
Todos... Diferente do que eu normalmente faço, eu vou fazer... escrevi um texto para poder fazer essa apresentação. Normalmente eu vou falando... seguindo um roteiro, mas dessa vez eu vou... Vou tentar aqui seguir um texto, dado a importância. ...deste momento aí... criado também pelo deputado Orlando Silva. Então, quero inicialmente cumprimentar os deputados federais responsáveis pela realização deste seminário. em especial o deputado Orlando Silva, primeiro vice-coordenador da bancada negra, da Câmara dos Deputados. e autor do PL 4143 de 2025. que propõe a inscrição do nome do professor Milton Santos no livro de Heróis e Heroínas da Pátria. especialmente também o deputado Márcio Gerri, do PCdoB do Maranhão, e presidente do Centro de Estudos e Debates Estratégicos. bem como toda a equipe do Centro de Estudos e Debates. Cumprimento também a Nina Santos. secretária de Junta de Políticas Digitais da SECOM e neta do homenageado neste seminário que celebra o centenário do professor Milton Santos. Eu vou fugir só um pouquinho do que eu estou... que ele vem aqui que eu escrevi aqui pra dizer o seguinte: eu acho que nunca em nenhum momento e... A compreensão desse mundo digital se torna tão presente. Então, Sabê-la nesse lugar de Nintendão tendo os referenciais teóricos e conceituais que você tem. pela sua própria formação. e essas que são adquiridas como legado do professor Milton Santos, torna essa posição para mim extremamente importante. ... Saí do roteiro só por conta disso, para te dizer isso aí, viu, Nina? Também o professor Jaime, que deve falar daqui a pouco, Jaime Tadeu Oliva, lá do Instituto de Estudos Brasileiros, a professora doutora Maria Mônica Roios, que falou aqui, também o professor doutor aqui, Maurício da Costa, do Instituto Federal de São Paulo. E... e os pesquisadores, pesquisadoras, estudantes, representante dos movimentos sociais servidoras e servidores públicos presentes neste encontro. tanto aqui no auditório Nereu Ramos, quanto que aqueles que estão nos acompanhando e aquelas na sala virtual. Agradeço sinceramente o convite para participar deste seminário. dedicado ao centenário de nascimento de Milton Santos, intelectual cuja obra permanece profundamente atual para pensarmos o território brasileiro. as desigualdades socioespaciais, a cidadania e os desafios contemporâneos da democracia e soberania brasileira. também salientado aí na fala... da Nina e também como preocupação aqui do Maurício de Mônica, de todos nós, né? E aí Obrigado. Falar sobre Milton Santos na Câmara dos Deputados possui um significado político e simbólico Muito importante. porque sua obra contemplou as reflexões acadêmicas da vida pública bem como o compromisso com a transformação social. E há um elemento particularmente forte e especial neste seminário. Ele ocorre justamente no momento em que o nome de Milton Santos passa a circular também um debate sobre a inscrição E... no livro heróis aí, heroínas da pátria. E isso reforça... o caráter de intelectual público e nacional desta homenagem. Eu organizei, tinha organizado a minha fala aqui em cinco partes, seis. É difícil organizar a fala sobre o professor Milton Santos, Agora mesmo, E o pior é quando você fala depois das pessoas, porque aí as pessoas vão fazendo algumas falas e você fica pensando: "Por que eu não coloquei isso na minha fala? Por que eu não fiz isso? Por que eu não fiz isso?" E aí tem um pouco daquilo que o Maurício mesmo trouxe, né? Imagina uma pessoa com 40 livros, mais de 380 artigos, as entrevistas, as coisas que, à medida que a gente vai mapeando, vai pesquisando a vida do professor, vai descobrindo. Então, são tantas coisas. E aí você fica ouvindo, ouvindo, ouvindo, e algumas coisas que a gente às vezes vê, né? o professor falando, o vigor da fala, assim, a vivacidade do olhar das pessoas que puderam conviver com ele, o sorriso é tanta coisa que aí você vai ouvindo e você fica meio... Por isso que eu falei, não, eu vou escrever dessa vez. E eu estava todo feliz com a escrita, aí me deram um negócio que me trouxe paura, olha, só tem 15 minutos. Eu tinha escrito umas 20 páginas, então agora tem uma... Tem uma coisa aqui que vai ser reorganizada. Então, eu tinha pensado de falar um pouco de cunho uma fala, de cunho biográfico, mas eu acho que já está contemplada pela fala das pessoas que me antecederam. Uma segunda, que eu queria falar um pouco sobre as relações raciais. mas ontem eu reestruturei isso, porque não daria para falar dela de uma maneira bastante aberta, mas de qualquer maneira, E... Mesmo considerando aqui o curto tempo para essa apresentação, eu acho que faz necessário comentar, ainda que brevemente, a natureza estratificada das relações raciais brasileiras. porque elas são fundamentais para compreender de maneira mais profunda A Vida, a