COMISSÃO DE SAÚDE
Sobre o Evento
A Comissão de Saúde reuniu especialistas acadêmicos para debater a importância da regulamentação da doação voluntária de corpos para fins de ensino e pesquisa. O foco central do encontro foi a necessidade de atualização legislativa para garantir segurança jurídica e suprir a carência de cadáveres essenciais para a formação médica e o desenvolvimento de técnicas cirúrgicas avançadas.
Deputado
O Deputado iniciou uma audiência pública para discutir programas de doação de corpos destinados à ciência, ensino e saúde. Após apresentar os convidados, acadêmicos e representantes institucionais de diversas universidades e órgãos, o Deputado estabeleceu as normas de condução da reunião, incluindo o tempo para exposições e interpelacões.
Coordenador do Curso de Biomedicina - Universidade Federal de São Paulo
O Coordenador do Curso de Biomedicina - Universidade Federal de São Paulo defende a aprovação de um projeto de lei parado na Câmara desde 2016, que visa atualizar a legislação vigente desde 2001 sobre o uso de cadáveres para o ensino de anatomia no Brasil. O orador destaca que, embora existam novas tecnologias e modelos sintéticos, o estudo prático em cadáveres é insubstituível para a formação técnica e ética de profissionais de saúde, promovendo um maior respeito ao paciente. O projeto é apresentado como suprapartidário e busca melhorar tanto a distribuição de corpos não reclamados quanto incentivar a doação voluntária.
Deputado
O Deputado propõe uma metodologia mais eficiente para a condução dos trabalhos, permitindo que todos falem e adiando as perguntas que tem para o palestrante convidado. Em seguida, convida o professor Kennedy Martínez de Oliveira, coordenador do programa Vida Após a Vida, para fazer sua exposição.
Coordenador do Programa de Doação de Corpos "Vida após a Vida" - Departamento de Morfologia da Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG
O Coordenador do Programa de Doação de Corpos "Vida após a Vida" - Departamento de Morfologia da UFMG destaca a utilização de cadáveres em atividades de ensino, pesquisa e treinamento cirúrgico avançado, incluindo práticas em ortopedia, neurocirurgia e ginecologia, com suporte de tecnologias modernas como robótica e microscopia para a qualificação de especialistas.
Deputado
O Deputado realiza procedimentos protocolares de abertura e concessão de palavra durante a sessão.
Coordenadora - Museu de Anatomia Humana da Universidade de Brasília (UnB)
A Coordenadora - Museu de Anatomia Humana da Universidade de Brasília (UnB) defende a aprovação do Projeto de Lei nº 4.272/2016 para regulamentar nacionalmente a doação de corpos para instituições de ensino. O relato destaca o sucesso do programa Pró-Vida, realizado em parceria com o Ministério Público no Distrito Federal, e o impacto do Provimento nº 123/2024 em Goiás, que desjudicializou o processo. A Coordenadora enfatiza a necessidade de segurança jurídica, melhoria das técnicas de ensino médico via dissecção e a importância da estruturação de laboratórios e equipes técnicas, além de questionar como o cadastro de doadores em vida pode auxiliar na identificação de pessoas desaparecidas.
Deputado
O Deputado agradece a participação da convidada e informa que outros palestrantes terão espaço para fala, cedendo a palavra à coordenadora do programa de doação de corpos de uma instituição de ensino superior de Porto Alegre.
Coordenadora do Programa de Doação de Corpos - Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre - UFCSPA
A Coordenadora do Programa de Doação de Corpos - UFCSPA defende a regulação nacional da doação voluntária de corpos para ensino e pesquisa, destacando a escassez de corpos não reclamados e a importância pedagógica e ética do uso de cadáveres na formação médica, além de apresentar o perfil altruísta dos doadores.
Deputado
O Deputado agradece a apresentação da doutora Andréa e cede a palavra ao doutor Expedito Silva do Nascimento Júnior, coordenador do Programa de Doação de Corpos da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, para sua exposição.
