César Eduardo Fernandes

César Eduardo Fernandes

Presidente - Associação Médica Brasileira

2 falas em 1 audiência da Câmara dos Deputados em 2026

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17 de mar, 18:48

COMISSÃO DE SAÚDE

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Eu gostaria de agradecer profundamente essa oportunidade, essa audiência pública. É um debate muito interessante, onde cada um expressou o seu entendimento e as suas convicções. Mas indo direto ao ponto que a deputada Adriana Ventura manifestou, de como harmonizar, de como buscar aquilo que é melhor, não para convicções ideológicas ou político-partidárias ou passionalismos de qualquer natureza. Nós temos que nos abster disso, vencer os nossos conflitos de interesse, o que é um exercício muito difícil para cada um de nós, Eu compreendo isso, respeito isso, porque muitas vezes somos motivados por posições que são posições de grupos ou posições ideológicas e que às vezes não atendem diretamente às nossas convicções. como presidente da AMB. E a gente tem discutido esse assunto, temos reuniões adiante para ser feitas, para tirar uma posição pública a esse respeito. Mas eu estou absolutamente convencido. Convencido. E eu não tenho conflito de interesse e não tenho pauta oculta. E também não estou envolvido por nenhum passionalismo, ideologia ou engajamento político partidário. Então eu estou absolutamente convencido de que esse exame tem que envolver os segmentos envolvidos e as melhores cabeças que nós temos no país. instituição formadora, nós não podemos deixar de fora as instituições formadoras, o Conselho Federal de Medicina, que é quem regulamenta e quem fiscaliza a nossa profissão, e a MB, que congrega todas as sociedades de especialidade do Estado de São Paulo. Acho que nós não podemos nos abster de ter esse núcleo que pode dizer como fazer essa prova. Quem vai fazer a prova é uma outra questão. Agora, quem vai determinar o arcabouço da prova, a concepção da prova, o conteúdo da prova, que tipo de questões devem ser feitas, me parece que deve ser feita por um grupo gestor da maior competência e nós não podemos fazer com que eventuais conflitos de interesse que eu possa ter ou qualquer outra pessoa possa ter, para o nosso país, para a assistência médica. Então, eu gostaria de deixar bem enfatizado essa minha posição. Muito obrigado.