Trajetória Intelectual e a Obra do Professor Milton Santos. porque sua experiência histórica foi atravessada... pelas contradições de uma sociedade marcada simultaneamente pela intensa presença da população negra, e pela persistência de desigualdades graciais estruturais ainda distantes de superação. Milton formou-se como homem negro, nordestino e intelectual em um país que ao longo do século XX construiu internacionalmente a imagem de uma suposta democracia racial. enquanto mantinha profundas hierarquias sociais, espaciais e econômicas associadas à ideia de raça. compreender esse contexto ajuda a perceber que sua trajetória acadêmica extraordinária não ocorreu em condições neutras. mas em meio a barreiras simbólicas, institucionais, e sociais, historicamente impostas à população negra brasileira. E Além disso, essas relações... raciais, né? Permite interpretar com maior densidade crítica a sensibilidade presente em sua obra diante da pobreza, da exclusão territorial, da cidadania desigual e das formas de invisibilização produzidas pela modernização desigual brasileira. Mesmo quando a questão racial não aparece explicitamente como tema central de seus textos mais lidos, porque ela se apresenta em alguns textos e em algumas falas, ela atravessa sua biografia, sua experiência de mundo e sua maneira de pensar os sujeitos subalternizados, os territórios periféricos e os homens lentos da globalização. Na terceira parte, eu tinha mais ou menos pensado, dito isso sobre as relações raciais, Na terceira parte, Eu tinha pensado em falar um pouquinho o Milton como esse intelectual do século XXI. que vem sendo aqui citado de uma certa forma, e que é uma formulação da professora Mônica Rois. bastante pertinente. para denominar o professor. O professor tem vários prosônimos. Acho que esse é um desses que eu considero interessante. E aí depois na quarta Na quarta parte, eu pensei de falar um pouquinho do Milton como o geógrafo das quebradas, um outro prosônimo. tentando explicar o porquê desse. e também a indissociabilidade do acadêmico e do popular e a subrapertinência do PL, apresentado pelo deputado Orlando Silva. Então, Milton Santos, pensando o Milton como geógrafo do século XXI, Milton Santos é frequentemente chamado de geógrafo do século XXI. porque grande parte de suas interpretações sobre o mundo contemporâneo antecipou transformações econômicas, tecnológicas, políticas e territoriais que se tornariam ainda mais visíveis após o seu encantamento. A sua passagem em 2021. embora tenha nascido no século XX, Muitos pesquisadores, estudantes e intelectuais consideram que suas ideias alcançam enorme atualidade justamente no século XXI. especialmente diante da intensificação da globalização da revolução tecnológica, da financiarização da economia e do aprofundamento das desigualdades sociais e espaciais. O que é isso? Uma das razões centrais para essa denominação está no fato de Milton Santos ter compreendido precocemente que o espaço geográfico passaria a ser organizado por sistemas técnicos, cada vez mais sofisticados e articulados em escala mundial. Antes mesmo da consolidação das redes digitais, das plataformas tecnológicas e da hiperconectividade contemporânea, Ele já analisava como a técnica, a informação e as finanças reorganizariam profundamente o território e a vida cotidiana. Assim, a sua interpretação do espaço geográfico como um meio técnico científico e informacional tornou-se especialmente atual no século XXI. Para Hamilton Santos, o avanço das tecnologias da informação. das telecomunicações. da informática, dos transportes rápidos e das redes financeiras, produzia uma nova configuração do capitalismo global. Hoje, quando a vida social depende intensamente da internet e dos aplicativos, dos algoritmos, dos fluxos financeiros globais e da circulação instantânea de informações, Pode-se verificar a pertinência valiosa e inestimável das suas formulações... teórico-metodológicas. para a compreensão do presente. ou seja, do período técnico-científico-informacional atual. indissociável do espaço geográfico atual. ou seja, do meio técnico-científico e informacional. A teoria de Milton Santos antecipou grande parte dessas transformações. Além disso, a sua análise crítica sobre a globalização revelou enorme capacidade de projetar E aqui eu coloquei um destaque... e não profetizar o futuro. A ideia de que o professor Milton Santos profetiza o futuro minimiza o rigor... do tratamento metodológico que ele dava aos seus conceitos e categorias. Então só é possível pensar o futuro, Como o Milton pensou, muito em conta do rigor metodológico dele, transformando as explicações do espaço geográfico por meio da ideia de sistemas técnicos, de períodos técnicos e de meios técnicos. Isso não é profetizar. Isso é rigor... científico, é rigor