
Olá, boa noite. Bom estar aqui, né? A gente respira pelo menos... um pouco mais em consonância nessa conjuntura toda. Então, acho que é uma saudação muito, muito especial mesmo aos lutadores e lutadoras das pastorais sociais que estão aqui hoje nessa casa. Muito importante ter cada um e cada uma de vocês aqui, assim como os deputados. E aí a gente saúda o nosso querido padre João, maravilhosa para essa noite de audiência pública e amanhã para a sessão solene. A gente tem que fazer a descrição, né? A maioria de nós esqueceu, né? Então, eu sou uma mulher negra, eu uso óculos, Eu tenho os cabelos castanhos, os olhos castanhos também. E visto um vestido marrom... tom bem escuro. Uma audiência pública é esse espaço de profunda escuta e reflexão na diversidade que ocupa essa narrativa. Então, a gente está aqui hoje na narrativa da moradia. Mas essa narrativa da moradia desdobra em tantas outras, porque nós não estamos falando apenas de um teto. Nós estamos falando da moradia e tudo o que aprendi muito com o Dito sobre moradia, sobretudo na perspectiva do direito à cidade, da amplitude da dinâmica da moradia que atravessa as nossas vidas. Todos e todas nós aqui fomos atravessados e somos atravessados pela moradia. se a gente for olhar as nossas histórias e as nossas trajetórias de moradia. Então, um lugar como esse de audiência pública é esse espaço importante para a gente conversar, já que amanhã a gente vai entrar um pouco mais na dinâmica mesmo da campanha da fraternidade. É um dos gestos mais poderosos para a democracia brasileira, são as audiências públicas. Não só a nível nacional, mas também a nível local. O nosso querido Papa Francisco, ele trazia justamente a fala do deputado Chico Alencar, nenhuma família sem terra, sem teto e sem trabalho, né? Só que ele vai falar diretamente para os movimentos sociais. É um Papa... que ele vai dizer assim: "Eu quero conversar com os movimentos populares". E ele vai dizer para os movimentos populares o seguinte: Ele vai dizer assim, de vocês vem a mudança. A mudança não vem dos pensantes, a mudança não vem da hierarquia, a mudança não vem... Claro que a gente sabe o que isso significa na perspectiva de uma ação conjunta e para a gente chegar na incidência política, mas ele vai dizer ainda da importância dos trabalhadores... trabalhadoras, os movimentos populares, e por isso o Papa Francisco chamou vocês e nos chama de poetas e de poetisas sociais. Aqui eu queria deixar um elemento para a gente também... Poder pensar, porque a gente tem falado muito da cidade, mas a gente também precisa falar da casa no campo. É casa na cidade, é casa no campo. Quem vive no campo também mora. Então, como é que a gente também vai se provocando? Porque acho que isso é muito legal da campanha da fraternidade. Porque as campanhas da fraternidade, nesses 62 anos, não é, Patiã? Padradinho que está ali também. Nesses 62 anos, precisa de ajudar a gente a fazer outras perguntas que não estão dadas. naturalmente ou de maneira simplória. Na perspectiva mesmo tipo e puxar outros elementos. Então, a casa no campo também é importante para a gente pensar. Chamar a atenção para a nossa memória afetiva das nossas moradias. Aqui nós temos as nossas histórias, histórias dos nossos pais, daqueles que nos antecederam, qual foi a relação de moradia que aqueles e aquelas que nos antecederam tiveram, e que ressoa em nós hoje. de alguma maneira, isso é muito importante. Era aluguel, era casa própria, era barraco no mesmo terreno, no mesmo lote, como a gente diz em alguns lugares do país, onde a família toda ali, pega um lote, todo mundo faz o seu barraco, Qual é a trajetória que a gente tem das nossas histórias para a gente pensar na história dos outros e atuar também com as histórias dos outros e das outras né os mutirões de construção as ocupações as invasões invasões na perspectiva da criminalização né quantos lugares A gente ainda escuta, teve invasão, fulano invadiu, ali é uma invasão. Então, também, a gente foi muito criminalizado nessa perspectiva. Então, a moradia, como já foi trazido aqui, como esse guarda-chuva de direitos, porta de entrada para todos os direitos, é o mantra que a gente tem dito por aí também. E a igreja, no seu dever da dignidade humana, tem uma história e tem um compromisso com a moradia. Ok, estamos na campanha da fraternidade sobre moradia, mas muito do que a evaniza na sua luta de autogestão e de moradia, de uma história da igreja da década de 70 e da década de 80. É importante ter esse reconhecimento. Acho que lembrar que do artigo 6 da Constituição Federal, a gente tem, então, reforçado a emenda... constitucional, na verdade, né? Então, isso também é um diferencial, uma emenda de 2000, que constitui o dever do Estado de promover políticas públicas de habitação e de infraestrutura de saneamento básico, direito à cidade. E ele assegura não apenas o teto, mas o lar digno, seguro, os serviços básicos, cruciais para a cidadania e dignidade humana. A igreja não tem que se envolver com essas pautas. A gente tem a doutrina social dizendo que defende a moradia como um direito humano, fundamental e parte integrante do bem comum. E se a gente vai traduzir isso hoje para a dinâmica da casa comum, que muitas pessoas romantizam a perspectiva da casa comum, numa perspectiva só da tudo estar interligado, a gente tem a moradia aqui como elemento crucial. E aí, então, mais do que isso, a gente reafirma com muita força a deputada Juliana, o PL. Eu acho que não é só um dever de vocês, deputados e deputadas, mas da sociedade civil se empenhar fortemente para que esse projeto de lei seja um projeto realmente que chegue ao resultado que a gente espera. Então, acho que esse pode ser um gesto concreto. civil, porque a gente, o projeto de lei da autogestão, porque a gente vai avançando também, né, nesse processo todos. E, para finalizar, então, e a gente tem uma dinâmica que eu trabalhei com a paróquia recentemente que é o bem viver da morada A gente fala tanto em bem viver, em viver bem, que é muito... místico e integrante entre nós. Então, o bem viver da morada inclui orçamento público, políticas públicas, relações e parcerias com a sociedade civil, mas, sobretudo, um olhar integral e holístico para a moradia. Tem muitas coisas que acontecem dentro e fora das casas. Elas também constituem o bem viver da moradia, inclusive as violências, que devem ser denunciadas e as boas práticas que devem ser trazidas à tona. Então, a casa, ela ganha um sentido comunitário. São as igrejas e os movimentos e os coletivos que são casas. A maioria deles nascem e vivem nas casas. E a casa é esse lugar privilegiado da organização popular de tecer projetos e sonhos coletivos e comunitários. Muito obrigada.
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