
Muito agradecer a deputada Erika Cocay, que eu não vi chegando, que também trabalhou muito, foi lá me visitar e que é uma companheira de muitos anos, ela luta por moradia e tantos outros direitos. Obrigada, deputada. Então já estou registrado.
Primeiramente, eu... Como de costume, eu levanto para saudar quem me antecedeu, quem abriu o caminho para eu chegar aqui, para eu estar aqui. Cumprimento todos e todas presentes. Em especial, faço... Monção ao nome da doutora Annalise, José Carlos, parceiro de muitos anos de luta. deputado Chico e a companheira de luta aí, Coordenadora e cozinheira da Cozinha Solidária, Maria da Penha Resiste. Seja gente. Obrigado. Bom, depois da fala do Dito, da companheira... A gente até dá vontade de contemplar em tudo, mas é sempre importante essa contribuição na fala. né, é... Eu venho diretamente falando sobre essa pauta da moradia... Foi falado em todas as falas já a questão da desigualdade social e a criminalização, mas no final aí eu finalizo com um fechamento sobre a criminalização, mas a parte... que a gente tanto luta, que a gente tanto debate. que a gente tanto está aí falando coletivamente de mudanças, mudanças climáticas, vou falar um pouco também... dessa questão da mudança climática, eu não vejo... uma resolução imediata ou concreta na mudança climática... se não resolvermos a desigualdade social. Então, eu associo A desigualdade social é o fator principal aí de todo esse desastre quando acontece. Quem são essas pessoas antigidas? São as pessoas que estão lá no morro, que estão nas periferias, que estão na favela. Eu sou moradora de Planaltina. Ontem eu vi muitas casas inundadas em Planaltina e a gente não viu nenhuma na beira do Lago Sul. Então, há uma grande desigualdade social nessa questão de urbanização. A gente também precisa... falar sobre isso. Então, por isso que quando nós ocupamos, nós ocupamos exigindo direito à cidade, à moradia, porque é isso, a gente quer cidade, onde tem infraestrutura, onde tem escola, onde tem transporte, onde tem segurança, onde tem saneamento básico. Isso é uma moradia digna, não é uma casa simplesmente só ser uma casa bonitinha, mas jogada numa segregação. Então, a gente precisa falar sobre isso. A gente precisa falar sobre isso, como bem disse o dito. A moradia, a companheira que antecedeu, é a parte principal. para que a gente possa pensar, que a gente possa... ter um pouco mais de dignidade, porque quando você tem uma moradia, você consegue estudar, você consegue trabalhar melhor, você consegue estudar melhor, porque você tem a certeza de um lar que você vai retornar. Porque quando você não tem um lar, você não tem certeza de nada, você não tem como se concentrar em nada. Então, é necessário que essa luta seja coletiva, que ela seja de um único pensamento, que as pessoas pensam se colocando, não é tão fácil. A pessoa pensar em se colocar no lugar do outro quando ela nunca esteve naquele lugar, que ela não tem dimensão daquele lugar. Mas, pelo menos, tentar fazer esse exercício, pois se fosse eu, se fosse ao contrário da gente fazer essa luta. É... mais concreta, sabe? Porque muitos anos, eu tenho 16 anos de ativismo da luta por moradia aqui no Distrito Federal, mas essa luta Ela me atravessa a margem de 524 dos que me antecederam, eu apenas sou só uma que continua aí. Então, é necessário... A gente vai continuar fazendo... Lutas por moradia, a gente vai continuar ocupando terras públicas e a gente, quando faz isso, não é crime. Não é nenhum crime, porque está na Constituição. A gente está apenas exigindo aquilo que é de direito. E aí é o momento que a gente pede para que pessoas que reconhecem que o direito à moradia é um direito e que direito tem que ser garantido. e não mendigado. Então, a gente segue nessa luta, por isso que falam que, às vezes, os ativistas, os militantes, são... querem ser extremista. Não é extremista, porque a gente sabe que aquilo não é crime, que aquilo é direito e nada mais do que uma pequena parcela de uma reparação e de um acerto de uma dívida histórica dos que nos antecederam. E a gente que continua segue aí. exigindo esse direito. E aí eu vou agora me apresentar para vocês, porque está finalizando, né? Então, eu sou a Maria Zezé. Eu sou sobrevivente de um erro gravíssimo do sistema judiciário brasileiro. no Distrito Federal. Então... É... Não sei se todos aqui conheceram, souberam da história, mas a doutora... acompanhou muito de perto, o Assis Leite, tantos outros aí. por conta de mulher preta, nordestina, umbandista, vim para a capital, do Brasil, a qual eu classifico como capital da desigualdade social, que é Brasília, É assim que eu classifico, porque há muita desigualdade social em todo mundo. ou Mudou no Brasil, mas Brasília é impressionante. É impressionante. Basta sair um pouquinho da bola e que... vai ver literalmente. Essa mulher preta, que sou eu, ousou demais ocupar terras públicas, reivindicar e lutar junto com