REUNIÃO CONJUNTA
Sobre o Evento
Comissões de Educação; Legislação Participativa
Autor de Livros
Boa tarde a todos. Exmo. Sr. Deputado Federal João Daniel, ícone dos trabalhadores de Sergipe e do Brasil — tantos anos de luta a favor dessa classe —, respeitosamente o cumprimento. Nesta tarde, devo fazer aqui um pequeno relato sobre o tema proposto por V.Exa. nestas duas Comissões conjuntas. Sras. e Srs. Deputados do Brasil, a patologização das diferenças neurológicas, especialmente do autismo, representa uma das maiores barreiras históricas à construção de uma sociedade verdadeiramente inclusiva. Durante décadas, as pessoas autistas foram compreendidas quase exclusivamente a partir de déficit, limitações e inadequações diante de um padrão considerado normal. Essa visão reducionista transformou diferenças humanas legítimas em problemas a serem corrigidos, ocultados ou eliminados. O Transtorno do Espectro Autista pode ser compreendido apenas com uma condição clínica e não pode ser compreendido apenas com uma condição clínica isolada. Trata-se de uma forma singular de perceber, sentir, comunicar-se e interagir com o mundo. Quando a sociedade insiste em enquadrar toda manifestação autista como erro, desvio ou incapacidade, promove a patologização da existência dessas pessoas, gerando sofrimento emocional, exclusão social e violação da dignidade humana — repito: violação da dignidade humana. Nesse contexto surgiram, e ainda persistem, abordagens terapêuticas excessivamente normatizadoras, corretivas e, em alguns casos, agressivas. São práticas que priorizam a adaptação forçada do indivíduo a padrões sociais dominantes, muitas vezes ignorando sua subjetividade, autonomia, sensibilidade e maneiras próprias de comunicação. O foco deixa de ser o bem-estar da pessoa autista e passa a ser a tentativa de torná-la menos autista aos olhos da sociedade.