acadêmico. É entender os sistemas técnicos como uma continuidade, como uma coexistência, aquilo que está presente na obra do professor. É a mesma coisa que abrir mão do funcionamento mecânico dos automóveis. que só agora se tornam elétricos. o sistema técnico se sobrepõe A compreensão precisa disso é que permite entender as fases das tecnologias. Então, Milton não era um profeta. Ele era um intelectual, um acadêmico, um cientista social rigoroso. E por isso ele teve... essa possibilidade de enxergar antes que todos nós isso que nós estamos vivendo agora, mas não como profecia. Faço essa, digo isso com ênfase também, Porque, muitas vezes, essa é uma das formas de minimizar a importância do professor. E isso precisa ser enfatizado. Bom, voltando aqui. Amém. Além disso, sua grande crítica... Sua análise crítica sobre a globalização revelou enorme capacidade de projetar e não profetizar o futuro. No livro Por uma Outra Globalização, publicado em 2000, ele afirmava que a globalização não deveria ser entendida apenas como integração econômica positiva, mas também como um sistema produtor. de desigualdades, exclusões e novas formas de dominação. ele distinguiu três dimensões da globalização: A globalização como fábula, como já foi apontado aqui pelo Maurício, pela professora, pelo professor Maurício, pela professora Mônica, a globalização como perversidade e como possibilidade. A globalização como fábula corresponderia ao discurso oficial que promete prosperidade universal integração e modernização para todos. A globalização como perversidade revela os efeitos concretos do capitalismo global: aumento da pobreza, desemprego estrutural, precarização do trabalho, concentração de renda e aprofundamento das desigualdades territoriais. Já a globalização como possibilidade apontava a capacidade dos povos, movimentos sociais e sujeitos historicamente subalternizados criarem alternativas mais humanas e solidárias. No século XXI, marcado pelo crescimento das desigualdades globais, pelas crises financeiras, pelos conflitos migratórios, pela concentração das Big Techs e pelas disputas em torno da informação, E dos dados, suas interpretações ganharam ainda mais relevância. Vou pular um... trecho, equipam, um Vou tentar cumprir o meu tempo aqui da melhor maneira. Outro aspecto fundamental é que Milton Santos elaborou uma teoria do espaço a partir do sul global, Isso que hoje As pessoas tratam como decolonialidade, contracolonialidade. O Milton já estava pensando isso nos anos 60. sem dar esse nome para isso, estabelecendo as rupturas que foram trazidas aqui pelo professor Maurício, quando diz a explicação própria do Milton sobre a urbanização. É fundamental a gente entender isso, que parte do processo de resistência, parte do que a gente chama hoje de descolonização, também é uma interpretação teórica e conceitual do mundo, que o Milton produziu exatamente pelas experiências que ele pôde ter. convivendo na Bahia, convivendo na África, convivendo na América do Sul, de uma maneira geral, Venezuela e Peru. E isso deu para ele essa possibilidade de ser este geógrafo do terceiro mundo, como o que dá título a uma das suas obras. Então, em vez de interpretar o mundo exclusivamente a partir das experiências europeias ou norte-americanas, produziu conhecimento desde a realidade latino-americana, africana e periférica. Isso fez com que sua obra adquirisse enorme importância no século XXI. período em que cresceram as críticas ao eurocentrismo e se ampliaram os debates. Tem mais algumas coisas aqui relacionadas ainda ao Milton como geógrafo do século 21, avançar um pouquinho nisso, Para assegurar também que haja um tempo... disposição bom para o pelo professor Jaime, Mas eu também quero falar do Milton como geógrafo das quebradas. Tiatar Milton Santos, como geógrafo das quebradas, não constitui apenas uma formulação simbólica, afetiva ou militante. Trata-se de uma interpretação teoricamente defensável da circulação social de sua obra. especialmente entre 1977 e 2021. período em que Milton Santos alcança maturidade crítica e passa a construir uma interpretação radicalmente original sobre o território, sobre a Pobreza, globalização, cotidiano, técnica e cidadania. A partir... da experiência histórica dos sujeitos subalternizados do sul global. A expressão geógrafo das quebradas não significa que Milton Santos tenha produzido uma geografia exclusivamente voltado às periferias urbanas. Significa antes que sua obra passou a ser apropriada por coletivos periféricos alguns presentes aqui. movimentos sociais, educadores populares, artistas, organizações negras, movimentos de moradia, juventudes urbanas e sujeitos historicamente subalternizados, como instrumentos de interpretação crítica do mundo vivido. Essa apropriação ocorre, muitas vezes, de forma