COMISSÃO DE EDUCAÇÃO

11 dez. 2024 07:55 às 11:32

Sobre o Evento

Reunião da Comissão de Educação em 11/12/2024 para discutir e votar propostas legislativas, com diversos deputados participando, incluindo Nikolas Ferreira e Professor Alcides.

Status
Concluído
ID: 75246Total: 144 discursos
#86
Transcrição automática

Esse projeto, a gente tem muitas ponderações pra fazer. Primeiro, o sentido, da meritocracia como 1 ferramenta de valorização dos profissionais da educação. Todo mundo que se dedicou a estudar os dados do senso escolar, do ano passado, vão ver e vão verificar que, as escolas aonde a gente tem os menores desempenhos dos estudantes, são as mesmas escolas que estão com as pioras as piores estruturas, condições físicas, em áreas de vulnerabilidade social, atravessadas pelas desigualdades históricas do nosso país. Então são escolas, em sua maioria em regiões, não apenas mais empobrecidas, mas sem acesso a direitos fundamentais, escolas que nem água potável tem. Escolas aonde a gente precisa fechar o estabelecimento devido ao constante guerra que que tem como é o caso específico da cidade do Rio de Janeiro, aonde as escolas são fechadas semanalmente. Então, esse tipo de, instrumento de valorização, que coloca a meritocracia como algo, como a régua, pra você valorizar o profissional, ele não dialoga com a realidade das escolas, aprofunda essas desigualdades. E por que que não dialoga? Porque todos esses fatores de exclusão que eu citei aqui, e que todo mundo sabe, não fazem parte da avaliação do Saeb ou do IDEB. Isso não é considerado. É considerado apenas o, o desempenho seco daquele aluno. E pra terminar, eu queria colocar, chamar atenção pra outros pontos desse projeto. Ele não inclui o quadro de apoio das escolas, que são os profissionais fundamentais que estão atuando junto com os professores, excluindo esses profissionais mais 1 vez do trabalho que eles realizam. Eles mais 1 vez, as mulheres que são maioria na educação básica, quase 90 por 100 são mulheres, são mães, então se o seu filho ficar doente e ela precisa se afastar pra cuidar desse filho para proteger a sua família, ela é avaliada como 1 professora que não merece ter o seu desempenho profissional valorizado. Isso é 1 distorção, isso pune as mulheres que são responsáveis pelo cuidado aqui no nosso país. Negar essa realidade é praticar o machismo institucional. E por fim, quero aqui concordar com todos os meus colegas que me antecederam e pontuaram que esse instrumento, e quero lembrar aqui, que hoje o Brasil não cumpre nem sequer o piso nacional do magistério, que é pouco mais de 4500 reais por 40 horas de trabalho. Então a gente precisa sanar essas questões, a gente precisa dar condições iguais, para que de fato a gente possa pensar numa perspectiva diferente que não combater de fato as nossas desigualdades então o projeto precisa ser revisitado. Muito obrigada Só tipo de esclarecimento, pois não deputado.

11 de dez, 12:55