COMISSÃO DE SEGURANÇA PÚBLICA E COMBATE AO CRIME ORGANIZADO
Sobre o Evento
Audiência sobre crimes cibernéticos contra crianças, com participação de autoridades e especialistas.
Delegada - Policia Federal
Obrigada, deputada. Eu que agradeço poder estar aqui com esses colegas que eu tenho contato diário, daqui a pouco eu falo sobre isso. Eu coordeno todas as unidades da Polícia Federal do país que atuam no combate ao abuso sexual infantil, especialmente no ambiente cibernético. Então, eu tenho um conhecimento, desde 2018, que eu trabalho nessa unidade, eu tenho um conhecimento muito amplo do que vem acontecendo no país inteiro. E eu queria que todos prestem atenção nos dados oficiais, que saíram em julho, no Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Tivemos a maior quantidade de estupros e estupro de vulnerável da história deste país no ano passado. A cada seis minutos eu tenho um estupro no Brasil. E sabe qual o perfil das vítimas? crianças e adolescentes a cada 10 estupros que ocorrem no país 8 são de crianças e adolescentes e no ambiente cibernético não é diferente os estupros virtuais que são o meu dia a dia o dia a dia das polícias civis o dia a dia dos policiais federais ocorrem com crianças de 8 a 13 anos, que não deveriam estar lá, não deveriam estar nas redes sociais pela idade delas, mas estão. Muitas de nossas vítimas omitem, aumentem a idade para ter uma rede social, mas elas não têm o necessário, a necessária maturidade física, mental, para estarem lá. Tivemos também um relatório do Inhope, que são 55 hotlines que estão em 55 países. Elas recebem notícias de crimes cibernéticos e tivemos um aumento de 202% de imagens de abuso sexual circulando no mundo. E detalhe, uma coisa muito importante, tudo o que eu falei até agora são dados subnotificados. notificados Existe uma pesquisa do Datafolha 2022 dizendo que 8 a 11 dos crimes chegam ao conhecimento das autoridades O que eu falei 8 a 11 Então, o buraco é muito embaixo, é muito profundo. O Felca abordou a erotização das crianças, a adultização. E, para nós, da Polícia Federal, isso está na superfície, infelizmente. Porque o que a gente lida, a gente lida com coisa muito pior. O doutor Diego falou. São casos de abuso sexual de bebês, de abuso sexual de crianças, meninas e meninos, diga-se de passagem, de terra e idade, de adolescentes, de mães que abusam sexualmente dos seus filhos para fazer lives para ganhar dinheiro. Tivemos um caso aqui no Distrito Federal. A mãe movimentou em três anos e meio, dois milhões de reais, abusando das próprias filhas, fazendo lives para pessoas do mundo inteiro. É com isso que a gente está lidando, todos os dias na Polícia Federal. E eu gosto de dar um exemplo muito significativo para pais e mães que estão ouvindo. Tivemos um caso em que uma menina de oito anos criou um perfil de rede social. Era para estar lá? Não era. Verificação etária não é boa. Isso precisa ser pautado em lei. Tem que ter uma verificação etária eficiente. Não tem que estar lá. Estava lá, pois bem, um perfil infantil, imagens de criança. Não demorou dois minutos para ela começar a receber um monte de mensagens, várias mensagens de homens adultos no canal privado dela, da rede social. ligações de manhã, de tarde, de noite, de madrugada, envio de imagem de pornografia para tentar dessensibilizar. Ela não deveria estar vendo isso. Nos últimos dois anos, e o Dr. Diego falou muito bem, nos últimos dois anos estamos vendo, além do abuso sexual, que grav que deixa traumas para o resto da vida para o resto da vida Estamos vendo viol extremas Abusadores for meninas a se cortarem machucarem animais, mutilarem, se é um animal de estimação. Olha o trauma que isso causa. Para qualquer pessoa. Não é só para crianças e adolescentes. E boa parte destes abusadores, pasmem, são adolescentes. infelizmente, estamos vendo cada vez mais adolescentes infratores nesses ambientes e cometendo crimes dos mais graves possíveis. E a causa de tudo isso? Porque nós, da polícia, pegamos o crime feito, pegamos o pior ali. E a gente fica pensando qual é a causa de tudo isso. temos percebido que são várias é multifatorial uso excessivo de internet de forma desvigiada, sem proteção sendo apresentado todo tipo de conteúdo conteúdos violentos que dessensibilizam crianças e adolescentes se eu vejo violência se eu vejo violência isso passa a não me incomodar mais isso é um problema gravíssimo se eu vejo pornografia eu, criança e adolescente a média de idade hoje de contato com pornografia adulta da criança e adolescente é 8 anos. Se eu vejo pornografia e 80% da pornografia produzida no mundo é com violência, a criança e o adolescente não vão saber mais o que é uma relação sexual saudável e uma relação sexual violenta. E a gente também tem que trazer as plataformas para esse combate. Existem plataformas e plataformas. Eu tenho contato diário com esses colegas dessas plataformas. São plataformas que ajudam, que fornecem os dados, que nos mandam casos graves e falam, olha, isso é urgente. Trabalhamos todos os dias e temos plataformas que sequer respondem a um ofício de pedido meu. De qualquer policial federal, policial civil ou MP. Não fornecem, nem respondem. E eu n posso ficar dependendo da boa vontade da plataforma Por isso que isso tem que estar muito bem pautado na legisla E a Polícia Federal tem feito o quê? Ah, só falando do modelo de negócio rapidamente. Também é um problema o modelo de negócio. Quando eu falo de dados, a plataforma, a gente está falando de repressão. Mas eu tenho que chamar as empresas para prevenção. Eu tenho que mudar um pouco esse modelo de negócio quando eu falo de crianças e adolescentes. Eu não posso mostrar determinados conteúdos. Dario falou muito bem, Paulo também vai falar, Meta, TikTok, eles têm contas especiais, mais protetivas, as empresas têm que ter. Eu não posso apresentar qualquer conteúdo para criança e adolescente, eu não posso deixar qualquer pessoa ter contato com uma criança, como eu falei, a criança de 8 anos. Pois bem, a Polícia Federal tem feito o quê? O que faz de melhor investigar, prender, resgatar crianças. Ano passado foram três a quatro operações por dia na Polícia Federal. Não vamos dar conta sozinhos. Não vamos. A Polícia Civil também não. A Polícia Federal tem feito cooperação com as Polícias Civis, cooperação com as plataformas. Temos um projeto de prevenção chamado Guardiões da Infância. Vamos às escolas palestrar para adolescentes. familiares, educadores e membros da rede de proteção. É uma resposta coletiva, não tem como ser diferente, ninguém vai conseguir sozinho. Então, todos nós temos que estar imbuídos desse propósito, de tornar, deixar as crianças serem crianças, só isso que elas precisam, de deixar elas terem um ambiente seguro na internet. Então, eu agradeço muito esse momento de fala. Eu queria dizer que para os adolescentes que estão aqui, estou vendo os adolescentes aqui, larga o celular, vou cutucar você, larga o celular, olha para mim, porque eu trabalho todos os dias, de manhã, de tarde, de noite, de madrugada, por vocês. Porque as crianças e adolescentes são nossos presentes, são nosso futuro. Obrigada. Obrigado.