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17 de mar, 17:31

COMISSÃO DE SAÚDE

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Participantes, quero agradecer a deputada Adriana Ventura, sempre comprometida com causas relacionadas à assistência médica, né? Visto a referência última feita aqui, a aprovação da telemedicina no seu acaboço atual, que nos permitiu praticar com segurança a telemedicina, que é uma ferramenta extremamente útil para assistência à população. Então, quero cumprimentar a deputada por esse engajamento com as questões médicas, e certamente merece de nós, da classe médica, o maior reconhecimento. entusiasmo com que ela fala da Santa Casa, né? Que todos nós, eu, eu, por exemplo, saí da Santa Casa, mas ela jamais saiu de mim, né? Devo a minha formação à Santa Casa, né? Toda a minha formação médica e humanista, tenho oportunidade por vezes me encontrar com a doutora Dulce e rever gerações contemporâneas da minha época, embora doutora Dulce mais jovem do que eu, e, mas é uma alegria ouvir ela falar. Tá aqui junto também com o querido amigo que também conto com frequência, pelo qual nutro profunda admiração também, o meu doutor Zé Luiz Gomes do Amaral, o meu doutor Juliano Grebeler, e quero dizer e cumprimentar todos os que estão presencialmente aí, não consigo vê-los, mas certamente essa presença em muito vai enriquecer o debate. Nós estamos aqui a pedido e fomos bem orientados introdutoriamente para nos determos na apreciação do Enamed, para que a gente não misture Enamed com exame de proficiência médica. Eu vou procurar, embora quero registrar para a deputada Adriana e para todos, que eu vejo uma interseção muito forte entre essas duas questões. Até porque parece que devemos fazer dois exames, um diferente do outro. Eu gostaria muito que nós caminhássemos para fazer um único exame que tivesse o condom. de, ao mesmo tempo, avaliar as escolas médicas e que pudesse servir para também avaliar a proficiência médica. Mas eu não quero afrontar a orientação da nossa anfitriã e misturar as estações. Eu acho que fazer dois exames vai nos causar um conflito enorme, porque o indivíduo pode ser aprovado num e reprovado no outro. Nós teremos conflitos de natureza jurídica, natureza ética. a sabedoria, essas cabeças privilegiadas que nós temos no nosso país, no mundo do ensino médico, e certamente teremos a sabedoria para caminhar isso numa única direção. Dito isso, eu quero lembrar de que a Associação Médica Brasileira, que existe desde 1951, Portanto, esse ano completamos 75 anos de Associação Médica Brasileira e desde 1958 a gente vem fazendo os exames para conferir os títulos de especialistas nas 55 especialidades médicas que existem no Brasil hoje. Então, nós temos a honra de ter todas as sociedades de especialidade afiliadas da MB que prestam serviço de relevância junto com as entidades acadêmicas, com as instituições formadoras, que eu considero que tem uma importância muito grande nesse cenário. consultor, um grupo gestor, o que nome se queira dá, para traçar as orientações e as diretrizes do exame do Enamed. Mas nós da AMB defendemos há muito tempo, quando eu cheguei na AMB, eu me lembro que levantamos essa bandeira de saída, de que nós tínhamos muita preocupação com o crescimento acelerado, desordenado, das escolas médicas, Eu vou me permitir adjetivá-los de catastróficos, que são os números atuais de escolas médicas. Nós vimos a descrição que a doutora Dulce nos fez da excelência da Santa Casa, que é uma unidade privada. Mas certamente teremos a oportunidade de ouvir aqui, doutor Paulo Pego, eventualmente nós falamos da excelência, da maravilha, que é a Faculdade de Medicina da USP, da Escola Paulista de Medicina, apenas para falar do nosso estado, e do excelente que existem no Brasil. Mas essa proliferação nos trouxe um número atual, eu não sei exatamente o número atual de escolas médicas, nós fechamos 2024, que é a última demografia médica, a demografia médica, lembrando, é uma publicação feita em conjunto pela Faculdade de Medicina da USP, Departamento de Saúde Coletiva, pelo professor Mário Schaeffer, feito com a OPAS e com a AMB. Hoje também tem a participação do Ministério da Saúde. Então, essas instituições que participam da produção da demografia médica. A última edição que nós fizemos foi o ano passado, em 2025, com dados fechados em 2024. Nós tínhamos aproximadamente 360 escolas de medicina no final de 2024. no noticiário de que aumenta uma escola. Claro que esse aumento desenfreado de escolas médicas pressupunha que nós precisaríamos ter muitos campos de estágio, campos de estágio, essa palavra eu acho que todos que não estão habituados com o ensino médico precisam ter em mente, porque o ensino da medicina não se faz só através de inteligência artificial, embora sejam ferramentas valiosas do ponto de vista de ensino médico, não se faz apenas em aulas teóricas, de 40 a 50 por cento não tenho preocupação com esses percentuais mas em grande parte o ensino médico é feito em campos de estágio então nós temos preocupação de que não haveriam campos de estágio suficientes para acomodar Esse número que hoje chega a quase 50 mil formandos por ano. Quase 50 mil formandos por ano. E também não teríamos docentes suficientes para atender essa demanda enorme de escolas médicas. E, portanto, nós bradávamos. Isto vai formar médicos com precariedade. Nós não podemos aceitar que médicos com formação deficiente possam atender os pacientes. básico, que não pode ser aceito por qualquer pessoa de espírito crítico razoável. Muitas vezes nós pensamos nos nossos familiares e equivocadamente entendemos que os nossos familiares, pela inserção que temos na medicina, por conhecermos os melhores médicos, os melhores centros diagnósticos, os melhores hospitais, e que eles ficarão à margem dessa assistência pouco qualificada, que às vezes de médicos, realmente faltava médicos algum tempo atrás, e em alguns locais os médicos estão mal preparados. É um equívoco, porque se nós tivermos um mau súbito em qualquer rua de uma grande cidade, nós vamos ser levados para uma unidade de pronto atendimento, onde lá, certamente, se nós formos bem atendidos, possivelmente nós teremos um prognóstico favorável, sei que isso é possível nas condições que fomos acometidos, prognóstico favorável prometido se fôssemos atendidos por médicos que não tivessem essa formação. Portanto, sempre achamos que nós precisamos avaliar as instituições de ensino. E veio o Inamed. O Inamed nada mais fez do que descortinou aquilo que se pronunciava. Nós pronunciávamos que a formação era precária e, de fato, ela se mostrou precária. 1 e 2, lembrando que a nota máxima é nota 5, como mencionou a doutora Dulce, que foi a nota que recebeu a Santa Casa de São Paulo, como ela mencionou. Então nós temos muitas escolas 1 e 2. Agora, é importante que se registre que uma avaliação de escola médica não se faz apenas de maneira indireta, como fez o Enamed. O Enamed, na verdade, avaliou alunos egressos do curso de medicina e, através dos alunos, ela inferiu sobre a qualidade das escolas. Ela está longe de ser uma avaliação... completa das escolas médicas. Ela pode ser um bom indicador, sim, é muito provável que os resultados apontados pelo Enamed pudesse se materializar também numa avaliação de campo feita para avaliar os ambulatórios, os laboratórios, os hospitais de média, alta, complexidade, baixa complexidade. É possível que se notasse a mesma coisa. Mas existem alunos, a nota é do aluno, a média da escola. A nota é do aluno, a média da escola. Eu queria dizer isso porque, na verdade, se avaliou o egresso. E tem punições previstas para essas escolas, como reduzir o número de alunos, impedir novas turmas, eu já estou concluindo, também estou ansioso com esse reloginho aí, eu já estou concluindo, dizer que essas punições precisam ser cumpridas com rigor maus resultados, porque esse ano teremos outro Enamed, em outubro teremos outro Enamed, e a repetência desses maus resultados provavelmente vão exigir sanções muito mais drásticas. Eu não posso ir adiante. Mas eu quero dizer que o Enamed é importante, não podemos prescindir dele, temos que aprimorá-lo e temos que completá-lo. Temos que completá-lo, muito provavelmente, com um conselho onde estariam as instituições de ensino superior. as unidades formadoras, estaria a Associação Médica Brasileira, estaria o Conselho Federal de Medicina, estaria o Ministério da Educação, que é quem autoriza, ele não pode estar à margem dessa discussão, enfim, essas instituições deveriam compor um grupo que poderia ser o orientador... desse examinamento. Obrigado pela atenção de todos, peço desculpas por ter passado do meu tempo. Muito obrigado. Muito obrigada.

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