COMISSÃO DE TURISMO
Sobre o Evento
A Comissão de Turismo debateu os impactos da redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6x1 no setor, contrapondo visões sobre viabilidade econômica e bem-estar laboral. Adicionalmente, foram abordadas estratégias para promover a qualidade, sustentabilidade e ações climáticas nas atividades turísticas.
Presidente Executivo - Associação Brasileira de Bares e Restaurantes - ABRASEL
Deputado Bibo, prazer, um abraço para a deputada que já foi, né? Primeiro eu queria comentar os números apresentados pelo Ministério do Trabalho, eles são números têm... Eu sou engenheiro, fiz também economia, mas os números são... são importantes, mas eles têm senhores, viu, doutor? Deputado, os números têm senhores. O primeiro número que a gente precisa questionar aqui... eles usam que o aumento da massa, de custo da massa de trabalho de No Brasil vai ser da ordem de 5%. Ora, se dois terços opera com 5 por 2 e um terço opera com 6 por 1, na verdade, o aumento nos que ficam hoje trabalhando para o 6 por 1 é da ordem de 15%. Esse número é muito importante ser reconhecido. Porque, na verdade, ele varia, ele varia. Então, esse é um ponto. Outro ponto que nós precisamos dizer, quando a gente olha, por exemplo, o turismo já vai para meia, meia, entre seis por um, etc., No meu setor é muito mais. Obrigado. É, exato. O consumidor nos exige portas abertas todos os dias e é assim que nós queremos... atender a esse mercado. Outra coisa que eu queria chamar a atenção é da questão eleitoreira. Nós tivemos a primeira PEC em 2015 do senador Paim, do PT. A segunda PEC, em 2019, do deputado Reginaldo Lopes, meu amigo, de Minas. em 2024, também do PT, e em 2024, do PSOL, a da Érica... Hilton. Observe, deputado, que até... Dois meses atrás... Não foi prioridade do governo, de nenhum governo, a qualidade de vida do trabalhador. Ela subitamente vira qualidade de vida, de dois meses para cá, às vezes, talvez com a pesquisa até ficando um pouquinho mais calorosa. Mas é importante também registrar a fala de três maiores autoridades do tema do governo atual. Primeiro, em novembro, o ministro Marinho disse que isso não é assunto para canetada. Isso é assunto para discussão laboral e trabalhada. Diverge da apresentação da senhora Daniele, que diz o contrário, que é muito difícil negociar via sindicatos. Ou ela está enganada ou o chefe dela está enganado. Então, esse é um ponto que eu também gostaria... de destacar. E... Antes de comentar o terceiro ponto que ela traz como exemplo e me alinhar aqui ao Sérgio, que... É... destaca a pincelada de três hotéis ou quatro restaurantes, vamos falar do que está faltando trazer à sociedade, a visão do custo. Porque todo mundo, em tese, está enxergando o potencial benefício, trabalhar menos, ganhar mais, ficar em casa, não sei nem se todo mundo quer isso, né? Muitas vezes as pessoas precisam trabalhar mais, né? Ou querem trabalhar mais, como o senhor destacou aqui no início. Mas é muito importante dizer o seguinte, nós temos que olhar isso primeiro. O setor de serviços vai ter um aumento no mínimo de 6, 7% do custo para o consumidor... E em alguns serviços essenciais, não só como restaurante, mas como por exemplo uma clínica médica, esse custo vai a 15%. Por que é maior? numa clínica médica do que num restaurante, que é parte do custo do restaurante, é insumos. Numa clínica médica, o grosso é o trabalho do médico, das enfermeiras, etc. Outro ponto importante que nós temos de estudar e saber se o consumidor está ciente e se ele toparia fazer isso, é a questão da viabilidade. Hoje, por exemplo, pega um restaurante que pague mil reais para uma cozinheira por semana. para trabalhar seis dias. Se for trabalhar cinco... dá R$ 200,00 por dia. Ora, o consumidor quer o restaurante aberto naquele dia também, então eu preciso contratar mais uma pessoa... por 200 reais pelo menos. vai aumentar 20% o custo da minha folha. que no final das contas dá aquele 7% ou 8% para o cardápio. Só que tem um detalhe, nós estamos em pleno emprego, ou numa outra narrativa, com Apagou mão de obra. Não tem mão de obra para trabalhar. Onde eu vou encontrar essa cozinheira... ou