SECRETARIA DA MULHER
Sobre o Evento
O evento promoveu o debate sobre a igualdade de gênero, enfatizando a urgência de ampliar a representatividade feminina na política, combater a violência e superar as barreiras estruturais que fragilizam a democracia brasileira.
Senadora
Primeiro, pedir desculpa de chegar atrasada, né? Mas o cartilho para quem chega atrasada é começar falando, né? Mas eu quero... Mas tudo bem, né? Vamos lá. Primeiro, eu quero aqui dizer que eu fico muito feliz em ter sido convidada para estar aqui presente. nesse debate, quero parabenizar a quem está proporcionando, quem está organizando, a nossa deputada que aqui está, as mulheres do Brasil. Quero dizer que eu também já ganhei um shark desse, fico feliz. Já me sinto aí incluída nessa grande luta, que são mulheres aí que... vem fazendo a diferença, como todas que aqui estão participando desse momento. Quero falar um pouco aqui desse desafio, pegando um pouco aqui do final da fala da deputada, das representatividades. Nós sabemos que na política tanto na Câmara como no Senado. A gente ainda tem muito que avançar. São 81 senadores e agora nós temos 16... mulheres Mas, inclusive, algumas temporariamente porque são suplentes como eu e que estão aí tendo a oportunidade de ocupar. No meu caso, eu estou há quase quatro anos, estou tendo a sorte. E aí E a competência, obviamente, de ocupar o espaço. Mas, assim, algumas por um tempo só de quatro meses, enfim. Então, é uma... realmente uma sub-representação. A gente precisa, de fato... e verdadeiramente falar e trazer essa questão, tanto de aumentar a participação, a nossa participação, de protagonismo dentro da política. E, infelizmente, o que a gente percebe é que a gente fala de protagonismo, a gente fala até da nossa própria vida, porque até a gente ser protagonista da nossa vida, que era para ser uma coisa tão... óbvia e tão simples e natural se assim tivesse sido construído historicamente, Não é. Porque, geralmente, quando a mulher... É... se reconhece e entende que ela tem que ser a protagonista da sua própria vida, muitas vezes a gente vê o que está acontecendo. infelizmente, reflete em um grande número de feminicídios, reflete em um grande número de violência que vem aumentando. E a todo minuto... Estou misturando a toda a fala, porque, às vezes, quando vem para a temática, a gente se sente ainda mais instigada, infelizmente, com o que vem acontecendo. a gente fica mais ou menos desabafando mesmo, entre amigas. Mas assim, e aí a cada minuto a gente... faz um esforço muito grande, ou que seja de aprovar uma lei, Nuno... no Senado, aqui no Congresso e na Câmara, como tem a questão que a gente está... lutando para aprovar que é a questão da criminalização da misoginia, porque enquanto não se falar... e não tiver uma responsabilização sobre o que acontece, todos os tipos de crime, de ódio contra nós mulheres, só porque nós somos mulheres, e que ele existe, e aí a gente fica fazendo a reflexão, porque quando chega no Senado Federal, infelizmente... Ele ainda é barrado. Ainda é barrado. E ainda tem que ter negociação, porque ainda acho um absurdo Se falar o que já bebe em exoginia. para a gente entender... Quanto é complexo e necessário a gente ter participação realmente de mulheres na política. Porque também no Senado eu percebo que se tem uma coisa que nos une... Seja de qual ideologia, de qual partido, é a questão de ser mulher. E ela é muito forte porque a gente consegue construir muito independente de partido. independente de ideologia política, religiosa, quando a gente realmente se reconhece dentro desse espaço que é nosso. E aí, eu estou falando isso porque a dificuldade que a gente está... que está pautado para hoje, mais uma vez, em plenário. esse projeto que fala da misoginia, que é uma pauta que a gente, tanto da Câmara, já foi, está sendo cobrada, discutida e debatida, como no Senado Federal, e ser aprovado hoje, eu sei que 11 horas... vai ter uma reunião de senadores, enfim. que são contra a esse projeto. Então, assim, São sempre lutas e batalhas que a gente... Eu queria que não fosse necessário, era a criação de um projeto desse. Eu queria que não fosse necessária a Lei Maria da Penha, Porque a gente ainda escuta o absurdo de dizer por que não existe a lei do João, né? Sim, meu amigo, o João nem apanha, nem morre, porque ele é homem, né? Simplesmente pelo fato de ser homem. Exatamente, e ainda ocupa todos