COMISSÃO DE DEFESA DOS DIREITOS DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA
Sobre o Evento
A Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência debateu o capacitismo e as falhas nas avaliações biopsicossociais em concursos públicos. O foco principal foi a exclusão indevida de candidatos com deficiência, incluindo autistas, em certames da segurança pública, como o do Corpo de Bombeiros do DF.
Mãe de candidato com deficiência eliminado
Estão me ouvindo? Tchau. Obrigado. Posso falar? Pois não, vou pedir só para ser breve, mas fique à vontade, Selma. Boa tarde, boa tarde, presidente, boa tarde a todos. Eu estou aqui, eu vou ser um pouco ansiosa porque eu sou uma mãe atípica. e eu tenho muita coisa para falar e um tempo resumido. Eu tenho cabelo preto, pele clara, Estou usando uma camisa branca, uma calça azul e um sapato bege. Obrigado. Eu vim falar aqui que a preocupação não é só o edital. Eu não sei se isso foi comentado e se ficou bem claro. A preocupação também é quando entra no órgão. Como a deputada comentou ali, não existe o acolhimento de quem entra no concurso. Meu filho passou em dois concursos da polícia, fez o TAF, ele fez esse teste de aptidão nas duas polícias, ele passou em tudo e foi bem, tanto que ele escolheu um, pediu fim de fila no outro. Mas ele é autista. Quando chegou lá, ele foi apelidado... Porque o que acontece? Ele tem treinamento, faz academia, mas o que ele aprende em duas semanas, em termos da parte motora, uma pessoa neurotípica aprende, às vezes, em uma semana. Ele recebeu logo o apelido de Mr. Bean. Na frente do batalhão inteiro, era dito assim para ele, olha, fulano... O De Silva... que é o nome dele lá, Ele está marchando para o lado direito e todo o batalhão para o esquerdo. Só o De Silva está certo. Olha a ironia. Cuidado quando entrar. Quando vocês entrarem no bombeiro, que eu espero que vocês entrem. Tá entendendo? Agora, uma coisa eu quero deixar bem clara, que todos me ouçam. Quando você briga com uma pessoa... com um filho, lembrem-se que ele tem pai, que ele tem mãe, que ele tem cunhadas, irmãos, noras, genos, tia, avó. Você nunca briga só com uma pessoa. Você briga com uma família inteira. Eu sou uma mãe revoltada com isso. Eu tenho raiva, eu fui na polícia, lá em Itaguatina, para eu ser presa. Eu sou enfermeira, trabalho na UNB, tenho doutorado, trabalhei de plantão igual uma condenada à noite. Sabe pra quê? Pra poder pagar fundo. Para ele ter um desenvolvimento bom, sabe por quê? Porque eu rodei vários médicos, neurologistas, psiquiatras, teve um que disse, isso é frescurinha, a senhora está procurando um médico, disse isso para mim. Não vou falar mal dos médicos, porque eu trabalho com médicos e quero bem muitos médicos. Mas disseram isso que eu estava procurando problema nele. E ele é o tipo 1. Aquele que é o seguinte, teve uma de autopatente, mas, ah, que eu não vou... não vou dizer nome, aqui que eu não quero ser antiética, porque como são muito antiéticos conosco, eu não quero me nivelar. Então, disse assim: Você tem cara de juiz. Largue esse concurso aqui. Isso aí é preconceito. Essa frase é odiosa. Ou seja... Tu serves pra todo lugar. menos tu não serves para estar conosco aqui. É a mesma coisa, gente. É considerar a pessoa um lixo. Eu até separei, mas não sei se vai dar tempo de ler aqui, mas se vocês quiserem ler... Esse programa, Um Cão Apenas, de Cecília Meireles, vocês já viram? Um cão apenas? O cão andrajoso, que a pessoa subiu os degraus e encontrou aquele cãozinho todo ferido, como se ele estivesse com leishmaniose? sabe e a pessoa Ela fala assim, até o fim guardarei esse óleo. acho que é o terceiro parágrafo, se olhar no meio do meu coração, até o fim da vida sentirei esta humanidade, infelicidade de nem sempre poder socorrer. neste complexo mundo dos homens. Então o triste cãozinho reuniu todas as suas forças, atravessou o patamar, sem nenhuma dúvida sobre o caminho, como se fosse um visitante habitual e começou a descer as escadas em suas rampas, com plantas em flor de cada lado, as borboletas incertas, salpicos de luz no granito, até o limiar. Passou e foi embora o cãozinho. Então, ela precisava passar. Ele ia descendo, no entanto, ela coloca aqui. Ela deveria se ocupar um pouquinho dele, né? aqui está acho que no segundo, chamar alguém, pedir-lhe que eu examinasse, que eu receitasse, encaminhá-lo para tratamento. Mas vamos para isso, eu estou fazendo uma analogia, traçando aqui um paralelo, mas ela fala assim, mas tudo é tão longe, meu Deus, tudo é tão longe, espécie de súplica. Tudo é tão longe para ajudá-los. Todos, todos aqui, tudo é tão longe, tudo é tão difícil, tudo é para amanhã. E os que ainda passam, tem que se preocupar com os editais. Inclusive o edital dele, ele fez para ampla concorrência, porque não foi oferecido para autista. E ainda foi criticado, muita gente pergunta. Foi feito para ampla concorrência, mas ele tinha que ter feito para autista. Como eu já ouvi falar, e esses bombeiros, na hora que a sirene tocar... eles vão sair correndo ou vão ficar doidos? Mas a pessoa falou para a pessoa errada... Ela falou para uma mãe atípica, que é uma lioa para defender seu filho. Eu só quero colocar aqui a minha indignação, as coisas estão demorando, o meu filho quer contribuir. Fique isolado. sabe? Ele já ficou em depressão, ele fica dizendo que ele está velho porque, mãe, eu completei 30 homens, não é sustentado pela mãe, eu passei nesses concursos, fica no quarto sem amigo, sofre preconceito desde a escola, as escolas não estão preparadas, eles ficam isolados. Eu vi um relato de um senhor com diagnóstico tardio chamado, ei, perna de pau, não entra no jogo. Quando entra a adolescência, que é a fase onde você vai encarar a vida, quem teve diagnóstico tardio, e eu pergunto o que estão fazendo também para esses de diagnóstico tardio aqui no GDF? o que estão fazendo porque eu já procurei muito Eu quero inserir meu filho em grupos, eu quero que meu filho tenha namorada, eu quero que meu filho me dê um neto. Cadê meu neto? Cadê as amizades? Desculpa eu chorar, mas aqui dentro tem uma pedra que eu carrego. Tem várias noites de insônia. E de não dormir, de me pensar, se eu morrer, meu Deus, eu não posso. Meu Deus, me dê 100 anos, no mínimo, no mínimo, 100 e tantos anos, porque... Se não quer o meu filho, Se a sociedade não quer que ele contribua com o imposto de renda para ajudar a pagar os funcionários públicos, que façam alguma coisa. Ele é um jovem que quer trabalhar desesperadamente, porque o irmão trabalha, porque a irmã trabalha. Um dia ele me disse, só os incapazes ficam dentro de casa. Meu filho, tu não é incapaz, meu filho. Gente, falem com as mães atípicas. Ouçam relatos, ouçam nessas instituições que prestam assistência para as crianças. Obrigado. É um dia a dia traumático. é um dia a dia sofrido Eu não tenho nem como externar para vocês. Muito obrigada pela atenção de todos. Aplausos.