Coordenador do Programa de Doação de Corpos - Universidade Federal do Rio Grande do Norte
O Coordenador do Programa de Doação de Corpos - Universidade Federal do Rio Grande do Norte discute a insuficiência de doações voluntárias de corpos no Brasil para o ensino de anatomia, ressaltando que o sistema depende majoritariamente de corpos não reclamados, conforme a Lei 8.501/1992. O orador analisa as variações no recebimento de cadáveres em sua instituição, influenciadas pela abertura de faculdades privadas e pela regulamentação estadual. Expressa preocupação com o Projeto de Lei 4.272/2016, que propõe ampliar a rede de instituições aptas a receber esses corpos, temendo a mercantilização de cadáveres em instituições lucrativas. Propõe, por fim, que apenas instituições de ensino superior com cursos de saúde reconhecidos pelo MEC e hospitais com residência médica tenham acesso a esses corpos, destacando também o papel social dos anatomistas na identificação de desaparecidos.
Deputado
O Deputado agradece a participação de um convidado e passa a palavra ao coordenador do Programa de Doação de Corpos da Universidade de Pernambuco, Campus Petrolina.
Coordenador do Programa de Doação de Corpos: "Doar para Viver" - Universidade de Pernambuco (UPE) - Campus Petrolina
O Coordenador do Programa de Doação de Corpos: Doar para Viver, da Universidade de Pernambuco, apresentou a iniciativa, destacando seu papel no ensino prático, na formação ética e humanística de estudantes da saúde desde o primeiro período e na produção científica, defendendo a regulamentação das doações em nível nacional.
Deputado
O Deputado conduz os trabalhos da sessão, agradecendo a um interlocutor e dando continuidade à reunião ao passar a palavra a uma convidada.
Professora do Acerco Biorreposit´rio da Faculdade de Medicina - Universidade de Brasília
A Professora do Acerco Biorrepositório da Faculdade de Medicina - Universidade de Brasília destacou a importância da captação de corpos para o ensino médico e pesquisas em medicina legal, ressaltando a necessidade de uma regulamentação que garanta segurança jurídica para as instituições. Defendeu a criação de uma 'fazenda de corpos' e o uso da técnica de plastinação como ferramentas de ensino e gestão cadavérica. Apelou ao apoio dos parlamentares para a celeridade e aprimoramento de um projeto de lei que discipline a doação e a destinação de corpos, reforçando que a falta de segurança jurídica inibe avanços científicos e educacionais.
Deputado
O Deputado defende a retomada do debate sobre uma questão complexa e sensível, envolvendo aspectos éticos, jurídicos e de segurança pública, relacionada ao grande número de pessoas desaparecidas no país. O parlamentar conduz a audiência, convidando especialistas e parlamentares, como a autora do requerimento, para discutir o tema.
MPDFT
O MPDFT compartilha a experiência do órgão na regulamentação da doação de corpos no Distrito Federal, iniciada em 2009 para suprir lacunas legislativas. Destaca a importância de um órgão regulador para fiscalizar e centralizar os procedimentos, garantindo equidade na distribuição das doações entre as instituições de ensino. O MPDFT sugere aperfeiçoamentos no projeto de lei em discussão, propondo fluxos mais ágeis e desburocratizados, inspirados nos resultados positivos colhidos localmente, com o objetivo de estender esse modelo de segurança jurídica ao restante do país.
Deputado
O Deputado debate a crise no ensino médico brasileiro, destacando a multiplicação desenfreada de faculdades sem condições estruturais adequadas. Enfatiza a importância fundamental do uso de cadáveres no treinamento anatômico e cirúrgico, em contraste com simulações, e aponta dados do ENAD que revelam falhas graves em cerca de 20% das instituições. O parlamentar defende o fechamento de faculdades irregulares como medida de proteção à vida e à qualidade do atendimento à população. Questiona, ainda, mecanismos de fiscalização, o controle do tráfico de cadáveres e a necessidade de critérios transparentes para a distribuição de corpos destinados ao ensino.
Coordenador do Curso de Biomedicina - Universidade Federal de São Paulo
O Coordenador do Curso de Biomedicina - Universidade Federal de São Paulo discute a importância dos programas de doação voluntária de corpos para instituições de ensino superior. O orador destaca que a prática já é amparada pelo Código Civil, reforçando a autonomia das instituições, e menciona a necessidade de aprimorar e atualizar a legislação vigente sobre o tema através do projeto em discussão.
