
2 falas em 1 audiência da Câmara dos Deputados em 2026
fazer e que se mostra uma alternativa eficaz é demonstrar os níveis de mercúrio nas diferentes espécies de peixe em cada região, considerando as culturas e os hábitos de cada povo, para que a gente possa fornecer alternativas alimentares, de escolhas alimentares. Claro, quando isso é possível. Pode passar, por favor. Outro ponto é o investimento em ciência que a gente consiga encontrar dentre os frutos amazônicos, por exemplo,
Obrigada, boa tarde a todos. Gostaria de saudar a mesa. Deputado Ayrton Faleiro, muito obrigada pela oportunidade de estar aqui. Antes de me apresentar, eu gostaria de publicamente agradecer à WWF Brasil por ter sido uma instituição que deu voz a gente que está lá, na Amazônia. Nós somos especialistas em mercúrio, a gente trabalha há cerca de 20 anos com exposição ao mercúrio. tanto em humanos como em modelos animais. E a gente chegou até aqui, estamos ocupando esse espaço e presente nas discussões sobre o mercúrio no país, através desse apoio, e fica aqui publicamente o agradecimento. Eu sou a professora Gabriela Rifano, sou biomédica de formação, sou professora da Universidade Federal do Pará, Eu sou amazônida nascida e criada em Belém. É... Você pode passar, por favor? Então, a gente vai falar um pouquinho. Eu vim fazer coro aos colegas que aqui já passaram e que... apresentaram seus trabalhos. E eu vou falar um pouquinho sobre o cenário da exposição humana ao mercúrio na Amazônia, mas tem uma grande interrogação. e a gente vai entender por quê. Então, ali era o nosso time, né? Nós somos três coordenadores no laboratório, a professora Maria Helena Crespo Lopes, eu e o professor... Marcos Oliveira, gostaria de dizer que nós somos um grupo diverso, E, dentro do nosso grupo de pesquisadores, nós temos alunos quilombolas, alunos ribeirinhos, alunos indígenas... que ajudam a construir o conhecimento que a gente traz aqui. Então, o Mercúrio, pode passar, por favor. ele é responsável por Já foram descritos na literatura mais de 250 sinais e sintomas e a gente trabalha hoje com a possibilidade de que ele afeta praticamente todos os sistemas do corpo humano. Dentre os sistemas mais afetados, a gente fala do sistema nervoso central, que é o mais debatido e conhecido. E é importante destacar que Uma vez que os efeitos começam a aparecer, dificilmente você consegue retardar ou você consegue a cura. O que pode acontecer é um remodelamento a nível das células do sistema nervoso, que a gente consiga ajustar, reestabelecer algumas funções. Por que isso é importante e por que eu remarco isso? Porque a gente precisa atuar na prevenção, porque da feita que a gente já tem os casos de intoxicação, em que as pessoas já estão manifestando os sintomas, Hoje, muito pouco pode ser feito a nível médico, a nível de ciência mesmo. Pode passar, por favor? Obrigado. As populações amazônicas estão entre as mais expostas do mundo. E esse gráfico é de um trabalho recém-publicado pelo nosso grupo. E a gente tem uma comparação aqui, por exemplo, entre coortes de pessoas que moram no Reino Unido, nos Estados Unidos. E quando a gente compara a concentração de mercúrio no sangue das pessoas aqui da Amazônia, a gente consegue observar que a diferença é brutal. Então, a gente fala mais ou menos de 25 microgramas por litro de mercúrio no sangue, em comparação com 0,3, 2, arredondando. Então, nós estamos realmente entre as populações mais expostas. Pode passar, por favor. Na Amazônia, quando a gente fala de mercúrio, aí você pode passar também, eu queria discutir com vocês que a gente não fala só de garimpo. Então, é um... um perigo a gente falar apenas sobre garimpo. Então, a gente tem um cenário onde os desmatamentos, as construções de grandes projetos, como a hidrelétrica, elas remobilizam o mercúrio e aumentam o mercúrio nessas regiões. Então, a gente não está falando de pessoas impactadas apenas no garimpo. Então, nós temos populações em outras regiões da Amazônia que não têm atividade garimpeira concentrações de mercúrio em seus corpos acima dos limites máximos estabelecidos. E vejam, eu estou falando de limite máximo, não estou falando de limite de segurança, porque quando a gente fala de mercúrio, não existe limite de segurança. Existe o que seria... permitido através da alimentação um cálculo aproximado do nível semanal. Mas a gente não fala em segurança, porque mesmo em baixas concentrações, o mercúrio é capaz de causar danos ao ser humano. Pode passar, por favor. Quando a gente fala de populações tradicionais da Amazônia, tradicionalmente essa exposição vem através da alimentação, como já exposto aqui por alguns colegas. principalmente através do peixe, mas a gente também pode passar por favor. precisa... entender que a gente tem outras dinâmicas, como a exposição ocupacional, ainda há pouco falada pelo... pelo colega. No entanto, a gente não pode mais olhar como cenários separados, exposição ambiental e exposição ocupacional, porque quem está exposto ocupacionalmente eventualmente vai estar exposto ambientalmente, porque está consumindo o peixe, por exemplo, daquele local. Então a gente fala em múltiplas vias de contaminação. E por que eu estou trazendo isso para vocês? Para que a gente entenda que falar de exposição humana ao mercúrio é falar de diversas camadas. diversos pontos que a gente precisa abarcar para que a gente consiga trazer dignidade em relação à saúde dessas pessoas. Podemos passar, por favor? É... É... Outro ponto importante: a gente que está lá na Amazônia, que está nos territórios, que conhece a dinâmica, a cultura dos nossos povos, a gente entende que é uma violência sem tamanho que você diga, não consumam mais os peixes do território. E isso já foi feito. Outros grupos que não conhecem a dinâmica da Amazônia já estiveram nos nossos territórios e falaram para populações ribeirinhas, por exemplo, não consumam o peixe. E essa não é a alternativa. O que a gente pode fazer? O Décio trouxe ainda há pouco. Estabelecer os níveis, as concentrações de mercúrio nos peixes.
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