COMISSÃO DE DIREITOS HUMANOS, MINORIAS E IGUALDADE RACIAL

10 jun. 2026 16:29 às 17:51

Sobre o Evento

A Comissão de Direitos Humanos realizou audiência pública para debater o combate à intolerância religiosa e ao racismo contra povos de matriz africana. Os parlamentares e lideranças presentes denunciaram a violência crescente contra terreiros e defenderam políticas de proteção cultural e previdenciária para essas comunidades.

Status
Concluído
ID: 82415Total: 25 discursos
#1
Deputada Erika Hilton
Erika Hilton

Deputada

Resumo Inteligente

A Deputada abriu audiência pública para debater o combate ao racismo religioso, o preconceito contra comunidades tradicionais de matriz africana e a preservação de seus espaços sagrados.

0:007:42
10 de jun, 16:28
#2
 Mãe Zana
Mãe Zana

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E, Kassan, é assim que o meu povo, sou do povo iorubano, sauda as pessoas... Dizendo boa tarde. Espero que todos estejam bem, com saúde. Abençam aos meus mais velhos, aos meus mais novos, aos meus iguais. Saudando aqui, em nome da deputada... todos os presentes, em nome de Tata Damasceno, Valmí Damasceno, todos os Tatas, todos os babalorixás também, em nome de Luzi aqui, todas as mulheres negras que ocupam esse espaço e que estão na luta cotidianamente. Eu sou Odessa Doreuá, mais conhecida como Mãezana de Odé, mulher, E a lorixá, mãe... destemida. Eu sempre gosto de dizer isso na minha apresentação: "Não tenho medo, não conheço o que é medo, não sei o que é medo, não quero conhecer". Estou aqui porque eu não tenho medo. Estou aqui porque eu não tenho medo. Agradeço ao Tata, à deputada, ao mandato, por ter me convidado. É sempre importante estar nesses espaços. Sou Yalorixá, do Ilha Xelda Eboa Lama, que foi brutalmente destruído no dia 15 de dezembro de 2022, na cidade de Carapicuíba, pôr intolerância, que eu chamo de racismo, porque para mim tudo é racismo, E... com todas as nossas coisas dentro, e que, inclusive, até hoje... Todos os nossos assentamentos se encontram lá, soterrados, abaixo do asfalto, que corre carro todas as horas, todos os minutos, por cima. como a carta de alforria de meu avô, por exemplo. Luzi conhece essa história, esteve no local, conheceu o local, a deputada também conhece. Acho que o Brasil conhece, porque é um caso de grande repercussão. E eu estou bem feliz de estar aqui para poder estar discutindo... sobre o processo da intolerância e do racismo que assola todos os dias o nosso povo. Obrigada, deputada. O braço é o trabalho. E aí Não, foi três, foi quatro, tem sete ainda. Amo, ótimo. Olha, a senhora não estava aqui na hora que eu estava fazendo os acordos de condução dos trabalhos?

0:002:27
10 de jun, 16:36
#3
Deputada Erika Hilton
Erika Hilton

Deputada

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dizendo que as lideranças teriam 10 minutos os demais representantes convidados teriam sete minutos. E depois, se der tempo, nós vamos tentar abrir para uma lista para algumas pessoas poderem falar pelo tempo de dois minutos, a depender do relógio, como ele se comportar. A senhora usou pouquíssimo tempo, então caso a senhora precise, sinta vontade e desejo de falar, a senhora pode retomar a palavra. E já fique aqui mais uma vez, já tive a oportunidade de dizer isso para a senhora em outras oportunidades, mas quero registrar nas atas da nossa audiência toda a nossa solidariedade, nosso apoio e a nosso repúdio a toda a violência, o ódio, o preconceito, a intolerância, o racismo que a senhora, a sua casa, seus filhos têm sofrido diante desta perseguição que acontece com a sua casa lá em Carapicuíbe. Então estamos juntas, seguiremos na luta defendendo o teu terreiro, defendendo a tua casa, defendendo as tuas prerrogativas e defendendo todas as casas de axé, de luta, de matriz africana do nosso país. para o Tata Valmir. E aí

0:001:08
10 de jun, 16:39
#4
 Pai Walmir Damasceno
Pai Walmir Damasceno

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O microfone soltou. Não, eu prefiro. O que já está aqui. Eu gostaria de... Obrigado. cumprimentar a todas e todos pedir a benção a todas as autoridades tradicionais de matriz africana aqui presente, religiosa. E um comentário especial à deputada Erika Hilton. e dizer da minha alegria de estar aqui neste espaço. Já diz o presidente Lula... Nunca na história desse país. E eu digo nunca na história das religiões de matriz africana. cumprimentando a Mãezana, a Luzi Borges, do Mi, E... eu penso que As religiões de matriz africana, existe um processo de apagamento histórico da presença dessa cultura, dessa tradição, e da sua contribuição na construção do país, na formação da própria sociedade brasileira. o povo africano Deputada Erika Hilton. ele não foi trazido para cá, ele foi sequestrado. houve um sequestro. E esse sequestro com a conivência do Estado brasileiro, que hoje, até hoje, isso ainda persiste, que existe um processo... de apagamento da nossa história. Veja bem. Se não sabemos... Quem somos? O que queremos, para onde vamos. O Estado brasileiro não pode... formular políticas públicas. E... Aproveitando a presença da representante do Ministério... da igualdade racial, que é um ministro tão importante e tão caro para nós, povo preto. Nós precisamos do mapeamento nacional. para que o Estado brasileiro possa saber aonde estamos. O que fazemos? O que fazemos nós sabemos. Qual é a importância de um terreiro? um terreiro é um espaço de ressignificação da vida de acolhimento, de proteção, além de ser um espaço de bênção. tantos saberes e fazeres ancestrais, estão na cabeça no Mutue, no Ori... seja lá qual for o grupo étnico que as pessoas... possa se reconhecer tantos saberes estão na cabeça de tantas mulheres e de tantos homens. os saberes da cura, o saber do manusear as ervas as raízes e tantas coisas boas que esse povo... que tanto faz pelo nosso país... tem contribuído dentro da demonstração da sua grandeza. Então... O Brasil... não pode ser conivente com essa perseguição sistemática aos povos de matriz africana. Os terreiros da Baixada... Fluminense. Eles não podem ser quebrados. Assim como de todas as baixadas deste país. É... Como eu sou um baiano que virei depois de ter soltero politano, virei soltero paulistano, Eu fico pensando... a quantidade e o fogo de terreiros existente na Baixada Santista. São terreiros que construíram as africanidades naquele estado tão racista, aquele Estado governado por uma extrema-direita que a todo momento É... faz campanha contra os povos de matriz africana, assim como fizeram na casa no axé da Mãezana, em Carapicuíba, na Grande São Paulo. Então, o Brasil... Nós, povo de terreiro, já chega de sermos É... de ficarmos na senzala apanhando todos os dias. o e fã. Ele também tem um papel importante... Para os povos de matriz africana, deputado Erika Hilton. porque é um órgão de governo, cuja sua função também é proteger... Esses espaços, esses territórios. Assim como a Fundação Cultural Palmares... e tantos outros órgãos que nós batemos nas portas que às vezes essas portas têm dificuldade de se abrirem. Então, precisamos... mais do que nunca de ações propositivas tanto do governo como da sociedade, num reconhecimento dessa cultura. que tanto contribuiu e contribui com o nosso país, e na formação da nossa sociedade. Aliás, o Brasil, os africanos, têm uma contribuição tão significativa que o brasileiro nos falares africano inserido no português é enaco brasileiro, o brasileiro nem sabe que fala africano. Por exemplo, falamos "muleque quer dizer grito" na língua quimbundo, uma das línguas faladas em Angola, samba na mesma língua que em Mundo, quer dizer sagrado, e que é uma divindade que tem no candomblé congangola, chamada Samba Calunga, Cafuné, caçula... o último. "Muleque" quer dizer grito na mesma língua que imbundo. Então, o Brasil ignora toda essa riqueza, que veio com os africanos sequestrado para cá e que contribuiu com a formação da nossa sociedade brasileira. Então, essa audiência pública, deputada Erika Hilton. ela marca através da senhora... esse trabalho, essa preocupação de mostrar para o Brasil... a grande riqueza que os africanos inseriu na nossa cultura. e no nosso existir e no nosso resistir. Por isso eu vim aqui... Com muita... com o peito cheio de alegria, porque a senhora tem essa coragem no enfrentamento dos canalhas no enfrentamento dos racistas, dos extremistas, pautar essa audiência pública para ouvir aquele povo que sempre viveu... massacrado e até sobre o beneplácio do Estado brasileiro. Muito obrigado. Obrigado. Obrigado. Obrigado.

