PLENÁRIO

8 abr. 2026 09:38 às 13:55

Sobre o Evento

A sessão de comissão geral debateu o grave problema do feminicídio no Brasil, resgatando o contexto histórico de conquistas das mulheres. Enfatizou-se a importância da atuação do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher na trajetória constitucional do país.

Status
Concluído
ID: 81270Total: 83 discursos
#15
Vereadora da Câmara Municipal de Taubaté Talita de Lima Barbosa
Talita de Lima Barbosa

Vereadora da Câmara Municipal de Taubaté

Transcrição automática

Eduardo Rosário, deputada Lidice. minha colega de partido, em nome de vocês, cumprimento todas as demais presentes. É uma honra poder ver tantos rostos que me inspiraram na minha jornada, na minha construção política. E eu venho hoje a essa tribuna... falar do lugar de onde eu vim, que é o Vale do Paraíba, interior de São Paulo, uma região que em 2025 registrou 863 casos de estupro, que é o maior número da série histórica de registro na nossa região. No ano, inclusive, que o governador Tercício de Freitas cortou 56% do orçamento da Secretaria da Mulher e isso não é mera coincidência, ministra. Eu gostaria também de registrar que esses dados Por si só, já deveriam ser um alerta para que os gestores, não só o gestor do Estado, mas também dos municípios, se comprometessem com a defesa da vida, mas isso não é o suficiente para colocarem... esses gestores em uma posição de enfrentamento real e cotidiano. Eu quero aqui também poder falar da minha cidade em especial, que é Taubaté, onde hoje eu estou vereadora Pernambuco. pelo segundo mandato, e compartilhar que em 2024 foi construído um plano municipal de enfrentamento à violência contra a mulher, por várias frentes que estiveram dentro dessa comissão especial que foi instituída para a construção desse plano. foi participado, teve a participação de todas as secretarias, da Prefeitura de Taubaté, assim também como a presença da... da OAB, da Delegacia da Mulher, de institutos da cidade, da sociedade civil, E depois da construção desse Plano Municipal de Enfrentamento à Violência contra Mulher, quando ele foi enviado para a Câmara, Além da lentidão, ele ficou travado por mais de um ano sem tramitar. Em seguida, quando chegou à Comissão de Justiça, ele foi ativado por dois parlamentares, com uma justificativa forjada de inconstitucionalidade, mesmo com todos os pareceres técnicos favoráveis ao plano. E, para nós, é muito claro que essa... que terem forjado essa inconstitucionalidade, fica claro nos discursos de que, na verdade, eles sentem uma ameaça aos costumes com o Plano Municipal de Enfrentamento à Violência contra a Mulher que foi construído. E isso fica muito claro, não só com os discursos proferidos no Brasil, ao se referirem ao plano, mas também quando em seguida ao arquivamento do plano municipal, foi criada uma frente parlamentar da defesa da família, que atua diretamente com líderes religiosos. E no escopo dessa frente parlamentar tem hoje, no seu escopo, audiências para debater o que é a ameaça à família tradicional. Obrigado. E nesse momento, eu acho que é importante mesmo que a gente... dispute valores e que a gente dispute esses tais costumes. Porque se 80% dos estupros de menores acontecem dentro dessas famílias tidas... como família tradicional, como os tais dos bons costumes, se as mulheres são violentadas, principalmente por aqueles com quem elas escolheram passar a vida, aqueles que elas confiam, aquelas que elas dormem todas as noites. Então, de fato, a gente precisa questionar e disputar Quais são esses costumes? E aqui não é uma ameaça, um ataque a todo o arcabouço do que são esses costumes da família como um todo. Mas se essa família tradicional é também o seio de onde a violência acontece, então, de fato, é preciso disputar. E aqui eu quero deixar uma pergunta como reflexão. Por que tanto medo desses parlamentares da pior classe política presente nas câmaras municipais do interior? de discutir esses costumes nos espaços religiosos, nos espaços majoritariamente masculinos, dentro dessa família. Isso não tem sido o enfrentamento à violência, mas tem sido a blindagem dessas instituições. E nenhum espaço está imune à violência contra a mulher, nem os espaços religiosos, nem o seio familiar. Só para concluir, eu quero deixar essas perguntas porque eu acredito que esse seja o espaço de encontrar essas respostas. Quero colocar o Vale do Paraíba e as cidades do interior do estado de São Paulo também no mapa dessas discussões, porque essas vidas são apagadas quando elas não estão também representadas, na sua realidade, porque é isso que nós vemos nas câmaras do interior. E eu me coloco aqui comprometida para respostas dessas perguntas. Obrigada.

08 de abr, 10:51