
Deputado, eu queria me colocar junto, talvez com grande parte dessa plateia aqui, que são as As carpideiras... que estão aqui lamentando a sua saída da vida política, não da vida política, mas a saída do Congresso Nacional no final desse mandato. Queria dizer ao senhor que todos nós estamos muito tristes, entendemos a sua motivação, mas o Congresso perderá um grande parlamentar. E eu quero me juntar aqui, certamente, à maioria do senhor, se não a unanimidade aqui, ao lamentar esse momento, mas que lhe desejar muito sucesso no seu futuro desafio profissional. Convites e desafios não lhe faltarão, certamente, porque o senhor tem uma trajetória parlamentar exemplar. e tem sido uma pessoa... que ao promover, por exemplo, esse debate aqui, teve a preocupação de trazer todas as entidades mais representativas e todos os diversos segmentos. E aí eu começo, deputado, talvez fazendo aqui uma digressão histórica, porque alguns de vocês devem estar pensando que diabos está fazendo aqui o presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás, e biocombustíveis nessa discussão. Hoje em dia, a gente vive muito aquele regime, aquela realidade do TikTok, com aquelas informações curtinhas de 30 segundos, 2, 3 minutos. Tudo é muito rápido, tudo é muito... E eu queria me permitir aqui uma pequena digressão histórica, de uma pessoa que tem já uma idade bastante avançada e que acompanha esse setor há muitos anos. O setor de combustíveis no Brasil, o setor de produção de petróleo, o setor de refino, se desenvolveu junto com o Brasil e hoje já atingimos, como o Mário falou, somos hoje o nono maior exportador de petróleo do mundo, temos um parque de refino gigantesco, temos um mercado gigantesco em todos os setores. para mostrar para os senhores, hoje, de gasolina, nós transportamos para todos os rincões do Brasil 46 bilhões de litros de gasolina. Nós transportamos e oferecemos em todos os rincões do Brasil, a todos os postos de gasolina, a todos os consumidores, 69,4 bilhões de litros de diesel. na qual 15% de biodiesel. A gasolina, temos 11,88 bilhões de litros de álcool anidro, na proporção de 27% de mistura. Só de etanol, etanol, portanto, hidratado, nós transportamos, pegamos dos produtores e levamos até os confins do Brasil, 21,2 bilhões de litros de etanol. Isso começou nos anos 70, com o Proálcool. Naquele momento, aquele produto começou a ser oferecido naquela emergência energética que o Brasil teve. Lembra aí dos carros a álcool, que no início eram bastante precários. Eu que sou gaúcho, lá no Rio Grande do Sul, durante o inverno, era uma batalha ligar um carro a álcool para poder ir para a faculdade, poder levar os filhos na escola. a tecnologia avançou tremendamente e o setor avançou tremendamente. E esse setor, deputado, ele tem a nossa gênese, ou seja, nós continuamos comprando o etanol dos produtores, comprando o biodiesel dos produtores, especificando de acordo com as regras da ANP e entregando esses bilhões de litros a todos os produtores. os consumidores aos postos de gasolina, aos 180 mil pontos de venda no Brasil inteiro. Isso é uma enorme responsabilidade. E é um enorme desafio também, porque nós, que somos esses agentes logísticos desse produto, desses produtos, que tão bem fazem, que têm, felizmente, uma excelente qualidade, nós reconhecemos isso, nós temos também a preocupação do consumidor. E o consumidor está sempre no nosso ouvido, fazendo comentários, dizendo coisas, demonstrando preocupações. Então, a questão da qualidade, a questão do preço competitivo, é muito importante e acho que tem que ser também objeto dessa discussão aqui. O consumidor tem que estar sentado. nessas cadeiras, junto com todos vocês, porque ele é o destinatário final dessa política... tão bem sucedida e que nós fomos com muito orgulho parceiros e vamos continuar trabalhando juntos. Então, eu acho que nós temos que refutar esse clima de, muitas vezes, de confrontação. Não há oposição, como o Mário falou aqui. Eu acho que nós acreditamos muito na convivência entre as diversas fontes de energia, mas nós temos essa preocupação. Preocupação, primeiro, com a qualidade, então, esse é um tema importante. A preocupação com a questão do preço, como é que isso vai chegar ao consumidor, a que preço nós vamos entregar esse produto final, e esse preço tem que ser um preço razoável, um preço que o consumidor... tem a capacidade de pagar, eu estou falando aqui do caminhoneiro, estou falando do dono de uma frota de ônibus, estou falando do motorista de aplicativo, que estão ali na ponta, fazendo e trabalhando pelo Brasil, pelo desenvolvimento da nossa sociedade. Então, por exemplo, coisas como não permitir a importação de biodiesel, não nos parece decisões acertadas nem do ponto de vista econômico e nem do ponto de vista técnico. Porque se o Brasil está abastecido de biodiesel, se nós temos um bom produto, se esse produto tem boa qualidade, se ele chega ao consumidor, Não há nenhum problema de nós permitirmos a importação de biodiesel. Como assim nós permitirmos a importação de