0:006:48
10 de jun, 16:40
#5
Deputada Erika Hilton
Erika Hilton

Deputada

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And that. Thank you, Tata, for the words, for the contribution, for the struggle that are daily in the defense of African religions, the territory and, automatically, the people of the Negro. of our rights, our dignity in a space that unfortunately, even today, cannot understand the need to exercise the democracy that should extend to all the faith, all the faith, all the faith, all the people, regardless of any condition, because at the end of the day, the Constitution is also written for all of us and also must represent our lives, respected in our human lives. I wanted to remember that the case of the leader of the leader of Babalorissá, Sidney Santos of Xangô, who was arrested, violated, had their own territory invaded during a ritual to be xinged by a father of that church. We've been able to do the decrase, we've been able to do the public, but this is one. Caso que quando o senhor falava me venha memória, mas se nós pararmos, nós poderemos ficar aqui horas e horas e horas e horas, falando não só de líderes e lideranças religiosas que foram agredidos no exercício da sua espiritualidade, mas de terreiros que foram depedrados, agredidos, invadidos, mães e pais de santos que foram agredidos fisicamente, violados. Não é possível que o Brasil consiga conviver com esse tipo de realidade. can make their cults, their celebrations, their rituals, their encounters, and anything in peace. What country is this that is the hatred, the violence, the barbarian in the faith, the spirituality or the religion, who is it, trying to put one on the other? pastors, etc. They already have access to this benefit by the fact of exercising the religious leadership. Pais and mons of saints not having this assegurated, and the leaders of religious religious, of a general, not having this assegurated, is not a coincidence. It's a representation, a ramification of racism. not only our commitment as a person, as a man, as a daughter, as a daughter, in bringing this demand and this pauta to the inside of the Câmara, but our commitment to human, social, political, to understand that that this pauta is a pauta that needs to circulate, that needs to move, to that we can face the inequalities, the social injustices, the preconceived, the racism, in their most varied dimensions. To ensure that the populations of African countries can make their cults, exercise their faith, their spiritual life in peace. of the dignity, of the right and the faith in the African religion. So when the senhor said that came to this sad memory, But this is not a exception, this has been a rule. And we can't allow, tolerating, accept, naturalizing that this type of violence against any religion, is that who are suffering are the religions of African tribes, but that any religion passes by this. And, already, taking this gancho of violence, of political and enfrentments that the public and the sphere should do, I want to pass the word now to the representative of the Ministry of the Racial, Luzineide Miranda Bortes. Be very welcome. Thank you, Ms. President. Good afternoon to all the people here present.

0:005:02
10 de jun, 16:47
#6
MISTÉRIO DA IGUALDADE RACIAL Luzineide Miranda Borges
Luzineide Miranda Borges

