
aqui falando pela comunidade de autistas adultos que estão inseridos no mercado de trabalho. A gente falou aqui sobre educação inclusiva, ou seja, de preparar a criança ou adolescente autista para o mercado de trabalho, para a inclusão social, nós falamos aqui também de BPC. E a gente precisa trazer um outro ponto que é muito importante, que é o capacitismo estrutural que está enraizado no ambiente de trabalho. Não adianta a gente falar em educação inclusiva se a gente não possibilita que, após o procedimento de educação, haja inclusão no mercado de trabalho. A maioria de nós, quando consegue alcançar o mercado de trabalho, buscando o BPC e nosso objetivo é estar trabalhando. E quando a gente chega, acessa os espaços, a gente sofre preconceito, a gente sofre capacitismo, a gente sofre invalidação do diagnóstico. Então, não tem como a gente falar em inclusão, não tem como a gente falar em assuntos relativos à pessoa com deficiência, sem trazer à luz, primeiro, a existência desse capacitismo, e segundo, ao combate a esse capacitismo. Não tem como a gente simplesmente colocar as pessoas autistas, quando conseguimos, no mercado de trabalho ou através das cotas, nos concursos públicos, Quando conseguimos, porque muitas vezes negam o nosso acesso invalidando a nossa condição de pessoa com deficiência, mas quando conseguimos entrar, somos invalidados a todo momento. Se a gente observar o recorte de empregados autistas, a maioria de nós não consegue ascensão funcional e pela ausência de fornecimento das adaptações razoáveis e das tecnologias assistivas, a gente adoece, a gente tem burnout, a gente tem ideação suicida. Importante dizer que a maioria de nós, principalmente autistas no nível 1 de suporte, tem como causa de morte e de ação suicida, por excessos de tentativa de suicídio. Então, não tem como um local, que é o local que garante o nosso direito ao trabalho, ser o local que adoece e mata. Então, ainda não vi falar sobre isso aqui, mas eu gostaria que todas as associações que representam as pessoas com deficiência, principalmente aquelas que representam a nós, adultos autistas, porque sim, crescemos, sim, temos interesse em participar ativamente com as nossas limitações, sim, mas participar ativamente da sociedade parte do nosso direito enquanto adulto, o direito ao trabalho com todas as adaptações. Lembremos que em outros países, em outros locais, a neurodiversidade é considerada um fator competitivo, é considerada um fator de visão disruptiva. No Brasil ainda não é. Então, eu acho que a gente, além de estar perdendo o potencial da comunidade autista com hiperfoco, com todas as habilidades que nós temos e são invisibilizadas pelo capacitismo, crescendo os poucos que conseguem chegar então para quem é pai e mãe de autista que tá aqui e sabe que as crianças vão crescer se for crescer para entrar no mercado de trabalho dessa forma não faz sentido e viver de BPC não faz sentido Obrigada. Muito obrigado.
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