PLENÁRIO

10 dez. 2024 06:31 às 07:56

Sobre o Evento

Prêmio Transparência e Fiscalização Pública 2024 realizado em 10/12/2024, com diversas autoridades e homenagens.

#17
Representante homenageado da edição 2024 do Prêmio, Deputado Federal e Ministro de Estado, in memoriam, WALDIR PIRES Francisco Waldir Pires de Souza Filho
Francisco Waldir Pires de Souza Filho

Representante homenageado da edição 2024 do Prêmio, Deputado Federal e Ministro de Estado, in memoriam, WALDIR PIRES

Transcrição automática

Eu vou ultrapassar pouquinho o tempo de 3 minutos porque eu sou filho de Valdir. Embora eu não seja político. Inicialmente quero cumprimentar os membros da mesa. O ministro Vinicius de Carvalho, ministro chefe da CGU, a quem eu agradeço muitíssimo palavras sobre o meu pai. O deputado Josenildo do PDT, o deputado Glauber Braga do PSOL, a quem prestamos nossa solidariedade. O o secretário Júnior Marques Arefa, do controle externo do TCU, e claro deputado Joseildo Ramos, e em seu nome cumprimentos agraciados nessa premiação, Júlio Pinheiro, de Amargosa, cidade de meu pai. Doutora Maria Lúcia Fatorelli, com seu importantíssimo trabalho sobre a dívida pública. E nós sabemos que é dinheiro público. E o corpo de bombeiros do do Amapá. Cumprimento também os parlamentares demais autoridades e amigos presentes, companheiro de lutas de Valdir, entre eles Emiliano José, amigo de longa data. Quero destacar aqui a presença de nossa querida, Zonita Nogueira Brasil, Companheira dos últimos 8 anos de meu de a vida de meu pai. Vou começar como começaria Valdir, Emiliano. Minhas amigas e meus amigos. É com a emoção que estou aqui no Plenário Ulisses de Guimarães, para representar minhas irmãs. Lídia, Viviane e Ana Cristina. E meu irmão Valdemir, em memória. Os 5 filhos de Valdir e Holanda, nossa mãe. Queremos agradecer essa honrosa indicação de nosso pai ao prêmio transparência e fiscalização pública. Ao longo de toda a sua vida Waldir Pires pautou sua trajetória. Já o trabacei? Pela transparência, pela ética e pelo mais absoluto respeito pelo dinheiro público. Dinheiro para ele sagrado. Meu pai nasceu numa pequena cidade do interior, Acajutiba, nos idos de 1926. Teria hoje se estivesse vivo 98 anos. Daqui a 2 anos já se completará o centenário, seu nascimento. Filho de modesto funcionário público, coletor de impostos, na cidade de Amargosa. Lá criou suas raízes na primeira infância com a doçura de sua mãe, nossa avó, e os dignos princípios éticos de seu pai e nosso avô. E amargosa para o mundo, seguiu Valdir seu destino, até Salvador, a cidade onde conheceu o mar. Aos 16 anos de idade. E depois Yolanda, nossa mãe, seu grande amor, com quem viveu 60 anos de pleno companheirismo e comunhão de ideais e lutas. Formouse em direito na faculdade da Bahia escolhido orador da turma de 1949, ano do centenário de Rui Barbosa. Sedo se projetou na política e foi secretário de estado do governo da Bahia aos 24 anos. Depois deputado estadual, deputado federal e ministro, ocupando o cargo de consultor geral da república do governo João Goulart aos 37 anos. Veio então o golpe militar de 64. E ele foi cassado na primeira lista do A1, em sétimo lugar da lista, tornandose por muitos anos exilado político. Essa historinha que alguns quiseram cortar eu vou contar, porque ela é importante. No dia 4 de abril de 64 saiu de Brasília, clandestino junto com Darcy Ribeiro, num avião tecoteco monomotor, com destino inicial para o Rio Grande do Sul. Ao encontro de Jango que ainda se encontrava em território nacional, Para resistência ao golpe. Toda a fuga aconteceu por obra e graça e coragem do grande Rubens Paiva. Anos depois do desaparecido político, assassinado pela ditadura, cuja a família foi tão atingida, e cuja memória ainda está aqui entre nós. Longos anos de exílio no Uruguai e na França com Yolanda e 5 filhos, tempos difíceis contados no livro escrito por nossa mãe, Exílio Testemunho de Vida. Pagase alto preço na luta pela democracia. Na volta do exílio, outros longos anos no Rio de Janeiro até retomar afinal o seu destino, voltar à política, e ajudar no processo de reconstrução democrática na Bahia e no Brasil. Em 1985, 20 e anos depois do golpe, foi ministro da previdência, escolhido por Tancredo Neves. De imediato adotou como medida que todos os números do ministério fossem abertos e transparentes para a nação acompanhálos. Transparência com o dinheiro público era a sua marca. Com firmeza de princípios e competência na ação, fez o que muitos achavam impossível, zerou em pouco tempo o déficit e recuperou 1 previdência considerada falida, sobretudo por aqueles cujos interesses eram inconfessáveis, como dizia meu pai. Em 1986 candidato a governador da Bahia, dos votos. Impondo a maior derrota eleitoral da história ao coronelismo. E abrindo assim o caminho para os que vieram depois. Ao seu governo deu o nome de governo democrático da Bahia, e instituiu de forma pioneira quase 40 anos atrás a publicação diária das receitas e despesas do estado no diário oficial. Sim, a democracia com transparência do dinheiro público, a serviço do povo, sempre foi seu maior valor na vida política. Entre 2003 e 2006 esteve à frente da CGU, cujo nome ele mudou para ministério do controle e da transparência. E deu à instituição 1 dimensão que não tinha. Criou o portal da transparência, 1 iniciativa inédita e de grande alcance, que permite desde então até hoje o acesso completo para qualquer cidadão a todas as despesas públicas federais a nível municipal, estadual e federal. O programa De Olho Vivo no Dinheiro Público, tinha como grande objetivo a educação para a cidadania, Tão necessária em nosso país, com 1 cartilha que apresentava também 1 versão para as crianças, que é desde criança que se aprende, a ser cidadão. Ainda na sua gestão criou e instituiu o sistema de sorteios mencionado aqui pelo ministro. Pela caixa econômica, para que equipes de auditores do ministério fiscalizassem em qualquer município do país de forma aleatória, o efetivo uso do dinheiro público federal enviado. Ele nos contava, que foi como lampejo, 1 ideia original e criativa que ele teve, E que depois foi executada com muito empenho produzindo resultados surpreendentes. Tudo isso ele fez no primeiro governo Lula. Lula por quem nosso pai nutria 1 grande admiração. Porque reconhecia nele a grande liderança popular capaz de avançar na direção do sonho de país mais justo e mais fraterno. Foi ministro da defesa de Lula, e assumiu o cargo no dia 30 e de março de 2006. Por ironia, no mesmo dia oficial do golpe, 42 anos depois. Infelizmente não lhe foi permitido coroar sua vida pública no Senado, mas encerroua com grandeza aos 90 anos cumprindo com dignidade o mandado popular de vereador na cidade que o acolheu aos 16 anos de idade. 1 semana antes de partir no lançamento do primeiro volume da biografia escrita por Emiliano José, com voz trêmula, pronunciou. Suas últimas palavras públicas. Que revelam o que movia a sua alma, e sua ação política. É meu amor por todas vocês e por todos vocês. Esse é o legado que o Valdir Pires nosso pais, nosso pai quis deixar, muito obrigado. A partir de agora daremos início à chamada nominal.

10 de dez, 10:16