Valdemir Alves dos Santos

Valdemir Alves dos Santos

REPRESENTANTE DO MOVIMENTO UNIFICADO DAS VÍTIMAS DA BRASKEM - MOVIMENTO UNIFICADO DAS VÍTIMAS DA BRASKEM

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17 de mar, 19:29

COMISSÃO DE DIREITOS HUMANOS, MINORIAS E IGUALDADE RACIAL

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Todos... Boa noite. Boa noite a todos, senhores parlamentares, e senhoras que estão nessa reunião. Agradeço também ao padre João, que estou aqui ao convite dele. e ao Frei Marcelo, né? Meu nome é Valdemir Alves, moro em Maceió, Alagoas, Sou vítima. do que imi da mineradora Braskem, Estou aqui para... Ser grato também, através da minha fala, Alfredo Marcelo e a todos que vieram aqui, Ser solidário com... com as vítimas, né? que ainda mora nas bordas Em 2018... iniciou-se aqui uma das maiores tragédias ambientais Dia 3 de março de 2018, Maceió sofreu o maior desastre o maior desastre socioambiental urbano do Brasil E esse desastre trouxe... para as vítimas que aqui ainda mora e habita nas áreas das bordas, uma grande perca. Além de 60 mil pessoas... que foram expulsas das suas casas, mais de 6 mil Negócios formais foram destruídos. Milhares de trabalhadores perderam a sua fonte de renda. escolas, igrejas... e a maioria de bairros inteiros foram apagados. E hoje... Continuamos, depois de oito anos, depois de luta de 8 anos, de percas, de prejuízo, continuamos aqui e esse crime continua impune. Como se trata hoje de uma questão de moradia, de busca pelo direito justo, de busca pela sociedade para ter uma vida melhor, para viver mais bem, além da sociedade enfrentar dificuldades por moradias, pessoas que não têm uma moradia digna, até mesmo a gente que tínhamos a nossa moradia digna, estamos sofrendo essa perda total de desvalorização de patrimônio. Freire Marcelo tem acompanhado a nossa luta, sempre temos conversado. Creio que o padre João deve estar sabendo disso. Todos os parlamentares que estão presentes nessa reunião, nessa audiência, eu sou grato por ter uma oportunidade como essa de estar aqui, falando e divulgando essa realidade. Nós não temos paz, não temos sossego. Depois desse desastre, desse crime tão grave, um crime doloroso e doloroso, natural, mas sim um crime. um crime premeditado, um crime anunciado, uma tragédia anunciada, que trouxe perca de desvalorização de patrimônio. E hoje as vítimas que se encontram nessas áreas de borda, de onde saíram as 60 mil famílias, 60 mil pessoas, essas pessoas dependiam dessa área. Estávamos aqui felizes, E éramos felizes e não sabíamos, porque enquanto estávamos aqui E... programando a nossa felicidade... ela estava minerando, a empresa estava minerando a nossa alegria, a nossa felicidade. E está numa... numa reunião como essa, numa escuta como essa, para falar sobre essa questão, para mim, é um motivo de grande alegria, né? Porque estamos aqui, estou aqui diante de pessoas, né? Que têm a sua mão poder, autonomia, autoridade de escutar e de poder fazer alguma coisa por essa comunidade, né? Sou solidário e grato a todos vocês que estão presentes nessa reunião, principalmente ao nosso querido e amado Frei Marcelo, Padre João, e a todos os parlamentares que estão presentes, e os colegas também dos movimentos. Hoje o Movimento Unificado das Vítimas da Braskem tem... Sido Solidário, que é um movimento que é feito pelas vítimas, a associação que se chama Simúvib. Temos aqui a Defensoria Pública do Estado, na pessoa do doutor Ricardo Mero, que é o único judiciário aqui de Alagoas que se comoveu E se opõe a lutar junto com as vítimas, né? Temos processos aí que mostram a realidade das instituições que se diz competente, que estão dentro dessa situação e não olharam pelas vítimas, quando poderia ter feito... e tomado a mesma