Julio Braga

Julio Braga

Representante do Departamento de Arterosclerose da Sociedade Brasileira de Cardiologia - SBC - Sociedade Brasileira de Cardiologia - SBC

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18 de mar, 15:47

REUNIÃO CONJUNTA

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Obrigado, deputado do Elito. Estou aqui fazendo a representação da Sociedade Brasileira de Cardiologia, que a gente tem muito em comum, né? Os nefrologistas são nossos parceiros do dia a dia. E vou falar aqui um pouquinho, foi pedido para falar um pouquinho sobre a doença renal crônica como um fator transversal de risco em doenças cardiovasculares. É o que eu vou focar na linha de cuidado, financiamento, qualificação dos registros. integração das políticas públicas. São vários temas, então não vou ser... leveando, tentando abordar todos em detalhes, vou falar rapidamente sobre a experiência que nós temos na Sociedade Brasileira de Cardiologia, que tem um comitê de qualidade assistencial na qual a gente faz essa interligação da sociedade com diversas outras entidades, o poder público, e vou apresentar aqui, chamando atenção, né, que eu não tenho conflito de interesse nessa apresentação. vou... inicialmente, falar um pouquinho da sociedade, né? Isso aqui representando a sociedade que tem 80 anos de idade, desde 1943, e hoje somos 15 mil associados. cardiologistas, a maioria dos associados, residentes, outros profissionais de saúde, E a sociedade tem o compromisso de incentivar o conhecimento, prevenção... diagnóstico e tratamento das doenças cardiovasculares que estão fortemente interligadas, como eu vou mostrar, com as doenças Renaz. E para esse trabalho nós trabalhamos, campanhas educativas, e atividade de interlocução junto ao poder público, outras entidades e associações. E nesse trabalho de educação, a sociedade, chama a atenção. Nós temos um Congresso que tem... 9 mil participantes na última evento agora de 2025, né? Um congresso que é o maior da América Latina, na mesma especialidade, e é um exemplo aí de treinamento continuado, né? A sociedade aí com 15 mil participantes. associados, nós organizamos um congresso com 9 mil participantes presenciais e a forma de discutir esses temas e modificar condutas, estimular práticas nas diversos rincões aí do país. E além disso, até por conta da distância, quem não está... de forma presencial, nós fazemos a divulgação através desse portal da Universidade do Coração. São milhares de aulas em diferentes... Temas específicos da cardiologia, mas também na área da nefrologia, na área da hipertensão. Então, além da atividade presencial, temos essa capilaridade. E aqui, falando um pouquinho do cenário das doenças cardiovasculares no Brasil, eu vou fazer interligação com as doenças renais. Logo em seguida, não é? Então, são as principais causas de morte em todo o mundo. E no Brasil se estima que em torno de 400 mil pessoas morrem por alguma doença cardiovascular no Brasil. Doença cardiovascular, na maioria das vezes, mortes que podem ser prevenidas, né? Mortes prematuras, aquelas mortes abaixo de 70 anos de idade, pela definição da OMS. elas poderiam ser evitadas com o tratamento das causas, dos fatores de risco que são responsáveis por essas mortes. A maioria, 90% das causas de morte que a gente pode atuar e reverter, são conhecidas, bem estabelecidas, e esses 90% a gente vai chamar atenção um pouquinho mais adiante. E 80% das mortes por doenças cardiovasculares são decorrentes de infarto ou acidente vascular cerebral. É a grande maioria e também nessas... doenças específicas, dessas doenças cardiovasculares, infarto e AVC, a doença renal vem sempre associada, é um fator de risco que reconhecemos como independente. E nos scores de risco, nós tentamos sempre fazer a prevenção da doença, Mas esse nível de prevenção é tão mais rigoroso quanto maior o risco do paciente. Então, esse estudo, essa avaliação, esse score que foi... que a gente tradicionalmente avaliava o risco daquele paciente que é hipertenso, diabético, deslipidêmico, colesterol alto, tabagista, e que tenha uma idade mais avançada, esses fatores de risco atuavam e eram utilizados no cálculo do risco do paciente para nessas situações nós sermos mais agressivos no tratamento da hipertensão, no tratamento do diabetes, No encaminhamento para o especialista, no SUS, a gente sabe que a maioria dessas doenças são tratadas na atenção básica, Mas nos pacientes de maior risco é recomendável o encaminhamento para o especialista, tanto o nefrologista quanto o cardiologista. E o que é que há de novidade nesse... nesse score, nessa forma de avaliar o risco do paciente, é a utilização da função renal, da função renal como um fator de risco independente. para o risco desses pacientes. Então, a Sociedade Brasileira de Cardiologia passou a adotar oficialmente esse score, o Prevent Score, como uma ferramenta para estratificação de risco em adultos na faixa de 30 a 79 anos de idade. 