diesel, de gasolina, de petróleo? O Brasil é exportador de petróleo e importador de petróleo. Nós somos exportadores de soja e importadores de soja. Compramos da Argentina, do Paraguai, a soja, muitas vezes. Importamos carne do Uruguai, da Argentina, da Austrália, muitas vezes você vai no mercado. Não é porque nós somos grandes exportadores e produtores que também não podemos ser importadores desse produto. Nós permitimos a importação, nós permitimos também que o mercado externo se comunique com o mercado interno. e que os preços tenham uma certa conexão de moda que a gente possa garantir que o produto... produzido e vendido no mercado brasileiro, ele esteja referenciado ao seu competidor internacional. A outra coisa que nós defendemos lá no IBP e as nossas empresas é, nós temos que ser agnósticos em termos de tecnologia. Não há nenhum sentido, por exemplo, que não se permita a entrada de novas tecnologias para a produção de biodiesel. Então, eu falo aqui do HVO, eu falo aqui do coprocessado, eu falo de outras rotas tecnológicas que estão aí disponíveis e que existem e que tem que tentar, ser testadas dentro do mercado brasileiro. Se elas são caras, baratas, se elas poderão atingir ou não o mercado do consumidor, desde que a gente consiga produzir um diesel de origem vegetal que atenda às especificações da NP, nós temos que deixar isso, nós temos que ser agnósticos em termos de tecnologia. O biodiesel da transesterificação cumpre e cumprirá um papel importantíssimo dentro da matriz energética dos biocombustíveis brasileiros. Mas ele não pode ser a única fonte de tecnologia, já que existem mais de 37 maneiras de se produzir, biodiesel conforme especificado nos livros de química. Então, por exemplo, transformar nossas refinarias em biorefinarias é uma tendência. Então, eu tenho dentro do IBP os principais refinadores brasileiros. produzindo lá hoje, basicamente... produtos de origem fóssil a partir do petróleo, do petróleo de origem mineral. Mas nada impede, e nós temos projetos, a Petrobras, a Acelen e outros refinadores já anunciaram publicamente intenções de se transformar uma parte do seu parque de refino em parque de biorefino. Isso é muito bom para a economia brasileira, é muito bom para o consumidor brasileiro, e nós temos que fazer com que a regulação acompanhe essa Essa tendência. Outra coisa que defendemos é a questão de que, se houver o objetivo, que é um objetivo perfeitamente possível, e nós apoiamos isso no sentido de aumentar a mistura tanto do etanol na gasolina quanto do biodiesel no diesel, que isso seja acompanhado previamente de rigorosos testes de qualidade. entregaremos ao consumidor final esse produto, continuará sendo um produto que seja... de boa qualidade para o consumidor, senão esse consumidor vai voltar para mim e vai dizer, esse produto que você passou a me entregar, ele não atende a minha necessidade, ele está me causando problema com o motor, e isso nós não podemos deixar acontecer. É uma responsabilidade pública que nós temos no sentido de manter a alta qualidade dos combustíveis, inclusive os combustíveis que têm essa mistura dos biocombustíveis. das fontes, 80% hoje da energia primária do mundo são combustíveis, vem dos combustíveis fósseis, isso vai mudar ao longo do tempo. O embaixador André Coelho do Lago mencionou isso aqui, o mapa do caminho, eu acho que é essa iniciativa que a V. Exª toma aqui, no sentido de colocar também o Congresso Nacional nesse debate, muito importante. Nós acreditamos também que as soluções de descarbonização, de eficiência energética, apenas uma solução, nós temos que imaginar uma solução um processo complexo e integrado, onde, por exemplo, a redução das emissões de CO2 onde a maior eficiência energética dos motores tem que ser contemplada, e isso que vai fazer com que a gente tenha... fortaleza nesse processo de do mapa do caminho e de transição energética. Eu estava lendo aqui uma matéria hoje de manhã... O Texas, que é um estado gigantesco nos Estados Unidos, hoje... produz 86 GW de energia elétrica, vai passar daqui a 10 anos a produzir 258. em 10 anos. E quando você vê lá... o que eles estão imaginando, eles estão propondo esse aumento na quantidade de energia elétrica usando várias fontes, inclusive fontes como é o caso do gás natural, ou seja, Agnost... são agnósticos no sentido... da tecnologia, porque eles sabem que vai aumentar muito a demanda. Então, o mapa, nós temos que ter, deputado, o mapa do caminho possível, o mapa do caminho que tem relação com a realidade brasileira. Eu encerro, deputado, só pedindo ao senhor que... deixe registrado nos anais dessa sessão. o nosso documento, nós preparamos durante a COP30, um documento exatamente sobre tecnologias, Tecnologias para descarbonização, tecnologias para produção de biocombustíveis... que eu acho que reflete bem... O que eu mencionei aqui, queria deixar formalmente ao senhor. para que seja o cara que conste aí dos anais dessa sessão. Muito obrigado. Muito obrigado
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