COMISSÃO DE DEFESA DOS DIREITOS DA MULHER
Sobre o Evento
Audiência sobre violência obstétrica com foco na humanização do parto, mediada pela Deputada Juliana Cardoso e especialistas da ReHuNa.
Médico Obstetra, Diretor de Comunicação - Rede pela Humanização do Parto e Nascimento - ReHuNa
Aqui, tem questões técnicas aqui, por exemplo, por que que a médica que a atendeu não sabia fazer 1 versão cefálica externa, né? EEA gente já poderia parar nessa pergunta, né Valéria? Porque assim, o caso da Adelir, ela chegou no dia lá em trabalho de parto na maternidade, e depois ela foi conduzido naquele mesmo dia a força com o bebê pélvico, o bebê sentado, só que esse bebê já estava sentado fazia mais de mês e já sabiam isso. E quando ela estava lá no prénatal, que ela passava pelo posto de saúde, ninguém em nenhum momento sequer ofereceu ou falou olha existe 1 manobra aqui, que os indígenas já faziam, e que hoje em dia é validada por medicina baseada em evidências, tem 1 metaanálise com 13000 casos, meta metaanálise europeia, de versão cefálica externa, que é 1 manobra extremamente simples de ser feita, não invasiva, não corta nada, se vocês jogarem aí no Google, ou no YouTube, onde vocês quiserem jogar escreve versão cefálica externo, vocês vão encontrar vídeos fáceis aí, vídeos rápidos, vocês vão ver médico lá, 1 médico, em outro país as midwifes, enfermeiras, obstetras fazendo, o gel na barriga e virando o bebê na barriga não são todos os casos que viram mas é possível fazer isso, só isso aí já teria resolvido o caso da Adeler porque o bebê o bebê já estaria cefálico, ainda que não resolvesse né e lembrando que é baseado em evidência científicas isso que eu estou falando, ainda que não resolvesse a versão cefálica externa, ainda assim hoje em dia a gente já tem protocolos bastante robustos respaldados para atendimento de partos pélvicos via vaginal, inclusive a Febrasgo lançou recentemente Federação Brasileira de ginecologia e Obstetrícia né Daphne? Lançou recentemente, anexando o protocolo de parto pélvico na na nas nos seus protocolos né? Então a pergunta que eu faria lá naquela ocasião, né a pergunta que você me fez que eu jogaria pra lá falar mas por que a médica não sabia fazer versão cefálica externa? Essa é 1 pergunta. Então, e por que que não aprendeu? E por que que não ensinaram? Por isso que nós precisamos fazer 1 reforma. Por que não ensinaram? E eu sei que ela não sabe, eu sei que ela não sabe porque dentre os médicos que fazem que fazem essas manobras né, eu eu dou aula desse assunto por exemplo e eu recebo muitos médicos do país, que e eu recebo muitos médicos do país, já eu ouvi falar disso aqui e veio parar aqui comigo pra fazer o curso porque isso não é ensinado. Então se não é ensinado a gente tem que reformar o ensino, né a gente tem que resgatar o projeto que foi feito lá no passado, onde tinha verbas pra inclusão de ensino, de humanização do parto nas universidades já na, internatos, nos hospitais de ensino, para os residentes né então lógico que a médica não sabia fazer versão cefalo externo porque ninguém ensina, né? E aí então, segunda pergunta por que a médica não sabia atender parto pélvico? Porque aqui no Brasil foi caindo em desuso a utilização de atendimento para parto pélvico e foi levando todo mundo para para o lado de 1 cesárea, então é entendível que aquela médica que estava lá não sabia atender parto pélvico, mas a pergunta é porque ela não sabia atender parto pélvico? E aí vocês respondem e pensem na cabeça de vocês, que se a gente fizer 1 reforma a gente consegue resolver isso, porque se essa pessoa aprende a atender parto pélvico, por que que ela na hora lá vai se negar atender o parto pélvico, que só vai ter a cesárea como recurso, sendo que a cesárea aumenta riscos pra mulher quando ela é feita? Terceira pergunta, por que a médica não não sabia conduzir parto normal após 2 cesáreas né? Essa vem de grande paradigma lá do passado, quando a cesárea foi feita a primeira vez rapidamente né 1516, Jacob Duffer que era açougueiro castrador de porcas a mulher deles estava em trabalho de parto, e o bebê não nascia de forma alguma já fazia 3 dias que estava em trabalho de parto naquela época eles sabiam que quando não nasci bebê de jeito nenhum, a única pessoa a ser chamada era padre pra dar extrema unção, e ia morrer, a mulher e o bebê. E aí ele num ato heroico pediu autorização pras entidades políticas da cidade lá prefeito alguém, e eles autorizaram ele foi lá cortou a barriga da esposa, e tirou o bebê lá de dentro né dizem que é a primeira história de 1 cesárea, que não foi 1 cesárea, foi corte na barriga né? Mas foi a primeira história, o primeiro ser humano que pensou se não sair pela vagina eu vou cortar a barriga esse bebê vai sair pela barriga, né? Só que a cesárea por 400 anos, lembra foi 1500 tá, por 400 anos, praticamente 100 por 100 das mulheres que iam pra cesárea morriam, né então era 1 cirurgia, onde você dizia assim para a mulher olha desculpe você vai morrer para eu salvar o seu bebê, era mais ou menos essa ideia, no ano 1920, no Brasil ainda a cada 10 cesáreas feitas morriam 7 