COMISSÃO DE TURISMO
Sobre o Evento
A Comissão de Turismo debateu os impactos da redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6x1 no setor, contrapondo visões sobre viabilidade econômica e bem-estar laboral. Adicionalmente, foram abordadas estratégias para promover a qualidade, sustentabilidade e ações climáticas nas atividades turísticas.
Presidente Executivo - Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil - FOHB
Boa tarde, presidente. Obrigado pela oportunidade. Reitero a palavra do Paulo Somurci, é muito bom que tenha dado essa visibilidade para o assunto, eu acho que é isso que carece muito nesse momento, essa discussão. Eu vou abrir a minha fala aqui com uma frase que eu ouvi hoje. e depois eu vou nominar de quem é a frase. O Estado deve fiscalizar e induzir o desenvolvimento e não criar impedimentos e dificuldades Para quem? Honestamente, quero ajudar o desenvolvimento do Brasil. Essa fala foi feita hoje pela deputada federal Daniela Reiner. Presidente dessa comissão, Na CNC hoje, no Conselho de Turismo da CNC, está certo? Mas parabéns à deputada federal. E nesse sentido, eu quero... pegar uma vertente que é o seguinte: dentro desses que honestamente querem ajudar o desenvolvimento do Brasil, está a hotelaria. São as suas áreas vertentes, resorts, a hotelaria independente, bem representada aqui pelo CC, a... a BLTA, o FOB com as redes hoteleiras, e o modelo de hotelaria é um modelo hoje que ele enfrenta grandes dificuldades. Eu não vou entrar nem na especificidade de quanto custaria aumentar os custos da hotelaria em função da mudança da escala de trabalho ou não, mas eu quero só fazer um raio-x do que é a hotelaria, para que a gente possa entender em que modelo de negócio a gente está mexendo. A hotelaria é um ramo de alto investimento. E esses que honestamente querem ajudar o Brasil a se desenvolver, eles enfrentam falta de funding para fazer um hotel. Tem juros elevados nesse país, dispensa comentários. O custo de construção é cada vez mais elevado, até em função da inflação. O custo dos terrenos cada vez mais caros onde pode ser desenvolvido um hotel. E apesar disso tudo, tem gente honesta querendo desenvolver o Brasil fazendo novos hotéis. Obrigado. Por outro lado, esses mesmos malucos que fazem esses hotéis, apesar de todas as dificuldades, eles têm uma baixa margem de remuneração, porque as margens da operação hoteleira são muito baixas. Resultado de um uso intenso de mão de obra, a mão de obra corresponde a praticamente um terço da planilha de custos de uma operação hoteleira. E isso provoca, tem uma dificuldade imensa de automação, como já foi dito aqui, a inteligência artificial ainda não faz cama e não frita bife. tá certo ainda não pelo menos e isso daí provoca uma baixa remuneração dos ativos portanto cerveja que coisa paradoxal você tem um ramo de alto investimento e ao mesmo tempo você tem uma baixa remuneração dos seus ativos porque eu digo isso que a hora que se tem a ideia de fazer uma modificação tão complexa como essa na jornada de trabalho, na escala de trabalho, nesse momento, de relação tão complexa na sociedade com o trabalho, não se leva em conta também outros problemas que já estão aí endereçados a partir desse ano ou do ano seguinte. Um deles, por exemplo, como foi citado, o impacto da reforma tributária. Então, nesse modelo de negócio já tão dificultoso para o empreendedor, você tem ainda os impactos que virão da reforma tributária, que ainda não são conhecidos totalmente, porque não se sabe ainda todos os impactos. Sabemos que vai aumentar a carga, mas não sabemos totalmente ainda. do trabalho com o trabalho principalmente da hotelaria é muito conflituoso. Os próprios tribunais, eles não se entendem. Um tribunal dá ganho de causa para uma coisa para o empregado, o outro não dá o mesmo ganho de causa. Um reconhece uma forma de trabalho, como por exemplo do trabalhador intermitente, outro tribunal não reconhece isso. Então tem uma insegurança trabalhista jurídica imensa nisso daí. que também é um formato de meios de hospedagem que não responde a nenhuma forma de regulamentação. Eles não têm nenhum custo trabalhista, porque não tem mão de obra, não recolhem impostos, não tem regulamentação nenhuma de ambiente, lei ambiental, lei de segurança, de bombeiros, nada disso. Ou seja, correm olimpicamente. Esse modelo tradicional da hotelaria, apesar de toda dificuldade, ainda enfrenta esse tipo de dificuldade. Fazer uma reforma trabalhista nesse sentido de mudança da jornada de trabalho é um complicador ainda muito maior. Certo? Eu acho que Para fazer alguma mudança nisso daí, teria que ter muito mais debate, sem dúvida nenhuma, não fazer no ano eleitoral, e que pudesse ser feita através de negociação coletiva, como já permite a legislação hoje trabalhista, e principalmente, se tiver que fazer a mudança, que eu acho que ela pode ser positiva sim, se tiver que fazer a mudança, teria que vir acompanhada de uma desoneração fiscal para o setor, para fazer face às dificuldades econômicas que já enfrenta hoje. Essa é a minha opinião. Presidente, muito obrigado. E aí