MISTÉRIO DA IGUALDADE RACIAL

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Saudações ancestrais a todas as pessoas. E aí sobretudo as pessoas que representam hoje aqui nessa audiência as comunidades... de terreiro e comunidade de matriz africana. Gostaria de cumprimentar a presidenta dessa comissão, a Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial, a partir da... da nossa deputada Erika Hilton, que pede essa... esse requerimento, pede essa audiência e que ela é muito bem-vinda, nosso maior desafio, deputada. E aí aqui eu falo, apesar de estar representando o Ministério da Igualdade Racial, eu também falo enquanto mulher de terreiro, mulher negra de terreiro, e que vivo o cotidiano e o quanto é difícil a gente circular pela sociedade brasileira enquanto uma pessoa tradicional. e essa audiência proporcida Para nós, sobretudo, já saudando o nosso queridíssimo Tata Damasceno e a nossa querida Mãezana, que estão aqui representando esse público. de quanto para a gente é difícil falar sobre nós nessa casa, e falar sobre nós com respeito que o nosso povo tem, por ser os primeiros a chegar nesse território. numa condição de não... de translado mesmo, de sequestro humano. que a população negra... viveu e vive até hoje. Hoje a gente vive o sequestro do não direito à política de igualdade racial, a política nacional para povos e comunidades tradicionais de terreiro e comunidade de matriz africana. É o legado que o presidente Lula deixa dessa gestão. É uma política gestada dentro do Ministério durante esses... dois anos, primeiros dois anos de governo federal, enquanto o primeiro Ministério de Igualdade Racial. Para nós, o Ministério da Igualdade Racial também teve esse desafio que foi dizer para, sobretudo, a esplanada aos 33 ministérios, que não é intolerância religiosa, e sim racismo religioso, como o Manzana trouxe na sua fala, a senhora também traz na sua fala, assim como nosso querido pai Tata Damasceno, E que, no escopo dessa qualificação do que é o racismo religioso, considerando que ele é de origem, né, a origem das práticas culturais e religiosas é do continente africano, historicamente, outros grupos culturais, religiosos, tira de nós o direito de permanecer as nossas origens, as nossas raízes. Então, o decreto, ele teve essa possibilidade comunicacional orçamentária, sobretudo. para povos e comunidades tradicionais de matriz africana e povos de terreiro, que também é uma entrega desse ministério, deste governo, dessa gestão. A gente precisa falar disso. também, de dizer que tem um Ministério de Igualdade Racial e dentro desse Ministério tem uma diretoria que não é alegoria, é uma diretoria que tem um orçamento, apesar de ser o menor orçamento. da esplanada, a gente conta hoje com um mínimo do orçamento, inclusive do próprio Ministério da Guardade Racial. E aí a gente teve um desafio muito grande, enquanto ministério, que foi segurar e deixar que a política fosse a última a ser entregue. A gente entrega a política ali no... Ali tem ali a nossa queridíssima, que era assessora de jurídica, que ficou com a gente ali até o último momento para elaborar todo o relatório, entregar a Casa Civil e, no dia 29 de novembro, a gente torna inédito a política nacional. para o nosso segmento a partir do Decreto 12.278. O que é que isso significa para nós? Isso significa uma comunicação institucional, isso significa orçamento. Não dá para falar em combate ao racismo religioso sem orçamento. Então, a gente sai de um orçamento de R$ 2,5 milhões em 2023 para um orçamento de R$ 115 milhões em 2025 e 2026. Isso sai de uma responsabilidade de um único ministério, para 11 ministérios. Para mim, enquanto gestora, enquanto pessoa de terreiro, ainda é muito pouco. Mas a gente consegue dialogar a partir desse lugar. Para nós ainda é desafiante, Tata Damasceno, a questão de sabermos quanto nós somos nacionalmente. E aí, como entrega de 2026, a gente está em diálogo, junto com a Universidade Estadual de Santa Cruz, o mapeamento nacional, o desenvolvimento de uma plataforma de integração nacional de dados, para saber qual é a nossa população nacional, onde é que esses dados estão, para qualificar os dados para além do dado de religiosidade, que o IBGE faz a coleta, o dado de povos e comunidades tradicionais, porque nós também somos amparados e amparadas pelo decreto 6040 de 2007. Nós lançamos esse ano a Estratégia Mãe Bernadette, que é um lugar, um dispositivo que nós construímos de diálogo com as defensorias públicas, com secretarias municipais, sobretudo, estaduais de desenvolvimento social e familiar, MDA e demais secretarias, garantido para a população de terreiro. Essa estratégia, Mãe Bernadette, hoje está presente em três estados, que são estados também estratégicos, e está fazendo um diálogo com a Casa da Igualdade Racial, que o MI também prevê fazer uma entrega até o final desse ano de oito casas de igualdade racial. Alguns dispositivos foram importantes da gente garantir no combate ao racismo religioso, que foi pensar e trazer no escopo da política da igualdade racial, dinheiro diretamente nos terreiros. Então, nós fizemos várias ações de fomento direto para os terreiros. E o primeiro foi o edital Mães Gilda de Ogum, em 2024, em que 30 terreiros foram contemplados na linha de cultura, economia criativa e agroecologia. Nós fizemos um edital chamado Sabores e Saberes de Terreiro, com kit de cozinhas. 55 Terreiro também foi contemplado, com valorização da cozinha tradicional. A gente está pedindo ao IFAM a certificação dessa cozinha tradicional, porque a gente também está vivendo um processo de desapropriação desse lugar, a partir do que as Baianas de Acarajé vêm denunciando. Então, o reconhecimento das comidas tradicionais de Terreiro está no escopo das nossas ações. de maio, o edital Maestria de Terreiro. O edital Maestria de Terreiro vem garantindo que é muito caro para o nosso público, é o direito ao envelhecimento e o direito de não sofrer a partir do não acesso a direitos econômicos. O convite para se retirar enquanto pessoas de terreiro, e a gente vê cada vez mais essa retirada. Nós também temos ações, eu não sei se eu tenho... Não, mas agora, foi tão... A infância de terreiro também está no escopo das nossas ações. Nós temos parceria com a Unicef, inclusive a gente trouxe material aqui para te entregar. É importante que a gente apoie as nossas crianças, que elas permaneçam no território e que não sofram assédio religioso, nem na escola, nem na escola. nem na saúde, nem nas delegacias, quando forem fazer as denúncias. Nós temos projetos voltados para o clima, agroecologia, horta sagrada, prêmio de afro-literatura, a partir do edital Heredendê, que tem essa prerrogativa de fazer um diálogo com a educação brasileira, festival de musicalidade de terreiro, que está previsto para acontecer agora, em julho, reunindo orgães do Brasil inteiro para pensar no processo terreiro, reconhecendo os terreiros como berço civilizatório da musicalidade afro-brasileira. E nós temos também um dispositivo que tem feito a gente reconhecer, sobretudo, os terreiros mais antigos, que é o título de promotor da igualdade racial, um título criado também no âmbito da direitoria. Para pensarmos o orçamento de 2027 a 2031, nós A gente sofreu muito com o PPA de 2000, na elaboração do PPA de 2023. Então, nós temos várias parcerias com universidades, com IPEA, com BGE, com Inesp, com universidade, para a produção de dados. A gente precisa qualificar os nossos dados. Também estamos atuando com economia criativa e, esse ano, a gente vai trabalhar com kit de costura. A gente tem recebido denúncias de que as roupas de restilhier, que é o nosso lugar estético, estética antirracista, de tradição afro-brasileira de terreiro. A retirada das mulheres de terreiro desse lugar por falta de investimento econômico. Então, a gente tem uma parceria construída para que elas recebam kit de costura e também façamos um curso de... costura de estética de terreiro, e estamos também incidindo sobre roteiros culturais e turísticos sobre terreiro, pensando nas várias culturas e várias nações presentes nesses terreiros. E a adesão da política de terreiro, que tem sido o nosso dispositivo de diálogo municipal e estadual, para que estados e municípios olhem para o Ministério da Igualdade Racial e para as ações desenvolvidas, e possa municipalizar e estadualizar essas ações e coloque os povos de terreiro como prioritário ou destaque dentro do orçamento. Então, são algumas ações que a gente vem desenvolvendo aí no combate ao racismo religioso. É importante dizer que no nosso eixo 2 da política tem lá o combate ao racismo religioso, mas nós entendemos que o combate perpassa por reconhecimento institucional ecológico. e financeiro. Acho que é isso. Muito obrigada. Obrigada. Obrigada. A senhora quer retomar o seu tempo, mas, Ana, por favor...

0:009:40
10 de jun, 16:52
#7
Deputada Erika Hilton
Erika Hilton

Deputada

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Antes de passar para o próximo convidado, vou devolver a palavra... a senhora que tem um tempo de seis minutos. Perfeito.

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10 de jun, 17:01
#8
 Mãe Zana
Mãe Zana

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Bom, não começou a contar lá, começou agora. É, vou aproveitar. Mas é muito pontual o que eu vou dizer, E aí, deputada, sabe por que gastei três minutos? Porque eu estou cansada de repetir a mesma história. E eu fiz uma jura que eu não ia mais repetir a mesma desgraça. O choro, a lágrima, sabe? O sofrimento. Luzi, eu fico muito feliz. Eu acompanhei Luiza Bairros. Eu sou dessa época, eu tenho 30 e poucos anos de militância, tenho 50 de idade. né Então, acompanhei a construção das políticas públicas, que dão origem hoje à possibilidade de acontecer esses encaminhamentos que você nos trouxe agora. Mas eu queria chamar a atenção da deputada, que é uma guerreira destemida como eu, e de todos os meus que estão aqui. Nós precisamos entender... Que a igreja tenha o reconhecimento do seu território de atuação. A Igreja Católica, a Igreja Evangélica, o Parlamento, a Prefeitura, a UBS, a escola... Sabem? O parquinho da esquina tem titularidade. O terreiro... Por que atacam a nossa identidade? Porque a única coisa que a gente tem... Nós ainda estamos no viés, no limite de coisas. esqueçam! Por favor. é impossível. Eu acabei de vir, quase me atraso aqui, porque eu vim de uma reunião com o INCRA, onde eu disse ao INCRA o seguinte... ao Departamento de Titulação de Terra, Eu sou remanescente de Curilombo, mas eu me autodeclaro como Ialorixá, Eu autodeclaro ali, nós autodeclaramos... o nosso terreiro como unidade territorial tradicional. É necessário que o INCRA reconheça as nossas unidades. É necessário que a presidência da República entenda o que significa o Decreto 6040. O decreto diz claramente... Reconheça. É isso que o decreto pede. É isso que a 169 também diz. Reconheça. Não adianta Onde que nós vamos aplicar todas essas benfeitorias? Se a gente sequer tem o direito... da permanência. A gente não tem esse direito. Eu estou em exílio. Estou em exílio. Todo dia eu estou num lugar Escapando, correndo, fugindo. da morte. Acho que... Acho que valeria mais, Ana, porque tem muita gente que acompanha

0:003:01
10 de jun, 17:01
#9
Deputada Erika Hilton
Erika Hilton

Deputada

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Gente, pelo YouTube, pela TV Câmara, isso vai ficar registrado, né, pra que as outras pessoas possam assistir depois, estará uma ata da nossa audiência pública. Eu acho que seria importante que a senhora contasse de maneira muito breve o que aconteceu com o seu terreiro, o que aconteceu com a senhora, pra que quem não sabe, saiba, e pra que quem sabe, esteja registrado, esteja demarcado nesta audiência, qual é a realidade que a senhora vai enfrentando hoje. Sim. A realidade que o Ileaxé Odéi Bolamon enfrenta hoje...