os espaços de poder. É mais ou menos um desabafo, mas desde ontem, todas as falas que a gente teve uma sessão solene para falar sobre a questão do feminicídio, no Brasil, e se a gente verdadeiramente não começar a criminalizar realmente a misoginia, a combater, a falar em todos os espaços que existe realmente esse ódio, que infelizmente, através das redes sociais, a gente percebe que vem ganhando uma grande força dentro da juventude, sobretudo, e a gente fica assim... O que é que está faltando? O que é que a gente tem que fazer? São leis que têm que ser criadas, porque já existem muitas leis. mas também precisam ser criadas. Mas, além de serem criadas... Elas têm que verdadeiramente sair do papel. Porque se não sair do papel... A gente não vai... atingir nunca o objetivo que é exatamente acabar com a questão do feminicídio, de qualquer tipo de violência. Eu gosto de dizer assim... Quando eu escuto uma falar: "Gente, não quer nem uma mulher morta". Ele não quer. Mas morta não é só no feminicídio. Morta é todo dia quando a gente é retirado um direito de liberdade, de se expressar, de falar, de participar da vida pública, de ser atribuída a nós somente. especificamente o cuidado da vida privada E, quando a gente vai para a pública, a gente não abre mão da privada, E aí vem o outro debate, cadê? E aí? Como é que vai ser? A gente vai cada vez mais aumentando as responsabilidades a nossa carga de trabalho, e a gente nem está reclamando por isso. Lógico que a gente quer também um fim da escala, 6 por 1 é obviamente e tal. Mas a gente quer participar da vida pública, porque quando a gente participa a gente faz a diferença. Não nas nossas vidas somente. sobretudo na vida de outras mulheres e de outras que não estão tendo a mesma oportunidade que nós de ocupar esses espaços. Então, a gente tem uma preocupação, e eu tenho uma preocupação muito forte de estar ocupando hoje uma cadeira do Senado Federal. Eu costumo sempre dizer, eu sou do Ceará, eu sou do Ceará, do interior do Ceará de uma cidade de 15 mil habitantes. tive a oportunidade de ser prefeito em dois mandatos nessa cidade, fui deputada estadual por dois mandatos, e eu nunca pensei Pra você ter ideia, que eu ia ocupar uma cadeira no Senado Federal. E quando eu cheguei aqui, eu digo... Quanta responsabilidade eu trago? sobre a representatividade que eu posso dar para outras mulheres. Também perceberia, esse espaço também pode ser ocupado por mim. Como é que uma caboca do pé de serra, do sertão lá do Ceará, chegou no Senado Federal? Posso chegar também. É isso que me motiva, assim, todo dia a querer fazer mais e ocupar esses espaços... da maior qualidade que eu puder. Não para... para nenhuma identificação ou promoção pessoal. muito pelo contrário, para que a gente possa representar tantas outras mulheres e elas perceberem que podem participar também desse espaço. Eu queria falar, eu disse que ia falar pouco, vou falar só para resumir. A gente assumiu a Procuradoria Especial aqui do Senado Federal, E uma das nossas... O maior desafio é fazer com que a gente pudesse ampliar as procuradorias, tanto na Câmara de Vereadoras e Vereadores, como também nas Assembleias Legislativas dos Estados. Nem todo Estado existe uma Procuradoria Especial da Mulher na sua casa. E a importância dela existir. No Ceará, nós somos 184 municípios, e a gente teve essa oportunidade lá, e a gente conseguiu botar dentro das Câmaras de Vereadoras e Vereadores, e sete municípios, agora já está mais. E o que significou essa procuradoria nessas câmaras de vereadoras? várias vereadoras do interior do Estado como um todo e várias outras mulheres que não vereadoras começaram a perceber que ali existe uma mulher na política. que ela falava, que ela tinha oportunidades, que o mandato dela fazia diferença, ela mesmo percebeu... que o mandato dela podia fazer ainda muito mais. Foi uma oportunidade, através da procuradoria, que muitas vereadoras... Viraram prefeitas. E elas falam esse relato. Foi daí que eu comecei a criar força e, enfim... Então, para além da procuradoria estar lá aberta para que outras mulheres possam procurar um acolhimento sobre qualquer tipo de violência que estejam sofrendo, ela dá um empoderamento àquele mandato daquela vereadora. que ela também se percebe: "esse lugar é meu mesmo, eu preciso realmente representar, eu preciso dar realmente uma força para que ela veja que ela pode participar da vida