distinta da leitura acadêmica tradicional. Enquanto parte da academia enfatiza, sobretudo, a complexidade, a sofisticação epistemológica, metodológica e conceitual da sua obra, As quebradas frequentemente reconhecem em Milton Santos alguém que ofereceu linguagem, dignidade intelectual e interpretação histórica, para compreender a experiência concreta da exclusão territorial. Essa distinção é importante... Essa discussão é importante. Nas universidades, Milton costuma ser lido, como grande teórico do espaço, da técnica, da urbanização e da globalização. Nas periferias, ele muitas vezes é apropriado como intérprete da vida desigual. da violência territorial, do capitalismo, da segregação urbana e da sobrevivência cotidiana dos pobres. Em outras palavras, a academia frequentemente consagra Hamilton Santos... como um clássico que é As quebradas, frequentemente, o transformam em ferramenta política, e pedagógica de leitura da realidade. Essa apropriação popular torna-se especialmente possível na fase que eu já citei, de 70 a 2001. É nesse período que Milton Santos desenvolve conceitos decisivos como meio técnico-científico-informacional, circuitos superiores e inferiores da economia urbana, cidadania incompleta, território usado, globalização, perversidade, fábula, possibilidade, Homem lento, horizontalidades e verticalidades, espaço banal, período popular da história. Esses conceitos dialogam profundamente com experiências concretas, vividas nas periferias urbanas, nas comunidades negras, nas ocupações, nos assentamentos, nos territórios indígenas, quilombolas e nas formas populares de sobrevivência econômica e cultural. Quando Milton Santos analisa, por exemplo, o circuito inferior da economia urbana, Ele está descrevendo, precisamente, os mecanismos econômicos que sustentam grande parte da vida nas quebradas. Trabalho informal, pequenos comércios, improvisação econômica, redes de solidariedade e estratégias populares de sobrevivência, diante da exclusão produzida pelo capitalismo moderno. Ele demonstra também que esses territórios não são resíduos atrasados, da modernidade, mas parte estrutural do funcionamento desigual do capitalismo periférico. Da mesma forma, sua ideia de território usado aproxima-se profundamente da experiência periférica. Para Milton Santos, o território não é apenas delimitação jurídica normativa. Obrigado. E... do Estado, mas o espaço efetivamente vivido, praticado e apropriado pelas pessoas comuns. Isso faz enorme sentido para as quebradas, onde o território aparece como lugar de pertencimento proteção, memória, conflito, identidade e resistência cultural. Neste ponto, o fato de Milton Santos ser negro nordestino possui enorme relevância para que ocorra essa identificação periférica. ainda que sua obra nem sempre trate explicitamente da questão racial como tema central. Sua trajetória biográfica influencia fortemente o modo como percebe o mundo. Milton conheceu desde cedo as desigualdades regionais, raciais e territoriais no Brasil. Viveu a condição de homem negro em espaços elitizados da Academia Nacional e Internacional. Experimentou deslocamentos, exílio, discriminações e diferentes formas de subalternização simbólica. Tudo isso contribuiu para sua sensibilidade em relação aos sujeitos historicamente invisibilizados. O que o Lato é aqui? a noção de revanche do território E nós estivemos no seminário semana passada... e uma das coisas mais marcantes do seminário Foi ver... que a Educação Popular produziu uma camiseta que eu quase vim vestido com ela hoje, fiquei pensando se eu não deveria vir com ela Depois que eu não cheguei aqui, eu pensei que deveria. Não, não. e que traz a ideia, traz o conceito de revanche de território. na perspectiva que o professor Maurício muito bem explanou aqui, essa é a revanche do território, essa é a revanche dos de baixo, dos de baixo. Então, a noção de revanche no território ajuda muito a compreender essa apropriação. Em Milton Santos, a globalização corporativa tenta impor verticalidades, normas, fluxos financeiros. tecnologias e racionalidades produzidas pelos grandes agentes econômicos e políticos. Entretanto, os territórios usados pelos pobres produzem horizontalidades, solidariedades, redes locais, economias populares, culturas periféricas e formas alternativas de viver o espaço. Nesse sentido, quando as quebradas se apropriam da obra de Milton Santos, ocorre uma espécie de revanche simbólica e política, do território. comandado pelos de baixo, os sujeitos historicamente tratados, apenas como objetos da modernização passam a se reconhecer como produtores de interpretação crítica do mundo. A periferia deixa de ser apenas espaço de carência e escassez. para tornar-se espaço de elaboração política, cultural e intelectual. Essa leitura... conecta diretamente a