
Todos e todas me escutam bem? Sim. Bom, vamos lá. Primeiro eu queria dizer que é uma honra fazer parte desse evento. Estou muito feliz de estar aqui. ladeando e olhando para mulheres incríveis e muitas das quais, com toda certeza, admiro a trajetória. Queria também registrar a ausência aqui da doutora Jandara Cic, que conduz o Instituto Conselheira 101, que eu faço parte, me formei. nesse no Instituto que é uma iniciativa e aí vou fazer aqui essa parte primeiro Dora Ah, mas estou olhando ali o meu tempo. uma iniciativa destacada para formar mulheres negras e indígenas para ocupar. conselhos de administração. Então, eu acredito, e pegando o gancho da questão institucional, que nós precisamos dessas iniciativas e nós precisamos nos fortalecer. E vou falar aqui também como auditora de controle externo, quem faz parte desse sistema de controle externo, que oferta o apoio, o auxílio ao Poder Legislativo, e que atualmente estou como chefe de auditoria de licitações e contratos na Advocacia Geral da União, que São espaços... em que somos poucas. Infelizmente. inclusive no controle externo cotas, a maioria dos tribunais de contas ainda não adotaram cotas. nos seus concursos. No ano passado nós tivemos duas vitórias. Pela primeira vez na história, o Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco e o de Minas Gerais adotaram cotas em seus concursos. E para além disso Nós sabemos que é necessário ofertar condições para que as pessoas negras possam estudar. Porque tudo isso tem um custo. para estudar, para viajar, os materiais e tudo mais. Então, nós precisamos... dessas iniciativas e desse fortalecimento. institucional para que mais pessoas acessem e eu levo isso enquanto trajetória pessoal, mas no pensamento coletivo. eu venho da periferia de salvador E eu sei que tive uma oportunidade, sou fruto de política afirmativa, e que nem todas nós tivemos essa mesma oportunidade. Então, eu encaro o meu acesso a esses espaços como uma responsabilidade coletiva de abrir portas para que mais de nós possamos ocupar espaços institucionais e também de tomada de decisão. Isso é absolutamente relevante. e falando sobre o nosso destaque e objeto aqui hoje, de mulheres negras na política política, É importante que se diga que no campo normativo... Tivemos avanços, inclusive resoluções recentes deste mesmo ano, que vai colocar aí a questão. tanto dessa, do registro, de gênero, quanto do financiamento. Porque falar de recurso é absolutamente relevante para que nós sejamos competitivas nesses espaços. embora tenhamos essas regras, que vai, então, indicar a proporcionalidade nessa distribuição e agora um piso mínimo de percentual para essas candidaturas negras, Nós precisamos entender como o sistema Opera. Não é falar apenas sobre a norma, a regra, Posta. Mas como é que esse sistema de fato opera? E aí Temos diversos desafios e barreiras que são colocadas e criadas. O nosso acesso já é difícil, já é restrito. Mas, para além disso, ministra, outras barreiras são colocadas. Por exemplo... candidaturas laranja para poder indicar ali uma composição formal de mulheres na lírica para concorrerem. Quando, na verdade... Não tem, não tem estrutura, às vezes nem sabe. que estão fazendo parte disso. Isso é um problema que precisa ser debatido? com seriedade. Para além disso, a afroconveniência. Toda vez que temos aí uma política pública afirmativa, nós também lidamos com essa questão da afroconveniência. não é só para política Vemos isso de modo bastante generalizado, infelizmente, no âmbito dos concursos públicos. uma afroconveniência que fez uma alteração de uma eleição para outro número de alterações, ali na autodeclaração Obviamente, não estou dizendo que todas elas... indicavam uma forma de burlar o sistema, a gente pode ter efetivamente esse reconhecimento posterior da sua negritude, da sua condição de preto, da sua condição de pardo. mas a afroconveniência, inclusive nós temos casos que se tornaram extremamente debatidos pela opinião pública, E que... São vergonhosos, justamente para poder ser ali objeto de uma destinação... Maior desses Então, temos esses problemas, mas... Para além disso, nós temos também a questão da discricionariedade dos dirigentes. Obrigado. Pra quem? Quando, como, quanto... vai ser destinado isso é absolutamente relevante, Porque as mulheres negras Então... não irão receber. Os nossos corpos, a nossa competência, quase sempre deslegitimada. E mesmo quando nós ocupamos esses espaços, o que acontece? Sofremos ataques. Nós somos as maiores destinatárias da violência. Política. De gênero. Então, são ataques à nossa imagem, à nossa trajetória, à nossa competência, enquanto estamos ali ocupando aqueles espaços... Isso tudo para que, por mais que tenhamos acesso, não permaneçamos. Não estejamos ali, portanto, por mais tempo. para nos expulsar, descredibilizar... E... Quando a gente fala, Dora, portanto, de caminhos concretos, Obrigado. Acho que é preciso fazer um debate sério. sobre esses critérios. Precisamos estabelecer critérios que sejam mais objetivos. E precisamos falar também de uma transparência dessa destinação. De pra quem... Quando e como? Com uma antecipação. e não de forma posterior. Porque se nós não tivermos Isso, essa transparência, de fato, continuaremos, por mais que nós tenhamos... normas e regras Nós... Continuaremos. Então... a não ser objeto, de fato, dessa destinação desses recursos. Só para finalizar, eu queria, eu trouxe aqui a frase, da professora Sueli Carneiro, que eu gosto muito e acho muito relevante, representativa, que ela diz o seguinte: A nossa escrevivência insurgente clama. por um novo pacto racial e de gênero que desalogem todas as hierarquias produzidas pelo racismo e pelo sexismo. Esses sonhos libertários conformam uma nova estética social fundada noutra ética, em que a diversidade humana se constitua no mais belo espetáculo da natureza a ser preservado. Essa missão civilizatória... É talvez. o ponto mais alto e mais importante da agenda que nos impulsiona. E é justamente com esse final da agenda que nos impulsiona, que eu convido, conclamo todos e todas a se unir a nós nesse debate e nessa construção. de um Brasil mais inclusivo. Muito obrigada. Obrigada. Nós estamos nos
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