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10 de jun, 17:04
#10
 Mãe Zana
Mãe Zana

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She and that unfortunately is the portrait of the Brazil is the negligence in relation to the existence of these people. My existence, the existence of my children in our community, in Carapicuíba, for example, a machine several machines were over the hill. with all your own belong within. My identity, my birth, my birth, The first card that my son brought to school, The first tabaq ... that was already my grandfather, and who had 90 years old. A carta de euforia do meu avô. All this today gave place a that the city of Carapicuíba with the hug of Tarcísio. The Feidro and other investments also resources of PAC, the Plan of Acceleration and Increasing that contributed to reach this tragedy in Carapicuíba. "No houve luz." what the law says, the Decreto 6040, which was so citable here, A consulta livre, breve, informada. Ninguém me perguntou Who I was? Nobody asked any member of the community which is a community of 500 people of 400 houses 500 families and 400 houses. because the other house was the Ilê. And they wanted to take away the way people there were people there and people would say: "We'll stay and we'll stay, we'll stay and we'll stay." So the government understood that they had to take the Ilê from there. that the resistance, that the force, It was the terreiro. And, in fact, it was. So, they were able to demolished the terreiro, in a criminal, arbitrarily, mentirous, taking photos from the outside, putting the excavator on the base of the terreiro, he rachou, obviously, E Finally, is was solicited a liminar for immediate demolition. The police even entered my house. My son said: "I'm not a fool! Why are you invaded my house? And the police said: "You can retire, because this place is not yours." My son cannot back to Carapicuíba. It's four years. because his football team She was there, in Várzea. His clothes He was there, but he didn't go there. No document he has. Now that made the URG with much cost. I almost had to go to justice. to get rid of the RG, and I also, because I didn't have Yes. Our history is there. So, it's important that you know this story. Search it on social media, access it @frenteleodet, which has this story, it's our Frente National of Lutas. And now we are looking for, deputada, recognition for that place. because it was recognized as an archaeological site but the government came to come to the security, asking for the registration, We've been able to destroy recently, and they're entering again. It's an absurd! A judge gave a liminar permit that was the desacredited site archaeological site. saying that the IPHAN, by the way, had no capacity to try this issue of Negro patrim. because they don't understand what's our patrimony. If we are things, We don't have a history, we don't have a memory, And it's about this, deputada, that I ask for more once... that we and I'm a nurse. that, once again, understand that if we don't have a place A place where we can't find I don't have anything else. Our history ends. They took us from Africa, making us forget who we were. throwing us in any place here, and saying: "This place doesn't belong to you, it's the big house." until today I'm doing the same thing. We don't have a place. It's necessary that the autarquies, the governments, the parliamentarians understand that the defense of territories of African matricity, because they are traditional territories, It's necessary. It's not about religion. It's about who we are. We are a people who have Formas de Viver and that contributed a lot to this Brazil. Thank you. .

0:005:35
10 de jun, 17:05
#11
Deputada Erika Hilton
Erika Hilton

Deputada

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Uma mulher muito inspiradora. muito forte, muito guerreira, e é uma honra para mim poder caminhar ao seu lado, poder me somar de uma maneira muito pequena nessa luta que a senhora vem travando ao longo de todo esse tempo. Senhora que sempre foi muito acolhedora, que nos procurou de uma maneira e tem sido muito importante, muito honroso poder segurar na sua mão em alguma medida e dizer, a senhora não está sozinha, a senhora não caminhará sozinha, a senhora não ficará sozinha. que a gente trava, é uma luta com poderosos e nós somos uma areia no meio de um mar de gente odiosa, racista, transfóbica, misógina e nojenta, mas nós vamos caminhar lado a lado pela reparação, por justiça, pelo reconhecimento. os meus pertences, eu acho que isso é muito sintomático da violência estrutural e estruturante que nós estamos falando aqui. Com toda certeza do mundo, como 2 mais 2 são 4, que se isso fosse em qualquer outro espaço, não teria sido feito com essa covardia, com essa brutalidade, com esse ódio impregnado de racismo e ódio à população negra. Então, pedir para que a senhora compartilhasse, para que ficasse registrado, essa não se repita, para que terreiros, identidades, memórias, relíquias, sagradas ou pessoais, não sejam tratadas como lixo, não sejam tratadas como se não fossem nada. E esta casa tem um dever de olhar para essa demanda que a senhora traz, de olhar para o que aconteceu com a senhora, e se colocar ao lado da senhora pela preservação da memória, do espaço, e pela reparação, porque a senhora precisa de reparação. é doloroso, mas que a senhora conte conosco, que a senhora conte com as pessoas. que enxergam a brutalidade e a violência disso que aconteceu com a senhora. Estamos juntas. Dando continuidade, quero passar a palavra, então, ao representante do Ministério de Direitos Humanos, o senhor Luiz Alberto Ferreira Dias, que é coordenador-geral da Promoção de Liberdade Religiosa do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, e que fará sua participação de maneira remota. Boa tarde.

0:002:34
10 de jun, 17:10
#12
 Luiz Alberto Ferreira Diaz
Luiz Alberto Ferreira Diaz

