
Eu sou o cacique Gil Stupinambá. Sou cacique-geral do povo Tupinambá, das 28 aldeias do povo Tupinambá do Tapajós da Amazônia. Também faço isso ou não acho. aos 14 povos do Baixo Tapajós. E também o munduruku do... Do médio. E nós estamos aí nessa luta, não só desde agora do dia 22... do mês passado, mas nós estamos há muitos anos aí na luta... Há muito tempo nós vem denunciando Nós vêm falando dos ataques que têm vindo de cima para baixo, do desrespeito. ao nosso rio, do dia de respeito à nossa floresta, do dia de respeito ao nosso modo de vida. E hoje a gente não... não tolera mais ficar só na base. Nós fizemos uma um ajuntamento nosso de base... dos 14 povos e... Decidimos fazer essa ocupação como o último... como último apelo porque Nós temos a nossa forma de denunciar. de levar para o jurídico... E nós temos a nossa última forma, que é a forma de ocupação. Foi a última instância que nós vimos para a sociedade... é... a sociedade civil organizada nos apoiar e também, consequentemente, o próprio Congresso Nacional e ter uma repercussão nacional e, se possível, internacional. que é o que a gente vem fazendo, que é o que a gente vem alcançando, porque a sociedade civil, ela abraçou a nossa causa, que essa causa, ela não é só nossa, no território do Pinambá, ela não é só nossa, dos 14 povos, ela não é só nossa com a Alessandra, ela não é só da Amazônia, mas ela é a responsabilidade de todos nós que temos compromisso com a dignidade da vida, que zelamos, por esse bem-estar que zelamos pelo direito à vida. e nós que estamos ali diretamente na floresta, somos o termômetro daquilo que está... do aquecimento da terra, do descontrole e do desnível. Primeiro quem sente somos nós. Porque vocês podem estar aqui na sala de vocês. Vocês não vão sentir a mudança de clima porque está dentro do ar-condicionado. Mas nós que estamos lá na base... Nós vamos sentir. Então nós somos o termômetro de todo o equilíbrio da Terra. E quando a gente é afetado, a gente tem o dever moral de vir aqui, por entender que essa terra, que hoje aqui, que foi invadida pelos europeus, inclusive nossos parentes que lutaram muito aqui, em resistência, e os povos do Tupinambá, O grande cacique de Camiaba que lutou, que lutou para defender, ele continua vivo dentro de nós, ele continua vivo dentro de todos nós que estamos aqui. E por isso a gente vem com essa força ancestral para realmente fazer uma ocupação lá dentro da Cagil, que ela hoje está a proporções maiores. E que a gente vem dizer e denunciar como um meio de comunicação... para que a gente possa ser ouvido... 10. tantos ataques e do de respeito que está sendo violado. A própria Convenção 69, que o Brasil é signatário da Convenção 69, inclusive foi o próprio presidente Lula que trouxe para o Brasil aqui, de 2021 a 20... de 2001 a 2003. Ele foi quem trouxe para cá. Então, se o Brasil é signatário dessa lei, desse tratado internacional, precisa se fazer cumprir. Para além do mais, voltamos lá na década de 70, o Brasil também, nós conseguimos com muito esforço o Estatuto do Índio, que vem sendo violado. Também nós temos uma conquista de 88, da Carta Magna, que foi conseguida com muito esforço pelos nossos parentes, nos dois artigos 231 e 232. E quando vem sendo violado esses dois artigos para nós, É uma outra falta de respeito. com aquilo que foi conquistado pelo nosso parente. Quantas vezes não acamparam aqui em Brasília para conseguir ser ouvido e passar esse direito? O próprio presidente Lula participou da condição da Carta Magna de 88, e muitos de vocês aqui devem ter participado. E, com certeza, ficaram muito orgulhosos quando o Lício Guimarães... promulgou a Constituição de 88. Para hoje a gente veio ser violado diretamente... Para hoje a gente vê esse desrespeito de se construir leis, artigos, incisos, resoluções e portaria. E a gente vê o próprio Estado brasileiro de respeitar nós. Nós estamos ali... com a nossa forma de vida, o nosso Rio Tapajós hoje... É um dos que está sendo afetado, mas só tem o oceano porque tem o rio. Só tem o rio porque tem os igarapés. Só temos de garapete porque tem a nascente, só tem a nascente porque temos nós para proteger lá. Então, se a gente não respeitar os povos que ali estão... sendo afetado diretamente, se a gente não ter esse olhar de só explorar, mas sim de ajudar, para que a nossa própria agricultura familiar, ela seja potencializada, Para que o nosso turismo... de base seja respeitado porque nós temos as mais belas praias aqui do Brasil, de água doce. Estamos em cima também do maior terminal arquífero do planeta, é a Terra do Chão. que segundo estudos técnicos dizem que ele compreende daqui do Pará até o Acre, que se acabasse a água do planeta... São os estudos que dizem isso. Conseguiriam ficar por 300, 400 anos mantendo todo o planeta. Então, não é só eu que estou dizendo, é os próprios estudos que afirmam isso. E quando a gente vê o avanço da