mulheres. Como bem disse o Dito, linha de frente geralmente são as mulheres. Né? E essas mulheres têm cores. Então, a gente conseguimos fazer muita luta coletivamente dentro de Brasília. E, através dessa luta, a gente conseguiu garantir moradias dignas para muitas mulheres. as quais se enquadravam em vulnerabilidade social. Mulheres que não tinham a menor chance de conseguir... com todo o seu trabalho, com toda a sua vida, terreno no lugar mais segregado que fosse, o qual que a gente não luta para ter. Essas mulheres não conseguiriam. E a gente conseguiu que elas tivessem moradia digna na cidade, onde tivesse também garantido Escola, posto de saúde, transporte, saneamento básico. Então, isso incomodou muita gente. incomodou muita gente, e todos nós sabemos que nos movimentos sociais precisa vestir uma camisa com uma sigla do movimento, não é apenas vestir. Essa camisa tem peso, Você tem um suol ali que é árduo. Então, mas o importante é a gente vestir essas camisetas sabendo de onde a gente vem, de quem a gente descende. Certo? E quando a gente sabe de onde a gente vem, de quem a gente descende, aonde a gente está indo e aonde a gente quer chegar... Pode... fazer o que quiser. eles nunca vão conseguir nos matar, nunca vão conseguir nos silenciar, nunca vão Consegui nos paralisar. Então, fizeram isso comigo. Eu, a Maria Zezé, que sou sobrevivente, hoje eu posso falar sorrindo, não é, doutora? Mas nem sempre foi. Então, o Estado brasileiro, o Judiciário brasileiro, fizeram um erro gravíssimo no dia 3 de junho de 2024, me levaram ao cárcere do Distrito Federal... onde eu fui literalmente encarcerada. Fiquei dois meses encarcerada, um processo que foi forjado, por grupos opositores, em 2014, dez anos para que planejassem isso, então, no dia 3 de junho de 2000, E 24, eu fui surpreendida com a polícia chegando na minha porta, me conduzindo até a delegacia e depois para o presídio. E que não cabia nenhum... recurso. Então, foi tudo muito tramado. "Ah, a gente não pode dar um tráfico, não pode dar uma embriaguez ao volante, porque nunca fiz uso, nada contra quem faz." tão tramado que eu... havia cometido uma extorsão de R$ 50. Então, assim, quem me conhece na comunidade, sabe de onde eu vim, saberia, literalmente, que aquilo nunca... Foi verdade. Então, não cabia nenhum recurso, o único recurso que cabia era uma revisão criminal. E eu ouvi do maior escritório de revisão dizendo, a chance é uma em um milhão. A chance é uma em um milhão, Zezé, da gente reverter isso. Você já conheceu alguém que um dia ganhou na Mega Sena e falou, eu sou milionária? Eu falei, não. Eu falei, doutora, eu vou ser essa uma de um milhão. Eu falei isso com 15 dias que eu estava no cássere. Ela falou, você tem fé? Eu falei, fé e dignidade. E ela falou, a gente vai trabalhar. Então, veio a doutora Annalise, veio o doutor Samuel, a Ingrid, o Jacob, o Álvaro. e a doutora Roberta, né? Trabalharam conste-ten-te-conche enfim, trabalharam árduamente, dia e noite, sem parar, e pediram revisão, E não só a revisão, como pedir uma liminar. Se a revisão era muito difícil, que uma liminar em cima de uma revisão era mais difícil ainda. Só que os desembargadores deram a liminar, mandaram me soltar para que eu esperasse essa revisão em liberdade. E no dia 10 de março de 2000... E 25. Foi quase unânime, o tribunal reconhece o erro, me inocente, me absorve daquela condenação. e daquele cárcere. Então, eu retorno para a minha vida normal, antes de ser levada ao cárcere e pós também, durante ser ativista social e militante, eu era secretária parlamentar do deputado Fábio Félix, no dia 3, que eu fui... levada ao presídio eu fui exonerada e pós o dia 10 Depois que reconhece o erro, me inocente e me absorve, eu retorno para a Câmara Legislativa. Hoje eu continuo como assessora parlamentar do deputado, ativista social. E seguindo sendo a Maria José e dizendo: Vou continuar fazendo luta e breve todos vocês vão ter notícia e eu gostaria... de, nessas ocupações, olhar todos esses rostos, para que a gente possa seguir, como bem disse o dito, com eficácia. Tá? pautas concretas, porque não dá mais para a gente ficar só... no discurso e não ir para a prática. É necessário. Gratidão, doutora, gratidão a todos vocês. Gratidão, doutor Zé Geraldo, que não está aqui, que é um querido também, e que trabalhou muito, muito, muito também nessa revisão. E eu sou sobrevivente desse erro gravíssimo. Então, isso, eu estou contando para que todos vocês que lutam por direito, qualquer que seja esse direito, que sempre... vai ter um ataque e um ataque direto. Então, é importante... que nós sabemos de onde vem. Eu sou filha de um homem que era conhecido no quilombo pela palavra, não era pelo endereço, nem número da casa. E palavra pro meu pai, valia mais do que qualquer assinatura. E eles não sabiam que eu sei. De quem eu descendo, de quem eu sou filha. Obrigada. Obrigado.
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