30 a 80 anos de idade é um score bem validado e, por isso, utilizamos, além daqueles fatores de risco habituais, se os senhores... prestarem atenção, está incluído aqui um rinzinho, e a utilização de medicamentos, aquele paciente que tem utilização de antipertensivo e medicamento para o colesterol, ele tem mais risco se a pressão dele for medida, estiver elevado, o colesterol persistir alto a partir de medicamentos, então, existem formas de a gente estimar o risco, e a partir daí, aqui você vai ver se aqui embaixo o ACR é avaliação, da relação... albumina creatinina urinária, que é indicada em alguns subgrupos de pacientes que tenham diabetes, hipertensão, e que também tem relação com a função renal alterada. Então, essa integração da função renal mostra a importância de nós avaliarmos um paciente como um todo e a interação que existe entre função renal e risco. E aqui é basicamente, existe disponível em... online, esse score de risco, a gente consegue ver aqui primeiro homem e mulher, a idade, pressão arterial, colesterol, a função renal aqui foi incorporada nessa avaliação de risco, a presença ou não de diabetes e tabagismo. E aqui, utilização ou não de medicamentos para o colesterol. E no final, aqui a gente já vê a função renal aqui, já colocada como um fator de risco independente. E, além disso, para alguns pacientes, a utilização da relação albumina-creatinina urinária, que está aqui embaixo à esquerda, o controle do diabetes, a hemoglobina glicada, E aqui o endereço, a questão social do local onde o paciente se origina. Nos Estados Unidos é utilizado dessa forma que a gente não tem essa codificação para aumentar o risco ou não daquele paciente que tenha... para morar em um local de mais pobreza, mais dificuldade de acesso, mais violência. Então, isso aqui é basicamente o score que a gente utiliza e que a Sociedade Brasileira de Cardiologia recomenda atualmente para estimar o risco do paciente e para, a partir daí, termos uma abordagem mais agressiva. A doença renal crônica, ela ajuda, ajuda-nos a estimar o risco do paciente porque já se sabia que ela está associada a fatores tradicionais, quem tem doença renal crônica, e doença cardíaca tem em comum isso aí, hipertensão, diabetes mellitus, deslipidemia, obesidade, tabagismo e envelhecimento são comuns, mas alguns específicos da doença renal crônica vem associar maior risco ao paciente, a presença de inflamação, anemia, deficiência de ferro, toxinas urêmicas, de submineral e ósseo com calcificação vascular, E outras situações, né, em que levam a remodelamento miocárdico, arritmias que causam morte súbita em aproximadamente metade dos pacientes em diálise, por arritmias cardíacas. Então, estão fortemente associadas as doenças cardíacas e as doenças renais, e o paciente renal é um paciente de maior risco e, por isso, necessitando de melhor atenção. E aqui uma abordagem aí, apenas para exemplificar o papel... E que eu acho que é importante as sociedades de especialidades, os órgãos públicos, levarem atenção nisso aqui. O principal tema, que nos envolvemos recentemente com o Ministério da Saúde, foi uma oficina de redução da mortalidade por infarto no Brasil. que é uma grande causa de morte, né? Como a gente viu, metade, quase a metade das mortes cardiovasculares são por infarto, em torno de 40%, e os outros 40% acidente vascular cerebral, e é essencial essa interação. E nessa oficina nós chamamos atenção para a queda na letalidade e mortalidade padronizada por infarto. Então a assistência consegue reduzir um pouco, mas com o aumento da idade da população, vem aumentando a incidência dessas complicações, que são reduzidas com assistência estruturada. Há melhores indicadores naqueles locais, serviços de saúde que tratam melhor o paciente. consegue melhor resultados e é importante incentivar a qualificação dos serviços. Serviços qualificados precisam ser incentivados e quem não é qualificado precisa ser incentivado a se qualificar. Um incentivo financeiro é o principal, o maior motor em muitas situações, então é necessário a qualificação de serviços. A SBC, inclusive, propôs esse incentivo à qualificação dos serviços de cardiologia, da mesma forma que os serviços de nefrologia merecem esses incentivos, E a SBC... A gente sugeriu nesse evento, é importante a gente ter qualidade mínima