SECRETARIA DA MULHER
Sobre o Evento
O evento promoveu o debate sobre a igualdade de gênero, enfatizando a urgência de ampliar a representatividade feminina na política, combater a violência e superar as barreiras estruturais que fragilizam a democracia brasileira.
Ministra do Tribunal Superior Eleitoral
Sumprimentos, abraçar todas, o tempo... me leva a dizer que estão todas no meu coração e eu tenho os melhores sentimentos. E agradecimentos... por essa oportunidade, por esse evento. por poder encontrá-las. E eu queria, então, entregar esse afeto nas pessoas das integrantes dessa mesa. e vou nominar Dora. Dora é uma dessas amigas queridas que a vida nos oportuniza nesse trajeto. E eu vou falar um pouco de trajeto. Talvez menos de chegada. mas de trajeto. E o trajeto importa. porque ao longo dele nós construímos... o que Dora já apontou quando abriu nossa conversa, que é... a necessidade absoluta de nós falarmos de redes. Redes para que nós possamos todas... em construção. continuar contando. que a despeito dos inúmeros obstáculos Nós somos uma referência para a construção de possibilidades. Então, vou ser muito breve, mas eu preciso fazer uma retrospectiva histórica. sobre o passado para que nós possamos, ao olhar para ele, entender que ele marca de alguma maneira o presente, mas ele não pode aprisionar o desejo de transformação. E mais que um desejo, a necessidade de mudar a realidade. Quando nós falamos, portanto... da história das pessoas negras no Brasil, Nós estamos contando, a partir de 1535... que é o início da chegada das pessoas escravizadas aqui, forçadas... de 1535. até 1850, quando nós ainda ouvíamos falar. da escravização, portanto, Nós vamos... ter que continuar discutindo sobre... esse processo e a abolição inconclusa, Mas, nesse curso, nós tivemos... inseridas no Brasil 5 milhões no mínimo. de pessoas negras, africanas, escravizadas, passando por toda sorte de serviço e de maus tratos, de trabalho forçado. e de toda essa história que mancha mas que não pode ser esquecida para que ela não se repita, mancha a história do povo brasileiro. É para dizer que Essa construção da negritude, por muito tempo, foi esta, da subalternização... da servícia, do trabalho forçado, da incapacidade de mudar a realidade. Até porque com a abolição, abolição formal, esses milhões, dentre eles a maioria de mulheres negras, Esses milhões foram jogados nas ruas do Brasil sem nenhuma Política de reparação. Mais que nada, manutenção. de modos variados da escravização, agora num outro cenário de aparente liberdade. Então, o passado conta. dessa realidade. Mas... esse passado... também conta de histórias de resistência. Desde sempre, as mulheres negras resistiram às serviços ao processo de escravização, aos processos autoritários pelos quais o Brasil viveu, e ainda hoje... lutam resistem crescem E dizem que sim. Só pode haver um futuro. se nós falarmos da inclusão de todas as pessoas, marcadamente aquelas que majoritariamente continua embaixo e atrás. Essa mesa é uma revelação do presente. Essa mesa é a revelação de que muitas mulheres negras lutaram, atuaram e continuam fazendo isso. Quando nós falamos do processo de escravização e resistência... Nós não podemos nos esquecer, por exemplo, de Dandara. de Luísa Maim, Nós não podemos nos esquecer de Esperança Garcia. Nós não podemos nos esquecer... de Nagotime e tantas outras... que eu ficaria aqui horas falando e faria com prazer. Quando nós falamos da luta cultural, nós precisamos lembrar de Chiquinha Gonzaga, transformadora da música... Quando nós falamos da luta pelo sufrágio, nós temos que lembrar de Almerinda Faria da Gama. Quando nós falamos da luta pela cultura diversa, nós precisamos lembrar de Chiquinha Gonzaga. Quando nós falamos do enfrentamento à ditadura militar no Brasil, nós temos que lembrar de Elenira. Nós temos que lembrar de Beatriz Nascimento, nós temos que lembrar de Lélia Gonzalez. Nós temos que lembrar de tantas. que lutaram... que inspiraram e que continuam indicando que não é possível uma sociedade próspera, justa, no quadro de exclusão das mulheres negras dessa realidade, como nós ainda contamos. Falar de passado não significa... Olhar para trás para sempre. mas significa ter memória, lembrar da história, para falarmos de reparação. O presente precisa contar de reparação. para que nós possamos falar de um futuro possível. Para todas as pessoas. Falar de reparação, e quando falamos da política... Nós precisamos nos comprometer, todas as pessoas. com a transformação do quadro que nós ainda vemos. que é produto muito mais do esforço das mulheres negras do que efetivamente de um investimento coletivo, consciente, em direção à construção de uma outra realidade. As mulheres compõem 6% da Câmara Federal nessa casa. Nós estamos falando de 60 milhões... tal qual a população da França. As mulheres negras são 60 milhões de pessoas desse imenso país. estão assentadas em apenas 30 cadeiras... no Parlamento ou na Câmara Federal. Os diagnósticos, os números, a fotografia... Todo mundo tem. nós precisamos, para falar de de um futuro sustentável, nós precisamos falar de resultados. Nós precisamos falar de compromisso com a agência das mulheres negras nos espaços desses ódios. E ao falar da política, exatamente num ano de eleições... é importante nós colocarmos em cena as grandes instituições da democracia representativa que têm um compromisso constitucional e precisam levar a cabo. Nós estamos falando dos partidos políticos. para falar de resultados... nós precisamos que haja efetivamente a entrega do dinheiro do povo, da poupança pública para a maioria do seu povo, as mulheres negras, Nós precisamos falar de ampliação dos espaços de visibilidade na propaganda eleitoral, em todos os espaços que as mulheres puderem se manifestar. e entregar as propostas que tem, sim. Porque mulheres negras, as gestoras do impossível, as administradoras da escassez, que geram as famílias que sustentam esse país. que gera esperança... que transborda do nosso coração. que cria filhos, netos, vizinhos, amigos, Essas são as verdadeiras administradoras e construtoras de políticas públicas que precisam ocupar esses espaços desses olhos. Então, minha fala brevíssima... com o coração cheio de esperança... é de que neste ano eleitoral nós tenhamos um compromisso com resultados e que cada uma de nós repila a eficácia do racismo e da misoginia. que ao fazê-lo nós nos dirigamos às mulheres, às mulheres negras que disputam a duras penas um lugar para transformar os espaços da política. Então, procure do seu lado, abra a porta, abra a janela, identifique candidatas. que tenham esse compromisso com uma vida boa para todo mundo. Muito obrigada e até um encontro próximo. E aí E aí




