CÂMARA DOS DEPUTADOS - OUTROS EVENTO
Sobre o Evento
Estágio-Visita na Câmara dos Deputados celebrou 35 anos da Constituição, com participação de deputados e estudantes. Enfocou desafios e avanços legislativos, história política, direitos, educação e meio ambiente. Destacou a importância da diversidade de opiniões e da atuação feminina na política. Concluiu com incentivo à mobilização cívica e à educação pública.
DIRETOR DA COORDENAÇÃO DE TRANSMISSÃO
E ela nos permite falar sobre temas que a gente não tem a oportunidade de falar todos os dias aqui na Câmara e também por dividila com a Sama, Sâmia que é uma deputada com quem eu tenho muita afinidade política e pessoal. Eu sou fruto e todos nós somos dos tempos e da história que nós vivemos, e sou filha de família de trabalhadores, ou seja, pessoas que acordavam cedo para trabalhar e conseguia a sua sobrevivência cotidiana. Então vivia as contradições que imagino que parte significativa de vocês viveram, né? Tem pai que tinha que trabalhar muito, uma mãe que trabalhava muito, e vendo dois tipos de desigualdades muito fortes no nosso país. Primeiro a desigualdade entre ricos e pobres, ou seja, uma maioria trabalha para produzir o que nós todos compartilhamos no dia a dia, uma minoria ganha lucro em cima deles, que é o que é a minha família. E uma outra desigualdade que é a desigualdade entre homens e mulheres, ou seja, mulheres que fazem o trabalho cotidiano do cuidado que nós sabemos que em grande parte na nossa sociedade não é remunerada e não é valorizada. E nessa desigualdade entre tanto a desigualdade econômica como a desigualdade de gênero ela é hierarquizada e colocada dentro da política. Não à toa nós temos o mundo político e a Câmara dos Deputados se reverbera isso majoritariamente de homens brancos ricos. Isso não é por acaso, isso é fruto das desigualdades que nós temos no nosso país. Então eu tive a oportunidade de sair do interior de Minas Gerais e para uma cidade média, estudar numa universidade pública, diferentemente de todos os meus familiares, eu fui a primeira a fazer universidade pública e diferentemente inclusive de todos os meus primos, eu fui a primeira a fazer mestrado, a primeira doutorado porque a gente tinha políticas públicas que garantiam isso. E pude conhecer o movimento estudantil que foi uma virada fundamental, ou seja, o início da minha trajetória política tem a ver com o que boa parte de vocês deve viver que é na universidade conhecendo a militância estudantil e tive também oportunidade de conhecer o feminismo dentro da universidade. E colocar essas duas bandeiras que é de verdade o enfrentamento à desigualdade econômica, o enfrentamento à pobreza, o combate à pobreza e o enfrentamento à desigualdade entre homens e mulheres. E nesse sentido a gente se colocar, né, porque nós mulheres todos os dias, assim como eu tenho certeza que vocês vivenciam, nós somos desestimuladas a ocupar esse espaço e não só desestimuladas como nós somos constrangidas a provar todos os dias que conseguimos o fazer o que nós sabemos que que nós conseguimos fazer muito bem. Então passei por todas as situações que é enfrentar o universo público, passar por experiências de machismos cotidianos, de machismos tanto por professores, alunos, depois eu me tornei professor universitário que é a profissão que orgulhosamente exerço hoje, e, enfim, lidar com esse desafio que é todas as vezes que a mulher entra no cenário público ela é cotidianamente desestimulada e sofre diversos tipos de violência política como a Sâmia muito bem colocou. Agora nós temos uma virada e que a geração de vocês é muito fundamental. Vocês têm uma relação que já é uma relação mais igualitária, vocês mulheres já se colocam muito mais e eu sei que isso é fruto das gerações que vieram anteriores, inclusive a minha, que colocaram a importância da gente construir mulheres e homens. Aqui na Câmara a gente tem momento hoje de maior participação de mulheres, é muito interessante nós termos sim uma articulação forte entre as mulheres e que possibilita a gente também construir condições pra que várias outras cheguem. O que eu acho que é fundamental pra concluir é que a gente coloca no centro a construção da igualdade, e construir a igualdade de fato passa por a gente acabar com a desigualdade, que é a divisão desigual do trabalho que ainda persiste e é permanente na nossa sociedade. Então eu sou muito otimista com o futuro que nós temos adiante.