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Todos e todas, a todas... Acredito que estejam me escutando. Sim, estamos ouvindo. Queria saudar a requerente dessa audiência, a deputada Erika Hilton. Agradecer o convite... a oportunidade de estar aqui com todos e todas. criei nome... de Tata Valmir, e em nome da Yasana, Saudar todas as lideranças de Matriz Africana aqui presentes nessa audiência. também saudar a presença do Ministério da Igualdade Racial... na presença da diretora Luzi Borges. uma grande colega de trabalho, de luta, uma mulher negra comprometida, uma luta... e também dos povos de matriz africana no Brasil. Queria dizer que é uma grande honra representar o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania nessa audiência pública. que está destinada a debater a integridade religiosa, contra os povos e comunidades tradicionais de matrizes africanas, e de terreiros. Queria também, esqueci de fazer minha autodescrição, fazer rapidamente aqui, sou um homem negro. Estou sentado, mas estou alto, tenho 1,78m de altura. Estou usando aqui... o microfone é o licorado, né? de óculos e uma camisa preta com uma estampa vermelha e rosa. Então... No âmbito do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, Essa agenda é conduzida pela Coordenação Geral de Promoção da Liberdade Religiosa, que é a unidade responsável por formular, articular, monitorar, e apoiar políticas públicas, voltadas à promoção da liberdade religiosa hoje no Brasil. também ao enfrentamento da intolerância e do racismo religioso, e da defesa da laicidade do Estado, e também da importância de fortalecer o diálogo interreligioso hoje, nesse momento de muita... Tinha muita polarização. Quando falamos de liberdade religiosa, no âmbito do Ministério dos Direitos Humanos da Cidadania, não estamos tratando apenas... da garantia abstrata do direito à crença ou ao culto. Estamos falando aqui da proteção concreta de pessoas... de territórios, saberes ancestrais, de formas de vida que ao longo da história brasileira tiveram seus símbolos criminalizados. suas práticas perseguidas, seus espaços violados e suas comunidades submetidas a diferentes formas de exclusão de violência. Conforme aqui o relato da Mãezana que trouxe, Infelizmente, esse fato ocorrido... e que expressa exatamente o que acontece hoje em todo o Brasil. as diferentes formas de violência que o povo de Terredo tem enfrentado com a sociedade brasileira, mas também por parte do próprio poder institucional, não é? Ou seja... do executivo, do legislativo, e de outras instituições. Sim. É... É um direito, hoje, do povo de terreiro que está fundamentado na Constituição Federal. também no próprio Estatuto da Igualdade Racial, a gente tem trazido sempre a importância desses dispositivos, né? A Lei 7.716, né? criminalizam o racismo hoje no Brasil, da Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais, trazido pela nossa... diretor da Luz, hoje uma política muito importante que está sendo implementada no Brasil. é que... que estabelece políticas públicas a partir do Estado brasileiro, Reconhecer o racismo religioso hoje significa compreender a violência direcionada aos povos de terreiros, e que a nossa forma de pensar não decorre apenas da existência, De... por ser de diferentes questões religiosas, por ser... uma questão de diferença religiosa. Está profundamente relacionado ao racismo estrutural, que historicamente atingiu populações negras e suas expressões culturais, espirituais e comunitárias. E Tem alguns dados que trouxemos aqui para apresentar para essa audiência, que queremos trazer rapidamente, até em virtude do tempo. Mas é importante dizer... que entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026 O disco Direitos Humanos, que hoje... estarem junto ao Ministério dos Direitos Humanos, né? o DISC-100 registrou 2.774 denúncias relacionadas à intolerância religiosa. E quando a gente observa esses registros de forma mais detalhada, A gente verifica que as religiões de batismo africana figuram entre aquelas tradições mais atingidas. Estamos diante de um padrão de violência que possui recorte racial, possui recorte cultural e religioso. e que exige uma resposta institucional cada vez mais qualificada. Nesse contexto, o Ministério dos Direitos Humanos desenvolveu também uma pesquisa... Aqui a pesquisa... Respeite o meu terreiro. que foi uma parceria entre o Ministério dos Direitos Humanos, A Unirio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, juntamente com a RENAFRO, a Rede Nacional de Remigión de Arco Brasileira e Saúde. que é uma pesquisa que ouviu 255 terreiros em todas as regiões do país. e trouxe resultados que a gente tem dito que não podem ser ignorados. Essa pesquisa apontou, por exemplo, que 66% dos terreiros participantes, relatados já ter sofrido algum tipo de racismo religioso. 80% afirmaram que membros de suas comunidades foram vítimas diretas dessas violências. E 93% dos terreiros com mais de 100 frequentadores relatado já ter vivenciado situações de racismo religioso. Esses dados demonstram, então, que... Não estamos diante de episódios isolados, né? E ele é uma realidade estrutural, racismo religioso, que se manifesta por meio de discriminações, de agressões verbais, de ameaças, interrupções de rituais, depredações... e diversas formas de exclusão social, inclusive, de racismo institucional religioso. Então Obrigado. Estamos diante, então, de uma... de um sistema de violação de direitos humanos que impacta a liberdade religiosa hoje no Brasil. Sim. a dignidade humana, a memória ancestral, a identidade cultural e o direito de existência dessas comunidades. É justamente a partir desse diagnóstico também que o Ministério vai realizar, trazer aqui para convidar todos e todas. No dia 29 e 30 de junho, vamos fazer o seminário Obrigado. racismo religioso na perspectiva da violação de direitos humanos, né? que é uma iniciativa de construção, construída para aprofundar o debate e para fortalecer a articulação entre Estado e sociedade civil nessa perspectiva da violação de direitos humanos, né? Vamos pensar a partir de um painel, que vai trazer os dados e aprofundar os dados do Disque 100, e também da pesquisa a respeito do meu terreiro. Também teremos um segundo painel ali, sobre o racismo religioso na perspectiva... da violação de direitos humanos e dos princípios constitucionais, dos direitos fundamentais, Eu não sei se meu tempo, eu estou aqui meio que observando, mas eu não sei como é que está o meu tempo. Ah... Também vamos pensar em um terceiro painel para discutir a relação entre religião e democracia, e laicidade. do Estado brasileiro, estamos aí diante de uma tentativa da imposição de um Estado teocrático. Só para responder sobre o seu tempo, Luiz, ele já se esgotou. Então vou concluindo aqui já que está bom. Bem rapidinho. Então, assim, nós estamos preocupados aqui, para nós ir finalizando, com a produção de dados, também aperfeiçoar conceitos, fortalecer instituições. E responsabilizar também violadores, ampliar mecanismos de proteção e construir políticas públicas capazes de responder às demandas apresentadas pelos próprios povos e comunidades tradicionais. Então, o Ministério tem investido em ações de educação, em direitos humanos e formação de agentes públicos. Tem uma parceria importante com o Instituto Federal Goiano, onde temos desenvolvido alguns cursos voltados à promoção da diversidade religiosa. Também junto ao ENAP, realizamos o curso de enfrentamento ao racismo religioso. Seguimos ainda atuando de forma articulada com a Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos, com os órgãos desse sistema de justiça, com outros ministérios, e com a própria organização da sociedade civil. Gostaríamos de reforçar, ainda para finalizar, a importância de destacar... a necessidade da denúncia, registrar o Disque 100, ligar para o Disque 100, contribui muito para dar visibilidade a uma realidade que durante muito tempo permaneceu silenciado, Sim. E finalizo reafirmando que o enfrentamento ao racismo religioso é uma agenda de direitos humanos. de democracia e de justiça social, né? E defender os povos e comunidades tradicionais de matriz africana e de terreiros significa também defender a diversidade cultural, a ancestralidade e a igualdade racial. Então, desejo que essa audiência pública aqui contribua muito para fortalecer o diálogo entre o Estado e a sociedade, e que possamos avançar na construção de políticas capazes de garantir que nenhum brasileiro ou brasileira seja discriminado em razão da sua fé da sua ancestralidade ou da sua identidade cultural. Então, agradeço, muito obrigado pela oportunidade. Obrigada, Luiz. E o Ministério dos Direitos Humanos reafirma o seu compromisso com essa luta. Obrigado, Luísa.

0:0010:46
10 de jun, 17:13
#13
Deputada Erika Hilton
Erika Hilton

Deputada

Transcrição por IA

pela sua participação em nome do nosso Ministério de Direitos Humanos, do Enfrentamento à Violência. Não há deputados inscritos para falarem, não tem ninguém de maneira online. Podemos ir direto à nossa lista de pessoas que estão aqui presentes inscritas. Nós temos seis pessoas inscritas. Acho que vai ser possível que todas consigam fazer o uso da palavra. O relógio está correndo, eu tenho uma outra agenda às 18 horas. Então, a gente precisa correr. para que cada uma das pessoas que estão inscritas possam falar. A primeira pessoa é Andréa Coutinho Loubeck, jornalista e diretora executiva do Centro Brasileiro de Justiça Climática. Tchau. Boa tarde a todas as pessoas presentes.

