
Nesse agradecimento, eu já agradeço à Dra. Ana Paula também pela colocação, que foi maravilhosa. E eu acredito que, com a colocação da Dra. Ana Paula, a gente já atingiu o nosso objetivo, que era justamente esse pedido que nós tínhamos. Mas, eu preciso falar um pouco da enfermagem, porque, lógico que eu vou defender a minha classe, defendendo as outras também, mas a enfermagem, ela é a classe mais preparada quando eu vou falar de procedimentos injetáveis. Isso indiscutivelmente, inclusive com a medicina a gente pode discutir quem é o profissional na hora de administrar alguma coisa, algum medicamento que seja por via injetável. Então, hoje, nós não estamos aqui discutindo apenas um projeto de lei. Estamos discutindo ciência, competência segurança do paciente e principalmente justiça profissional. Eu sou Roselaine Munner, sou enfermeira estética, atuo na estética há mais de 20 anos. Sou Presidenta da Sociedade Brasileira de Enfermagem Dermatológica e Estética. Estou aqui hoje falando em nome do Conselho Federal de Enfermagem. E eu quero iniciar essa fala contando uma história, bem pequenininha. Não vai demorar. Há mais de 10 anos, Quando essa especialidade foi idealizada aos enfermeiros, foi realizado um exaustivo estudo para validar a capacidade técnica de esse profissional. E foi exaustivo mesmo. Eu participei desde o início de cada fala, de cada pergunta, de cada questionamento. Só depois foi liberado e autorizado. e ainda com várias condições para poder exercer. Portanto, a enfermagem estética não é uma prática nova, ela não é improvisada e não é oportunista. é uma atuação construída com base em formação sólida, especialização regulamentada e, principalmente, uma fiscalização rigorosa. pelo Conselho. Eu quero deixar muito claro, de uma forma firme e técnica, a enfermagem não invade competência, a enfermagem evolui dentro da sua própria ciência. E a enfermagem é a ciência do cuidado. Portanto O cuidado evolui, evolui com a sociedade, com a tecnologia e com as necessidades humanas. A estética não está fora do cuidado. ela está diretamente ligada à saúde, à autoestima, à qualidade de vida e ao bem-estar. Quando a enfermagem atua na estética, ela não ultrapassa limites. Ela expande a sua atuação dentro do cuidado integral do paciente. E existe um pilar inegociável. Para a enfermagem e a saúde sempre... vai vir antes da estética. Sempre. Isso não é discurso, isso não é método, isso é obrigação. O enfermeiro, para atuar na estética, ele deve obrigatoriamente seguir o processo de enfermagem que envolve avaliação controlada do paciente, diagnóstico de enfermagem, planejamento terapêutico, execução segura, e avaliação contínua. Esse processo é exigido pelo sistema COFENS-COREN. E mais do que isso, ele é fiscalizado pelo seu órgão. Na fiscalização é avaliado o registro profissional a habilitação a existência do processo de enfermagem documentado, cumprimento dos protocolos e, como a doutora Ana Paula falou, a responsabilidade técnica desse profissional. do local onde está exercendo. Existe controle, existe rastreabilidade e existe responsabilidade. e isso gera o que mais importa aqui que é a segurança do paciente. E falando de formação... O enfermeiro possui uma base robusta em anatomia, Fisiologia. farmacologia biossegurança e técnicas invasivas. É fundamental destacar: o enfermeiro é preparado desde a graduação para procedimentos com agulhas, injetáveis. A seringa faz parte da formação do enfermeiro. é prática diária, é domínio técnico. E além disso, para atuar na estética, o enfermeiro precisa realizar uma pós-graduação. 360 horas, como o MEC exige, e 100 horas de prática supervisionada. E quando nós falamos em segurança, precisamos falar de intercorrência. A principal intercorrência que pode acontecer nos procedimentos que o enfermeiro exerce é a necrose. E aqui eu preciso falar de uma reflexão rápida. O que é a decrosse, não é uma ferida complexa? Qual é o profissional que trata a ferida? Qual o profissional que domina o tratamento de ferida? É o enfermeiro. Ou seja, o enfermeiro não apenas previne intercorrência. ele está entre os mais preparados para tratá-la. Portanto... Restringir a enfermagem... Não aumenta a segurança. fragilizam o sistema que já é qualificado, regulamentado e fiscalizado. E eu preciso dizer para terminar. Esse debate não é técnico. É uma tentativa de reserva de mercado. Porque se ele fosse técnico, nós estaríamos discutindo formação, protocolos e fiscalização multiprofissional. Finalizo reforçando. A enfermagem é ciência, formação, regulamentação, fiscalização e história, e não aceitará retrocessos. Defender a enfermagem estética é defender a ciência, é defender o cuidado qualificado, a segurança do paciente e o respeito à multiprofissionalidade da saúde. Eu encerro com uma pergunta para reflexão. Desde criança, quando alguém dizia... você vai tomar uma injeção. Quem fazia essa injeção? Mas, curiosamente, quando essa injeção passa a ser uma toxina botulínica, o mesmo enfermeiro passa a ser questionado quanto à sua capacidade técnica. Por quê? Essa é a reflexão que eu deixo para vocês. Muito obrigada.
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