na assistência dos serviços. Na área da cardiologia, a gente propôs que fosse isso mínimo a ser utilizado. Não é possível a unidade de pronto atendimento funcionar sem ECG. imediato, sem ter troponina, sem ter trombolíticos, então, para habilitação de uma UPA, nós estamos propondo que o Ministério coloque isso como uma regra. A UPA precisa ter a CG com o Troponina e contronbolítico, precisamos ter dados objetivos e cobrar... dos serviços a qualidade na assistência. E é importante também a questão das estatísticas de saúde no Brasil. Os bancos de dados são muito limitados, o SISAB tem subregistro em completude no preenchimento dos dados, na atenção básica, então, um registro pouco qualificado, o sistema de mortalidade, de formação de mortalidade, muita morte mal definida, então precisa imputar, O sistema de informação hospitalar tem muita imprecisão nos dados, incluindo mortes fora de hospital, para acompanharmos a incidência de eventos. A Pesquisa Nacional de Saúde, que são autorreferências a doenças pelos pacientes, estimativas populacionais oficiais também, até isso falhou em 2022, a população do Brasil caiu em 7% do estimado. E o principal dado que utilizamos hoje em dia... É um estudo internacional, né? Esse Instituto for Health Metrics and Evaluation da Universidade de Washington é quem tem os dados, que tentam pegar os dados dos países em diversas situações para obter dados mais confiáveis. Então, o Brasil também é um desses... Países onde os dados são pouco confiáveis e merecem essa qualificação dos dados e, inclusive, incentivam a melhoria dessa qualificação. E para finalizar, uma mensagem final, o risco cardiovascular, que é a principal causa de morte na população brasileira, está aumentado quando associada à doença renal crônica e por isso a prevenção, da doença renal crônica, vai estar associado à prevenção de risco cardiovascular. E a Sociedade Brasileira de Cardiologia recomenda estimar esse risco do paciente utilizando o Prevent Score, que tem o componente de doença renal associado. É o score mais acurado atualmente em uso e por isso a gente precisa trabalhar junto com os nefrologistas. E para esses pacientes que têm o maior risco, é essencial estratégias de prevenção mais rigorosas. E o que é que seria mais rigoroso? São basicamente as mesmas situações do renal, do cardiopata, hipertensão, com tratamento mais rigoroso naquele paciente maior risco, diabetes, tratamento mais rigoroso nos pacientes de maior risco, tratar o colesterol mais agressivamente e os outros fatores de risco. E aqui eu chamo a atenção para finalizar com esses últimos tópicos, que é... Atenção básica fazendo o seu papel no encaminhamento dos pacientes com risco mais elevado para os especialistas. Então, é essencial monitorar e garantir esse acesso. Simplesmente a gente sabe que na linha de cuidado coloca lá encaminhar para o especialista e que na prática muitas vezes isso não é obtido. Então isso precisa ser monitorado, esse acesso, e incentivado quando houver o acesso ao especialista nefrologista, especialista cardiologista, porque não basta constar apenas na linha de cuidado. Disponibilizar exames. Então, essa relação albumina-creatinina, microalbuminúria, isso precisa estar disponível em todos os grandes hospitais do país. Não é possível uma cidade... de médio porte, não ter disponível isso como regra. Então, o SUS precisa... a avançar nessa área, disponibilizar, como eu chamei a atenção, é importante para estimar o risco do paciente, então precisa ser disponibilizado de forma ampla para o paciente, o paciente carente, o paciente pobre, o paciente que mora distante, ele não consegue disponibilizar, ter acesso a esse exame na rede SUS. Isso precisa ser expandido. E, por último, facilitar as terapias. A gente tem, principalmente para esse paciente mais carente, uma dificuldade enorme de disponibilizar medicamentos especiais para esses pacientes de maior risco, há muita burocracia no preenchimento, é... É surreal o SUS, o Ministério da Saúde, ainda não ter colocado um sistema em que possa ser preenchido de forma automatizada, uma forma facilitada, que evite os erros, o paciente tentar pegar o medicamento, não conseguir, não dispensar. E isso é o básico, isso são terapias já aprovadas pelo Ministério da Saúde. Então, isso precisa ser facilitado e eu agradeço a participação nesse evento e a Sociedade Brasileira de Cardiologia. Está sempre à disposição aí dos senhores e convidamos aí a todos para o Congresso Mundial de Cardiologia, que vai ser... esse ano, no Rio de Janeiro. Muito obrigado. doutor Júlio Braga,

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