0:000:47
10 de jun, 17:24
#14
JORNALISTA Andrea Coutinho
Andrea Coutinho

JORNALISTA

Transcrição por IA

Boa tarde, presidente da comissão, deputada Erika Hilton. Queria saudar a mesa, queria saudar as pessoas que estão aqui hoje. Meu nome é Andréia Coutinho, sou diretora do Centro Brasileiro de Justiça Climática, que é uma organização da sociedade civil que disputa a agenda de justiça climática para a população negra. E a minha contribuição é muito no campo do enfrentamento ao racismo religioso como parte da luta por justiça climática. preservar a casa comum, abraçar a cultura da oralidade dos povos de terreiro, é enfrentar também o racismo ambiental e a justiça climática. E aí eu queria fazer coro com a fala da senhora Luzinete, que disse que a política nacional para povos e comunidades tradicionais de terreiro e matriz africana é uma questão de comunicação institucional e orçamento. Eu sou jornalista de formação, então eu entendo que o imaginário, a representação, populações de terreiro no Brasil ainda precisam de uma outra representação, de um outro imagético. Então, eu queria colocar o Centro Brasileiro de Justiça Climática à disposição para que a gente trabalhe não só com a mídia hegemônica, mas também alternativas sobre outras histórias, outras narrativas de representação de histórias vividas para além das denúncias e para além também de casos de intolerância. Também queria colocar a gente à disposição, porque a gente tem um eixo de pesquisa, e dado esse acompanhamento que será feito, que a gente conseguisse também mapear por vulnerabilidade climática. Então, se no mapeamento não contemplar quais são os terreiros ameaçados pela crise climática, pelas vulnerabilidades de infraestrutura, a gente também continua mantendo eles numa zona de risco, que a gente chama de zona de ameaça e risco aqui. E aí eu queria também finalizar dizendo que a gente lançou recentemente um guia para populações quilombolas, uma das transições aqui da fala. Por reparação, por justiça, por reconhecimento, por memória, não existe justiça climática sem enfrentamento ao racismo religioso e combater é parte da luta por um Brasil mais justo, menos desigual. Obrigada. Obrigada.

0:002:20
10 de jun, 17:25
#15
Deputada Erika Hilton
Erika Hilton

Deputada

Transcrição por IA

Obrigada, Andréia, pela sua presença e participação. Não tinha te reconhecido. Aí sentadinha, cabisbaixo, estudando, anotando tudo. Muito importante unir esses temas para a preservação de tudo isso que você concluiu a sua fala dizendo. E obrigada por ser tão respeitosa com o nosso tempo. Foi muito maravilhoso. Passo, então, agora a palavra para Pai Olímpio Borges, dirigente da Casa Espiritualizada Paz Divina. Boa tarde. É o botão da frente. Obrigado. Boa tarde, boa tarde a todos.

0:000:33
10 de jun, 17:27
#16
CASA ESPIRITUALISTA PAZ DIVINA Pai Olimpio
Pai Olimpio

CASA ESPIRITUALISTA PAZ DIVINA

Transcrição por IA

Outros? Meu nome é Olímpio, né? É uma gratidão, tenho... Grande gratidão de estar aqui com todos vocês. Peço a bênção aos mais velhos e aos mais novos. Enfim, me chamo Pai Olímpio, sou de uma casa espiritualista aqui do Distrito Federal. As casas espiritualistas, universalistas, são uma realidade cada vez maior aqui no Distrito Federal e eu creio que em todo o Brasil também. Nossos espaços... Eles não conversam só com a Umbanda. nós somos de umbanda, mas também somos de candomblé, somos de babassuê, somos de tambor de mina, somos das medicinas da floresta, sobretudo da ayahuasca, somos até um pouco xamanistas, digamos assim. Nesse contexto, eu diria que nós estamos em um limbo de pertencimento. Essas reuniões, quando acontecem, são muito pautadas ou na Umbanda ou no Candomblé. Às vezes se fala até um pouco de... Obrigado. de Tchau. catimbó, mas assim são coisas assim muito setorizadas. e nós existimos, nós pertencemos, precisamos de pertencimento também. Então esse é o espaço que eu quero aproveitar para dizer que nós existimos, nós também somos de matriz africana, também. para o olhar do outro, para o olhar do... do cristão de um modo geral Todos nós aqui somos o macumbeiro... do maligno Então, nesse sentido, nós todos estamos unidos. E eu venho para falar desse lugar que eu pertenço. Nós também pensamos como pessoas de matriz africana, como pessoas de Umbanda, como de Candomblé, nós também nos vemos, nos enxergamos dentro... de uma minoria que sofre o preconceito Então... Por isso que eu venho até esse plenário expor a nossa realidade, dizer que nós também... É... Obrigado. Nos colocamos à disposição para toda a luta anti-racismo, anti-discriminação, né? Então, essa é a minha fala, dizer que... Estamos aqui dispostos a dialogar com o espaço acadêmico, com o espaço parlamentar com o espaço das políticas públicas com o espaço dos... do Ministério, o Ministério da Igualdade Racial, com as secretarias... Esperamos só sermos convidados. É isso. Muito obrigada.

0:002:39
10 de jun, 17:27
#17
Deputada Erika Hilton
Erika Hilton

Deputada

Transcrição por IA

Obrigado a Paiolimpo por suas contribuições. Passo então a palavra agora a Pai Anísio de Oxóssi, presidente da Federação... o irapuru O que... O Irapuro. Com a palavra o senhor. Aqui. Aqui. Bom...

0:000:16
10 de jun, 17:30
#18
FEDERAÇÃO UIRAPURU Pai Anisio de Oxossi
Pai Anisio de Oxossi

FEDERAÇÃO UIRAPURU

Transcrição por IA

Bye. Good afternoon everyone. I want to thank this great meeting. Thank you to traditional people, to the older people, to the older people. I act as president of the Federated Sangrapuru, a institution that was born in the Federal District of the Federal of the year 2025. in the beginning of the year of 2026. after my home, I had to pass through some of the intolerance processes. I could visualize myself in a situation that I still didn't have a sense. Okay. And after this process I and I manifested it on social media, I saw the number of territories and institutions that still passed by. And I was able to start a process, talking with other leaders. We made this federation When we talk about religious intolerance, Eh... It's very good to know that we are the one that represents the biggest resistance in the human being. We have faced 388 years of slavery, we have 138 years I see a society put and not recognize what we've been doing. And we represent this resistance, whether in Umbanda, in Candomblé, in the tambour of Mina, everything that came from ancestrality, we represent, this resistance today. In the middle of the 21st century, we still talk about persecution, about humiliation, about pain, of knowing what our ancestors passed and what we are facing until today. We here in Brasília There is a lot this question. My federation, our federation, has a very focused work, not only in Brazil, but also around the environment. because we still have a very velado way. We always have to be thrown for marginalization. and we don't talk about marginalization as something pejorativo but in marginalization as margins. We are always being thrown into the mato, to the streets, to the streets, to the streets, but never in the city. We always put them as the forgotten or the one who has to be eliminated. But we've been united forces and I'm sure that For the next year, we will We can demonstrate more capacity, more unity. And the goal of the institution was this: to unite, to unite, to unite and to fight. We still have resistance, and we will continue to resist. And no matter who wants to take a stone, We'll be back to the fire, because this will not happen anymore. nice Thank you.

