
1 fala em 1 audiência da Câmara dos Deputados em 2026
do osso os parentes falando que perderam o seu rio, por conta de garimpo, por conta das mineradoras, quando ouço os parentes dizendo que perdeu suas terras por conta de estrada. Quando ouço também os parentes falando, os povos falando, que perdeu seu território por conta de usinas hidrelétricas. Obrigado. E nós estamos perdendo... ao útero das mulheres por conta do garimpo. Imagine as mulheres, vamos aumentar o leite materno, que é vida para o nosso futuro, para as nossas crianças, estar contaminado com o mercúrio. A primeira vez, quando ouvi de um médico que 60% das mulheres munduruku estavam contaminadas, principalmente nas mulheres. O útero e o leite materno. Para nós foi assustador, 2022, quando fizemos uma assembleia. Obrigado. porque não sabíamos o que era realmente o garimpo no nosso corpo. A gente sabia do garimpo que estava sujando o nosso rio. sabia do garimpo que estava trazendo as drogas, doenças, levando nossos filhos, nossos netos, nossos maridos Lá apogar e ir para... destruir os garapés. E quando a gente soube, numa audiência, com a fala do médico que fez a pesquisa, Obrigado. A gente falava: "Será que nós vamos ficar chorando agora?" Será que nós vamos parar de lutar, de denunciar? que há muitos anos nós vem denunciando garimpo dentro dos territórios, Será que agora nós vamos parar de comer peixe? Será que nós vamos parar de tomar banho no rio? Será que nós vamos parar hoje de acompanhar os caciques, a juventude, outras mulheres, porque nós estamos doentes? com o resultado do Mercúrio, trouxe mais força para a gente... Grita. com o resultado do mercúrio a gente trouxe mais esperança porque a gente sabia que a gente ia enfrentar Não só o garimpeiro que está dentro do território, mas o próprio Estado. que estava liberando o garimpo nas terras indígenas. O próprio Senado, o próprio Congresso... denunciando que ele estava violando a nossa vida, o nosso corpo. A gente não parou. A gente cada vez chamando, denunciando para outros parentes que nós temos que... que lutar... Não legalizando o garimpo. Porque muitos querem falar aqui de legalização, que o garimpo ilegal destrói. Não, o garimpo destrói vidas dentro ou fora do território. É esse discurso que a gente está falando, porque o peixe não fica parado dentro da terra indígena. O peixe não fica parado esperando que a gente vai comer ele. O peixe sai do território, vai para outra cidade, outra cidade, e muitas populações ficam contaminadas com mercúrio. até mesmo turista que vai comer peixe, saudável, que eles dizem, da Amazônia, eles também estão sendo contaminados com mercúrio. Mas eles estão querendo que legalize o garimpo. Mas eles querem comer o peixe na praia, querem comer o peixe vendo a floresta, mas ninguém tem coragem de lutar o que a gente está passando. Ninguém tem coragem de enfrentar a pega-chuva e sol para lutar para defender os tios. mas está com ouro. na aliança, está com ouro no cordão, está com ouro no brinco, porque acha bonito, porque para nós não é boniteza, porque esse ouro está matando a gente, esse ouro está adoecendo a gente. E a gente sempre está buscando alternativa para dentro do nosso território. Hoje a gente tem parceria com alguns deputados. para conseguir as emendas, para construir, fazer um açude tradicional com o povo munduruku, junto com o pesquisador, para não consumir peixe contaminado. Mas para isso mesmo que a Amazônia para de ter minério nas terras, Na Amazônia, precisa tirar garimpeiros de todas as terras, fiscalizando onde tem o mercúrio, porque o Brasil está na convenção. É proibido vender mercúrio, é proibido transportar mercúrio, mas estão entrando dentro do nosso território. Ainda usa bastante mercúrio lá na Amazônia, lá no Tapajós, lá no Xingu. no Rio Madeira, lá no Telespires, O que mais nós vemos no rio é draga que está dragando os rios, sujando o rio, contaminando nossos pés, nosso