PLENÁRIO
Sobre o Evento
A sessão de comissão geral debateu o grave problema do feminicídio no Brasil, resgatando o contexto histórico de conquistas das mulheres. Enfatizou-se a importância da atuação do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher na trajetória constitucional do país.
Conselheira do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher e primeira Secretária da Mulher do Governo do Distrito Federal
Fazer uma saudação à deputada Maria do Rosário, à deputada Lídice da Mata, à nossa querida Sandra Lee, vice-presidenta do Conselho. Saudar todas as deputadas aqui presentes na figura da deputada Jandira Feghali, relatora da Lei Maria da Penha. e dizer da minha alegria de participar desse momento como alguém que é membro do Conselho dos Direitos da Mulher, fui a primeira secretária de Estado da Mulher no Distrito Federal e como militante do movimento feminista, acompanhando de perto, o que acontece em relação à vida das mulheres no Brasil e aqui no Distrito Federal, que infelizmente já estamos com cinco casos de feminicídio ainda nos três primeiros meses do ano. Quero saudar a convocação feita para todas as pessoas para essa reunião, uma convocação que parte do entendimento de que o feminicídio não é destino, que o feminicídio pode ser evitado. E isso só será possível com ações muito concretas, articuladas, intersetoriais, interseccionais, para que a gente consiga dar as respostas que o país precisa e que as mulheres exigem todos os dias. Então, quero comemorar com vocês a iniciativa da integração dos órgãos, do executivo, legislativo, com a nossa sociedade, de maneira a construir as respostas estão demandadas. Esse movimento de integração é revelador da compreensão da complexidade do que é o feminicídio, do que é a violência contra a mulher. da letalidade que exige ações mais combinadas. A gravidade do feminicídio está expressa nos números, mas está expressa também nas práticas, cada vez mais cruéis. Não basta matar, é preciso destruir a imagem. Não basta matar, é preciso exponencializar o sofrimento, por isso Faz-se questão que as crianças acompanhem, testemunhem. Não é à toa que nós temos 70% dos casos de feminicídio testemunhado pelos filhos. Não basta matar, é preciso também violar, violentar as crianças por meio da violência vicária como uma forma de amplificação do sofrimento. E nós temos testemunhado esse ascenso da misoginia que se expressa também por meio do uso da imagem, das redes, o detalhamento dos crimes na rede social é algo que chama a atenção, por como já foi dito aqui, é como uma lição, você não pode se insurgir. Se você se insurge, você será exposta. Daí a necessidade de fortalecermos a criminalização da política, desculpe-me, a criminalização da violência digital contra as mulheres. Essa também é uma questão que está na ordem do dia. Mas eu gostaria, como alguém que vem da área de educação, de chamar a atenção que, Por mais que nós tenhamos que ampliar a rede de proteção, reforçar as medidas em todo o Estado brasileiro e em toda a sociedade, as agendas de ordem primária são fundamentais. Nós precisamos investir numa formação que altere de fato aquilo que é essencial, que é a cultura do poder, a cultura da dominação, a cultura do patriarcado, que está na base da dominação, da sujeição e da morte das mulheres. Isso não será possível sem uma educação que emancipe. Isso não será possível sem uma educação formal e uma educação informal que campeie todos os espaços da sociedade. desconstruindo as práticas, desconstruindo a forma de pensar, reposicionando os sujeitos na relação com o outro. É preciso que nossas crianças, desde a infância, compreendam que não se pode tolerar nenhum tipo de discriminação, não se pode aceitar a violência. Então, a escola precisa ser convocada também para esse processo. Nesse sentido, eu quero saudar o Ministério das Mulheres, o Ministério da Educação, pela iniciativa da portaria que obriga o ensino a partir do currículo sobre a lei Maria da Pena às escolas. E apenas para registrar, nós fizemos isso quando éramos secretária de Estado da Mulher no Distrito Federal. Então, parabéns ao Ministério. Sem educação nós não temos como mudar. Uma educação que humanize cada vez mais as pessoas e principalmente as nossas crianças. mesmo pedir que seja investido mais em relação às nossas universidades, para que a gente possa desenvolver pesquisas, elevar projetos de extensão, que de fato construam a inteligência necessária para garantir que tenhamos políticas públicas em sintonia com as demandas das nossas mulheres. Obrigada pela oportunidade, parabéns à ministra Márcia e a todo o coletivo que aqui se reúne na busca de soluções para esse que é o vício na sociedade.