0:003:02
10 de jun, 17:30
#19
Deputada Erika Hilton
Erika Hilton

Deputada

Transcrição por IA

...por suas contribuições, por suas palavras, pela força dessa juventude que insiste em seguir lutando. Eu passo a palavra então agora à Kito Chiesi, Juventude da Rede de Povos e Comunidades Tradicionais do Brasil. onde está eu cadê aqui escutam bem minha voz é meio baixa

0:000:23
10 de jun, 17:33
#20
COMUNIDADES TRADICIONAIS DO BRASIL Kito Kiese
Kito Kiese

COMUNIDADES TRADICIONAIS DO BRASIL

Transcrição por IA

Boa tarde, peço bênçãos a todos, aos meus mais velhos, aos meus mais novos, aos meus iguais. Salve a deputada, Erika Hilton, a mesa como um todo. Me chamo Kito Chiesa, falo enquanto jovem, não binário, de terreiro, serratense, de origem quilombola. comunicadora popular internacionalista, e também enquanto um dos representantes da juventude de pobres e comunidades tradicionais, a rede PCTs. O relato da Mãezana e outros muitos mostram que não somos apenas comunidades religiosas, somos um povo por inteiro. Somos um dos 28 segmentos de PCTs existentes no Brasil, ao lado de ciganos, bezendeiras, pescadores artesanais, caissaras, retireiros da Araguaia, e tantos outros que compartilham os mesmos desafios para existir e permanecer. é a luta pelo território, pelo maritório e pelo clima equilibrado. Por trás de muitas das violências que enfrentamos, invasão, racismo religioso, racismo ambiental, especulação imobiliária, falta de infraestrutura, existe uma disputa histórica por território. E quando o calor se torna insuportável, quando a falta de água, quando falta de dignidade de vida, quando a conta da feitura não fecha, a conta da obrigação não fecha, as festas não fecham, estamos tratando de nós, os primeiros afetados pelos males das mudanças climáticas. E, portanto, eu faço um chamado para fortalecer a pressão pela assinatura do decreto de regularização fundiária dos povos e comunidades tradicionais. E na rede PCT temos construído um instrumento de concretos como a plataforma de territórios tradicionais, que é um processo de auto-planpeamento e auto-reconhecimento validado junto ao Ministério Público Federal, que já vem servido como uma ferramenta de defesa territorial por todo o Brasil. é nosso espaço de uso comum tradicional. Convido as lideranças para se cadastrar os terreiros em reunião com a rede PCT do MPF no dia IBGE, no dia 8 de julho. E, por fim, eu quero destacar que a agenda climática internacional também precisa ser uma agenda dos povos de terreiro. O movimento indígena nos mostra, nos ensinou que há força na internacionalização, há força na pressão internacional, e a gente tem esse poder de denúncia internacional. Precisamos ocupar debates sobre clima, só sobre diversidade e desertificação, como a SB64, que está acontecendo agora em Bonn, na Alemanha, e a escrita do que vai acontecer em novembro na COP31. E temos primos e tradições em toda a diáspora africana, nas Américas, em continente africano, desde a COP30, a rede, a juventude, tem debatido como fortalecer a articulação internacional, e estando na construção do Fórum Global de Comunidades Locais, povos indígenas e comunidades locais para mudança climática no sistema ONU. Eu atravessei a Ponte JK para estar aqui hoje porque eu acredito que nas nossas roças, sejam elas jeje, nago, EFOM, Candomblé, Umbanda, Tereco, Universalista, há a esperança, há um debate global, há liderança, há protagonismo. E é isso, Axé e Ingus, muito obrigado pelo convite. Achei a cheque

0:003:19
10 de jun, 17:34
#21
Deputada Erika Hilton
Erika Hilton

Deputada

Transcrição por IA

um É... Por favor, depois entregue aqui na mesa. Também soube que nós já estamos construindo juntos alguns projetos de leis importantes. E acho que essa soma, essas colaborações que as organizações trazem, Tato Avalmir sempre tem trago. A gente falou do projeto de aposentadoria para as lideranças, que foi uma ideia também trazida pela Manzana. PCT tem ajudado a pensar novas formulações. E eu acho que é nessa interseccionalidade, nessa forma horizontal, circular, de troca de saberes, com que esse parlamento tenha sentido, com que isso daqui de fato funcione para aquilo que ele deve funcionar. Então agradeço mais uma vez a fala, agradeço a colaboração, a troca, e passo agora a palavra para Baebé Luan de Xangu e Leaxé Oxuan Sorokê. Parabéns. Então pronuncia certo.

0:000:53
10 de jun, 17:37
#22
ILE AXÉ OJUINÃ SOROÊ Babaebe Luan de Jagun
Babaebe Luan de Jagun

ILE AXÉ OJUINÃ SOROÊ

Transcrição por IA

Perfeito. Luan de Jagun, eu sou Babá Ebedo e Lea Xelju Inan Xuroquie Fon, que é um terreiro de candomblé aqui do Distrito Federal. Obrigada. Perfeito. Antes de tudo, muito obrigado por convocar essa audiência. Boa tarde a todos da mesa. Agradeço à deputada Erika Hilton por essa possibilidade. E eu faço coro às palavras da senhora, deputada, e às reflexões trazidas por Mãezana, que a gente precisa compreender que o racismo religioso não se manifesta em atos isolados, mas ele é uma questão estruturante sustentado por séculos de aculturação de um povo negro em diáspora. Nesse sentido, a meu ver, eu acredito que o trabalho de Mãe Luzineide também acontece nesse sentido... pensar políticas públicas que passem pela educação para a concertização de uma população acerca do que é esse patrimônio cultural que funda o arcabouço cultural, brasileiro. e pensar a política pública voltada para a educação nesse sentido, educar uma população também, sobre esse patrimônio, a fim de acabar com essa... onda de ignorância acerca do que é o candomblé, do que é a religião de matriz africana, quais são os preceitos que regem essa religiosidade, sobretudo essa cultura. E nesse sentido eu gostaria de colocar a comunidade, da minha comunidade, do Iléa Schell, do Iléa Schroker, à disposição de todos, para pensarmos esse tipo de enfrentamento. Muito obrigado, senhora deputada, muito obrigado a todos na mesa e muito obrigado aos presentes. Obrigada a você e tenho certeza que...

0:001:29
10 de jun, 17:38
#23
Deputada Erika Hilton
Erika Hilton

Deputada

Transcrição por IA

de grande contribuição, assim como já estamos aqui, poder trocar, poder colaborar, poder somar e nos unirmos no enfrentamento. Passo então a palavra agora à sacerdotisa Lúcia Lucimar, Instituto Pai Joaquim das Cachoeiras, Centro Espírita Pai Guiné de Aruanda, Centro de Referência do Negro, Terreiro, Minas Joiá de Salvador, Bahia. Boa tarde. Já estou... Tá ligado? Boa tarde a todos e todas. Mas está baixinho, né? Aumenta um pouquinho. Isso, agora acho que vai ser mais alto. Boa tarde a todos.

0:000:33
10 de jun, 17:39
#24
INSTITUTO PAI JOAQUIMDAS CAIXOEIRAS Saserdotiza Lucia Lucimar
Saserdotiza Lucia Lucimar

