SECRETARIA DA MULHER
Sobre o Evento
O evento promoveu o debate sobre a igualdade de gênero, enfatizando a urgência de ampliar a representatividade feminina na política, combater a violência e superar as barreiras estruturais que fragilizam a democracia brasileira.
Deputada
Bom dia a todas e todos aqui presentes. Eu já havia feito o meu cumprimento, mas agora em especial, que chega para abrilhantar e... esse evento, que é a ministra Vera Lúcia Santana. Seja muito bem-vinda à Câmara dos Deputados. É uma honra recebê-la aqui. A nossa colega... aqui de Parlamento, deputada Thalíria Petroni, a Janete Vaz, que já fez uma exposição brilhante para nós nessa manhã. Vejam que essa carta, quando ela trata de um Brasil mais inclusivo, fica muito claro que essa inclusão não é a favor. não é uma concessão, mas sim justiça, direitos e, principalmente, oportunidades. As mulheres têm mostrado, ao longo de sua trajetória e da sua história, que basta que se tenha oportunidade para que a gente consiga mostrar a grandeza da nossa competência, do nosso trabalho, da nossa dedicação, do nosso comprometimento com todas as causas que nós estamos envolvidas. E vejam que, Quando nós ainda tratamos nessa casa, diuturnamente, seja nas audiências públicas, seja na discussão de projetos de lei, da necessidade que nós temos de avançar, quando nós tratamos aí de salários iguais entre homens e mulheres, quando a gente ainda tem essa defasagem de cerca de 20% daquilo que ofere homens e mulheres mensalmente, é algo que, alguns ainda nos criticam, mas que nós sabemos que, por ser uma realidade, nós temos que perseverar e continuar com essa discussão. Quando nós temos aí uma representação política inferior... aquele tamanho que nós somos dentro da sociedade brasileira, né, esses 18% hoje que o Congresso Nacional tem de mulheres, é algo que nós precisamos, sim, de alertas. E quando a gente fala de alertas, eu disse há pouco tempo aqui, de que aquilo que deveria ser natural da nossa sociedade em termos de reconhecimento, eu, particularmente, tenho o posicionamento de que muitos avanços nós só obteremos com legislação. garantir, por exemplo, a nossa participação numa chapa eleitoral é suficiente hoje no Brasil, porque já acharam aí o jeitinho de burlar a legislação infelizmente sejam com candidaturas laranja, sejam de outros modos, e nós precisamos sim garantir cadeiras efetivas no Brasil. Nós já somos ainda mais de 700 câmaras municipais que nós não temos uma vereadora mulher no país, é inadmissível. quando nós temos aí esse avanço no número de mulheres dentro do nosso país. Falei há pouco e volto a repetir, e essa carta deixa isso muito claro para nós, que além de políticas firmativas de... regras em que nós temos aí essa garantia do acesso à mulher em espaços de poder, em espaços de representação, nós precisamos ter o alerta da permanência dessa mulher em espaços de poder importante, porque eu cito um dos exemplos, a violência política de gênero, o quanto ela tem crescido e feito com que muitas mulheres se sintam desmotivadas a continuar na política. Então, é lamentável quando a gente conversa com vereadoras e você pergunta como ela está vivendo o mandato, ela diz, eu estou gostando, mas é a minha última vez, não quero mais. Isso é desanimador, porque aquilo que nós lutamos tanto, né? todas que vieram antes de nós, lutaram tanto para que nós estivéssemos aqui, Hoje a gente está presenciando um momento também de desesperança, de desmotivação por parte das mulheres. Então, a violência política de gênero é algo que não pode ser naturalizado, é algo que nós não podemos ter esse retrocesso dentro dessa representação. avançar, como eu disse, é possível, mas é possível desde que a gente trabalhe com garantias reais. E quando eu falo de garantias reais, não é só esperar algo bom, mas é inclusive, é legislar nesse contexto. E algo que nós precisamos sair do papel, o que a gente chama de sororidade, ainda é pouco visível quando a gente tem Uma mulher, muitas vezes, sofrendo violência e aquilo que se espera de outras mulheres no nosso Brasil, seja no espaço político, seja na sociedade de maneira geral. As maiores críticas, às vezes, acabam vindo de nós mesmas. A cobrança acaba vindo de nós mesmas. E isso é algo que nós precisamos avançar. Algo que nós temos muita preocupação, e está aqui a Talíria, que é um exemplo nesse contexto de... Políticas de cuidado, porque nós sabemos que, diferente dos homens que largam em tese a vida pessoal e vêm para a política, um dos desafios que nós temos é de conseguir compatibilizar a nossa vida pessoal, o cuidado da família, o cuidado dos filhos, o cuidado da casa, com a vida, seja do trabalho fora, seja aqui dentro do espaço da política, e se nós não... aumentarmos a salvaguarda dessas mulheres para isso, elas vão sim abrir mão da política para cuidar da família. Isso é algo típico nosso, é algo que acredito que nem vai mudar e nem deve mudar, mas que... Também, aqui, quando a gente fala de colocar na Constituição Federal a política de cuidado como um direito político, social. Quando nós temos aqui esse... Essa luta para garantir minimamente algumas legislações que dão esse resguardo para a vida pessoal das mulheres poderem trabalhar fora, poderem estar em espaços de poder importantes, isso é fundamental porque faz parte da nossa característica e é algo que nós não podemos abrir mão. Enfim, quando a gente fala da busca dessa igualdade é... importantíssimo a gente saber que um país desenvolvido, um país que realmente nós podemos, na verdade, acreditar no crescimento é quando ele dá essa igualdade de oportunidades. E a violência contra a mulher é essa chaga, sim, que infelizmente hoje toma conta do Brasil. Eu tenho muita honra de ter sido aqui nessa casa relatora do chamado pacote antifeminicídio, que é essa lei que aumentou para 40 anos, que é a maior pena do Código Penal brasileiro. essa impunidade crescendo do nosso país, fazendo com que Os homens matam e uma mulher saem pela porta da frente da delegacia. Nós precisamos dar uma resposta real para o tamanho do problema, como ao mesmo tempo nós precisamos investir em políticas públicas que realmente fazem com que essa cultura machista do nosso país seja ultrapassada. E política pública se faz com dinheiro, e é por isso que a bancada feminina também... Está aí com um projeto com coautoria de várias deputadas, no sentido que a gente garanta no orçamento federal recurso suficiente para enfrentar essa política. seja no combate à violência, seja em políticas que fazem com que essa rede de apoio à mulher, em todos os aspectos, seja fortalecida no nosso país. eixos aí importantes e que representam avanços e que nós precisamos da sociedade civil organizada mobilizada. Como disse a ministra, nós chefiamos a maioria da sociedade civil organizada, dos movimentos populares, e essa união, essa sororidade precisa acontecer para que a gente veja a evolução acontecer no dia a dia. de nos matar, essa tentativa de nos calar, não nos desanime, mas nos empodere para avançar. E a gente aqui, enquanto bancada feminina, estamos dando o nosso máximo para fazer com que a gente avance no nosso país. É isso. Muito obrigada.