ideia miltoniana de período popular da história. Para Milton Santos, o avanço das técnicas e da informação... embora apropriado hegemonicamente pelo capital global, também cria... possibilidades inéditas para que os pobres, os excluídos e os sujeitos periféricos construam novas formas de consciência e ação política. o período popular da história, seria justamente o momento em que os homens lentos, aqueles historicamente subalternizados, pela velocidade seletiva do capitalismo, passam a produzir novas centralidades Políticas e culturais. centralidades essas que também apareceram na fala da professora Mônica Ruiz. As quebradas representam precisamente essa possibilidade histórica em movimento. Nela surgem coletivos culturais, mídias independentes, redes de solidariedade, movimentos negros, pedagogias periféricas, batalhas de rima, saraus, ocupações urbanas, formas autônomas de circulação da informação e da cultura. Tudo isso dialoga profundamente com a esperança histórica e otimismo presente na fase final da obra de Milton Santos. quando ele afirma que os pobres não se entregarão. está reconhecendo exatamente a potência histórica desses territórios populares. Vou pular uma parte aqui, e para que não haja dúvida, eu quero falar da indissociabilidade do acadêmico e do popular. É um pouco maior, mas só para que a gente tenha a compreensão de que essas coisas não disputam. A leitura acadêmica da obra de Milton Santos, realizada pelas universidades, centros e núcleos de pesquisa, e a leitura popular realizada pelas quebradas não devem ser compreendidas, como interpretações rivais concorrentes ou hierarquicamente opostas. Ambas constituem formas distintas, porém complementares, de circulação, atualização e vitalização do seu pensamento. no mundo contemporâneo. Em vez de existir uma disputa entre a universidade e a periferia, pelo verdadeiro significado de Milton Santos, O que existe é a demonstração da extraordinária capacidade... da sua obra atravessar diferentes sujeitos históricos linguagens, experiências sociais e formas de apropriação do conhecimento. A academia possui o papel fundamental na preservação, sistematização, aprofundamento teórico e rigor interpretativo. de sua produção intelectual. Foi no interior das universidades, grupos de pesquisa, programas de pós-graduação e redes científicas nacionais e internacionais que a densidade epistemológica de conceitos como o território usado, meio técnico-científico-informacional, espaço banal, horizontalidade e globalização foi debatida refinada, e difundida mundialmente. Sem esse trabalho acadêmico, grande parte da sofisticação teórica de Milton Santos, talvez não tivesse alcançado o reconhecimento internacional nem permanecido viva como referência científica central para a geografia e para as ciências humanas. Por outro lado, as quebradas, os movimentos sociais, Os coletivos culturais, as organizações populares e os sujeitos periféricos realizam outra operação, igualmente fundamental Transformam a obra de Milton Santos em experiência social vivida linguagem política, ferramenta pedagógica, e instrumento de interpretação cotidiana da realidade. Nessas apropriações, seus conceitos deixam de existir apenas como formulações acadêmicas, e passam a operar como modos concretos de compreender a cidade, o território, a desigualdade, o racismo, a circulação, a violência, e as possibilidades de construção coletiva da vida. Não se trata, portanto, de oposição. Entre rigor acadêmico e apropriação popular, trata-se de reconhecer que a força de um grande intelectual também pode ser medida por sua capacidade de produzir ressonância simultânea em diferentes escalas da vida social. Poucos autores conseguiram ser, ao mesmo tempo, referência teórica internacional, fundamento epistemológico universitário, Instrumento de leitura crítica para movimentos sociais Inspiração estética e cultural e linguagem política das periferias. Não à toa Ah... A proposição, a apresentação do PL pelo deputado... Orlando Silva se faz necessário. O Milton se inscreve, se insere como no livro dos heróis e das heroínas, da pátria pela sua capacidade intelectual. pela sua forma de intervir, de construir uma nação. que sempre era uma das palavras mais empregadas nos diálogos, com o professor. A ideia de território e de nação. pensando um outro Brasil possível. dado o otimismo que o professor sempre transmitia. Então, perpetuá-lo neste livro é uma ação das mais significativas, que um parlamentar poderia fazer para a sociedade brasileira. E, nesse sentido, eu parabenizo antecipadamente... à iniciativa. tinha muito mais coisa, mas tem que parar, né gente o Milton, a gente precisa de uns 100 anos para falar de tudo dele É isso. Muito obrigado pela atenção de todos.
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