenação e Revisão, responsável pelo direito do consumidor. Ele se compromete a formalizar o relato e oficiar a referida Câmara para que, dentro de suas atribuições, estabeleça contato com a ANP, apresentando manifestações e preocupações institucionais do Ministério Público Federal.
Deputado
O Deputado comunica que oficiará a 3ª Câmara do Ministério Público para auxiliar em um entendimento sobre a condução de um assunto em debate. Agradece a participação dos presentes, solicita contribuições e sugestões adicionais e encerra a reunião, convocando os membros para a próxima audiência pública, agendada para 16 de junho de 2026, às 15 horas.