soja, quando a gente vê... cada vez mais o próprio Estado potencializar esse gafanhoto que quer comer dia e noite, não respeitando... as duas fases do nosso território, que é a cheia e a seca, porque nós respeitamos isso. Nós aprendemos a plantar no tempo certo, aprendemos a colher no tempo certo. E nós não acumulamos riqueza. Porque acumular riqueza para nós... Acumular dinheiro para nós... para acumular dinheiro... Não é gerar o progresso, não é gerar a riqueza. Muitos, quando se acumula riqueza, falta para aqueles que não têm da favela, falta para aqueles que não têm lá na aldeia. falta para chegar o remédio, falta para melhorar a educação. Da saúde! E hoje a gente está lutando aqui... Pelo direito. da gente demarcar nossas terras, do direito que nós estamos ali, dependemos diretamente do Rio... e da nossa floresta E eles também dependem de nós. E é nós que fazemos essa manutenção lá. É nós que estamos ali. E quando vem essa proposta de passar grandes embarcações, de Itaituba até Santarém. Não respeitando... as nossas embarcações que estão de pequeno porte, daqui mais um dia, para a gente tomar banho no Rio, a gente vai ter que pagar. Aí vocês imaginem. uma barcaça Com duas hélices. de 10 metros de altura Vocês imaginam, o tapajós é largo, mas ele não é profundo. É o liquidificador que vai acabar com as praias. E na audiência pública que eu tive no ano passado com outro procurador, que era o doutor Vitor, antes do Vinícius, Nós denunciava e... E a gente ouviu claramente ali É... dizer para nós que nós, que eles iam ganhar, mas nós íamos ganhar também. Nós temos uma consciência política formada, E aí Eu acho muito a prepotência deles querer... avançar sem respeitar... O estudo de Arrima, por exemplo. que mede o impacto ambiental e social. Obrigado. A gente fica observando... Tanta irregularidade... e muito ataque à liderança Ataque diretamente. Nosso coordenador aqui tá ameaçado. Todos nós estamos na mira quando a gente defende. Então, A gente está ali... também sendo na mira do mercúrio, porque todos nós estamos contaminados. Todos nós estamos contaminados. Foi feito um estudo técnico pela Universidade Federal da Etofaraupopa, que nós estamos contaminados. Obrigado. no leito do rio É morada dos peixes. É lá que ele se reproduz. O Bagres da Amazônia, o próprio o próprio sorobim o dourado filhote Ele que se reproduz lá no fundo. E quando eles vão mexer ali... com a dragagem do Rio... E agora eles não querem mais tirar o rejeito e colocar na margem. Eles querem colocar nas nossas praias, porque quando eles colocam aqui na margem, eles voltam para cá de novo. Então, a gente fica muito preocupado. Porque a gente vê a nossa contaminação mercurial, a gente vê a contaminação mercurial que foi colocada para nós, que não foi uma coisa que nós pedimos. Nós ficamos preocupados, porque tudo aquilo que a gente usou, fluiu até agora, que foi entregue para nós... pode não ser mais visto por nossos filhos e por nossos netos. A gente fica preocupado porque os nossos antepassados lutaram para garantir isso para nós. Sempre foram excelentes na gerença da nossa floresta. Muito respeito. e quando a gente vê o governo não fazer consulta prévia de informada, Quando a gente vê o governo mentir para nós lá em Belém, dizer que nós íamos ser consultados e coloca um decreto, é violar sim a Convenção 69. Nós temos um protocolo de consulta do território do Tupirambá, que diz que tem que ser prévio, livre e informado. Prévio, antes de qualquer coisa. informado em todos os meios de comunicações. e livre, sem força policial, No nosso tempo... E quando a gente vê um decreto já imposto, não é livre, fere diretamente o nosso direito. E nós que fizemos... o máximo para a gente conseguir tirar aquele governo anterior que não nos representava, porque dizia que não tinha um centímetro de terra para índio, Nos sentimos traídos. quando a gente não tem o apoio do presidente que foi colocado aí. Muita dificuldade ele passou, até para ir para a cadeia ele foi. Hoje ele está livre, está solto. Mas ele tem que, não pode perder de vista, que da onde a gente vem, a gente nunca pode fechar uma porta, porque um dia a gente pode precisar voltar por ela. E hoje o que nós estamos vivenciando é isso. O próprio presidente Lula assinando esse decreto. Então, nós vemos aqui, representando mais de 20 mil sentimentos que o nosso povo... mas também no nome de muitas organizações parceiras que lá estão. Há 20 dias nessa luta, e essa luta... E essa luta não é só nossa. Essa luta é de todos nós. Eu peço que vocês também aqui apoiem a nossa causa. Estamos de portas abertas lá para vocês ficarem... um dia, dois dias da Campari, o tempo que for necessário para realmente a gente demonstrar esse apoio, não só por rede social, mas um apoio físico, que é isso que a gente quer, esse apoio, para a gente revogar esse Decreto 12.060. Sorana!
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