corpo. Eu estou falando de mineração pequena, que eles falam que é tradicional. É isso, palavra? tradicional. E, na realidade, quando se cava buraco, está mexendo... Às vezes, todo mundo quer ver uma destruição grande. A nossa está sendo destruída aos poucos, dentro do nosso corpo, como o câncer que ninguém está vendo, só nós que estamos vendo. Quando as pessoas forem enxergar, já é muito tarde. Porque quando ela está morrendo, ou quando ela aparece aqui no corpo. Mas o câncer está matando o nosso corpo na Amazônia. E agora que esse grupo de GT que estão discutindo mineração nas terras indígenas é um perigo, toda a população, não só para nós, até mesmo aquele que consome água na torneira, aqueles que querem comer o peixe na Semana Santa, aqueles que dizem que não vão comer uma carne vermelha, porque é pecado. mas incentiva a violência dentro dos territórios. mas incentiva que seja passado leis que nos matam. Que nós possamos vender nossas terras. Que nós possamos negociar nossas terras. A colonização nunca parou, ela continua, porque ainda existem parentes que não têm contatos Ainda existem parentes que estão isolados, que não querem contatos nem com a gente que já está nesse... contexto urbano, que já está aqui, ou que está na cidade, que está na universidade. Ainda tem esses parentes que nós precisamos também proteger. Esses parentes ainda que têm criança no meio da floresta, sem depender da tecnologia. Ainda existem povos isolados que estão lá, que a igreja não chegou. que a mineração garimpo não chegou, mas estão correndo risco de chegar. É esses cuidados que nós temos que pensar, porque nós temos que pensar, não porque nós precisamos de desenvolvimento, quantos parentes estão falando isso, dizendo que os parentes estão morrendo, passando fome, estão passando fome, porque é uma ganança que o homem branco está dizendo para a gente que a gente é pobre. Só que nós não somos pobres. Pobre é eles, porque é eles que estão tomando as nossas terras. pobre é eles porque é eles que estão criando leis para tomar nossas terras. para eles ficarem cada vez ricos, para dar ao nosso território para mineração, para o garimpo. E a gente tem que ser muito forte. A gente tem que buscar alternativa, tem que buscar projeto. Eu não sou nada ali no município onde eu moro, não sou nada no estado... mas eu levo água potável, perfuração de povo para o meu povo, buscando parceria. Eu levo também a emenda para dentro do meu território. pedindo, batendo a porta dos deputados, que são parceiros para levar projeto para nós. Porque tem muitos deputados que criam leis para tomar nosso território e acabar com nosso território. Dizem que está acabando com a fome. Não está. Porque vai gerar mais desemprego... Para nós, porque a gente trabalha dia a dia, porque eu trabalho, eu não tenho carteira assinada. Mas eu trabalho todos os dias para o meu povo. Eu trabalho todos os dias no sol e na chuva, levando melhoria para o meu povo. Sem depender do agronegócio, sem depender de ruralistas que querem enganar nosso povo dizendo que em troca de dinheiro... Já me trancaram dentro de um táxi oferecendo bilhões para me parar de lutar contra ferrogrão. Já me ofereceram para ficar em um hotel chique para me parar de lutar contra ferrogrão, contra garimpo. Mas eu não tenho medo. Eu sempre falei que nós temos que ser muito mais fortes, com o pé no chão, porque eu ando cidade em cidade denunciando junto com o meu povo. Eu recebo muitas ameaças, mas, mesmo assim, eu não paro de lutar, mesmo assim, eu não paro de denunciar. Enquanto eu vi meu povo, que está a minoria bem aqui, mas estão a maioria nos territórios, porque nós somos aproximadamente 15 mil, fora que os milhões de indígenas que existem no Brasil. que a gente tem que defender, sim, o nosso território, porque o garimpo mata, a mineração mata, o agronegócio mata. Obrigada. Obrigado. Obrigado. Olá.
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