COMISSÃO DE DIREITOS HUMANOS, MINORIAS E IGUALDADE RACIAL
Sobre o Evento
A Comissão de Direitos Humanos realizou audiência pública para debater a reforma agrária, os conflitos fundiários e a valorização dos movimentos sociais. O evento enfatizou a necessidade de políticas públicas voltadas ao assentamento, à produção agroecológica e ao fortalecimento da agricultura familiar como pilares da justiça social.
Boa tarde a todos e todas. Eu quero saudar todos os parlamentares presentes, os meus companheiros e companheiras do movimento dos trabalhadores rurais sem terra, que estão no plenário, que fizeram uma belíssima mística agora há pouco, os companheiros do estado do Pará, que também estão aí no plenário, E aí É... falar sobre o massacre de Eldorado dos Carajás, nesse abril de lutas do Movimento Sem Terra, nesse abril que traz presente a memória dos 30 anos desse episódio que marcou a história do nosso país é fundamental. E... A gente estava refletindo aqui acerca desse momento e dessa construção que nós temos feito em torno da memória de Eldorado, e ela tem sido uma construção que traz o sentido do não esquecimento, do não esquecer o que aconteceu em 1996. Eu sou da região de Eldorado dos Garajás, Eu vim para o MST ainda criança, minha mãe foi assentada no assentamento 17 de abril, a minha família foi assentamento 17 de abril e eu me lembro perfeitamente bem não do 17 mas do 18 de abril de 1996 Quando eu ainda criança estive na curva do S... junto com a minha mãe É... procurando um tio que havia desaparecido no dia 17 de abril. E aí E... É... a... A memória daquele dia nunca... Nunca sai da minha cabeça. a violência que aconteceu. na curva do S. Em 1996, atravessou uma geração. atravessou uma geração que perdeu. companheiros, perdeu pais, perdeu filhos, Sim. atravessou uma geração que presenciou o que aconteceu em 1996, Obrigado. Atravessou uma geração daqueles e daquelas que seguiram e 30 anos depois carregam no corpo as marcas do que aconteceu. no massacre de Andorá dos Carajás. Então, o massacre de Adorado Escarajás marca uma geração de pessoas, uma geração de homens e de mulheres, e ele marca de forma profunda como o maior massacre contra trabalhadores que acontece no Brasil E o... E as feridas que o massacre de Eldorado dos Carajás deixa, em todos nós, os que viveram e os que de alguma forma acompanharam essa história, são feridas muito profundas. porque para além de tudo que aconteceu Para além da violência, da brutalidade com que o Estado assassinou os trabalhadores na Curva do Oeste, a violência com que o estar assassinou o Zé Alves Pereira um jovem de 17 anos de idade foi torturado foi arrastado e foi assassinado. diante das pessoas, no meio de um asfalto, de uma pista na curva do S. O que fica e o que indigna profundamente a todos nós é a impunidade, a cerca em torno de Eldorado dos Carajás. E a gente acha que é impossível. Impossível que... um massacre na proporção do que aconteceu na Cúbua do S96, siga tendo como marca a impunidade. E... olhar hoje para as pessoas que permanecem e a gente fala fala dos sobreviventes E os sobreviventes, senhores e senhoras, eles estão morrendo. os sobreviventes eles estão morrendo por conta das sequelas do que aconteceu 30 anos atrás nós temos pessoas que já morreram e que estão perdendo a vida. que tem sofrido pela ausência do atendimento em saúde, que é obrigação do Estado, O Estado precisa se comprometer... E... ter responsabilidade com a saúde das pessoas que ficaram ainda. é inadmissível que o estado que assassinos trabalhadores não consiga fornecer um atendimento básico de saúde para que essas pessoas vivam minimamente minimamente com o mínimo que seja de dignidade. essas questões eu trago É... por acompanhar esse processo e por ter acompanhado como menina quando menina ia acompanhar ainda hoje, mas desse lugar Esse lugar da negação... de fato da justiça, desse lugar da negação de fato da reparação que essas pessoas merecem, ter que é um direito delas e desse lugar