médico, para trabalhar esse sexto dia, deputado. Há lugar para isso? De fato, há. Parece que não, mas há. E a nossa representante do Ministério do Trabalho, indicou, me ilustrou o meu exemplo. O Copacabana Palace, que é um hotel rico, vai tomar de uma pensãozinha pobre. O Fasano, um restaurante rico ou qualquer outro, vai tomar do pequenininho. A grande empresa vai tomar da pequena. E o que vai acontecer? Uma precarização. da oferta de serviços nos mais pobres. Porque eu tenho uma região, por exemplo, um restaurante que atua em Bangu, no Rio de Janeiro, na periferia do Rio de Janeiro. Eu vou lá, eu estou com a vagabana passa, eu preciso da cozinheira para... trabalhar no restaurante da Copacabana Palace, que mudou para 5x2. Eu vou lá e pego essa cozinheira. Aquele restaurante não tem mais cozinheira. Ali a gente trabalhavam seis pessoas, cinco... mas a cozinheira. Os cinco Ou perde o emprego. Ou também vão ser contratados pelo Copacabana Palace ou por algum restaurante de alto nível, que tenha poder aquisitivo para pagar mais. E o que acontece? eles vão ter que deslocar da área deles lá de Bangu para trabalhar em Copacabana, onde fica o Copacabana Palace. Quanto tempo de ônibus? Duas horas. Para ir, duas horas para voltar. Então, a suposta economia e qualidade de vida de trabalhar umas horas a menos vai ser perdida com deslocamento. precarizando. Quem é o grande perdedor? O rico vai sofrer, vai pagar 7% a mais, 15% a mais, mas ele vai continuar indo no Copacabana Palace, ou num restaurante de altíssimo nível. Agora, o pobre, ele não vai ter o dinheiro, porque ele não vai ter condições de pagar 7% a mais, 20% a mais. Ele vai perder o emprego... Naquela região dele lá, se ele trabalhar numa empresa... Júlio de menor porte... e vai acabar perdendo tempo lá no ônibus e outras coisas. Levar essa visibilidade de custos desse tipo é muito importante. Mas eu queria destacar mais um. Para finalizar... que é o seguinte, a reforma tributária, ela é muito favorável, eu sou absolutamente favorável a ela, mas ela trouxe... um ônus natural ao setor de serviços. O setor de serviços no Brasil vai pagar mais Porque a indústria vai pagar um pouco menos. O que acontece? Se nós vamos dar um duplo custo adicional para o setor de serviços, Além do custo adicional da reforma tributária, que já começa vindo o ano que vem, Nós vamos aumentar o custo da folha em 20% Então, não... Eu queria finalizar... com a fala do Lula e do Haddad. Falei a do Marinho, né, disse que não resolve na canetada. No Conselhão, em dezembro, o presidente Lula disse que isso não é assunto para lei. que isso é assunto para... Debate entre as partes. E o Haddad, em fevereiro, o ministro Haddad, disse que o governo não fez uma única conta e nem análise de custo para essa medida. Ora, propor que esse... seja tratado de maneira assodada, principalmente quando falo em regime de urgência de 45 dias, é uma postura eleitoral lesa pátria que a gente não deveria estar endossando, e muito menos aceitando. Então, acho que nós precisamos da ampla visibilidade, e aí eu agradeço ao senhor e ao parlamento, aqui à Câmara, a oportunidade de estarmos levando a mais gente essa visão dos custos, que são absurdos. E outra coisa, para destacar também da fala da Daniela, porque ela não está aqui do lado, mas está tudo gravado, ela pode ver depois, né? Ela fala muito da redução da jornada em países desenvolvidos, de 44 para 40, para 38. Mas ela foge do tema central, que é a discussão da escala. Em nenhum dos países que ela apresentou, existe proibição para a escala 6x1. Não existe fora do Brasil, em nenhum lugar, proibição de trabalhar. No Brasil, a gente está querendo proibir. Não faz sentido. É uma coisa que, infelizmente, os números que ela traz, os exemplos que ela traz, em nome do Ministério, não estou falando da Daniela, eles visam defender uma causa que é, ao meu... ver lesa pátria nesse momento. E eu queria finalizar, Aldo, te cumprimentando. O Aldo, mesmo defendendo um governo que está nesse momento assim, fez uma fala absolutamente correta e precisa do meu entendimento do setor. Obrigado. Nosso cumprimento ao ministro por tê-lo na equipe. Então,