Deputado
O Deputado discute limitações impostas a indivíduos em relação à condução de veículos e acesso ao ensino superior.
Coordenador do Curso de Biomedicina - Universidade Federal de São Paulo
O Coordenador do Curso de Biomedicina - Universidade Federal de São Paulo discute a necessidade de regulamentação para o uso de corpos em instituições de ensino, diferenciando a doação voluntária, já amparada pelo Código Civil, da questão dos cadáveres não reclamados, defendendo a necessidade de critérios jurídicos claros para cada cenário.
Deputada
A Deputada questiona sobre a possibilidade de uma pessoa, ainda em vida, deixar em testamento a doação de seu corpo para após o falecimento, ou se essa decisão cabe exclusivamente a um familiar.
Coordenadora do Programa de Doação de Corpos - Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre - UFCSPA
A Coordenadora do Programa de Doação de Corpos - Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre - UFCSPA explica o funcionamento da doação voluntária de corpos para fins de ensino e pesquisa, ressaltando o respeito à vontade manifestada em vida pelo doador. A especialista analisa um projeto de lei que visa consolidar as regras sobre a doação de corpos e a destinação de cadáveres não reclamados, sugerindo ajustes técnicos quanto à definição das instituições receptoras e ao destino final dos remanescentes biológicos, que podem passar por incineração ou cremação. A coordenadora enfatiza a necessidade de regulamentação clara para evitar o comércio de corpos e menciona que sua instituição prioriza a doação voluntária em detrimento do recebimento de corpos não reclamados.
Deputado
O Deputado questiona sobre estatísticas de corpos não reclamados e voluntários para fins de aprendizado, solicitando dados precisos sobre o volume total no país.
Coordenador do Programa de Doação de Corpos "Vida após a Vida" - Departamento de Morfologia da Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG
O Coordenador do Programa de Doação de Corpos "Vida após a Vida" do Departamento de Morfologia da UFMG explica que a metodologia adotada para captação de doadores baseia-se em entrevistas detalhadas. Aponta que a instituição recebe entre 20 e 25 corpos anualmente, enquanto o total nacional, considerando cerca de 40 programas, alcança no máximo 150 doações por ano. O coordenador ressalta que, embora peças anatômicas preparadas auxiliem no ensino, o número atual está distante da proporção ideal entre cadáveres e estudantes, sugerindo que uma relação de um corpo para doze ou quinze alunos seria um cenário satisfatório.
MPDFT
O MPDFT discorre sobre a gestão de doações de corpos para ensino, defendendo o modelo de fila única para garantir a equidade. Explica que, ao seguir a lógica da doação de órgãos — onde o doador não escolhe o receptor —, o sistema deve equilibrar as doações voluntárias com os corpos não reclamados, respeitando a vontade das famílias e ajustando a ordem da fila quando uma instituição recebe uma doação direta, a fim de manter a justiça na distribuição.
Coordenadora do Programa de Doação de Corpos - Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre - UFCSPA
A Coordenadora do Programa de Doação de Corpos - Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre - UFCSPA argumenta que modelos de centralização da distribuição de corpos doados, como os observados no Paraná e em Pernambuco, têm se mostrado ineficazes. Segundo a coordenadora, esses sistemas centralizados afastam os doadores voluntários, tornando o processo impessoal e insuficiente para suprir a demanda de todas as universidades vinculadas. Ela defende que, devido às diferenças de contexto entre a doação em vida e o recebimento de corpos não reclamados, a gestão descentralizada baseada em programas de doação voluntária direta tem apresentado resultados mais sólidos ao longo do tempo.
Deputado
O deputado defende a existência de dois pontos de vista extremamente importantes e válidos sobre o tema em discussão.
Coordenadora - Museu de Anatomia Humana da Universidade de Brasília (UnB)
A Coordenadora - Museu de Anatomia Humana da Universidade de Brasília (UnB) aborda desafios logísticos e éticos na doação de corpos para estudo, enfatizando a necessidade de agilidade no translado para preservar o material biológico e a responsabilidade das instituições pelo custeio desse processo.
Deputado
O deputado agradeceu a palavra e deu as boas-vindas durante sessão parlamentar.
