PLENÁRIO

3 dez. 2024 11:02 às 19:04

Sobre o Evento

Resumo da sessão plenária de 03/12/2024 com múltiplas intervenções de diversos deputados, incluindo momentos de troca de presidência e votação.

#152
Transcrição automática

Obrigado senhor presidente, boa noite a todos e a todas. Como cantava e profetizava e denunciava Elza Soares, a carne mais barata do mercado é a carne negra. Nós ainda vivemos num país profundamente racista, em que a cor da pele define a sua cidadania, o seu direito de se defender, de se proteger e até o direito de ter devido processo legal. Por que eu estou dizendo isso? Está enriquecedor o que acontece nesse país. Lá em São Paulo, jovem negro roubou 4 pacotes de sabão, ele saiu correndo, ele escorregou num papelão, caiu no chão e agente da polícia militar de São Paulo deu 11 tiros nas suas costas. Isso é absurdo sob qualquer análise. E mais triste que esse fato, é o fato disso acontecer todos os dias nesse país. Por isso a denúncia de Elza Soares é tão potente e tão necessária. Nós ainda vivemos tempo em que o corpo negro é alvo. Nós somos culpados até que se prove o contrário. E se o jovem cometeu ali crime, existia a possibilidade de prendêlo e leválo ao julgamento. Nada, absolutamente nada justifica que ele deitado no chão de costas, receba 11 tiros nas costas. E mais absurdo do que o absurdo é quando esse absurdo deixa de ser absurdo. É normalizado. O racismo não somente mata, mas cria discurso que legitima e normaliza essa produção cotidiana de morte. É a licença para matar. A carne mais barata do mercado ainda é a carne negra. E também aconteceu em São Paulo nessa madrugada, homem sendo jogado de 1 ponte por policial, homem que naquele momento não oferecia risco algum também se cometer algum delito poderia ser levado até a delegacia. Quando você vê 1 cena de agente da segurança pública fazendo isso, a pergunta que fica é, por que agiu daquele jeito? Qual é a razoabilidade disso? Onde nós vamos chegar? Então temos que usar a tribuna do parlamento para denunciar essa produção de morte, essa forma de segurança pública absolutamente desumana, não protege ninguém. Banaliza o mal, embrutece o coração, legitima a morte, especialmente do povo preto e pobre desse país. Muito obrigado

03 de dez, 18:14