
... da mata, eu cumprimento as componentes da mesa. Na pessoa da ministra das Mulheres, Márcia Lopes, eu cumprimento as demais ministras, Senhoras parlamentares, Demais convidadas. Tá boa. Muito bem. Eu lamento dizer, ministra, porque sou juíza de formação, 25 anos, como juíza de direito do estado de Rondônia, o Estado que ostenta o maior número de medidas protetivas. Em favor das mulheres... Primeiro lugar em feminicídio, segundo lugar em violência contra as mulheres. Eu lamento dizer que ainda que seja obrigatório e se siga protocolo de gênero, isso não resolve. Eu penso que a primeira honestidade que esse debate exige É a seguinte... O Brasil já aprendeu a medir a tragédia. O que falta ainda é enfrentar as causas com a seriedade que elas exigem. Eu fiz uma centena de júris na minha vida, 25 anos, como juíza dos quais a maioria como juíza criminal. Nós já conhecemos os números. quatro mulheres mortas por dia. meninas abusadas adolescentes adoecidas emocionalmente. Homens presos por violência doméstica. Mas a pergunta central não pode ser só essa. A pergunta central é: o que o estado e a sociedade estão fazendo antes que o crime ocorra. Porque quando a violência se repete em números tão altos, O que entra em crise não é apenas a segurança da vítima. O que entra em crise é a confiança da sociedade na proteção humana. institucional. E talvez esse seja o ponto mais grave Hoje cresce uma sensação, ministra, de exaustão coletiva. Uma sensação de que a mulher e a criança não estão sendo protegidas a tempo. Eu não digo isso para substituir a justiça pela emoção. Ainda que ela me toque profundamente. Mas é impossível ignorar o fenômeno social que está diante de nós. A violência contra a mulher... Obrigado. A violência contra a mulher, ministra, não começa com feminicídio. Eu vi isso durante 25 anos na minha frente. Ela começa antes. muitas vezes na infância. passa pela adolescência se agrava no ambiente doméstico. e não raramente termina em tragédia. Por isso, o grande erro é tratar esse tema apenas como questão penal. Não é. A punição é necessária. A investigação séria é necessária. A medida protetiva eficaz é necessária. A resposta judicial a tempo oportuno é necessária. mas não é suficiente. Se a sociedade quer enfrentar esse problema com honestidade, vai ter que admitir que essa violência também é um problema de formação, Benedita da Silva. de formação, de cultura, de repetição de padrões, de falha na proteção das mulheres e de omissão institucional. Quando pesquisas mostram que muitos homens presos por crimes contra mulheres não se reconhecem como responsáveis e ainda se colocam como vítimas O alerta é muito profundo. Isso revela uma distorção moral grave. Então a solução não pode ser simplista. Ela não passa apenas por endurecer o discurso, ela passa por prevenir educar, responsabilizar e interromper esse ciclo antes que ele produza mais uma vítima. Nós precisamos, e aqui vai as soluções, parte delas, eu estou terminando, eu peço mais um minuto. Nós precisamos de escolas preparadas para identificar sinais de violência. Precisamos de famílias acompanhadas quando há vulnerabilidade severa. Precisamos de saúde mental acessível para meninas e mulheres. Precisamos de assistência social pronta para intervir. Precisamos de um sistema de justiça ágil. e precisamos de segurança pública capaz de agir antes da fatalidade. Também precisamos de uma conversa séria sobre masculinidade, Responsabilidade. frustração poder e controle. Porque uma sociedade que educa homens para posse e mulheres para o medo, está preparando o terreno da violência. E é um ponto que me parece central. As mulheres não podem aparecer apenas como vítimas de estatística. Elas precisam estar cada vez mais nos espaços... Elas precisam estar cada vez mais nos espaços em que a resposta é formulada. Nos tribunais. nos parlamentos, nos ministérios, nos conselhos, nas mesas de decisão, não apenas porque isso é justo, mas porque é necessário No fundo, a pergunta é simples. Nós vamos continuar correndo atrás da barbárie? já consumada ou vamos finalmente criar uma política séria de proteção antes do crime? Porque uma sociedade que perde a confiança na proteção das mulheres, perde, junto com isso, uma parte essencial da sua própria justiça. Muito obrigada. Obrigada. Obrigado. Vamos lá.
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