COMISSÃO DE DIREITOS HUMANOS, MINORIAS E IGUALDADE RACIAL
Sobre o Evento
A comissão promoveu uma audiência pública para discutir os direitos e a inclusão de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). O debate focou na necessidade de políticas públicas mais eficazes, ampliação do acesso à saúde especializada e estratégias para garantir dignidade e autonomia no serviço público e na sociedade.
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Bom dia a todos, cumprimento a mesa em nome do deputado Luiz Couto e do Fernando Cota, um amigo aí de longa caminhada, fico muito feliz com a indicação do meu nome. Eu sou Adriana Zin, sou uma mulher branca, de cabelos curtos, claros, tenho visão monocular, 20 anos, sou doutora em odontologia, há 34 anos cirurgião dentista e meu estudo em mestrado e doutorado foi para melhorar a saúde bucal de pessoas com transtorno do espectro autista. Neste momento, né, é um momento de conscientização e de forma nenhuma um momento de comemoração, né, profissionais, conscientizar a população, conscientizar as pessoas sobre as necessidades e as oportunidades, né, que a pessoa com transtorno do espectro autista, ela busca dentro da sociedade. Então, são questões muito difíceis e hoje eu trouxe aqui mais uma provocação em relação à minha área de atuação, que é a odontologia. da pessoa com transtorno do espectro autista, essas famílias e essas pessoas enfrentam muitas barreiras. Então, tem barreiras em todos os níveis de acessibilidade. Não só pensando na acessibilidade arquitetônica, mas pensando na acessibilidade metodológica. Então, não existem métodos e técnicas bem desenvolvidos para o acolhimento da pessoa no espectro do autismo. a barreira do próprio preconceito, então é muito difícil o acesso dessas pessoas ao tratamento odontológico. Uma das provocações, então, seria pensar no número de profissionais que nós temos no nosso país que são capacitados para esse atendimento. E quando nós falamos de odontologia, São dados do Conselho Federal de Odontologia, que nós temos inscritos no país em torno de 400 mil cirurgiões dentistas. E especialistas em odontologia para pacientes com necessidades especiais, que é a área que compete o atendimento à pessoa com transtorno do espectro autista, nós temos em torno de mil pessoas. para atender a toda essa gama de população do espectro autista e várias outras condições. Pensando que são pessoas de... diversos níveis de suporte e dentro desse suporte o profissional ele tem que fazer as adequações necessárias para esse atendimento. Então, nós não temos profissionais em número suficiente para atendimento. Então, nós já consideramos um problema de saúde pública não ter o profissional para atender a pessoa com transtorno do espectro autista. Então, hoje, uma família que tem uma criança ou um jovem ou um adulto, com dor de dente. E a dor desorganiza a pessoa e desorganiza de uma maneira absurda. Essa pessoa pode se autoagredir, ela pode agredir outra pessoa, porque simplesmente ela está com dor. E a família não tem o local ou... o imediatismo para conseguir esse atendimento. Então a gente não pode fechar os olhos para o que está acontecendo no nosso país. Está aberta uma consulta pública para adequação do último guia de atenção à saúde bucal da pessoa com deficiência, se eu não me engano, ele é do ano de 2016. Está aberta essa consulta para modificar ele e atualizar. Mas o grande problema é nós não termos o profissional para atender. Então, precisamos ter uma capacitação em massa do atendimento, de promover que esses profissionais sejam treinados para acolher e atender as pessoas com deficiência em geral, não só as pessoas com espectro do autismo. E nesse momento, eu coloco também uma reflexão. o que é uma pessoa que ela não consegue se comunicar, quando eu estou falando de uma pessoa nível 3 de suporte. e ela está com dor porque estão nascendo os dentes do siso, os terceiros molares que acontecem lá para os seus 15, 16 anos de idade. Essa pessoa muitas vezes começa, às vezes, a se autoagredir, bater a cabeça na parede, agredir os pais que estão em casa, quebrar a casa inteira, isso são relatos de mães que entram em contato. E ela precisa de um atendimento para esse filho dentro de um hospital com anestesia geral. e é negado porque essa criança tem que entrar numa fila para esse atendimento né então esse é essa é uma discussão que a gente tem que ampliar então não dá mais para ver pessoas morrendo de dor de dente sendo impedidas de ter atendimento por falta de profissional, por falta de acesso desses pacientes ao atendimento com sedação e anestesia geral, ainda termos que usar as restrições físicas e as estabilizações por falta de oportunidade de internação desses pacientes, então eu acho que a gente tem que ampliar essa discussão e ter um olhar para essas famílias. da entrada do SUS para atenção primária saúde nós trabalhamos em processos preventivos então elaborar mais materiais ter aí as mães novamente como apoiadoras nisso fazer um treinamento para essas mães para prevenção de cárie doença periodontal para não chegar em dor né mas infelizmente nós temos muitos autistas no nosso país que estão nesse momento morrendo de dor de dente batendo a cabeça de educação que eu queria estar colocando para vocês e aproveitar que o Fernando Cota falou sobre as cartilhas. Fernando, acho que seria a oportunidade de a gente pensar numa cartilha de higiene bucal, específica para pessoas com TEIA, já é um material que nós desenvolvemos aqui em São Paulo, já tem aí uma divulgação nacional, mas que leve para mais famílias, para que a gente consiga prevenir cárie, doença periodontal, prevenir dor, desorganização e lembrando que uma má condição bucal também pode levar à morte de uma pessoa. Então, eu acho que era isso que eu queria estar colocando nesse momento, realmente... falar um pouquinho sobre essa necessidade específica que as pessoas passam nos seus... nas suas residências. Agradecer a oportunidade. E, mais uma vez, ao Moab, por todo esse movimento e o como faz a diferença na vida das pessoas, né? Esse tipo de... E... audiência, sim, e encontro. Muito obrigado, doutor Adrian.




