
Bom dia a todas e todos que estão aqui presentes. É um prazer estar aqui poder falar um pouco em nome do Grupo Mulheres do Brasil, como alguns anos acontece a organização desse seminário. Esse ano eu diria que ele é especialmente especial, né? E por quê? Porque ano passado, quando a gente concluiu a última mesa do evento, a gente entendeu que... Esse ano a gente ia dedicar ele e trazer para todas as mesas predominantemente mulheres negras para falar. E por que a gente entendeu que isso era uma coisa absolutamente necessária? Justamente pela questão da diversidade e de, se hoje falar de mais mulheres na política ou mais mulheres nos espaços de tomada de decisão tem... desafios imensos se a gente olhar para a população negra, para as mulheres pretas e pardas, essas dificuldades e essas barreiras, elas são ainda maiores. As distâncias são ainda maiores. E isso ficou muito claro depois de todos os debates que a gente fez no ano passado e a gente assumiu esse compromisso de que esse ano teria esse olhar. É... E é lógico que às vezes, eu estava aqui pensando assim, será que sou eu que deveria estar aqui? Porque afinal de contas sou uma mulher branca, mas me reconheço e me coloco como uma mulher branca antirracista. E estou muito emocionada de estar aqui, podendo compartilhar desse espaço com vocês. Então... Eu gostaria de só adicionar alguns números que eu entendo que são muito importantes e alguns aspectos que são muito importantes para que a gente tenha em mente, sobretudo pensando que nós estamos num ano eleitoral. É lógico que a presença da mulher, seja na política ou nos espaços de tomada de decisão, ela é uma constante em termos de luta e dessa busca, mas quando a gente está olhando para um ano eleitoral, isso é ainda mais importante. E eu decidi que em todas as oportunidades que eu tivesse esse ano de falar em público, eu traria alguns elementos. Porque é claro que se a gente pensasse sobre a perspectiva da representatividade, ser 52% da população já seria o suficiente para a gente dizer que os espaços... da política e de tomada de decisão, eles estão absolutamente desequilibrados. Mas, para além disso, é fundamental, como já foi citado aqui pela senadora e pelas outras companheiras da mesa também, a mulher, quando ela está na política, ela traz um fazer muito diferente. E é sobre essa perspectiva que a gente tem que olhar. Esse fazer é um olhar para a coletividade, é um olhar para o bem comum. Programas de renda mínima, eles são entregues para as mulheres, porque as mulheres entregam pelo menos 70% dos seus rendimentos para os seus familiares e para os seus próximos, ou seja, não é para uso individual. negras, sejam homens ou mulheres, pensam e trazem projetos mais diversos, ou seja, que pensam e consideram a diversidade da população brasileira, quando estão escrevendo um projeto de lei ou quando estão pensando o desenvolvimento de uma política pública. São as mulheres que têm 35% menos chance de se envolver em corrupção. E isso é um dado muito importante para a gente pensar em mudar a política. existe uma insatisfação, eu diria que votar em mulheres já seria um grande motivo para a gente dizer e fazer diferente. E aí, pegando a fala da Ana, que trouxe aqui sobre a questão da diversidade, Quando a gente tem diversidade, a gente tem mais inovação, a gente tem melhores resultados. E é isso que eu estou falando aqui com esses exemplos que eu estou trazendo para vocês. Por quê? Porque se a gente tem iguais ou semelhantes tomando as decisões, a gente não tem uma diversidade de perspectivas e das realidades que estão presentes na sociedade. Então, ter mais mulheres, ter mais mulheres negras participando de todos esses processos é essencial para que realmente a diversidade e os desafios que estão presentes no dia a dia da população brasileira sejam considerados e sejam contemplados. Eu quero trazer mais um exemplo, que é sobre o período da Covid que nós vivemos. Tem um estudo que mostra... realizado com mais de 150 países por uma universidade britânica, que todos os países que tiveram lideranças femininas, que tinham mulheres à frente da tomada de decisão nos seus países, tiveram menos mortes. E sabe por quê? Porque a mulher pensou em fazer primeiro um lockdown, ela pensou primeiro em proteger a população, ela pensou imediatamente em comprar a vacina e providenciar essa compra. Então, e isso resultou em quê? em vidas salvas. Então, são muitos elementos que mostram e que corroboram a nossa luta e nossa defesa diariamente por, óbvio, as mulheres vivas em primeiro lugar, porque senão a gente não consegue nem estar na política, nem estar em todos os espaços de tomada de decisão. E o Grupo Mulheres do Brasil, nesse papel, promove eventos. Esse ano a gente tem uma proposição de fortalecer ainda mais o ecossistema Pula para 50, que, na verdade, luta por mais mulheres, ou seja, a equidade de mulheres na política. E justamente para quê? Para que mais pessoas estejam falando e trazendo essa mesma mensagem que eu estou aqui. se não, um cheque em branco. A gente tem que saber para quem a gente está entregando o nosso cheque, que é o nosso voto. E isso é essencial para que a gente, de fato, comece a ter uma mudança mais significativa na representação. Estou muito feliz de estar aqui, mais uma vez, obrigada, e tenho certeza que vai ser uma manhã incrível, A gente já comentou um pouco aqui. Muito obrigada. Aplausos.
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