Professora do Acerco Biorreposit´rio da Faculdade de Medicina - Universidade de Brasília
A Professora do Acerco Biorrepositório da Faculdade de Medicina - Universidade de Brasília destaca a eficácia de parcerias e estratégias de divulgação em hospitais e centros de captação no Distrito Federal para o funcionamento do biorrepositório.
Deputado
O deputado discute questões relacionadas ao orçamento federal.
Professora do Acerco Biorreposit´rio da Faculdade de Medicina - Universidade de Brasília
A Professora do Acerco Biorrepositório da Faculdade de Medicina - Universidade de Brasília defende a criação de uma regulamentação federal para a doação de corpos destinados ao ensino e pesquisa, utilizando modelos de centralização semelhantes aos da doação de órgãos para suprir a demanda das universidades.
Deputado
O Deputado elogia a atuação da Doutora Andréia e comenta sobre a situação no estado.
Coordenadora do Programa de Doação de Corpos - Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre - UFCSPA
A Coordenadora do Programa de Doação de Corpos - Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre - UFCSPA esclarece que os modelos de programas de doação de corpos utilizados no Brasil não são invenção local, mas inspirados em práticas internacionais, especialmente europeias e americanas. Destaca que, diante da escassez de corpos não reclamados em universidades públicas, buscou-se soluções já implantadas no exterior, como o programa da Universidade de Toledo, em Ohio, criado por um brasileiro. Ressalta que existe uma estrutura técnica e jurídica consolidada, validada pela Procuradoria, que serve de referência para outras instituições brasileiras.
Deputado
O Deputado discute a disparidade entre instituições de ensino voltadas à saúde, comparando a estrutura de universidades renomadas, que contam com suporte de diversos hospitais, com faculdades menores localizadas no interior do Rio Grande do Sul. O parlamentar questiona como essas instituições menores enfrentam dificuldades adicionais na gestão de doações voluntárias, exemplificando o desafio da disparidade de recursos no ensino e na prática de saúde.
Coordenadora do Programa de Doação de Corpos - Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre - UFCSPA
A Coordenadora do Programa de Doação de Corpos - Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre - UFCSPA esclarece que a doação de corpos não está vinculada a hospitais ou ao mesmo perfil de doadores de órgãos. O doador de corpo é uma pessoa instruída que toma a decisão de forma autônoma, por desejo próprio e após buscar informações sobre o processo.
Deputado
O deputado cumprimenta a parlamentar presente na sessão.
Coordenador do Programa de Doação de Corpos - Universidade Federal do Rio Grande do Norte
O Coordenador do Programa de Doação de Corpos da UFRN defende a existência de regulação atual para o uso de corpos em instituições de ensino, destacando a necessidade de estabelecer critérios de qualificação para instituições que desejam integrar sistemas centralizados de distribuição, visando garantir a qualidade do ensino médico.
Deputado
O Deputado defende o aperfeiçoamento e a rápida aprovação de legislação para garantir a qualidade do ensino médico, criticando faculdades sem estrutura adequada e destacando a necessidade de material humano para o aprendizado dos estudantes.
Deputada
A Deputada justifica sua ausência parcial em uma reunião da qual é requerente, explicando que estava ocupada com negociações de vetos no Senado e com a condução dos trabalhos na CCJ. Ela manifesta apoio à discussão sobre um projeto de lei que trata de corpos não reclamados e informa que o Deputado Diego Garcia assumirá a relatoria da matéria no plenário, buscando colher sugestões para aperfeiçoar o texto antes da votação.
Professora do Acerco Biorreposit´rio da Faculdade de Medicina - Universidade de Brasília
A Professora do Acerco Biorrepositório da Faculdade de Medicina - Universidade de Brasília destaca que, apesar da clareza quanto à Lei nº 8.501, não tem observado a atuação do Instituto Médico Legal na doação de corpos para a atividade acadêmica da instituição, desconhecendo os motivos para essa ausência de colaboração.
Deputada
A Deputada enfatiza a importância de ouvir especialistas e setores da sociedade antes de propor alterações legislativas, para evitar soluções ineficazes que decorrem de problemas de gestão e não de leis. Ela agradece a presença de médicos, professores e membros do Ministério Público, comprometendo-se a manter o debate aberto e colaborativo com o relator do projeto.