também do não esquecimento. E... só alguém que não tenha o mínimo de humanidade é capaz de aceitar com naturalidade o que aconteceu na curva do S em 1995. Precisamos... Nós, seres humanos. que sentimos, precisamos rechaçar esse discurso de que quem foi assassinado na curva do S era bandido e de que o trabalhador que luta por um pedaço de terra é bandido trabalhador que luta por um pedaço de terra ele busca garantir um direito que ele tem de viver bem de ter acesso à democratização da terra. Nós precisamos rechaçar. E nós precisamos... é seguir cobrando. que o Estado se responsabilize pelo pelo que aconteceu na curva do S em 1996. Nós não podemos deixar que daqui a 30 anos... Voltemos novamente. em momentos de memória 2 daqui a 30 anos novamente a gente vem dizer que todos os sobreviventes de Eldorado Scrajás morreram sem atendimento digno de saúde. nós não podemos voltar aqui 30 anos depois de dizer que ainda existiu pessoas passando por Eldorado estragais pelo massacre que não foram indenizadas e que não receberam nada Nós não podemos voltar aqui 30 anos depois, novamente dizer que o Estado não cumpriu com aquilo que lhe é de obrigação. reparar a violência e os assassinatos que cometeu e quando a gente fala reparar a gente não tá dizendo aqui que vai trazer as pessoas que foram de volta nós estamos dizendo de que quem ficou merece viver minimamente com dignidade. e de que essa memória merece seguir. seguir como memória viva do nosso país, como memória do que aconteceu, mas também como uma memória do que não deve acontecer. é lamentável que depois do massacre de Eldorado e Terajais nós temos tido tantos assassinatos e tantos massacres nosso país O Pará tem sido palco de violências... e violações de direitos contra os trabalhadores de forma decorrente. A gente teve o massacre de Pau Tarco, o assassinato de vários trabalhadores e trabalhadoras rurais durante esse período desses 30 anos. Então, os horrores que aconteceram na curva do S em 1996 não foram o suficiente para constranger o latifúndio para constranger uma elite que nos odeia e que só compreende dialogar conosco a partir da violência a partir da bala a partir dos assassinatos Então, nós não podemos deixar de marcar esse lugar. Os trabalhadores seguem sendo assassinados no estado do Pará, na Amazônia e no Brasil, e seguem sendo assassinados pelos mesmos que mandaram assassinar e que arquitetaram o assassinato dos 21 trabalhadores rurais na curva do S-1996. E a gente não pode esquecer isso. A gente não pode esquecer que os massacres seguem, que a violência e a violação de direitos humanos seguem no nosso país. E a gente precisa denunciar isso e ser uma voz que precisa se erguer, não só no abril, mas ela precisa ser ecoada todos os dias no nosso país. A cada momento que aconteça o assassinato de um trabalhador, de uma trabalhadora, o desprezo de um território, nós temos que trazer a memória... da vida a memória da dignidade e temos que trazer a memória de que nós não podemos deixar que aconteça novamente o que aconteceu em 1996 em Eldorado dos Carajás. o MST está para finalizar a minha fala. nesse mês de abril com um conjunto de atividades pensando em torno da memória de Eldorado Escarajás. E estamos com o 20º Acampamento Pedagógico da Juventude Camponesa na Curva do S, Estamos com a nossa marcha estadual, a marcha interrompida, a retomada da marcha que aconteceu em 1996, que culminou no massacre de Dorado Escarajás. A gente retomou essa marcha agora, vamos finalizá-la no dia 17 de abril, e ela é retomada como uma marcha da paz, da esperança, e como uma marcha que vai encontrar na Cuba do Oeste a juventude que segue em luta e resistência, sendo semente e resistindo aos retrocessos, à violência, aos massacres e à violação de direitos. Então, eu gostaria de agradecer a minha participação e... falar uma palavra de ordem que é muito importante para nós que dizer assim hoje eu estar presente pois a gente até sente o pulsar do seu coração Obrigado, Poliane.