mulheres, então óbvio que em 1920 ninguém escolhia eu quero fazer 1 cesárea agora com 70 por 100 de chance de morte né? Hoje em dia, a cesárea foi muitíssimo melhorada, mas ela nunca será tão melhorada quanto o que a natureza nos trouxe, que é fisiológico que é o parto normal eu faço 1 comparação por exemplo com o número e o número 2, é mais seguro fazer xixi pela uretra ou cortar a barriga e tirar a urina? É mais seguro fazer cocô pelo ânus, ou cortar a barriga e tirar as fezes, assim como é mais seguro beber sair pela vagina do que pela barriga, né então, a cesárea era sempre recurso extra. E aí então quando surgiu a cesárea, primeiro que, por 400 anos não tinha como saber o que que aconteceria depois de 1 cesárea. Por quê? Porque a mulher morria no cesárea, então não tinha essa mulher pra contar essa história, então não dá pra saber, né? Depois quando as mulheres começam a sobreviver no século 20, após 1 cesárea, ninguém sabia o que ia acontecer depois de 1 cesárea. Então veio paradigma daquela época que era 1 cesárea sempre cesárea, porque eu não sabia o que ia acontecer, né então isso foi, durante décadas com paradigma que foi aliado à medicina obstétrica, tinha evidências científicas naquela época tinha empirismo né? E aí o que aconteceu? Foi que, final do século 20 que começam a sair números suficientes pra respaldar parto normal após cesárea, e aí os números aparecem e mostram que, 0 por 100 por 100 apenas dos casos de parto normal após cesárea, é que há 1 ruptura uterina, e desses 0 por 100 você vai afunilando para a gravidade dessa ruptura uterina que não significa que vai romper outra pessoa vai morrer, né então, a gente encontra 0 por 100 de 0 por 100 de mortalidade dentro da ruptura uterina, né Então a ruptura uterina por parto normal para cesárea é muito baixa, e isso já foi comprovado em evidência científica, só que, viramos o século 20 e e não tinha ainda evidências para 2 cesáreas então, veio o novo paradigma que é 2 cesáreas sempre cesárea. Tem muito médico obstetra que ainda replica essa fala, inclusive no processo da Adelir que a gente leu arduamente esses dias né Valéria? Pra encontrar tudo que tinha lá, o perito do caso lá da Adelir está dizendo lá que não existe evidência científica pra parte normal depois de 2 2 cesáreas, sendo que a doutora Melânia e a doutora Carla, que são professoras dessa área, anexaram lá as evidências científicas que não foram lidas. As evidências científica de parto normal pós 2 cesárea, hoje a gente sabe que são 0 6 por 100 de ruptura, uterina, ou seja estatisticamente 0E0 6 por 100 eles estão empatados. Hoje, na medicina baseada em evidências, 1 ou 2 cesárea estão na mesma estatística pra pra pra tentativa de parto normal após cesárea. Então não tem mais essa na na nas evidência científica de hoje que 2 cesárea é sempre cesárea, né? Só que lá no laudo, o perito que escreve aquilo escreve a coisa do século passado e o juiz aceita, e não aceita o que a perita do século 20 e escreveu ali. Aí porque foi usado força policial, e porque o marido, e porque ela e o marido foram maltratados pela médica, aí isso já está nas respostas que a própria Valéria deu, eu não vou entrar na parte médica disso porque isso envolve várias outras coisas, mas da parte médica sim, tinha a versão cefálica pra ser feita, sim, poderia ter sido parto pélvico, e sim, pode ter parto normal depois de 2 cesáreas, que foram o conjunto de coisas que levaram essa mulher a receber policiais na casa dela, ser levado à força e ser feito 1 cesárea à força. Ah Brown era caso difícil? Era, não era no caso fácil, mas não era cesárea direto, e ela não corria risco de vida se não fosse feito 1 cesárea, pelo contrário, ela correu mais risco de vida fazendo 1 cesárea da forma que foi feita coagida, maltratada, amarrada, sem o marido participar. Então, a gente está aqui justamente falando de caso bastante emblemático, mas que a gente pode replicar pra milhões de outros casos, 750000 por ano né pegando 3000000 de nascimentos por ano nós temos quarto 700 e por ano nós temos quarto 750000 já, que declaram que tem violência obstétrica, fora os que não são medidas né a gente vai começar a saber agora se for anexado no Cinan essa notificação, então a gente vai começar saber pouco melhor sobre isso, mas é muita gente, não é só a Adelir, não é só a Aline Pimentel, não é muitas dos casos que tem relatados no livro da Valéria que tem relatado em tudo que a gente estuda em relação ao que acontece de violência obstética, e por isso que a gente está aqui, pra mudar. Antes de passar a palavra pra Daphne, eu gosto bastante de cultura né Eduardo? Você sabe então eu gosto de citar muitas vezes algum algo relacionado a isso que eu acredito que a cultura ajuda a mudar o mundo bastante né? E aí tem poeta Cazuza que dizia, dia sim, dias não, eu vou sobrevivendo sem arranhão, da caridade de quem me detesta, a minha piscina, a sua piscina está cheia de ratos, tuas ideias não correspondem aos fatos, mas o tempo não para, e a gente está aqui justamente pra fazer essa reforma obstétrica. Daphne, palavra sua muito obrigado. Muito bem.