INSTITUTO PAI JOAQUIMDAS CAIXOEIRAS

Transcrição por IA

Olá, todas. Sou Lúcia Luzmar. Gostaria de cumprimentar a todos e todas da mesa. todas e todos presentes, E Eu sou sacerdotisa, as pessoas acham estranho a gente não falar que é mãe de santo, pai de santo, e eu não deixo lá... o Babalurixá, mas... Como eu sou uma pessoa que... Eu costumo dizer que eu sou macumbeiro de fundo de quintal... E depois, para entender o que realmente foi de fundo de quintal, porque aprendi a Umbanda com a minha avó, com a minha mãe... e com as minhas tias. E não tinha nada muito... complexo, nada... E aí eu fiz o curso. fui estudar, aí tudo quanto era curso de internet sobre banda, candomblé, eu estudei. Hoje eu me chamo Eu coloco dessa forma que eu tenho como provar. Porque todo mundo fala assim, eu sou filha de... Aí é filho daqui e dali, eu sou filho do pai tal. E isso é que dá o... E no meu caso eu não tinha. Minha mãe já faleceu, minha avó já faleceu, minhas tias todas. Então, eu sou sacerdotisa, porque ela tem um certificado, E aí desse modelo. Eu sou uma pessoa que... Gostaria de dizer, Érica, que você... passou a fazer parte da minha história de vida. Eu tenho assim um... Um apreço muito grande por você. E sou uma pessoa que sou muito de oração, de reza. Melhor dizendo... De reza. Volte-me e eu estou fazendo uma reza para você. Quando eu vejo você naqueles embates lá, pá, que eu digo, é nóis. E você nos representa. E eu vou para um canto, faço uma oração. Faça imposição de mão por esse lado de cá e pronto, receba. O que é que ocorre? Eu sou assistente social e, nesse momento, para ter uma ideia, hoje de manhã nós estávamos na CODAB do GDF, buscando áreas para três terreiros. Nós temos, por isso que eu estou aqui representando, inclusive foi o pai... Sérgio Costa, que me mandou hoje às 14 horas, Lúcimar, vá, por favor. me representar lá no... Eu vou fazer igual ela fez lá quando estava brigando. Por favor, só dois minutinhos. Senhora Presidente, entra, por favor. Então ele me pediu hoje às 14 horas para vir para cá. Eu vim correndo, falei para o meu filho, vamos que vamos, que o Pai de Santo pediu para a gente ir lá. E estou aqui representando o Pai Guiné de Aruanda, Pai Joaquim das Cachoeiras e o Minas Jô é lá de Salvador. Todos três estão com problemas relacionados à área. no caso do pai Guiné Ele tá... uma pessoa acabou de comprar a casa lá... E está com intolerância do tipo, toda vez que tem atividade, tem que chamar a polícia. Oh, oh, oh. O camburão tem que ficar lá na frente, porque é o camarada. E aí eu que identifiquei, o cara é satanista. E esse pessoal não interessa que religião que é. E aí ele fica xingando, ele fica hostilizando... Ele hostiliza o Pai de Santo, ele hostiliza os filhos da casa, ele hostiliza... Mesmo agora, porque o camburão fica lá na frente, é que ele segurou a onda dele. Então, coisas muito ruins têm acontecido com os terreiros. E a gente, e não é uma questão, é igual alguém disse aqui, não dá mais para chamar de intolerância. É crime, é tudo mais, é racismo, é preconceito, é tudo. A palavra intolerância parece que... não dá conta do que está acontecendo. Então, dizer que é muito bom T... vosso apoio nessa luta de sobrevivência, porque o que a gente está tentando é resistir, o quanto religião de matriz africana, no Brasil. É isso. Muito obrigado.

0:004:25
10 de jun, 17:40
#25
Deputada Erika Hilton
Erika Hilton

Deputada

Transcrição por IA

Agradeço. a senhora Pelas rezas, orações, pelo carinho, sempre que a senhora puder, faça mesmo. Eu sei que tem muita liderança religiosa e pessoas, mesmo que não lideranças religiosas, nesse país que entende os desafios e as dificuldades que a gente enfrenta, lutando aqui pelo mínimo, que a gente não quer nada de mais do que aquilo que já devia, inclusive, estar assegurado, já devia estar garantido. É como o Manzana colocou no início da fala dela, a gente cansa de ficar repetindo a mesma coisa, aqui batalhando. Que bom que a senhora explicou que a Tadisfera estava representando, que na hora que eu li eu achei que era tudo uma coisa só, achei que era uma coisa com todos esses nomes, mas é cada um, são três representações, leve o nosso abraço, a nossa solidariedade a esses terreiros e aquilo que nós pudermos fazer para preservar, para garantir o culto, para garantir aquilo que precisa ser garantido, conte conosco. trabalhar na preservação, no respeito e na dignidade, porque no fim do dia é sobre dignidade, né? É sobre poder exercer sua fé, sua espiritualidade, tua crença, tua cultura, né? Tua herança que vem do vô, do pai, da mãe, da tia, dos avós e dos bisavós e etc. Com respeito, com um lugar de não se sentir aviltada, violada, agredida, desrespeitada nós estamos correndo, né? Você citava, Luz, a mãe Bernadette, que é uma liderança religiosa, que marca muito a história também do nosso país, do racismo, da violação, da disputa por território e uma série de coisas que a mãe Bernadette, né? Para que outras mães Bernadettes não sejam produzidas nesse país. Eu quero agradecer imensamente... Tatavalmir, Manzana, em nome dos senhores, agradeço a todos os demais que aqui estiveram, dizer que para mim é uma honra, mas sem tamanho, assim, nunca que eu poderia imaginar que ao longo dessa minha curta e tão jovem trajetória de vida e política também, né, jovem de vida e jovem de atuação política, de lideranças, de pessoas, de povos, de gente, com tanto a contribuir, com tanto a fazer, obrigada, obrigada por terem escolhido o meu mandato, obrigada por me procurarem, por me provocarem, obrigada por provocar até que essa audiência fosse realizada. É muito importante aquilo que vocês vêm fazendo na ocupação dos espaços políticos, Essa é uma pauta importante. Nós conversávamos aqui, há pouco, né, Mãezana, sobre como não era só sobre devolver o terreiro, mas era sobre como o reconhecimento da violência para impedir que outras violências aconteçam. Tata Valmir, que está sempre enfiado, envolvido com uma série de demandas, agendas, atividades na valorização, na cultura, na resistência, na história e na demarcação disso. as fés, se essa religião permanece aqui até agora, é por conta da braveza, da valentia, da coragem, da insistência e da perseverança de um povo que não abaixa a cabeça, que nunca abaixou a cabeça e que não vai abaixar a cabeça desde nossos ancestrais até os dias de hoje, infelizmente tendo que repetir ainda a mesma história, infelizmente tendo que ainda lutar pelas mesmas coisas, infelizmente tendo que reafirmar que a nossa fé importa, que os nossos direitos importam, que o nosso sagrado deve ser respeitado, que os terreiros não devem ser violados, isso cansa e é profundamente lamentável. Mas enquanto insistirem em violar a nossa dignidade, enquanto insistirem em tratar a nossa vida, a nossa fé, a nossa espiritualidade, os nossos direitos como algo negociável, menor, nós também insistiremos em ocupar os espaços que são nossos, nós insistiremos em manter a nossa cabeceira, perseguida e nos colocarmos na linha de frente por justiça, por equidade, por reparação e contra o ódio, a barbárie, a violência, o racismo que ainda hoje assola a população brasileira, a população negra, os povos de terreiro, as comunidades tradicionais, os povos indígenas e as minorias sociais desse país, mas não minorias em número, minorias em direito, minorias em acesso, minorias em respeito, porque se nós olharmos para a quantidade, nós somos uma maioria. mente. Sigamos, sigamos na luta. A luta é árdua, é longa, mas eu acho que nós já percorremos muito dessa estrada, mesmo que quando a gente olhe para frente ainda tenha muita coisa para percorrer, né? Vamos precisar de muita macumba para poder ter força e energia para nos mantermos de pé. Agradeço demais a presença de todos vocês. É uma honra, uma alegria. Não havendo mais nada a tratar, antes de encerrar, pública conjunta com a Comissão de Legislação Participativa para debater as condições de trabalho dos ambulantes e artesãos de São Paulo, que acontecerá amanhã, dia 11 de junho, às 10 horas, no Plenário 3, atendendo aos requerimentos 14 de 2026 da CLP e número 22 de 2026 aqui da CDH-MIR, de autoria das deputadas Luísa Herondina e Sâmia Bonfim. Está encerrada a presente reunião, Axé, axé e axé.

0:006:04
10 de jun, 17:44