PLENÁRIO

10 fev. 2026 18:27 às 22:44

Sobre o Evento

A sessão plenária foi aberta com o trâmite formal de dispensa da ata e a imediata deliberação sobre regimes de urgência para votação.

Status
Concluído
ID: 81011Total: 231 discursos
#215
Deputada Erika Kokay
Erika Kokay

Deputada

Transcrição automática

Nós estamos numa discussão absolutamente fundamental para uma tarefa urgente que esse país tem. Esse país precisa fazer o luto de todos os seus períodos traumáticos. Precisa fazer o luto do colonialismo, precisa fazer o luto da escravização e precisa fazer o luto, inclusive, da ditadura e, fundamentalmente, fazer os lutos desses períodos traumáticos. Os períodos da história brasileira, que deixaram tantas marcas na pele e na alma deste país, esses nós precisamos fechar o ciclo deles. E aqui nós estamos discutindo a criação da universidade indígena. Nós estamos aqui discutindo uma proposição que, acima de tudo, é uma reparação histórica. É preciso reconhecer que este país, este país construiu vários holocaustos e vários genocídios na sua história que precisam definitivamente serem reconhecidos para que nunca mais venha. ocorram. Nós estamos falando da universidade indígena e estamos falando aqui de uma luta histórica para a construção da justiça, para a construção da própria democracia e para que nós possamos assegurar a territorialização com a sua capacidade de fazer tranças, tranças de saberes, tranças de fazeres e tranças de afeto, tranças de futuro. Tem razão o poeta quando diz que o futuro é ancestral e tem razão a nossa companheira parlamentar Célia Chacirabá, quando diz que o marco nunca pode ser temporal, que o marco tem que ser ancestral. necessárias para que tenhamos o conhecimento científico associado ao conhecimento ancestral. para que possamos romper um apagamento histórico, apagamento histórico, porque nós estamos aqui para honrar a tinta de Urucum, para honrar a tinta de Genipapo, para dizer que nós não queremos na nossa pele as cicatrizes, nós não queremos na nossa pele as marcas dos açoites literais e metafóricos que se cometeu contra o povo brasileiro. Vinta do Urucu e Genipapo. Nós queremos na nossa pele a voz dos povos indígenas que, quando ocupam esta esplanada, ocupam para dizer que tem os três poderes constituídos, mas também tem o poder dos encantados. Porque, se nós estamos aqui defendendo os saberes dos povos indígenas, defendendo que tenhamos universidades que possam ser administradas, que reconheçam a sabedoria deste país. Nós estamos aqui defendendo a sustentabilidade, nós estamos aqui defendendo o conhecimento e a forma de vida que estabelece, estabelece que nós não somos donos da vida, mas fazemos parte de uma trama de vida. de 3.200 pessoas, incluindo lideranças indígenas, reitores, docentes e especialistas. Tivemos... 20 seminários em parceria com o Ministério dos Povos Indígenas. E ali, desta discussão, dessa consulta, desse compartilhar, se criou os pilares desta universidade que nós vamos aprovar no dia de hoje para que nós possamos dizer que estes que não querem fazer o luto dos nossos períodos traumáticos dessa história, estes não podem dar a última palavra. brasileiro arrancou a faixa presidencial que estava no peito estufado do fascismo, que estava no peito estufado daqueles que não consideram a diversidade do povo brasileiro. Nós estamos falando aqui de uma infraestrutura com bibliotecas, salas de aulas, auditórios, laboratórios, moradia estudantil. Nós estamos falando aqui da criação do Instituto Intercultural Indígena para intercâmbio cultural, memórias e artes com programação permanente. Estamos falando aqui de um instrumento, para romper um apagamento histórico, um apagamento histórico. de uma universidade que vai se relacionar com o conhecimento que não pode ser desprezado. Uma universidade que vai estar falando e que vai estar ensinando a gestão pública, gestão ambiental, e como nós temos que aprender com os povos indígenas sobre gestão ambiental, sobre sustentabilidade, neste país, como temos que aprender com a saúde com povos indígenas e nós vamos discutir saúde, nós vamos discutir e vamos construir uma universidade para que tenhamos todos esses conhecimentos entrelaçados, trançados, para que nós possamos, de fato, ter uma reparação histórica e termos aqui o reconhecimento, o reconhecimento de saberes que não podem ser ignorados. mas estamos falando de 305 povos, de 274 línguas indígenas. Estamos falando de democracia, estamos falando de soberania. Soberania para este país, estes que não querem a universidade indígena, são os mesmos que hastearam a bandeira estadunidense e se curvaram e aplaudiram o tarifácio e os ataques. do governo Trump para com o Brasil. São os mesmos que bateram continência para esta bandeira estadunidense e não reconhecem que a nossa bandeira é uma bandeira que deve incluir, senão não é a bandeira que inclui todos. os povos indígenas. Por isso, nós vamos aprovar. no dia de hoje, esta universidade indígena. Nós vamos ter uma perspectiva de, em quatro anos, termos 28 mil pessoas, 28 mil pessoas na universidade indígena. da Silva, que fala a língua do povo brasileiro e que fala a língua necessária para que nós possamos abraçar essa nação e dizer: essa nação não será a nação dos cascos da boiada, não teremos as boiadas, o estouro dos cascos da boiada ferindo a nossa pele e ferindo a nossa alma. Esta é a nação do coca, esta é a nação dos povos indígenas, É o Brasil. do povo brasileiro. Por isso, vamos aprovar. Vamos aprovar a universidade indígena e vamos fazer deste Brasil. um Brasil que faça as suas tranças que reconheça os seus saberes, que reconheça os seus fazeres e que faça uma reparação histórica para que nós possamos dizer que vivemos hoje. numa verdadeira democracia, que nós possamos dizer que Não há espaço para os golpes literais, metafóricos que tentam nos impor. Não há espaço para que aqueles que provocaram e que fizeram o colonialismo existam aos pedaços. na nossa contemporaneidade. Viva o governo Lula! Viva a Universidade Indígena!

10 de fev, 21:57