pública, por mais dolorosa que ela seja, por mais violenta que violência política de gerenice sofre todo dia, toda hora, aconteça, mas ela é tão gratificante quando a gente consegue provar e mostrar que aquele espaço pode ser ocupado por nós mulheres. E aí, vim para cá e eu disse que eu tenho que fazer aqui alguma coisa também para que a gente possa ampliar... E a gente entrou no pacto, exatamente junto ao governo federal, e a gente vai assinar também aqui com o Senado, para que a gente possa também fortalecer essas ampliações de procuradorias em todo o nosso país, através da ajuda do Senado. O Senado pode fazer muita coisa. Para além de tantas cartilhas, tantos atendimentos, nós lançamos o Zap delas. Vou terminar, viu? Meu tempo estourou. A gente lançou o Zap delas, que é o número de WhatsApp, que veio, nesse ano especialmente, ano de eleição, para que a gente possa dar o suporte às mulheres que estejam aí passando por algum tipo de violência política. E aí o Zap delas foi lançado em outubro, no final do mês de outubro. A gente, em três meses, é porque eu não estou com um dado aqui na minha cabeça, em três meses, praticamente, a gente tinha feito... 307. 401. 341 atendimentos, pronto, eu fui dizer que 341 atendimentos. Pode parecer pouco, mas é muito, porque além de não ter sido ainda divulgado amplamente o número que a gente... O importante é que se for para uma mulher, se fizer a diferença e se ajudar ela a entrar na política, ou ela participar, ou ela ser acolhida, acompanhada. Nós temos atendimentos também com profissionais capacitadas, nós temos advogadas que estão preparadas, a gente faz encaminhamentos, a gente fez toda uma rede de suporte às mulheres que entraram em contato com a gente. E aí esse suporte através da Procuradoria e da nossa equipe, que eu já quero agradecer. E agora, no último dia... Semana... passada A gente, dia 17, posso aqui só mostrar? A gente também, pela procuradoria, lançou o guia da candidata. Esse guia da candidata veio... ele é tão completo e ele teve tantas... eu diria assim, na construção dele, tantas participações para que ele pudesse ser... entregue neste ano especificamente. Então, esse Guia da Candidata, para nós mulheres que queremos empoderar outras mulheres, ele é tão didático, fácil leitura, explicativo, com a questão dos prazos que a gente tem que cumprir, até o pós, com a questão do acompanhamento, da prestação de conta das candidaturas, do que precisa, sobre a lei realmente que também tem... que fala sobre... violência política de gênero, tudo, tudo. Eu diria aqui que é uma orientação muito bacana, inclusive até orientando a questão do marketing da campanha, etc. Ele é maravilhoso. E esse guia aqui, no dia do lançamento dele, eu até falei, eu não queria explicar por que existe o guia da candidata, e cadê o do candidato? A gente ainda é questionado. A gente ainda é questionado. Pois é, ele já vem guiado. Aí, gente, são essas respostas que a gente... fica respirando fundo, para não... Mas o guia da candidata existe pela necessidade, infelizmente também, de existência dele. Então, eu quero muito que vocês possam, tanto ter o acesso, como ampliar a capacidade de alcance dele, porque se ele estiver só aqui dentro, na Procuradoria, no Senado ou na Câmara, ele não vai fazer diferença na vida de ninguém, não vai cumprir o papel que ele foi criado. E também no site da Procuradoria já tem ele também... de forma virtual Se vocês quiserem, podem mandar e-mail ou através de Office Pedi, que a gente manda entregar, manda pelo correio. A gente quer exatamente disseminar todo o material que a gente tem lá, sobretudo este aqui, neste ano. Então, muito obrigada. Pode contar com o nosso trabalho na Procuradoria Especial da Mulher, no Senado Federal. Tenho certeza que na Câmara também, com tantas mulheres que têm tantos projetos e parcerias que a gente pode unir e se fortalecer e não competir. porque existe uma competição que é tão injusta, nós com nós mesmos, e aí a gente procura sempre fazer essa composição de união, para a gente ficar mais forte sempre. Então, muito obrigada. E aquela história de eu não quero ver nenhuma mulher... Morta eu não quero, mas sobretudo eu quero ver as mulheres vivas, vivendo, livres e felizes. Porque, para além de morrer simplesmente, é muito mais doloroso a gente morrer todo dia, diariamente, quando são retirados nossos direitos. Então, obrigada e um ótimo encontro.




