PLENÁRIO

13 nov. 2024 11:13 às 18:06

Sobre o Evento

Sessão plenária com vários deputados fazendo comunicações e votações, alternando a presidência entre Pompeo de Mattos, Coronel Meira, Maria do Rosário, Arthur Lira e Sóstenes Cavalcante. Várias votações realizadas com diversos deputados participando.

#162
Transcrição automática

É muito triste a gente ainda ter que ouvir alguns discursos que demonstram o peso da com, de como as pessoas ainda aceitam viver com a exclusão que o racismo promove no Brasil. Como é possível que alguém não sinta nenhum problema em nunca ter tido professor negro? Isso é problema social porque a gente está num país que é 56 por 100 negro. 1 pessoa nunca ter tido professor negro, médico negro, significa que ela não pôde, não teve a oportunidade, de se educar pras relações étnicoraciais. E é por isso, que a gente ainda tem essa incompreensão sobre a questão no racismo no Brasil. E aqui eu quero trazer, dados concretos. As ações afirmativas, desde que implementadas, têm transformado vidas. São milhares de brasileiros e brasileiras que historicamente foram afastados dos espaços de decisão e poder. E sabemos que as quotas são 1 ferramenta poderosa, essencial para corrigir desigualdades históricas, ciclos históricos de pobreza, e fazer 1 transformação estrutural, que afeta principalmente a população negra, parda, indígena e quilombola. Pra dimensionar o tamanho dessa desigualdade, eu trago dados do Instituto Etus, de 18 de setembro. Os conselhos de administração das empresas são ocupados por 93.8 por 100 de pessoas brancas. Quem não se incomoda com isso, demonstra o seu desconhecimento sobre o que é a desigualdade, sobre o que é o racismo. Nós temos 84 por 100 de pessoas brancas em cargos de liderança, em cargos de poder, em cargos de decisão. Nos cargos executivos e de diretoria, a proporção também é alarmante. 84 por 100 são brancos, apenas 13.8 por 100 são negros, 2.2 por 100 são amarelos e por 100 é indígena. Não podemos ignorar o fato de que as pessoas indígenas não atingem nenhum por 100 dos cargos em nenhuma categoria. Esse cenário é reflexo das desigualdades históricas que atravessam esse país, mas essa luta não é apenas dos grupos afetados. É 1 luta de toda a sociedade, que acredita na justiça, que acredita na equidade, e que quer serviço público que reflita a diversidade do nosso país. O projeto de lei em questão, propõe a ampliação do percentual de vagas reservadas em concursos públicos, de 20 pra 30 por 100. Isso pode transformar a vida de inúmeras pessoas, oferecendo novas oportunidades de mobilidade social e participação política, especialmente para aqueles que ainda enfrentam barreiras estruturais da exclusão. E ao fazer isso, estaremos construindo Estado que enxerga e valoriza todos os brasileiros, independente de sua cor, etnia, raça ou origem. Porque hoje a realidade é que cor importa sim. Se você não tiver a cor certa, alguns espaços estão negados pra você. Aprovação dessa urgência pra esse projeto, é 1 resposta ao clamor de tantos brasileiros que lutam todos os dias pra superar o racismo, e a exclusão e o preconceito. É passo firme na direção de 1 sociedade justa, na na direção de 1 sociedade equânime, na direção de 1 sociedade que repare os danos da escravização e os danos do racismo que se reproduzem todo dia, em recursos e em discursos como esse, de que a gente está excluindo a questão do mérito. Se a gente for pensar em mérito mesmo, quem quem tem trabalhado há séculos nesse país, quem foi trazido pra cá sequestrado e teve que dar toda a sua força de trabalho por séculos, sem que pudesse acumular riqueza alguma. A a razão da pobreza negra no nosso país, significa a exploração que foi promovida e que foi imposta pra essas pessoas. Tapar os olhos pra essa realidade, é 1 profunda hipocrisia. Como falei anteriormente, que pessoa branca, em sã consciência, tem a coragem de dizer que sua vida seria mais fácil se tivesse na pele de 1 pessoa negra. Isso significa que existe sim reconhecimento de quanto é do quanto é pesado estar nessa sociedade racista. E aí dizer que 1 pessoa que pode entrar num concurso público por 1 reserva de vagas, e essa pessoa vai ter que ser aprovada, essa pessoa vai ter que fazer prova, essa pessoa vai ter que ter nota, Isso significa que ela vai ter que sim ter mérito. Agora dizer que ela está ganhando essa vaga sem nenhum custo, isso é 1 tremenda injustiça. A gente está numa sociedade que gosta, né, de se dizer cristã. Se a gente for discutir mesmo a questão racial, seria muito bom que a gente discutisse na perspectiva da ética, que a gente discutisse na perspectiva da moral. Porque se a gente for olhar para o que é ético, para o que é belo, para o que é bom, isso vai nos mostrar que a diversidade é a realidade. A adversidade é a realidade da natureza. Se a gente olhar pra natureza, a gente tem flores de todas as cores. Se a gente olhar pra natureza, a gente tem 1 1 riqueza enorme e o que enriquece é justamente a diversidade. A gente tem pesquisas que mostram, que espaços que conseguem equilibrar gênero e raça, se tornam espaços mais potentes, espaços que conseguem produzir mais, espaços mais criativos, espaços que diminuem a violência. Esse é o significado de aprovar. Eu posso encerrar a votação.

13 de nov, 16:55