Beto de Jesus

Beto de Jesus

Representante da AHF Brasil

Últimos Discursos

02 de dez, 10:37

PLENÁRIO

Transcrição automática

Bom dia a todas as pessoas. Queria agradecer imensamente o convite pra estar nessa, nessa atividade extremamente importante. Agradecer a deputada Érica Kokai, conheço a Érica já há algumas décadas, e ela nunca foge da luta está sempre, aqui garantindo os nossos direitos a nossa cidadania, trazendo essa discussão tão importante. André falou 1 coisa importante daqueles que vieram antes de nós, Então antes de falar eu gostaria que a gente pudesse fazer memorial. Lembrando em voz alta o nome das pessoas que vieram antes de nós pra que nós pudéssemos estar aqui hoje. Eu vou iniciar dizendo Jorge presente e eu convido vocês a fazerem a saudação às pessoas que vocês lembram por favor. Bruna Balin. Foram tantas e tantos, que lutaram, que não estão mais entre a gente, pra que a gente pudesse, chegar aonde a gente chegou. E eu gostaria de começar a minha fala a partir daí. Eu, eu acho que a gente teve período muito ruim, aqui no Brasil, onde a gente perdeu muito nas políticas públicas. Mas, eu gostaria de dizer, que independente disso, nós ainda vivemos de passado. E a gente precisa acordar. A gente precisa acordar, porque não dá pra viver de glórias passadas. A gente tem muitas mazelas. Na luta contra o HIVAids no Brasil, muitas. HF está aqui no Brasil desde 2014. E a gente tem feito trabalho muito direto junto com o SAAES, com alguns CTAs, em várias regiões do país. São Paulo, Pernambuco, Belém, Amazonas, e Rio Grande do Sul. No Rio Grande do Sul, a epidemia está se tornando 1 epidemia generalizada, ou seja, a gente tem 1 porcentagem de população geral infectada, que já não é mais 1 epidemia concentrada, 2.5 por 100 em mulheres gestantes, 0.6 por 100 em população geral. As pessoas que chegam pra nós, no Rio Grande do Sul, elas chegam com avançada na testagem, na sua primeira testagem. C d 4 com menos de 201 pessoa que chega assim, é muito difícil. E aí, a gente precisa falar sobre a nossa linha de cuidados. Porque a gente secciona essa linha de cuidados. Então quando a gente fala, a testagem, oportuna é a primeira etapa da linha de cuidados. E muitas vezes a gente negligencia algo que é tão importante. É impossível num país como o Brasil, a gente receber pessoas já, com avançada no seu primeiro teste. Nós temos a distribuição da medicação pelo SUS gratuita. É impossível ter 10000 pessoas morrendo de HIVAIS. E aqui tem 1 questão muito importante. Eu acho que nenhuma doença, no seu período de existência, teve tanto avanço quanto o HIV, talvez a covid agora que a gente teve vacinas em tempo recorde etcétera etcétera, mas o HIV, se a gente pega do começo da epidemia, até hoje, quando a gente tomava 30 comprimidos e hoje toma comprimido, quando se falava que 1 pessoa com hva tinha 1 sentença de morte que não podia constituir família, e hoje a gente constitui família, a gente trabalha, a gente tem vida, etcétera etcétera. E aí tem 1 questão que a gente precisa conversar. A tecnologia pro HIVAids está muito rápida, e isso é bom. Só que isso não garante vida pras pessoas, porque falta o acesso. Falta o acesso pra essa tecnologia. E 1 outra coisa importante, e aqui assim, eu estou tomado de sentimento, porque eu estou dentro de espaço onde as pessoas decidem as nossas vidas, e muitas vezes eu vi nesse espaço, as pessoas decidindo a nossa morte. Quando tolhem, boicotam as políticas que geram vida. Pras pessoas, pras mulheres, pras pessoas negras, pras pessoas LGBT, pras pessoas pros PCDs. Achando que essas pessoas têm direito direitos menores, ou não têm necessariamente direitos. Então isso é muito complicado então, entender que o, quando a gente fala em HIVAids, a Vanessa bem disse. O medicamento é extremamente importante mas não é só o medicamento. Eu preciso de casa, eu preciso de comida, eu preciso de trabalho, eu preciso de respeito, eu preciso de acolhimento. Isso tudo faz parte do tratamento. O tratamento não é só tomar o comprimido. Que é extremamente importante. E eu acho que a gente precisa redimensionar as nossas ações. Porque essas questões elas são extremamente importantes, e se a gente não consegue, assim 10000 pessoas mortas por ano é muita coisa, num país que distribui a medicação gratuitamente. Gratuitamente. Então, eu acho que a cada ano a gente celebra, a cada ano a gente olha pra trás, mas que a gente tem essa perspectiva de que o enfrentamento da pandemia de HIVAids no Brasil e na América Latina no mundo, ela pede muito mais do que medicamento. Ela pede políticas públicas concretas, e ela pede ela pede que a gente possa olhar as pessoas como pessoas inteiras, que necessitam de tudo isso. Muito obrigado.

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