atitude que ele tomou. Mas infelizmente não fizeram e não deram atenção a todos nós. Hoje a moradia... Para o cidadão viver a sua vida, ter uma moradia digna, é utilitário. e as pessoas que foram expulsas de suas casas tinham uma história, tinham um sonho que conquistaram ao longo do tempo. Essas pessoas nem imaginavam que um dia iriam perder essa oportunidade de ser tirado à força aquele sonho, aquela história, que construído ao longo do tempo é onde a lei passou de pai para filho, de frio para os netos futuros da nova geração que estavam ali desfrutando do seu bem material. E ali houve de repente a grande tragédia que se anunciava há tempos atrás. e ninguém sabia que ia passar por aquela situação. Mas assim mesmo, muitos resistindo, tentaram ser forte e terminaram perdendo sua vida. Suicídios, mais de 20 mortes, por exemplo, aqui onde eu moro, na rua que eu moro, chama-se Flechal, tem uma senhora que chamava-se dona Pureza, minha vizinha, essa senhora, ela... se suicidou, por não aguentar mais de ser forçada e condenada, assim como nós, a viver dentro de uma área insalubre, onde a nossa dignidade foi tirada à força. onde o nosso direito foi atropelado e a nossa razão e não... viu a justiça olhar humano para essas vítimas. Então, eu conto Né? essa... esse pequeno relato, né? Tendo essa oportunidade de aqui estar, diante dos senhores parlamentares, das senhoras que estão presentes, dos amigos do movimento, né? Que lutam pela indignidade justa, pelaqueles que sofrem, pelaqueles que são perseguidos, pela falta de atenção de muitos que não querem... se o povo a se responsabilizar, a dar dignidade a essas pessoas. Temos que se unir. Temos que se juntar mais, temos que ser forte no movimento, na pastoral da moradia. Existe posição concreta de pensamento, de pessoas que estão aí dentro para tomar decisão e atitude para fortalecer o movimento. e lutar junto pela dignidade humana. da população, do Brasil e de onde quer que seja aqui dentro desse território, pela dignidade, pela moradia justa. Eu agradeço. a rica oportunidade a todos vocês, peço que cada um Entenda a minha fala, é a fala de uma vítima de uma tragédia dentro de uma área urbana, né, que já tinha sido anunciada e que aconteceu, né, hoje quem está vivendo a sua vida lá fora, mesmo que tenha sido realocado, mas não está vivendo bem, porque teve que abandonar a sua história, o seu sonho, e nós que ainda permanecemos aqui, estamos clamando por socorro, por justiça, todos os dias divulgamos, né, tá aí as minhas redes sociais, né, que tem o Instagram, tem o TikTok, tem o O Cauá é onde eu divulgo os vídeos da situação que nós estamos vivendo aqui. Frei Marcelo tem acompanhado e eu sou grato, porque o movimento que hoje eu faço parte é um movimento que é feito pelas vítimas, é um movimento que tem lutado pela dignidade também, pelo direito da população e pela moradia justa e digna e pelo valor que nos tiraram. Porque nada... Dinheiro nenhum paga o valor da história que construímos aqui dentro da área onde moramos. Eu tinha três comércios, estou falido praticamente, me desculpe, eu estava falando assim, e hoje tento reviver a minha vida, Tento reconquistar a minha dignidade, o meu direito e a minha razão, e hoje a justiça ainda se faz... de desatenta para essa situação. Mas vamos continuar de cabeça seguida, né? Vamos continuar na luta, vamos continuar se unindo e se abraçando um ao outro, junto com aqueles que nos estão dando apoio, assim como vocês, assim, nessa tarde ou nessa noite, nesse início de noite, né? Deu o privilégio de eu estar aqui para participar dessa audiência e estar aqui falando, expressando a necessidade a qual... eu preciso mostrar. Um abraço para todos, que Deus abençoe, até mais.

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